Personalidade problemática e desequilíbrio de Dilma

Nesta semana houve um episódio que poderia ser tratado como um incidente banal, ou um fato curioso, não fosse o protagonismo da presidente da República, Dilma Rousseff.

O acontecimento foi uma homenagem que o governo federal faria aos atletas paraolímpicos, vale dizer, atletas com alguma deficiência física que participaram dos Jogos Para-Panamericanos.

O resultado para o Brasil foi positivo, melhor que os últimos obtidos, e os atletas foram ao palácio do governo para receber a homenagem.

O cerimonial do palácio determinou a entrada conjunta dos atletas vestidos de amarelo, alguns deles cadeirantes e, ao mesmo tempo, foi chamada a presidente Dilma para adentrar o recinto, acompanhada de uma comitiva de funcionários de alto nível.

As duas colunas, de atletas e de funcionários, se dirigiram, no mesmo momento, para o palco da homenagem, o que ocasionaria, curiosamente, uma “colisão” das mesmas.

Um funcionário do cerimonial do palácio, percebendo o que ocorreria, fez um gesto, uma reação espontânea e improvisada, esticando um braço na frente da presidente, paralisando o seu andar, para que a coluna de atletas passasse.

A presidente fechou a cara, gesticulou e reclamou do funcionário, e se postou atrás de sua comitiva ainda discutindo e ralhando enquanto os atletas passavam.  Isto é visível nas fotos que os jornais publicaram e nos vídeos dos telejornais.

Vi as cenas e fiquei a pensar no desequilíbrio emocional da presidente e na sua personalidade agressiva e autoritária, como se um presidente não pudesse ser barrado, justificadamente, por um funcionário qualquer, que o fez corretamente e que reagiu de forma espontânea na situação inusitada que havia sido criada.

No mínimo alguém com a sua responsabilidade, com a cabeça no lugar, diante de uma plateia e em uma homenagem a atletas, alguns com dificuldades de locomoção, e naquelas circunstâncias, teria tirado a questão “de letra”, isto é, aplaudiria os homenageados.

Seria simpático e adequado para a situação.  Pelo contrário deu um show de arrogância e desequilíbrio.

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Por quê Dilma ainda está no poder?

 

Dilma tem algum tipo de transtorno que faz com que ela, frequentemente, pareça alheia à realidade em seu redor.  Esse transtorno a faz dar declarações surpreendentes como se as pessoas não tivessem a capacidade de analisar o que ela fala, como se elas não tivessem discernimento suficiente e o mínimo de capacidade crítica para avaliar fatos e situações concretas.

Dilma não é imbecil.  Tem nível universitário, bom nível intelectual, foi secretário de Estado, ministro de duas das mais importantes pastas e duas vezes eleita presidente da República.

Então o que é o que é?  Como se explica que ela reconheça que errou porque demorou muito para perceber que a crise “poderia” ser mais grave do que imaginava; que não tinha indícios em agosto do ano passado; que ninguém imaginaria que o preço do petróleo caísse tanto; que levaram muitos sustos e vai por aí, não deixando de culpar a “crise internacional”.  Enfim como se explica que ela continue a evitar reconhecer que, de maneira geral, as próprias ações do governo, no campo político e econômico, tenham levado a uma situação de descalabro e crise em que hoje vivemos.

Vamos tentar avaliar o que se passa com ela e quais são seus valores.

Dilma está sob os efeitos da maior rejeição popular que já teve algum presidente da república no Brasil o que a deixa tonta como se estivesse próxima ao nocaute.  Mal conta hoje com o seu partido e com as organizações sindicais cooptadas por ele e com as instituições que formalmente representam o empresariado, inclusive, paradoxalmente , com os tops do sistema financeiro, por ela acusados de querer tirar o pão da mesa dos trabalhadores.  De fato, seu isolamento do Brasil produtivo, trabalhadores e empresários em geral, é evidente.

Além disso Dilma é desprovida de escrúpulos. Dizer que não sabia a situação em que se encontrava a economia do país – para quem tem a seu dispor centenas de profissionais da melhor qualidade, tem acesso a trabalhos feitos por especialistas, professores das universidades e profissionais de vários institutos e empresas, empresários de vários setores e jornalistas especializados – é no mínimo uma mentira deslavada.  Os alertas foram muitos,  conhecidos e publicados durante o ano de 2014, antes das eleições de outubro.

É claro que Dilma sabia de tudo isso mas, acima de tudo, estava o desejo de vencer a eleição presidencial.  A declaração dela agora que a vaca tossiu e foi para o brejo, é um desrespeito à inteligência dos brasileiros e uma demonstração cabal de que ela não tem condições políticas nem autoridade moral para continuar presidindo o Brasil.

Mais do que qualquer coisa o que ainda a mantém na presidência é a insegurança das pessoas e das empresas sobre o que virá depois de sua queda.  Havendo um roteiro claro e consistente sobre o futuro, o que é algo que nos cabe construir, o desenlace é inevitável.

O barco afunda. O desfecho é inevitável.  Que a travessia seja a mais curta e menos dolorosa possível.  Vamos precisar de muito engenho e arte.

 

A gente sabe quando um barco afunda: quando os ratos fogem.  A gente sabe quando um governo afunda: também quando as ratazanas caem fora, na expectativa de novos e menos arriscados ambientes para a sua festança.  É o que está acontecendo com o governo Dilma Rousseff.

