A omissão de Dilma Rousseff a torna uma liberal desvairada

 

Em 1992 e 1993 levamos um “pau” do PT e dos estatistas empedernidos quando discutimos e votamos a lei dos portos ( Lei 8630 ) que possibilitou o arrendamento de áreas dos portos para empresas privadas.  A medida provisória emitida por Dilma, agora em discussão no Congresso Nacional,  revoga aquela lei e pretende “modernizar” a sistema portuário nacional, ampliando a ação dos empreendedores privados.

Um rápido histórico.  No começo da década de 90 o presidente Collor enviou o projeto de lei dos portos ao Congresso.  Participei da Comissão da Câmara dos Deputados que discutiu a matéria e produziu um substitutivo, aprovado em 93 e remetido então ao Senado.  Nele se previa, em síntese, que nos portos organizados áreas fossem licitadas para promover o arrendamento para empresas privadas, garantindo os investimentos necessários e as operações portuárias segundo regras estabelecidas e a fiscalização dos Conselhos de Autoridade Portuária, entidade constituída com a participação do governo, trabalhadores, operadores privados e usuários.  Criaram-se, também, os OGMOs, órgãos gestores de mão de obra para que os sindicatos deixassem de ter o poder soberano sobre a mão de obra nos portos.

Nesse meio tempo Collor caiu, Itamar Franco assumiu, e eu passei a ser o Ministro dos Transportes.  O projeto estava então no Senado.  Enfrentamos oposição dos mesmos de sempre, mas ele foi aprovado e, a partir daí, uma mudança substancial se deu, com muitas licitações, investimentos privados e ampliação da capacidade portuária no país.

Nas últimas duas décadas o país cresceu, as exportações e as importações também, e a capacidade dos portos começou a se mostrar novamente insuficiente para atender às demandas.  Há tempos vínhamos falando na necessidade de adaptação da lei à nova realidade, mas o governo Lula/Dilma, tomado pelo preconceito ao setor privado, demorou a tomar coragem e enfrentar o gargalo.

Premida pela realidade dramática, Dilma acordou.  Viu que sem os investimentos necessários, públicos e privados, o desastre é imenso.  Daí resolveu assinar a medida provisória.   Que ironia!  Collor usou o projeto de lei, instrumento muito mais democrático que a MP usada por Dilma.

Qual a principal proposta da MP?  É facilitar a instalação de terminais privados, em áreas fora do porto organizado, para operar com cargas próprias e de terceiros, sem licitação, apenas obtendo autorização da Agência Nacional de Transportes Aquaviários, com a utilização livre de mão de obra nos termos da legislação trabalhista em vigor.

Lá atrás Dilma e seus correligionários não admitiam qualquer privatização.  Agora que a água está batendo na altura do nariz, chama o capital privado, entregando autorizações sem licitação ou processo seletivo amplo, de forma desvairada, para resolver um nó que só passou a existir em função da omissão, da irresponsabilidade e dos preconceitos ideológicos.

Liberal assim, ao exagero, mas ainda sobrou nela o ranço autoritário e centralizador ao eliminar a autonomia local dos portos para realizar as licitações.  A MP determina que elas sejam centralizadas em Brasília.  Será só ranço ou desejo de ter em suas mãos ( no tão malfadado Ministério dos Transportes ) o poder de licitar?  O que tem isso de modernizador?

Em tempo: terminou a votação no Senado com a vitória do governo.  Na marra, com o Senado recebendo o projeto aprovado na Câmara as 10 horas da manhã e votando as 20 horas, sem haver tempo para a leitura.  Algumas modificações na MP original foram feitas, talvez alguns problemas citados tenham sido superados, só a leitura cuidadosa do substitutivo vai apontar.

Os crimes dos pais da pátria.

Os crimes cometidos por esse governo petista, presidido por Dilma Rousseff, e pelo anterior, presidido por Lula, saltam aos olhos, cada vez mais.  Aliás, começam com mentiras e fanfarronices e acabam por dar um prejuízo imenso ao país.

No governo Lula se anunciava a descoberta de bilhões de barris de petróleo no nosso sub solo, se cantava que o Brasil já era auto suficiente na produção do óleo,  que logo logo seríamos exportadores, que a nossa indústria de petróleo, a indústria naval e tantas resultantes da sua exploração, produziriam um grande salto na nossa economia, e daí para diante.  Tudo cascata.

Se tivessem sido um pouco mais humildes, poderíamos ter avançado.  Lula e Dilma acreditaram nas próprias mentiras e deixaram de fazer o feijão e arroz que se vinha fazendo na área do petróleo desde o governo FHC e desde as mudanças na legislação do setor, trazendo capitais de todo o mundo para a sua exploração.  Com grande sucesso, vide a descoberta das jazidas do pre sal.

Em 2008 o governo Lula suspendeu os leilões que vinham tendo grande sucesso para exploração de novas áreas.  Durante cinco anos Lula, e depois Dilma, se empenharam em impor um novo modelo, uma nova legislação, em função de pretensas vantagens que o país teria na exploração das novas reservas. Impuseram o que quiseram, mas nada aconteceu.  Nada foi adiante.

Pressionada pela acusação de inação, Dilma acabou por determinar à ANP que fizesse as licitações no modelo anterior.  Foi um sucesso.  Doze petroleiras do Brasil e 18 do exterior participaram pagando, por dois terços das áreas arrematadas, uma outorga ( um bônus ) de R$ 2,8 bilhões, 800% acima do mínimo exigido pela ANP, com investimentos mínimos a serem feitos pelas empresas vencedoras de R$ 7 bilhões.

Tudo isso poderia ter ocorrido há 5 anos.  Deixamos de receber e investir 10 bilhões de reais, atrasamos, em cinco anos, a produção dos novos campos leiloados, deixamos de desenvolver nossa indústria, de produzir empregos, de diminuir as importações de combustíveis, e tudo mais.

Tudo por causa desse casal, o pai e a mãe, os pais da pátria, Lula e Dilma.  Burrice, preconceitos, dogmatismo ideológico, sei lá o quê.  Ou mais grave, outros interesses?

Prejuízo irrecuperável.  Um dia pagarão pelos crimes contra o povo?

 

A guerra fiscal não serve ao país

O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, do PSDB e ex líder do partido no Senado afirmou, a respeito do projeto de resolução que trata da reformulação da legislação do ICMS, que está tramitando no Congresso Nacional, e cuja finalidade é acabar com a guerra fiscal que prejudica a todo o país:

“A atitude predatória de São Paulo condena o Estado a não eleger tão cedo um presidente da República…”.   ”Aconselho que quando (Alckmin) for lá pra Manaus, vá de chapéu, bigode, todo disfarçado, porque as pessoas lá não morrem de alegria por ele, ao contrário de São Paulo, que me respeita muito, Manaus não gosta dele.”