Petistas e filo petistas reclamam que só se publicam más notícias a respeito do governo dela.  De fato, só más notícias, porque encontrar alguma boa só inventando.  Vejamos as últimas.

Em julho o país perdeu 158 mil empregos com carteira assinada.  Recorde desde 1992, há 23 anos, data em que começou a se produzir a estatística.  Nos primeiros sete meses do ano em curso, o país perdeu 500 mil empregos.  A previsão é que até o final do ano sejam 1 milhão.

O índice de desemprego das principais regiões metropolitanas do país chegou a 7,5%.  Poderá chegar a 9% até o final de ano.  A massa salarial e o consumo da população caem seguidamente.

O emprego industrial e a produção industrial, que identificam o dinamismo da economia, continuam caindo, como há anos.

Os preços das commodities caem em todo mundo.  Para o Brasil que ainda sobrevive da venda desses produtos, é um desastre abissal.  Era o único setor de nossa economia que ainda estava nos sustentando.

O crescimento do produto bruto ( PIB ) será negativo esse ano, queda de mais de 2% e a previsão para 2016 é a continuidade da queda.  Recessão brava.

A inflação vai se aproximando de 10%, sem que os trabalhadores nesse quadro recessivo tenham a esperança de recuperação do poder aquisitivo de seus vencimentos.

A arrecadação dos entes públicos não está acompanhando sequer os índices de inflação.  Obras e serviços são paralisados e adiados.  O investimento público é cada vez menor.

O vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral pede à Procuradoria Geral da República e à Polícia Federal uma investigação sobre os recursos que abasteceram a campanha da dupla Dilma/Michel, em função do que já se conhece até hoje.  Se for confirmado que a origem dos recursos é as propinas das estatais, a cassação dos mandatos é inevitável.

O Tribunal de Contas da União deve dar o parecer sobre as contas da Presidente de 2014.  Os órgãos técnicos do Tribunal já apresentaram o parecer que é pela rejeição dessas contas.  Um trabalho sério, profundo e substancioso.  São razões mais que objetivas para configurar o crime de responsabilidade, passível de impeachment, até independentemente do voto dos conselheiros.

O Ministério Público denuncia o Presidente da Câmara dos Deputados, o segundo na linha da sucessão presidencial.  O Supremo deve receber a denúncia.  O Presidente do Senado, o terceiro na linha da sucessão, ainda não foi, mas será.

Muitos líderes de hoje, inclusive o ex-presidente Lula, serão varridos da cena política.

Toda essa instabilidade política e econômica paralisa os investimentos privados.  O país parou.

Federações e Confederações empresariais e sindicais sustentadas pelo imposto sindical se mobilizaram para salvar a presidente.  Em vão.

É preciso algo mais?

O quadro de crise total está configurado.  Muito prejuízo para a economia do país e para a vida do nosso povo.  Muitas cabeças vão rolar. O desfecho é inevitável.

Só ainda não sabemos onde vamos parar e como vamos realizar a travessia.  O tempo dirá. Que seja o mais curto e menos doloroso possível.

Vamos precisar de muito engenho e arte.

 

O PT isolado, e a charge do Laerte

 

As manifestações organizadas pelo PT, em princípio para se contrapor àquelas do último domingo contra ele, Dilma e Lula, mostraram o seu isolamento no poder, dos seus partidos de sustentação e dos seus líderes.

O número de manifestantes foi substancialmente menor que os que se manifestaram no domingo, e em muito menos municípios do país.  Porém o fato mais importante foi que, enquanto os manifestantes contra o governo eram pessoas que foram mobilizadas pelas redes sociais, sem a participação de quaisquer das entidades tradicionais da sociedade civil, no ato convocado pelo PT, além dos seus militantes mais sectários, estavam funcionários dos sindicatos de trabalhadores e das entidades sindicais sob o seu comando, regiamente subvencionados pelos recursos públicos do imposto sindical e funcionários de prefeituras petistas, além de participantes de assentamentos e invasões conduzidas pelos partidos ditos “de esquerda”, que usam para a mobilização recursos estatais a eles destinados.  Ainda mais, tiveram à disposição transporte gratuito bancado também com dinheiro público, em parte vindo dos municípios dirigidos pelo PT.

Visível, também, a divisão quanto ao conteúdo das manifestações.  Enquanto alguns frisavam a defesa da presidente, outros centravam na crítica ao ajuste fiscal, ironicamente conduzido pelo ministro da Fazenda, cargo de confiança da própria presidente.   Esquizofrenia explícita.

O sentimento do povo em geral, que se apresenta radicalmente contra a presidente, é o fato político mais importante dessa crise em que estamos vivendo, mais importante e decisivo que a manifestação governista das confederações empresariais, da OAB, das centrais sindicais petistas e afins, dos movimentos populares esvaziados conduzidos pelo PT, e mesmo mais decisivo que o apoio do PMDB, de Michel Temer ou de Renan Calheiros.

Sem a denominada simbolicamente “voz das ruas”, na realidade a expressão de um sentimento amplamente majoritário da população, não há chance de salvação da presidente.  A governabilidade só se realiza se, ao lado do governo, se colocar a maioria da população.  Isso não acontece e dificilmente acontecerá.  A legitimidade se esvaiu.

A presidente já era, o seu partido já era, a sua base congressual já era, seu apoio popular já era e nada mais pode salvá-la.  É preciso agora encontrar, nos marcos da legalidade democrática, a saída política para enfrentar a crise econômica em que vive o país e construir um novo governo que recupere a capacidade de governar.