O projeto de resolução de unificação das alíquotas do ICMS é um texto enviado pelo governo federal e, originalmente, previa a adoção da alíquota única de 4% de ICMS para todas as transações, posição esta que São Paulo defendia.  O acordo que estava em andamento, acordado com São Paulo, era a criação de duas alíquotas – 4% e 7% – o que atendia aos Estados do Norte, do Nordeste e do Centro Oeste.  Porém o Senado  decidiu manter em 12% a alíquota para a Zona Franca de Manaus, além de outras mudanças que, ao invés de eliminar a guerra fiscal, a ampliam para outros setores da economia que até então não estavam sendo atingidos.

A atitude do prefeito é de uma leviandade e irresponsabilidade sem paralelo.  Acabar com a guerra fiscal é algo que interessa a toda a Nação.  O desenvolvimento das regiões mais pobres do país é um desejo e uma exigência de todos os estados, São Paulo inclusive, mas não será através da guerra fiscal, que beneficia muito mais as empresas que os próprios estados mais pobres, “chupando” empresas e empregos dos estados mais desenvolvidos e populosos, que iremos melhorar a vida dos brasileiros, situados em qualquer ponto do território nacional.

Além disso, a acusação a São Paulo e a seu governador, da forma chula, desrespeitosa e desproporcional, agredindo o Estado e seus dirigentes, é um despautério que um prefeito não pode se permitir.  Muito menos um líder político que tanto já contribuiu para o nosso país.

É natural que o prefeito de Manaus defenda o seu Estado, como é natural que o governador de São Paulo se preocupe com a guerra fiscal que afeta o seu Estado.  Mas acima de tudo está o Brasil, seu desenvolvimento e seu futuro, e é isso que o governador Alckmin defende.

Não é o fim da história.

O PT, Lula e Dilma, conseguiram o milagre: quase acabar com as esquerdas no Brasil.  Aquilo que nem a ditadura foi capaz de fazer – desaparecer o perigo comunista e, de quebra, limitar a força e a dimensão da social democracia – os petistas conseguiram.  Sobrou pouco, uma esquerda democrática raquítica.

Cooptaram quase tudo e todos.  Foram buscar os remanescentes da ARENA, isto é, o PP com o Maluf e o Delfim, e os que se espalharam pelos outros partidos, dividiram o DEM, ex PFL, que fora formado com uma ala mais liberal da ARENA e havia ficado na oposição, trazendo para seu regaço figuras como Kassab e Guilherme Afif, liberais, neo liberais, pós liberais,  buscaram grandes empresários em troca de benesses, e botaram à escanteio alguns esquerdistas recalcitrantes, no PSOL, PSTU, etc.  Juntaram tudo, uma salada.  O pântano.  Ninguém havia conseguido essa façanha.  Os métodos?  Ora, os métodos já conhecidos variando de mensalões até espaços de poder para atuar com total desenvoltura.

E o que sobrou?  Entra aí o PSDB, capengando, o pequeno PPS fundido ao PMN,  o que restou do DEM e alguns escoteiros soltos.

É o fim da história?  Não creio.  Em algum momento tudo isso explode e assim poderemos construir um sistema político e de partidos para viver uma vida democrática e saudável.   Os que ainda resistem à essa avassaladora ação petista tem que acreditar e agir.

 

O caminho equivocado de Guilherme Afif

Eu e o Guilherme Afif fizemos campanhas juntos em vários momentos, com o objetivo de eleger presidente, governador, senador, prefeito.  Em todos eles nosso adversário comum foi o PT.  Fomos vitoriosos várias vezes e fomos derrotados nas eleições presidenciais quando se elegeu Lula e Dilma presidentes.  Juntos não chegamos lá.  Ele, agora, de certa forma, chegou.  Vai ser ministro.  Tem qualidades para tal.  Poderia ser um bom ministro se eu acreditasse na possibilidade desse governo ainda ter salvação.  Não tem.  É uma mediocridade, com a qual ele vai ter que se misturar.

Os votos que ele recebeu na chapa com Geraldo Alckmin foram os mesmos que eu e Serra havíamos recebido 4 anos antes.  Foram votos de São Paulo contra o avassalador domínio petista na área federal.  A sua adesão à aliança petista que governa o Brasil não respeita as reiteradas manifestações desse eleitorado.

Alguns dizem que, sob o aspecto jurídico, ser ministro e manter o cargo de vice governador, não é incompatível.  A meu ver é gritantemente ilegal.  Mas, mais que isso, é politicamente inaceitável.  Aqui com o PSDB, lá com o PT.  Para onde vai a coerência?  Como interpretará o eleitor?

Deixa um trabalho que vinha fazendo com eficácia: o comando do Conselho Gestor das PPPs, no qual poderia ainda fazer muito pelo Estado que o elegeu vice governador.  Sua contribuição aqui, no Estado, foi valiosa, e certamente seria melhor para a sociedade do que na função que vai exercer a nível federal e foi aqui que o povo, o supremo condutor da vida do político, decidiu que ele deveria dar a sua contribuição.

 

Royalties do petróleo para melhorar a Educação, uma falácia.

Tem coisas no Brasil que não necessitam ser pensadas, avaliadas.  Basta ter um bom rótulo, aparentar ser bom para todos, ser “politicamente correto” e ser “comprado” pela mídia, que uma proposta qualquer vira uma unanimidade.  Um consenso.

É o caso da destinação dos royalties do petróleo para a Educação.  Alguém pode ser contra destinar recursos para Educação?  Alguém nega que esse é o grande calcanhar de aquiles do nosso país, a sua baixa qualidade como um dos fatores mais importantes que impedem o nosso desenvolvimento?  Então por quê não haver essa unanimidade?  Quem será o traidor da pátria e do povo que não concorda?

A presidente Dilma vai mandar uma Medida Provisória ao Congresso e o senador Aécio Neves defende essa medida.

Permitam-me, dou-me o direito de discordar.  Ao menos quero avaliar, discutir, ponderar.

A Educação precisa de mais recursos do que tem nos orçamentos públicos?  Certamente a resposta é sim.  Só dinheiro basta?  A gestão na área, como anda?  Certamente vai muito mal.  Gestores despreparados, professores despreparados e desmotivados, servidores pouco habilitados para cumprir suas tarefas, ao lado, é verdade, de poucos incentivos materiais e profissionais.