Em função de uma charge publicada pela Folha, no dia 18 último, produzida pelo Laerte, mandei uma carta, ainda não publicada, ao jornal.  O texto vai abaixo

“A charge do Laerte ( pg 2, 18/8 ) a respeito da manifestação do último domingo é uma agressão inaceitável, um dogmatismo que violenta os democratas que foram protestar contra um governo corrupto e um partido que há anos vem destruindo a economia do país.  A minha indignação ( eu que lá estive com minha mulher, filhos e netos ) com o seu trabalho que nos mostra como que associados a criminosos encapuzados ( com eles se confraternizando ) aumenta quando recordo que estive com ele na frente de luta contra a ditadura militar em defesa das liberdades democráticas.  A presença no ato de manifestantes que pediam a volta dos militares ( uma minoria ), não justifica o conteúdo da charge.  Abominável.”

Com paciência e respeito à Constituição, venceremos. O povo está atento e consciente.

 

Estive hoje na manifestação contra o governo na Avenida Paulista.  Muita gente, de forma semelhante à última manifestação na mesma Avenida.  Confesso, porém, que me senti incomodado com a agressividade das palavras de ordem que predominaram, mostrando que o comando das manifestações começa a ser imposto por setores sem compromisso com os valores que nós, do PSDB, julgamos essenciais e que têm sido divulgados por nossos líderes, inclusive na convocação para os atos: defesa da democracia, da reconstrução da vida pública, da moral, da economia e da política brasileira.

A defesa desses princípios e dessa conduta é essencial para que possamos participar com convicção e empenho e para que o movimento contra o governo petista não desborde para o chamamento à soluções que não respeitem a democracia.

Pode-se até compreender o grau de indignação e de animosidade que as pessoas sentem, e por isso as manifestam, a respeito da continua avalanche de denúncias, muitas delas que nos parecem de veracidade inquestionáveis, mas que devem estar sempre sujeitas aos princípios da ordem jurídica.

O mal que o PT causou à vida pública brasileira ao transformar o que seriam seus projetos de uma sociedade solidária e igualitária em simples instrumentos de propaganda para chegar ao poder, nele se manter, e dele usufruir para atender seus interesses pessoais é o que tem levado milhares de pessoas a querer pular etapas para levar Lula, Dilma e outros líderes, não às barras dos tribunais, mas diretamente à cadeia.  Compreensível mas inaceitável.

Cabe-nos intervir nessa rota na forma como vem sendo conduzida, de maneira que a luta política que encetamos possa penalizar quem deve sê-lo e para que possamos construir um governo com plena legitimidade e capacidade de comandar o país para sair desse atoleiro que irresponsáveis e criminosos nos meteram.  Sem apelos ao descumprimento das leis que garantem, hoje e amanhã, para todos nós, o pleno exercício da democracia.

Com paciência e respeito à Constituição venceremos!  O povo está atento e consciente.

 

A crise vai aprofundar com o terceiro turno das eleições presidenciais

 

Vocês lembram que o PT dizia que, quando nós da oposição alegávamos a ilegitimidade do processo eleitoral que elegeu Dilma e Michel – hoje mais do que comprovada pelos técnicos do Tribunal de Contas da União e pelas investigações da operação Lava Jato – estávamos querendo um terceiro turno nas eleições?  Pois o terceiro turno começou a ocorrer, com uma campanha eleitoral comandada pela rede Globo e demais emissoras de TV.  Com o detalhe de que é apenas a Dilma que tem tempo de TV, todos os dias, expondo sua pessoa e seus pontos de vista, sem qualquer contestação de quem quer que seja.

O desgaste da presidente nesses 9 meses após o pleito, em que seu prestígio foi ao fundo do poço e nos quais ficou claro o estelionato eleitoral do qual o povo foi vítima, e a sua incapacidade de enfrentar as crises política e econômica de sua total e absoluta responsabilidade, trouxeram consequências desastrosas sobre a vida da pessoas e das empresas, levando a sociedade a pedir a abertura de um processo de impedimento.

A iminência da denúncia e a ingovernabilidade do país sob o seu comando, levou-a a se entregar de corpo e alma ao comando peemedebista de Renan e Michel Temer e aos principais representantes da mídia eletrônica, ao mesmo tempo em que promovia uma forte reação com a mobilização de todos aqueles que, no Legislativo e no Judiciário, lhe deviam algum favor.

Da estratégia governista fez parte uma ação junto aos tribunais, o TSE e ao TCU, neste através da influência de Renan Calheiros.  No TCU ela obteve um novo prazo para responder às acusações de crime de responsabilidade e no TSE obteve um tempo indeterminado com o pedido de vistas do processo de anulação do processo eleitoral que levaria à cassação dela e de seu vice.

A operação foi comandada por Renan Calheiros que chegou a inventar uma Agenda Brasil, inviável, com dezenas de medidas em diversas áreas como se já fosse o comandante do governo, sem que Dilma fosse consultada, a não ser para dar o seu “de acordo”.

Ao mesmo tempo as mídias sociais começaram a bater na manifestação do próximo dia 16, domingo, acusando-a de ter como objetivo um “golpe”, articulado pela direita.