A Educação precisa de políticas claras a serem implantadas nos Municípios, nos Estados e na União e a definição de quais são as tarefas destinadas a cada nível de governo.  Precisa de uma regulação a nível nacional com o compromisso por parte das autoridades públicas de realizar o seu papel de fiscalizar o cumprimento das obrigações das entidades públicas e privadas na área educacional.

A Educação precisa ter recursos certos, crescentes, definidos ano a ano como atividade permanente, suficientes para cumprir o papel de instrumento mais importante que a sociedade dispõe para melhorar a qualidade de vida da população.    Isso significa que não pode ficar na dependência dos recursos dos royalties do petróleo.  E por quê?  Porque ninguém pode afirmar quando a exploração do petróleo do pré-sal vai de fato iniciar.  Porque ninguém pode garantir quanto haverá de produção desse petróleo e, portanto, quanto poderá ser destinado à educação.  Porque o preço do petróleo, do qual se extraem os royalties, é variável, em função, não só do quadro econômico mundial, mas também do quadro político que envolve as Nações.

A Educação precisa de recursos definidos no orçamento como seu item primeiro sem estarem sujeitos à chuvas e trovoadas da exploração de um bem que pode fornecer muito dinheiro ( e não é desejável que seja além do necessário em função de outras demandas ), ou que pode fornecer menos recursos dos que os necessários.  O dinheiro para a Educação não pode estar sujeito à instabilidades.

A Educação deve ter recursos do Orçamento de acordo com a sua importância, retirados, prioritariamente, de todos os impostos recolhidos no país.  Aguardar para ninguém sabe quando, nem ninguém sabe como, a alocação de recursos, é abandonar a prioridade da Educação como arma para a redenção do país.

Um PHD em hipocrisia

 

A entrevista dada pelo Lula que consta de um livro que fala sobre o seu – e o de Dilma – períodos de governo, que será lançado em futuro próximo, é um dos mais gritantes exemplos de hipocrisia que um governante de um país pode expressar.

Diz o ex-presidente: “Você pode fazer o jogo político, aliança política, mas não precisa estabelecer uma relação promíscua para fazer política”.   Uma declaração dessas, parece como sendo de alguém que, olhando de fora,  critica a promiscuidade no exercício do poder e mostra a possibilidade de um caminho de política de alianças sadia para garantir um governo eficaz e para impedir que o partido dominante seja tomado por interesses pessoais.

Da boca do Lula uma declaração dessas é um acinte à inteligência dos brasileiros.  Foi exatamente o que ele fez durante o seu governo: uma política de alianças com relações promíscuas em que os benefícios transferidos aos aliados, dinheiro e pedaços de governo eram, e ainda são, os instrumentos para manter a lealdade de pessoas e partidos.

Lula diz: “O PT precisa voltar a acreditar em valores que a gente acreditava e que foram banalizados por conta da disputa eleitoral”.  Ainda mais: “Às vezes tenho a impressão que partido político é um negócio…”.  Os valores éticos e políticos em que ele acreditava – se isso é verdade –  só lhe serviram para chegar ao poder.   A partir daí, passaram a valer, para a cúpula do governo e as principais direções do PT, o mais profundo pragmatismo e oportunismo, o uso de quaisquer métodos, independentemente de conceitos éticos e compromissos políticos, para a manutenção do poder conquistado.  Às bases petistas e seus simpatizantes só restou manter as teses do passado que tinham feito o partido e seu prestígio crescerem, afastados do poder que tinha outros parâmetros e outra dinâmica, em geral, conflitante com as próprias teses partidárias.  Acenar com uma volta ao passado, o purismo de então, é pura demagogia, enganação para encobrir perante a sua própria base partidária tudo o que fizeram contra o interesse público.  Ele precisa dessa base ainda crente no futuro das teses que defendia, para manter a relação esquizofrênica entre o governo e o PT corruptos e a sua base purista.

Ninguém mais que o Lula é responsável por estabelecer a relação com os partidos como uma relação de negócios, que ele agora diz abominar.

Sobre a declaração recorrente de que a oposição tentou depô-lo, ele sabe que não é verdade.  Eu era o líder do PSDB na Câmara dos Deputados no ano de 1995, quando o episódio do mensalão veio à tona, e eu fui um dos autores da CPI – talvez o principal responsável pela sua existência – cujos resultados hoje se conhece, com a condenação de muitos petistas e aliados, e posso afirmar que em nenhum momento se discutiu a possibilidade de afastá-lo do governo.  Não porque não achássemos que ele não merecia, após termos tido conhecimento de tudo o que ocorreu no cerne desse governo, mas porque sabíamos que não teríamos suficiente apoio popular para executá-lo.  Qualquer tentativa de fazê-lo apenas o vitimaria e fortaleceria, sem se chegar a qualquer resultado concreto.

Lula é uma figura singular.  Não tem escrúpulos, manipula as pessoas e os fatos, utiliza sua indiscutível capacidade de se expressar perante os mais simples, tem um forte carisma, e é capaz de emocionar os simpatizantes de seu partido e, mesmo, milhões de pessoas, com estórias e fatos que ele mesmo cria.  Um PHD em hipocrisia.

 

 

Maus augúrios. É um governo incompetente e irresponsável.

As nuvens que pairam sobre a nossa economia são cada vez mais escuras.   Já se fala que o crescimento econômico, este ano, não atingirá 3%.  Da mesma forma como ocorreu no ano passado, começou-se com a previsão de 4% e o ano acabou com um crescimento de 0,9%.   Cada dia que passa, há uma revisão do índice esperado… para baixo.

A esperada reação da indústria não se deu: em março de 2013 tivemos queda da  produção industrial, menos 3,3% em relação a 2012;  o acumulado em 2013 é negativo, menos 0,5%;  o acumulado em 12 meses é de menos 2,0%.   Tudo negativo.   Essa estagnação/retração da produção industrial puxa para baixo o índice de crescimento do PIB do conjunto da economia.  Justamente a área que poderia impulsionar a inovação e a criação de empregos de melhor qualidade.

Uma das razões dessa retração é a queda das exportações dos produtos industriais – caíram 5% no primeiro trimestre desse ano, em razão da fraca recuperação das principais economias do mundo e da falta de competitividade do produto industrial nacional nos mercados internacionais.  Mas as importações continuam crescendo, e bem.  Em especial, São Paulo sofre duramente.   Em vários ramos tradicionais a queda das exportações é brutal, chegando a ser superior a 80% em poucos anos, enquanto as importações desses produtos cresceram em até 800%.   Éramos superavitários, agora somos deficitários. E estamos perdendo os mercados da Europa, da Ásia, dos EUA e até da Argentina.