Quem imaginava que seria trivial o processo de afastamento da presidente, como se pudesse ser um ato de vontade da oposição, pode ver agora que não bastam argumentos e provas, nem mesmo o respaldo legal.  É preciso uma forte mobilização popular, pois só diante dela é que se darão por vencidos aqueles que, por uma razão ou outra, procuram prolongar o mandato de uma presidente que perdeu as condições políticas e morais para governar o Brasil.

 

Dilma, sob tutela, abdicou.  Renan é o primeiro ministro. E salve-se quem puder.

 

Formou-se a frente de sustentação e de tutela de Dilma Rousseff.  A mulher de forte personalidade, a gerentona de garra, entregou os pontos.  O novo governo brasileiro será conduzido pelo senador de Alagoas, Renan Calheiros, o mesmo que havia renunciado ao cargo para não ser cassado e que agora volta como presidente do Senado e, de fato, o como o todo poderoso chefe do governo petista/peemedebista.  O primeiro ministro.

Ao apresentar um conjunto de 27 pontos como se fosse a salvação do país e como se fosse trivial aprova-los, Renan obteve o entusiástico apoio de Dilma, o que permitiu a ela, candidamente, afirmar que era isso mesmo que queria.  Pontos, aliás, que em épocas anteriores teria rejeitado com palavras que não se repete em casas de família.

Dilma abdicou, de fato, para que não tivesse de fazê-lo de direito, à presidência da República.  Renan, com a assessoria de Michel Temer e de mais alguns senadores e ministros, e o respaldo de Sarney e de Lula, obteve a adesão da rede Globo, o que foi possível comprovar nas três últimas edições do Jornal Nacional, duas delas com extensas falas de Dilma em Boa Vista e no Maranhão ( editadas pela agência federal oficial de notícias ) e a última com a demonstração da movimentação dos governistas no café da manhã, no almoço, em jantares e em reuniões as mais diversas.

O que menos se esperava era o JN tornar-se o Diário Oficial da União.  Ou da aliança que governa o país.  É o que faz uma economia em depressão: menos negócios, menos publicidade, agências de “rating” rebaixando empresas, inclusive na área de comunicação.  É um salve-se quem puder.

Faltou, no entanto, combinar com o Eduardo Cunha, até agora um resistente.  Mais ainda, e essencial, faltou combinar com os brasileiros.  Depois da experiência das últimas eleições não vão mais comprar gato por lebre.

 

 

Nem muito depressa que pareça ânsia de poder, nem muito devagar que pareça covardia. 

 

Dilma Rousseff realmente perdeu as condições para governar.  No entanto não serão Renan Calheiros, ou Eduardo Cunha, ou mesmo Michel Temer, figuras de um PMDB profundamente envolvido na corrupção que tomou conta do governo nesses últimos 12 anos, que terão, através da tutela à presidente desgastada, a legitimidade para governar.  Nenhum deles, nem o PMDB, tiveram o respaldo das urnas para governar o país.

Pouco também valerá o chamamento à UNE, a CUT e ao MST para socorrer o poder.  Essas entidades já tiveram uma representatividade maior mas, nos últimos anos, sob o governo petista, se transformaram em medíocres aparelhos partidários, de um ou de outro partido da base governista, sem capacidade para mobilizar seus pretensos representados.

Muita água ainda vai correr por debaixo da ponte antes que se encontre a fórmula de transição da situação atual para uma nova que possa atender às exigências da condução do país, para superar a crise em que eles, PT, PMDB e demais agregados, nos meteram.

A ansiedade é compreensível em face da crise por que passamos, mas o açodamento pode ser fatal.

Melhor seria para o país se a decisão do Tribunal Superior Eleitoral sobre a existência  de crimes eleitorais, através dos quais Dilma e Michel venceram as eleições, fosse a mais rápida possível.  As investigações da Lava-Jato, que mostraram a farta distribuição de propinas para sustentar as campanhas eleitorais, hoje comprovada, pode dar aos juízes do TSE condições para cassar os mandatos dos beneficiários.   Assim, novas eleições seriam convocadas.

Porém a decisão é do Tribunal e tem que ser respeitada.

Outra hipótese seria a ação do Congresso Nacional no sentido do impedimento da presidente, decisão que pode ser tomada pelo Legislativo desde que se configurem, concretamente, os já conhecidos crimes de responsabilidade por ela cometidos, alguns sob a avaliação do Tribunal de Contas da União.

Existem, pois, caminhos a serem trilhados até que o processo de impeachment se inicie e o seu final esteja no horizonte.  Sem receio mas com o passo firme.

Nós não temos ânsia de poder.  Sabemos que assumir o país nas condições em que se encontra, não é trivial, nem é sedutor.  O risco de um imenso desgaste é assustador.  Mas pode ser necessário, pelo bem do país.

Não seremos covardes ao ponto de não fazermos o que tem de ser feito.  Vale dizer, estamos fazendo de tudo para que as investigações cheguem às conclusões possíveis, caracterizando as responsabilidades de cada um e a necessidade do cumprimento da lei.  A possibilidade do impedimento do presidente da República não é um simples adereço da Constituição.   Está lá para ser cumprido, se as condições adequadas se impuserem.

Faltaria, vistos os trâmites legais, o essencial: a vontade popular que se expressaria não só pelo povo nas ruas e pelas pesquisas de opinião, mas pela percepção diuturna que temos no contato com as pessoas.

E isso nos parece que não falta.

 

 

 

Os fatos passados e o colapso da administração fez esvair a legitimidade de Dilma Rousseff

 

Não foi por acaso que Dilma foi a Boa Vista, Roraima, cidade de 300 mil habitantes, quase na divisa da Guiana e da Venezuela, longe dos grandes e vibrantes centros populacionais do Brasil, inaugurar um conjunto habitacional, no momento em que sua legitimidade passa a ser contestada por todo país, para proclamar: “Ninguém vai tirar a legitimidade que o voto me deu”.  Lá, no extremo Norte do país, dificilmente seria molestada e seu discurso seria olvido por todos, através dos meios de comunicação, em particular, do JN da Rede Globo, que lhe deu um espaço de tempo fora do usual, como que para comprovar que contra ela não existe uma conspiração da mídia e da elite.

Lá ela expressou seu conceito de legitimidade.  Teve mais votos na última eleição e isso basta.  A partir daí, faz o que quer, ainda que o que tenha feito lá atrás – cada dia fica mais claro – tenham sido crimes.  Quer nos fazer crer que a eleição lhe deu uma prescrição ou uma anistia em relação ao que fez, e que o que faz agora seja algo que não dá ao eleitor o direito de se indignar por se sentir enganado por ela pelos discursos que fizera e pelos compromissos que assumira.

Dilma não entendeu que a legitimidade do governante é algo que tem de ser conquistada e reafirmada todos os dias, dia após dia.

Se ela, lá atrás, cometeu crimes contra a administração pública, eles não foram prescritos, muito menos anistiados.  O mesmo se foi omissa ou conivente com o que ela chama de malfeitos.  O que sabemos hoje faz parte de sua história. É indelével.

Se ela hoje não mais consegue agregar apoios suficientes para enfrentar a crise em que vivemos e pela qual ela tem uma enorme dose de responsabilidade, se não consegue levar o país ao caminho da prosperidade que ela prometeu aos eleitores, ela é, sim, passível de rejeição e sua legitimidade se esvai.

A rejeição a ela, em todos os rincões do país, em todas as camadas sociais, já lhe subtraíram a legitimidade com que, em determinado momento, o povo a marcou.

Não se trata de uma questão conjuntural, um mal momento na vida da Nação.  A perda da legitimidade provém do colapso do governo no campo moral, no campo econômico e no campo político.  Perda de respeito irrecuperável.

Por isso se trata de afastá-la.  Seja porque os crimes cometidos em sua campanha eleitoral sejam julgados no Tribunal Superior Eleitoral e se conclua pela cassação dos mandatos, dela e do vice, convocando-se novas eleições, seja porque o Congresso Nacional use o dispositivo constitucional do impedimento em função dos crimes de responsabilidade que a lei especifica.  Em ambos os casos, são regras que a Constituição estabelece exatamente para situações como a que estamos vivendo.

Nada de golpe.  Golpe é não aplicar a lei quando ela se impõe.

O fato político que lhe retira a legitimidade é a sua impossibilidade de governar.  Ninguém vai lhe tirar a legitimidade que o voto lhe deu, a não ser a própria vontade popular.

O PT em estado de putrefação e o governo em fase terminal.  Não contem conosco para a sua salvação.

 

O PT que esteve agonizando, moribundo, morreu.  Agora está em estado de putrefação. Que renasça um PT progressista e saudável, para o bem da democracia em nosso país.

O governo, comandado por ele, está em fase terminal.  Não é capaz cumprir o seu papel de dirigente da administração pública, nem de balizar o desenvolvimento da sociedade brasileira. Perdeu a legitimidade para governar.

Esses são os fatos que se apresentam na realidade do nosso país nos dias de hoje.

É desejável para a vida política nacional que o PT seja recriado como um verdadeiro partido  democrata e respeitado.  Aquele PT que era uma referência da luta contra a desigualdade social e por uma vida política que teria na ética a sua alma.

O novo PT, certamente menos radical e sectário do que era, será um elemento essencial para a consolidação da democracia.

Os últimos suspiros dos que sustentam o governo Dilma são os apelos à oposição.  Não há nisso nenhum desejo verdadeiro de unir forças para superar a crise em que vivemos.  É apenas uma manobra para ganhar tempo e evitar o desenlace imediato.  Não contem conosco.

Houve vários momentos após as eleições de 2014 em que seria possível e razoável uma ação conjunta para enfrentar a crise que se sabia inevitável.

O primeiro deles logo após a divulgação dos resultados do pleito, quando era patente que a apertada vitória de Dilma colocava dúvidas sobre a legitimidade do novo governo.  Hoje isto é claro tendo em vista tudo que foi exposto publicamente nesses últimos meses.  Bastava o reconhecimento de que o povo, em grande parte, maioria ou não, não os desejava mais.

O segundo momento foi o da posse em 1º de janeiro quando Dilma, já absolutamente consciente das dificuldades que teria em superar a crise prevista e anunciada, procurou manter o discurso eleitoral e dividir o país entre eles, os bons moços, e nós, os maus, que queríamos manter as iniquidades da sociedade brasileira.

Nesses momentos Dilma e seus aliados representavam metade do povo brasileiro.  Agora não representam sequer 10% do mesmo.  A hora de apelar para um entendimento nacional já passou.  Agora é só ato de desespero, o pedido de uma mão que não será estendida.

Para o Brasil, a melhor saída  é a exclusão do poder do PT e dos aliados que se enlamearam.  Base política, social e legal não faltam. É a solução legítima, a mais rápida e mais eficaz e a menos penosa para o nosso povo.