E as más notícias não param: a produção nacional de petróleo caiu 8,2% em março em relação a fevereiro.  Vem caindo sistematicamente.  A média diária agora é de 1,85 milhões de barris por dia, apesar do crescimento do início da exploração do pré-sal, que se aproxima de 300 mil barris diários.  Aliás, o governo federal nos entope com propaganda na TV citando esse número sem citar a queda global de produção de petróleo.  Lembram-se que o Lula anunciou, em 2010, que já tínhamos atingido 2 milhões de barris diários?   Se era verdade ou não, não sei – provavelmente não – mas hoje estamos abaixo desse número.   E a Graça ( Foster ) diz que até 2020 a Petrobrás dobrará de tamanho.  Que graça!

Além disso, a erosão das contas públicas.  Estamos gastando mais do que podemos e mais do que o nosso endividamento interno permite, e não é para investimentos, o que poderia ser desejável.  Sem investimentos não há crescimento econômico.

Sobre a inflação, já se sabe: não existe mais a meta.  O que era antes o teto da meta – 6,5% – passou a ser, de fato, o centro da meta.

Maus augúrios.  E não é porque torcemos contra o país, conforme dona Dilma nos acusa.  É porque o governo é incompetente e irresponsável.

 

 

 

Dona Dilma e seus shows televisivos

Durante 12 minutos, e pela décima terceira vez, ouvi um pronunciamento, com direito à trilha sonora, da presidente Dilma Rousseff em rede nacional de rádio e televisão, entre o Jornal Nacional e a novela. Até fiquei em dúvida se não era uma nova novela, “Salve Dilma”.  Desta vez despejou uma série enorme de temas – educação, royalties, emprego, inflação –  e dezenas e dezenas de números, que transmite aos que ouvem a impressão de inteligência, seriedade e conhecimento.  Torna-se difícil até analisá-los de imediato e essa talvez tenha sido, justamente, a sua intenção.  Em termos do número de aparições, está dando um show sobre o seu antecessor.

Sobre a inflação, quase que de passagem, ela diz: “É mais do que óbvio que um governo que age assim e uma presidenta que pensa desta maneira não vão descuidar nunca do controle da inflação. Esta é uma luta constante, imutável, permanente. Não abandonaremos jamais os pilares da nossa política econômica, que têm por base o crescimento sustentado e a estabilidade.”

Pois ela já abandonou, já demoliu os tais pilares construídos antes do período petista.  Ou será que índices acima de 6% são índices razoáveis nessa conjuntura em que o crescimento da economia, no ano passado, não chegou a 1%.  A nossa inflação é uma das maiores e o nosso crescimento um dos menores do universo.  Caso raro!

Entre os números que ela citou me chamou a atenção a “criação, em 10 anos, de 19 milhões de empregos com carteira assinada”.  Aí fui ao Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, o CAGED, operado pelo governo federal.  E o que vejo?  Em dez anos, de 2003 a 2012, o Brasil criou…14.520.658 empregos com carteira assinada.  A presidente inchou o dado em 4,5 milhões de empregos.  Para ser exato e detalhado conforme o CAGED informa, entre 0 e 2 salários mínimos, criaram-se 20.375.683 empregos, mas acima de 2 salários mínimos perderam-se 5.855.025 empregos!  O saldo é o número acima citado de empregos criados: 14,5 milhões, não 19 milhões.

Além disso, é grave, mas naturalmente a nossa presidente não explica: os empregos criados são de mais baixa qualificação e os perdidos são os de melhor qualificação.  Isso é coerente com o baixo crescimento econômico:  criação maior de empregos nas áreas de serviços que menos exigem do ponto de vista de qualificação e criação menor, ou até perda, de empregos mais qualificados na indústria de transformação.

Com tempo iremos analisando os demais pontos do pronunciamento.

 

 

 

 

 

Padilha e Haddad vão tirar os viciados da rua?

O candidato do PT ao governo de São Paulo,  Alexandre Padilha  ( o Mercadante desistiu, para nossa tristeza ) - para quem não sabe, ísto é, para a maioria do povo brasileiro, é o atual Ministro da Saúde do Brasil – começou, sub-reptíciamente, a sua campanha eleitoral na capital.  O seu principal cabo eleitoral, o prefeito Haddad, anunciou a abertura de um CAPS ( Centro de Atendimento Psicosocial ) no coração da “cracolândia” para, segundo ele, “patrocinar o encontro entre profissionais de saúde e viciados”.  Uma bonita frase de efeito que não quer dizer nada.  Ao contrário do CRATOD ( Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas ), que é um serviço da Secretaria de Saúde do governo do Estado de São Paulo, o CAPS não oferecerá a possibilidade de internação.  O dinheiro é federal, para mostrar as qualidades do ministro/candidato, mas esse CAPS, sem a internação, não vai tirar os viciados da rua, nem vai recuperá-los.

Queda no mercado de trabalho industrial levanta dúvidas quanto à retomada do crescimento

A taxa de desemprego no país, em março, foi de 5,7%, um pouco mais alta que a de fevereiro que já tinha sido um pouco mais alta que a de janeiro, mas ainda assim a menor desde 2002 neste mês.  Porém, no mês, houve eliminação de 52 mil postos de trabalho e apenas 17 mil foram à procura de uma recolocação.  Assim, é cadente, em números absolutos, a trajetória recente da população ocupada, isto é, a população economicamente ativa está caindo, refletindo a perda de vagas na indústria ( em março a indústria fechou 83 mil vagas ), o que é coerente à queda da produção industrial no país.  Aumento apenas em algumas atividades de serviços e na administração pública.

Em relação à renda média dos trabalhadores, houve queda de 0,2% ante fevereiro, em face da inflação que vem corroendo o poder de compra da população.

A conclusão é que a esperada retomada do crescimento econômico ainda não se concretizou.  O país continua andando de lado, na melhor das hipóteses.

Aliança para governar ou coligação eleitoral?

 

É perigoso o caminho que vem sendo seguido pela presidente Dilma Rousseff para enfrentar e vencer as eleições do próximo ano.  Terá consequências ruins para o país.

No início de seu mandato a presidente aglutinou uma ampla frente de partidos políticos, para obter apoio da maioria no Congresso Nacional, sem levar em conta a capacitação dos escolhidos para dirigir ministérios e demais órgãos importantes da administração pública federal.  Não levou em conta nem os compromissos dos seus aliados com o interesse público, nem a sua vida pregressa.  Assim governou por dois anos sendo obrigada, diversas vezes, a exonerar dirigentes, ou por sua incompetência, ou pelo surgimento de denúncias de corrupção.  Isso debilitou, indiscutivelmente, a capacidade de gestão do conjunto do governo central, levando à sua paralisia ou a ações inadequadas com consequências sobre o país.

No período subsequente, já tendo como foco as eleições colocadas no horizonte, Dilma passou a compor a sua equipe de forma a ignorar, ainda mais, a capacidade dos escolhidos para enfrentar os enormes desafios a que o país vem sendo submetido: organizou-a, explicitamente, com pessoas e partidos como se constrói, não uma aliança para governar, mas uma coligação eleitoral.   Vale dizer, ao invés de um ministério, com seus diversos órgãos de planejamento e execução, temos uma verdadeira coligação eleitoral que vai enfrentar as eleições no próximo ano.

Nesses termos, não há qualquer hipótese do governo enfrentar os desafios que temos implementando as necessárias medidas que teriam resultado a médio e longo prazo.   O que lhe interessa é, apenas, promover ações que tenham resultados a curto prazo, para outubro de 2014, ainda que efêmeras, quaisquer que sejam  as consequências para o país nos anos vindouros.

Para isso não se inibe em agir no sentido de impedir a presença de mais partidos que possam se contrapor à aliança majoritária, poucos meses depois de ter incentivado a constituição de partidos que pudessem compor em sua base de apoio, não para a realização de programas em benefício da população, mas para constituir a próxima coligação eleitoral.  A mesma lei que lhe serviu antes, não lhe serve mais.  Vai também nessa linha o aumento desmedido de ministérios, cargos e órgãos públicos, para cooptar novos aliados e fidelizar os antigos e a conivência com figuras de padrão moral duvidoso para compor o seu governo.

Enfim vale fazer o diabo, como já confessou, para vencer.

A ditadura militar – da qual não tenho saudades  - era dura e violenta.  Os militares usavam os atos institucionais e os instrumentos de repressão de forma clara, aberta, e isso nos facilitava a sua denúncia.  Esse governo que aí está age de forma sub-reptícia, mas obtém os mesmos resultados, através da compra pura e simples da adesão pela entrega de pedaços da administração, quando não através da distribuição de dinheiro, como já se constatou, para que os petistas e seus aliados realizem o banquete que desejarem.  Adesão política, ideológica, zero.

O resultado, além do desvio de recursos públicos, é uma administração caótica, de resultados medíocres.  Estão aí a retração da indústria, a inflação, a destruição da capacidade estatal de planejar e produzir ( vide petróleo e energia ) , os nós logísticos em todos os segmentos ( rodovias, ferrovias, aeroportos, portos ),  a qualidade da formação educacional estagnada, o mau atendimento na saúde da população e assim por diante.  E quando a presidente tenta, em um lampejo de estadista, aprovar um projeto que permita modernizar as operações portuárias, fica refém da bandidagem dessa mesma aliança que construiu.

Dilma se demitiu do seu compromisso de administrar o Brasil. Partiu para o seu projeto básico: a sua reeleição.  Assim estamos caminhando até o final do seu mandato.   Que espero, sendo o seu primeiro, seja o seu último, para o bem do Brasil.

 

 

 

A situação econômica está se deteriorando. Sinal amarelo aceso.

 

No primeiro trimestre desse ano o Brasil teve um deficit nas suas contas externas de 25 bilhões de dólares.  Significa que entre o dinheiro em moeda estrangeira que saiu do país –  produto das importações que pagamos, dos gastos dos turistas brasileiros no exterior e da remessa de lucros e dividendos das empresas estrangeiras aqui sediadas - e o dinheiro que entrou – produto das exportações, dos gastos dos turistas estrangeiros no país e dos investimentos e empréstimos externos - a diferença foi de 25 bilhões de dólares.  Esse foi o deficit.  Isso o que desembolsamos.

Estamos importando muito mais e exportando muito menos, mesmo com a nossa super safra e a venda dos nossos minérios.  E, apesar da entrada de investimentos estrangeiros, a conta não fechou e o deficit foi essa enormidade, além de estar aumentando a cada período.

O governo tem alardeado que temos uma grande reserva em moeda estrangeira, o que nos garante a cobertura desse deficit.  É verdade.  A posição das reservas em 24 de abril, isto é, ontem, era de  US$ 376.908 milhões, segundo o BC.  Quase 380 bilhões de dólares sobre os quais recebemos juros irrisórios.  Não se entusiasmem pois, para termos essas reservas aumentamos a dívida pública interna para perto de 2 trilhões de reais ou 1 trilhão de dólares, 5 vezes mais que as reservas externas, e sobre ela o governo paga juros elevados.  Porém, se o brutal deficit do primeiro trimestre, 25 bilhões, se repetisse nos próximos trimestres de 2013 chegaríamos, no final do ano, ao deficit de 100 bilhões de dólares.  Em um ano as reservas brasileiras seriam “comidas” em quase um terço.  Imaginem se isso continuasse pelos dois ou três anos seguintes.  Nosso crédito iria pra cucuia e teríamos uma baita crise cambial.

Claro, é razoável se imaginar que, tomando as medidas necessárias, não teremos nesse ano um deficit tão elevado, nem assim seria nos anos seguintes.  Mas que um sinal amarelo está aceso… isso está.  O fato é que a situação econômica está se deteriorando rapidamente.  Não é bom brincar com fogo.

 

Haddad mais perdido que cachorro que caiu do caminhão de mudança

O prefeito Haddad afirmou que a Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico ( CIDE ) dos combustíveis, que incide sobre todos os veículos, deveria ser municipalizada e esse seria o caminho para baratear as tarifas do transporte público.  Isto é, o transporte individual financiaria a melhoria do transporte coletivo.  A CIDE é um imposto que incide sobre combustíveis sendo que parte dela vai para os governos estaduais e parte dela para os municípios.  Supõe-se que o que ele pretende é que a totalidade da contribuição seja destinada aos municípios.

Claro está que isso é uma sugestão que não passa no Congresso, até porque esses recursos, em tese, são destinados à recuperação das malhas viárias, tanto as estaduais quanto as municipais.

O que salta à vista é a contradição do prefeito.  Ele acaba de determinar que os custos da inspeção veicular do transporte privado no município de São Paulo sejam bancados pelo orçamento municipal.  Vale dizer que recursos orçamentários, que poderiam ser destinados à melhoria do transporte coletivo, vão ser alocados para cobrir uma despesa típica, privada, dos proprietários de veículos privados.  É o público financiando o privado.  Agora, na contra mão do vem fazendo, propugna que o transporte privado financie o público com os impostos que são cobrados pelo governo federal, parte dos quais são apropriados pelos Estados.

O prefeito Haddad não é coerente nem consigo mesmo.  Está mais perdido que cachorro que caiu do caminhão de mudança.

Não há mais miseráveis no Brasil!