Por isso temos de encontrar o caminho para superar esse quadro doloroso para o nosso povo, usando os instrumentos que as nossas instituições democráticas nos ensejam, . afastando do poder aqueles responsáveis por uma das mais graves crises de nossa História.

 

 

 

Vamos nos mobilizar para defender as instituições democráticas

 

A reação dos poderosos, que se julgavam inatingíveis pelas leis vigentes, crentes de que ninguém iria mexer com eles, está em franco andamento.

No executivo, Dilma e o PT mobilizam os seus ministros e pressionam os devedores de seus favores para evitar que o Tribunal de Contas da União dê parecer contrário às suas contas de 2014, o que ensejaria um processo por improbidade administrativa e por descumprimento da lei de responsabilidade fiscal.  Fizeram e desfizeram, prometeram pagar o que não podiam, gastaram o que não tinham e agora argumentam que não foram eles os únicos criminosos… Em seguida vão ter que se defender, perante o Tribunal Superior Eleitoral, dos crimes eleitorais cometidos durante a campanha eleitoral e explicar a montanha de propinas que receberam para sustentar os seus gastos.

No Legislativo, além do presidente do Senado, Renan Calheiros, às voltas com acusações feitas pelo Ministério Público de ter recebido propinas de empresários, e em guerra aberta contra o procurador geral Rodrigo Janot, superou-se o presidente da Câmara Eduardo Cunha.  Ele, também foi acusado por um assumido corrupto que, sob a delação premiada afirmou (perante o juiz do processo Sergio Moro, sem que esse o tivesse induzido a citar o parlamentar) que havia entregue a Cunha uma substancial quantia em dinheiro.  Então Cunha resolveu exigir do Supremo Tribunal Federal que o juiz fosse afastado  através de uma medida liminar, como se esse tivesse investigado o parlamentar que tem foro privilegiado.  Só falta o Lewandowski ceder à pressão.

Para completar elle voltou:  Collor de Mello botou pra quebrar, inconformado com a ação da Polícia Federal e do Ministério Público que foi à casa da Dinda buscar papéis e aproveitou para  aliviá-lo dos seus brinquedinhos – uns carrinhos pra provocar inveja de qualquer um.  Collor conseguiu na Comissão de Fiscalização Financeira do Senado, com parecer do senador Ivo Cassol, a aprovação de um requerimento para que o TCU fiscalize duas licitações feitas pelo Ministério Publico para suas atividades.  Um detalhe:  Ivo Cassol só está no Senado porque as condenações que sofreu na Justiça, aliás bem pesadas, ainda não transitaram em julgado definitivo.

Um pequeno refresco para Dilma:  não é só o Executivo que está coberto de lama.  No Legislativo as coisas também não andam bem.

Nesse quadro dantesco, sobram os 200 milhões de brasileiros, menos alguns, que nada tem a ver com as bandalheiras que aparecem a cada dia.  Mas se nós não nos mobilizarmos, de uma forma ou outra, para enfrentar os graúdos sem moral, quem vai acabar sendo presos seremos nós mesmos.

Então mãos à obra.  Ponhamos a cabeça e os pés a funcionar.  Cada um de nós.  E, é claro,  vale para os meus companheiros do PSDB e para todos os que amam esse país.

O DNA do PT

As agências reguladoras foram criadas para regular e fiscalizar o mercado em que atuam as empresas privadas ou públicas de um determinado setor.  Devem criar as condições para que as empresas tenham igualdade de condições nas disputas entre elas, sem que se constituam em cartéis que combinam preços e condições para fraudar a concorrência. Devem, também, tratar de garantir que o consumidor tenha os seus direitos assegurados.

Participei, como deputado federal, na elaboração da legislação de quase todas as atualmente existentes.  Fui relator da lei que criou a ANATEL no setor de Comunicações, presidi a Comissão Especial que elaborou a legislação do petróleo criando a ANP, e participei da Comissão que criou a ANEEL, dentre outras.

Em uma delas, a que criou a ANAC, agência nacional da aviação civil, presidi a Comissão que deu o parecer final.

Em nenhuma delas percebi interferências políticas quando da instalação de suas primeiras diretorias.  Nelas se aproveitou o que se tinha de mais qualificado em cada setor, a maioria durante o governo Fernando Henrique.

Isso no reinado de Lula e de Dilma Rousseff mudou.  As indicações, se não todas, em grande parte, se originaram de acordos políticos seja com os partidos de sustentação do governo, seja com os interesses privados envolvidos.  Os resultados estão aí.

A operação Lava Jato mostrou como isso foi desastroso para o pais.  Mas a lição não foi aprendida pelo governo atual que acaba de indicar, para aprovação do Senado, um senhor de 28 anos de idade, advogado, para a diretoria da ANAC, cujo curriculum é ter sido estagiário na própria Agência.  Sua principal qualidade e qualificação é ser genro do senador Eunício Oliveira, líder do PMDB no Senado Federal, em cujo casamento recente teve a honra da presença da presidente Dilma Rousseff, que agora o indica para a agência.

Essa gente do PT não aprende, nem aprendeu nada.  Essa forma de conduta faz parte do seu DNA.

Aguardem os próximos capítulos.  Vem ainda muita sujeira por aí.

Precisamos salvar o Brasil!

 

Ninguém sabe o que vem mais por aí.  O quadro social e econômico se deteriora rapidamente, em todas as áreas.  A ruína desse governo não se assemelha com nada já visto no Brasil.