Eis um artigo de Ricardo Setti, publicado na revista Veja, a respeito do “decreto” de Dilma Roussef que, manipulando números, determinou que, desde o último 31 de março, não há mais miseráveis no Brasil.

“Como fomos todos informados pela presidente Dilma Rousseff, não há mais miseráveis no Brasil desde o dia 31 de março, quando foi riscado do cadastro federal o nome do último cidadão brasileiro com renda inferior a 70 reais por mês.

A partir daí, quem ganha 71 mensais deixou de ser miserável, pois para a ciência estatística a miséria acaba naqueles 70 reaizinhos – ou cerca de 1,25 dólar por dia, pela média dos critérios internacionais.

Daí para a frente o sujeito é promovido a pobre e deixa de incomodar tanto. “O cadastro foi zerado”, anunciou Dilma. Conclusão: como não existem mais nomes no cadastro, não existem mais miseráveis no Brasil.

Ah, sim, ainda há um probleminha com gente que ganha menos de 70 reais por mês e que não estava inscrita na lista oficial; é mera questão de tempo até o governo encontrar todo mundo, dar um dinheirinho a mais para eles e acabar não apenas com a “miséria cadastrada”, como falam os técnicos do Palácio do Planalto, mas com o problema inteiro.

Nada disso faz nexo no mundo do bom-senso, mas o governo tornou-se dependente de um outro vício – massagear números aqui e ali e fazer uso deles para tratar como retardado mental todo brasileiro que foi à escola, prestou um pouco de atenção às aulas e acabou aprendendo alguma coisa. O problema de meter-se por essa trilha é que, com frequência, os especialistas em fazer mágicas aritméticas têm de experimentar o próprio veneno.

Acaba de acontecer, mais uma vez, com as últimas cifras da ONU sobre o Índice de Desenvolvimento Humano em 187 países – uma medida que informa o nível de bem-estar da população — e não da “economia” –, em termos de vida saudável, acesso ao conhecimento e padrão de vida decente, traduzido em dinheiro no bolso do povo.

O Brasil pegou o 85º lugar em 2013, dezesseis postos abaixo do Cazaquistão e outras potências do mesmo quilate. Não é um desastre. É apenas aquilo que realmente somos – a mediocridade em estado puro.

Só na América Latina, ficamos atrás de Argentina, Chile, Uruguai, Cuba, Panamá, México, Venezuela e Peru, com a Colômbia prometendo passar à frente já no próximo levantamento. Sobra o quê, aqui em volta? Só os casos de subdesenvolvimento que já estão num leito de UTI.

A coisa não para aí. Já que o negócio é ficar refogando números, como a presidente Dilma tanto gosta, por que não servir a salada inteira? Em 1980, mais de vinte anos antes de o ex-presidente Lula decidir que o Brasil tinha sido inventado por ele, o IDH brasileiro era de 522, numa escala que começa no zero e chega ao máximo de 1000; subiu sem parar nesse tempo todo, chegando a quase 700, ou perto de 35% a mais, no Ano I da Nova História do Brasil – 2003 -, quando Lula começou sua primeira Presidência.

Nestes dez anos de Lula, Dilma e PT, o índice foi para os 730 onde está hoje. Mais: durante os dois anos do governo Dilma, o IDH brasileiro ficou perto do nível de pressão zero por zero, com crescimento praticamente nulo.

O que toda essa tabuada está dizendo, no mundo das coisas reais, é o contrário do que diz o mundo da propaganda oficial: com a sexta ou sétima maior economia do mundo em volume, o Brasil simplesmente não consegue repassar o bem-estar dessa grandeza, nem de longe, para os brasileiros que a constroem.

O governo, assim que recebeu os últimos números, entrou no seu modo habitual de indignação automática: a ONU está errada, as cifras são injustas etc. Quer que a população acredite na demência segundo a qual um cidadão que ganha 71 reais por mês não é mais miserável; ao mesmo tempo, não quer que acredite nos números da ONU.

Mais que tudo, ignora o fato de que “a revolução na renda” registrada nos governos petistas, e patenteada como invenção pessoal e exclusiva de Lula, é uma mentira: o mundo inteiro, mesmo nos casos mais desesperados da África, viveu uma rápida e inédita redução da pobreza durante os dez anos de governo lulista. De 2000 para cá, 70 milhões de pessoas saem da miséria a cada ano pelo mundo afora. Em apenas seis anos, de 2005 a 2011, a pobreza mundial foi reduzida em meio bilhão de seres humanos.

Desde 2003, os países pobres vêm aumentando em 5% ao ano, em média, a sua renda per capita. De onde Lula e Dilma foram tirar a lenda segundo a qual fizeram o que ninguém jamais havia feito?”

 Pois é, acrescento eu.  Ela mente com tanta ênfase que é capaz de acreditar nas próprias mentiras.  Freud explica. 

Quem fala o que quer, ouve o que não quer

Dilma Roussef, dia 16 de maio, em BH:  ( retifico, foi 16 de abril passado )
“E eu quero adentrar pela questão da inflação e dizer a vocês que a
inflação foi uma conquista desses dez últimos anos do governo do presidente Lula e do meu governo.”

Ela quer “adentrar” na questão da inflação. Ela diz que a inflação foi conquista…Um lapso, quis dizer, o “combate à inflação”. Mas o lapso maior foi dizer que é conquista dela e do Lula. Pois é, falando demais, sai besteira. Só falta dizer que ela e o Lula foram os primeiros a pisar na Lua, pois na Lua já estão.

Os primeiros dias de Haddad. Começa a chegar a hora da verdade.

Os primeiros cem dias de governo de Fernando Haddad se caracterizam pela continuidade da sua campanha eleitoral.  Certamente já  gastou em publicidade nesse início de governo  mais do que, no mesmo período, qualquer outro prefeito da cidade de São Paulo.  Horários nobres das TVs estão mostrando  intenções e a mídia escrita não se cansa de noticiar os mesmos projetos e os mesmos números que, em geral, foram objeto do período de campanha.

Haddad vem afirmando que vai dobrar os investimentos na cidade, dos atuais R$ 3 bilhões, para R$ 6 bilhões por ano para totalizar um plano de R$ 23 bilhões no seu período de governo.  Conta para isso com a mudança do valor da parcela de amortização da dívida da cidade com o governo federal, e com recursos da União, a fundo perdido, para a construção de 150 km de corredores de ônibus, 40 unidades de pronto atendimento de saúde e construção e reforma de 340 unidades básicas de saúde e 172 escolas de tempo integral.   Por enquanto, só conversa.