Apenas para citar um dos mais eficazes instrumentos eleitorais do PT, o bolsa família, nesses últimos quatro anos ele foi reajustado em apenas 10%, as vésperas da eleição de 2014. Nada mais. Milhões de pessoas que tinham subido acima da chamada linha da pobreza, passaram a ficar abaixo e foram obrigadas a consumir menos do que consumiam.

Ainda mais, neste ano, milhões de jovens que foram atraídos para as faculdades privadas com o benefício do FIES e o ensino técnico através do PRONATEC, além daqueles que acessaram bolsas pelo programa Ciência sem Fronteiras, ficaram a ver navios, com seus estudos interrompidos.  Enquanto isso faculdades públicas construídas às pressas não estão podendo cumprir os seus objetivos por falta de recursos financeiros.  Tudo isso feito, ironicamente, ao mesmo tempo do lançamento do slogan “Brasil, pátria educadora”.

É possível imaginar algo mais criminoso do que o que vem sendo feito pelo governo brasileiro com milhões de cidadãos?  Todos eles foram induzidos a acreditar no contrário da realidade que enfrentam.

Ao mesmo tempo postos de trabalho desaparecem, a inflação avassaladora corrói os salários, não existem recursos públicos para investir e o setor privado teme fazê-lo.  A economia encolhe, em especial, a produção industrial.  A recessão se aprofunda dia após dia e não se sabe nem quando e nem como vamos chegar ao fundo do poço.

Os governos petistas foram uma catástrofe que se abateu sobre o país. Algo para ficar como um dos períodos mais negros da nossa História.

No plano político, que é causa e consequência desse clima adverso, as coisas vão de mal a pior.  A descoberta de ações de uso inadequado e de desvio de dinheiro público se apresenta em todos os setores da administração. Fica cada vez mais evidente a omissão, a conivência e a autoria de atos criminosos dos mais importantes governantes e dirigentes públicos e dos mais importantes lideres partidários da base de apoio da presidente.

A presidente perdeu a capacidade de governar e perdeu o respeito da população, inclusive do eleitor que acabou de sufragá-la.  Sua base de sustentação se desagrega e se dispersa dia após dia.  Não há mais nem o velho fisiologismo, que funcionou por vários anos, capaz de segurar o estouro da boiada.  Os dirigentes dos partidos da base do governo, a começar pelo PT, estão em um salve-se quem puder: os que não estão na cadeia, ou investigados, ou denunciados, ou processados, temem ser os próximos da lista.

Especula-se que ela pode ser apeada do cargo, com o vice junto ou que ele assumiria.  Que isso interessa a esse ou aquele partido, a esse ou aquele líder politico.  Especula-se que para uns interessa, a outros não, que deixem o governo antes de 2018.  Especula-se quem é que vai sucedê-los, agora, logo mais, ou em 2018.  Cada qual vê o quadro pela ótica de seus interesses privados.

Não é isso que interessa ao povo brasileiro.  Somos mais de 200 milhões sofrendo, aqui e agora, e queremos ações e resultados para o curto prazo, nos limites da legalidade democrática, repelindo quaisquer aventuras que maculem as instituições que conquistamos a duras penas.

Se um caminho interessa mais ou menos a qualquer agrupamento político, ou à alguma facção dele, isso é que menos importa

O que interessa, de verdade, e é sobre isso que devemos nos debruçar, e já, é encontrar o caminho que for melhor para o nosso povo, independentemente dos interesses e ambições de partidos e de pessoas, por mais legítimos que sejam.

. Essa é a discussão que as forças políticas, os partidos, a sociedade em geral devem enfrentar.  Cabe a nós, o PSDB, como maior partido de oposição, que esteve nas últimas eleições próximo de obter a maioria dos votos, a responsabilidade de articular e liderar todas as forças da sociedade que não estejam comprometidas com os descalabros que emergem nesse momento da vida política brasileira.

Precisamos é salvar o Brasil e renovar as esperanças de um futuro promissor para os brasileiros.

 

O Golpe de Dilma Rousseff

 

Quem está golpeando Dilma Rousseff?

Em primeiro lugar é a sociedade, uma quase unanimidade, que se deu conta dela ser falsa, mentirosa, covarde, que não teve a coragem de mostrar ao povo, durante o processo eleitoral, qual a real situação do país e quais seriam os sacrifícios que teriam de ser feitos para coloca-lo no eixo.  Ainda mais acusando os seus adversários de que iriam praticar todas as duras medidas que ela mesma decidiu tomar logo que a vitória lhe sorriu.

Em segundo lugar são seus aliados e o seu próprio partido, a começar do seu principal aliado, o PMDB que através de seus líderes no Congresso Nacional promove suas derrotas e cobra altos dividendos para abrandar o serviço que executa contra o próprio governo; não fica atrás o seu PT que acaba de produzir uma resolução em que, aproveitando a derrota dos que na Grécia defendiam uma política austera, ataca as políticas de ajuste fiscal aqui adotadas, justamente a principal ação da presidente para tentar sair da enrascada em que meteu o país; mais duro ainda é o seu criador, o Lula, que afirma que ela está, como todos eles, no “volume morto” e ameaça com a mobilização dos exércitos do Stédile, quem sabe se a favor ou contra ela.  Esses para ela não são golpistas?