Tudo isso foi tentado pelos governos Serra e Kassab mas nunca houve  uma resposta positiva do governo federal.  Eu mesmo, quando secretário de desenvolvimento do Estado não pude obter, sequer, uma audiência do próprio então ministro Haddad, para solicitar recursos para parcerias na execução do nosso plano de ampliação do ensino técnico e tecnológico, que acabou sendo cumprido apenas com recursos do Estado.  Agora, segundo Haddad, a presidente Dilma –“ a democrata” –  vai atender os seus desejos e necessidades.  Não acredito, mas se assim for caberá perguntar por que um cidadão de um Estado ou Município administrado por alguém que não pertence ao PT deveria ter um tratamento desigual, discriminatório, para atendimento de suas carências, como acontece ainda hoje.

Por enquanto são muitos fogos de artifício e pouco resultado.  Em geral, apresentação de projetos que estavam em andamento, como a reforma dos semáforos, um projeto inovador que já nos havia sido apresentado, em meados do ano passado, pelo anterior secretário dos transportes do município e que não foi executado por falta de recursos.

Se em propaganda o governo municipal vai de vento em popa, no dia a dia já mostra suas fragilidades.  Nas AMAs ( Assistência Médica ambulatorial ), além da demora no atendimento que, segundo a secretaria é devida ao excesso de procura ( não seria carência de oferta? ),  exames de raios X não são realizados por falta de material para as radiografias.  Vale dizer, no essencial, o prefeito não mostra eficiência.

Começa a chegar a hora da verdade.

 

Texto muito atual do Serra que vale a pena ler

Acho que vale a pena ler esse texto do Serra, apresentado no discurso ao PPS, publicado em seu site www.joseserra.com.br, pois ele é lúcido e feito no momento preciso:

União pela democracia
Na semana passada, fui convidado pelo PPS para apresentar minha visão sobre o momento político que o Brasil vive, na conferência que promoveram em Brasília. Minha palestra foi feita na sexta feira, dia 12 de abril. Falei de improviso e não me animei a procurar alguma transcrição. Abaixo, faço um resumo parcial, em 13 tópicos, baseado na minha memória, no que a imprensa publicou e nos ítens que havia anotado, como roteiro para o discurso. Como de praxe, poderia dizer, e é verdade, que vários amigos me pediram o texto, mas também tive vontade de fixar melhor e compartilhar o esquema de ideias que desenvolvi. Omiti muita coisa, a fim de concentrar-me mais no tempo presente.

União pela democracia

1. É bom estar aqui com vocês, numa reunião da esquerda democrática. Sinto-me entre amigos. Comecei minha trajetória política na velha Ação Popular (AP), no movimento estudantil. Trabalhávamos junto com o PCB. São rios que voltam a confluir.

2. Tínhamos diferenças e muitas convergências. Entre elas a generosa dedicação ao futuro do nosso país, do seu povo, na direção da democracia e da justiça social. O antigo PCB foi uma das primeiras forças políticas da esquerda que começou a compreender o caráter estratégico e o valor universal da democracia. Isso nos une. Sempre rejeitei, e continuarei rejeitando, a ideia de que é preciso limitar a democracia para ampliar direitos sociais.

3. É justamente o contrário. Apenas a ampliação e a consolidação da democracia política permitem assegurar de maneira permanente os avanços e as conquistas sociais. Todas as experiências que propuseram o contrário acabaram em deformações autoritárias, e em perdas econômicas e sociais para o povo.

4. Eis o desafio que se coloca hoje para nós: defender os avanços democráticos como único caminho para marchar com rapidez e segurança na economia e na luta para reduzir as desigualdades.

5. Hoje, o estado brasileiro foi capturado por um grupo político, organizado dentro do PT e em suas franjas, que não hesita e não hesitará em enfraquecer a democracia para perpetuar-se no poder. Não aceitam a independência dos poderes, não aceitam a imprensa livre, não aceitam a hipótese da alternância no poder. Reabilitaram e fortaleceram tudo o que havia de mais atrasado e ruim na política brasileira. Hoje, expressam como nunca a vanguarda do atraso.

6. Essa captura do estado está na raiz das nossas dificuldades econômicas, cada dia mais claras. O objetivo do governo deixou de ser o bem estar geral e a construção nacional, passou a ser exclusivamente a alimentação da turma no poder. O Estado tem sido, como nunca, privatizado. Vejam o que acontece, só para dar um exemplo, com as agências reguladoras, cujas nomeações são feitas dentro de um verdadeiro mercado persa.

7. O modelo econômico lulista foi a heranca que o atual governo recebeu de Luiz Inácio Lula da Silva e de sua então coadjuvante, Dilma Roussef. Que, aliás, mesmo na presidência, continua sendo coadjuvante de Lula. Um modelo puxado pelo consumo, principalmente de importados, com baixo investimento e empregos de menor qualidade e altíssima carga tributária. O investimento, além de baixo, é mal feito. A lista é, infelizmente, longa. Vejam como se arrasta a Transnordestina, a Transposição do São Francisco, a refinaria Abreu e Lima, as obras da Copa, a modernização dos portos, as estradas federais pelo Brasil afora… Conseguiu-se fazer a mais incompetente concessão de estradas até então registrada. E por cima querem implantar um trem bala, o projeto mais alucinado da história brasileira, de 75 bilhões de reais, tudo com dinheiro público. Um projeto para o qual não há demanda, nem existe nenhuma prioridade séria que o justifique. Enquanto isso, as cidades do Rio, São Paulo, Salvador, Belo Horizonte, Fortaleza, Recife e tantas outras capitais carecem de metrô. O custo Brasil da nossa economia acrescenta 25% aos preços dos produtos brasileiros que concorrem com importações ou disputam mercado externo.

8. O ex-presidente Lula merecia virar verbete do Guinness Book of Records. Três prêmios. O primeiro, por ter quebrado a maior empresa brasileira, monopolista, com preços altos, demanda dinâmica e grandes reservas de produção: a Petrobras. Segundo, por ter jogado pela janela os efeitos da maior bonança externa que a economia brasileira já teve, torrando os dólares em consumo – em detrimento da produção doméstica e dos empregos de melhor qualidade –, mantendo desnecessariamente os juros nas nuvens e os investimentos em infraestrutura no chão. O terceiro prêmio é impressionante e chocante: Lula trabalhou algo em torno de dez anos (não mais do que isso, é verdade) como operário industrial, chegou à presidência da República e promoveu a desindustrialização do país. Hoje, graças ao governo de um ex-operário, a participação da indústria manufatureira no PIB voltou ao nível de 1947!

9. O resultado é a paralisia. O governo não tem pensamento nem plano estratégico, seu único projeto é eleitoral. Outro dia a imprensa relatava que as autoridades calculavam que um PIB de 2% seria suficiente para reeleger a presidente, e que isso lhes basta.

10. Pouco lhes importa se o crescimento baixo e a desindustrialização envenenam e condenam no médio e no longo prazos o projeto nacional de desenvolvimento. A conta deles é de chegada, eleitoral. Basta-lhes a mediocridade, se isso for suficiente para continuarem no poder. O país que se dane.

11. A herança do governo Lula, que teve Dilma como coadjuvante, foi bastante adversa para o governo Dilma. Desequilíbrios econômicos, perversão da máquina estatal como nunca antes neste país, ministros e ministros a serem demitidos por suspeitas de lambanças, políticas sociais universais, como educação e saúde, “avançando” para trás ou fugindo para diante. Na prática, como tem sido o mandato do atual governo Dilma? Dois anos de perplexidade diante da herança recebida, dois anos de campanha eleitoral! Tudo menos governar de verdade, antecipar-se aos acontecimentos, cuidar do nosso país.

12. Mas vamos ter claro: a herança do governo Dilma para o próximo vai ser ainda pior, não só pelo que recebeu como pelo que não resolveu. Sua herança, que seria mais adversa ainda se conquistasse a reeleição, vai ser do nível da que foi deixada pelo último governo militar, da que foi transmitida pelo governo Sarney ao de Collor e deste para o Itamar. Não haveria a mesma superinflação, mas os grandes estragos fiscais, econômicos, institucionais e, talvez pior do que tudo, na alma e no corpo da nação.

13. Hoje estamos juntos aqui porque juntos buscamos uma alternativa. Ela está clara. Defender com unhas e dentes a democracia, contra os arreganhos autoritários. Defender a economia contra o pensamento colonizado, de que devemos nos conformar com o papel de “celeiro do mundo”, papel a que parece estarmos condenados desde a Colônia.

Não há muita dúvida sobre o que é preciso fazer pelo país agora. O desafio maior está em reunir as forças políticas, econômicas e sociais indispensáveis para isso. Eu sou racional demais para permitir que paixões negativas do passado decidam sobre minhas ações futuras. E estas vão estar dedicadas a essa união de forças, com uma ou mais candidaturas, para promover as grandes reformas que o país requer. Acho que é por isso que estamos aqui, e contem comigo nessa caminhada.

Necessária e legítima. Mas uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

O ex governador de São Paulo Luiz Antonio Fleury Filho declarou que a intervenção da PM no presídio do Carandiru em 1992, razão do julgamento em andamento dos policiais que a realizaram, foi legítima e necessária.  Vamos aos fatos.

Estava em curso, na ocasião, uma rebelião no presídio que tinha vários pavilhões e milhares de condenados.  O fato ocorria em um pavilhão e havia o perigo da rebelião se estender pelos demais.  Algumas informações davam conta de que atos de violência estavam se dando, pondo em risco a vida de vários prisioneiros.

Assim como a Segurança Pública é responsável pela ordem e pelo cumprimento da lei nas ruas da cidade, é responsável pela vida dos cidadãos, estejam eles nos seus afazeres do dia a dia, estejam eles submetidos a um regime prisional.  A segurança do cidadão é dever do Estado e esse princípio vale também para aqueles que não desfrutam da liberdade de ir e vir.

Dessa forma o Estado deve agir, sob pena do crime de omissão, no cumprimento da lei e na preservação da ordem pública e da integridade das pessoas.  Foi pois legítima a intervenção.  E, no caso, foi necessária, pois sem ela o papel do Estado não seria cumprido.

Mas, como diz o dito popular, “uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”.  A legitimidade da intervenção e a sua necessidade não justificam o massacre de 111 homens, desarmados, ou armados de meios rudimentares.  É obrigação, sim, a intervenção da polícia em um episódio qualquer para colocar ordem na casa mas tem de fazê-lo de forma a preservar as vidas das partes envolvidas.  Aliás, se não é assim, para que a polícia?  A polícia não pode ser um bando armado, dando tiros a torto e a direito, atingindo não só eventuais responsáveis ( por o que? ) mas outros presumivelmente inocentes.

A responsabilidade do governador é realmente política.  Vale dizer, ele no comando da corporação policial não soube, ou não conseguiu, transmitir aos agentes do Estado a forma correta de conduta e, quem sabe, defendendo a absurda tese que diz que “aqueles que não reagiram estão vivos”, tenha transmitido uma mensagem que transforma a vida humana, mesmo a dos condenados, em matéria de menor importância.

O episódio do Carandiru é uma nódoa na história da civilização.

 

O chavismo morreu. O velório começou. O enterro é questão de tempo.

Mesmo que não tenha havido fraudes – o que diante do total controle do governo  sobre as instituições na Venezuela é difícil acreditar – e mesmo que uma recontagem confirme os resultados eleitorais da escolha do Presidente da República, o candidato chavista, Nicolás Maduro, foi derrotado.  A oposição, com 49% dos votos, apenas 1,6% abaixo do candidato oficial, mostrou que o país está, no mínimo, dividido meio a meio, com forte rejeição ao chavismo.

Maduro concorreu enquanto exercia a Presidência.  As políticas assistencialistas implantadas por Hugo Chavez, regadas pela abundância e alto preço do petróleo que o país possui,  tornaram milhões de venezuelanos reféns do governo federal.  Os meios de comunicação, inclusive radios e TVs, foram quase todos estatizados ou submetidos à vontade do governo federal.   Os adversários foram tratados, perante à população, como bandidos.  O candidato/presidente Maduro usou de todos os meios para provocar emoções na população, não só transformando Hugo Chavez em um santo, mas também levantando a hipótese do ex presidente ter sido assassinado pela CIA, Central de Inteligência Norte Americana.  Finalmente, durante semanas, a imprensa divulgou pesquisas que davam Maduro na frente do oposicionista Capriles com diferenças entre 7% e 12%.

Pois tudo isso foi insuficiente para uma vitória retumbante de Maduro, como toda imprensa mundial esperava.  Nem mesmo o argentino Diego Maradona, participante dos seus comícios, ajudou a não ser pela experiência que tem de fazer gols com as mãos, se a fraude for confirmada.  O fato é que ao atingir 49% dos votos, mesmo na contagem oficial, a oposição iniciou o velório do regime chavista.  O enterro é questão de tempo.  Maduro, mantido o regime imposto pelo antecessor, não terá condições de governar.  Que isso seja o início de uma transição para um novo tempo,  respeitando conquistas sociais que tenham havido nos anos que se passaram, mas que abram o caminho para um país desenvolvido que respeite as instituições democráticas.