Em terceiro lugar o que está golpeando Dilma são os feitos, ou malfeitos como ela gosta de chamar, dos seus indicados para dirigir a administração pública que, associados a políticos que tem de ser banidos da vida política e a empresários que devem ser impedidos de trabalhar para o poder público, promoveram a maior devastação que se tem notícia desde que Pedro Álvares Cabral aportou em nossas terras.

Enfim, golpe foi o que ela e seus chefes e subordinados, praticaram e tem praticado contra todos nós, brasileiros, que vão sofrer nos próximos anos para reconstruir o país e limpar as manchas que se espalham por todos os cantos da administração pública.

E nós da oposição, do PSDB, fazemos o quê?  Não fomos nós que mobilizamos centenas de milhares de pessoas nas ruas para mostrar o descontentamento com o governo petista.  Foram gestos espontâneos de indignação de nosso povo.  Nem sequer participamos da organização dos atos.

Nós estamos exercitando por todos os meios legais o nosso papel de oposição e, mais que isso, de responsáveis pelo futuro do país.  Damos nossas opiniões pela imprensa em todos os níveis, nos apresentamos em todas as casas legislativas, em particular no Congresso Nacional, usamos as instituições democráticas na forma que as leis nos permitem, bem como fazemos o nosso papel como oposição responsável  posicionando-nos diante dos fatos que, dia a dia,  se nos apresenta a dura realidade de um governo que cometeu e comete ilegalidades por anos a fio.

Assim aguardamos as manifestações do Tribunal de Contas da União, do Superior Tribunal Eleitoral, do Supremo Tribunal Federal, do Ministério Público da União e da Polícia Federal, que exercem o seu papel, cada um dentro de sua competência, para que possamos avaliar o caminho que devemos adotar para resgatar o governo do país e permitir que ele possa enfrentar os desafios enormes que tem pela frente.

Nem golpe, nem condescendência com o governo Dilma!  O que ela tenta é nos criminalizar e jogar a opinião pública contra nós.

Não há, de nossa parte, nenhuma tentativa de golpe. Esse ela já deu e vem dando no descompromisso com valores morais e no desrespeito aos princípios democráticos.

O fato real é que, do ponto do vista político, o governo Dilma já acabou e não tem mais condições de governabilidade.  O importante agora é salvar o país, retirá-lo da estagnação e do retrocesso e reconstruir as instituições econômicas e políticas do país que foram arrasadas.

Precisamos, isto sim, de um contragolpe.  Ela grita “pega ladrão” para que o ladrão de verdade possa se evadir.  Não vai dar certo.

 

Convenção Nacional do PSDB.  Um novo e imenso desafio.

 

 

Neste domingo se realiza a Convenção Nacional do PSDB convocada para a eleição da nova direção partidária nacional. O Diretório já está formado pela existência de apenas uma chapa concorrente e a Comissão Executiva será, em grande parte, a repetição da atual, comandada por Aécio Neves.  Cumpre-se assim o ritual conforme os estatutos que nos regem.

No entanto, ainda que a Convenção em si não vá trazer nada de novo, ela se realiza em um momento de excepcional gravidade na vida política do país: apenas seis meses da posse do novo/velho governo, presidido novamente por Dilma Rousseff e Michel Temer, ele dá sinais eloquentes de debilidade e caducidade.

O governo perdeu a governabilidade, isto é, perdeu a capacidade de implementar quaisquer políticas que possam superar a grave crise econômica por que passa o país e perdeu a capacidade de agregar forças e vontades políticas para obter respaldo no Congresso Nacional e retomar o crescimento econômico.

A sociedade brasileira exprime a todo o momento e por diversas maneiras o seu desencanto e o seu repúdio ao governo recentemente eleito.  O resultado desse sentimento se expressa em todas as instituições políticas e nas organizações em que o povo se representa e se articula, em especial no Congresso Nacional.  Nessas condições o país é ingovernável.

É nesse quadro que a nova direção do PSDB será eleita.  É ela que terá de enfrentar o novo e imenso desafio.

Ainda que tivéssemos previsto as enormes dificuldades que teria a dupla Dilma/Temer se eleita fosse, e alertávamos para isso insistentemente – o que era entendido por muitos como ameaça eleitoreira – ninguém poderia imaginar o grau de desgaste do governo que iniciou o seu mandato, face à realidade que agora se verifica tanto no campo da economia quanto no campo das instituições políticas e da administração pública, degradadas moral e administrativamente pela ação dos governos petistas.

Dilma perdeu a credibilidade e, pior, o respeito que é devido a um governante.  Passou a ser ridicularizada, como nunca antes foi um presidente em nosso país.

Isso traz para nós, o principal partido de oposição, que apesar de ocupar apenas 10% de cadeiras no Congresso Nacional vem cumprindo honrosamente o seu papel, um novo desafio: como articular a transição – que já parece inevitável –  para superar, antes das eleições programadas para 2018, o vazio de governo e de comando do país, respeitadas a Constituição e as leis vigentes?

Duas hipóteses se apresentam.

A primeira seria dar início a um processo de impeachment da presidente, com base nos elementos que dia a dia vão mostrando que o exercício do seu cargo tem se desenrolado com o descumprimento da legislação, o que caracterizaria crime de responsabilidade.  Ainda mais se constata o seu envolvimento, no mínimo por omissão, nas graves ações de agentes públicos em crimes contra o poder público.

A segunda é dar andamento e suporte com provas – que são cada vez mais eloquentes, do uso de dinheiro de propinas obtidas pelo saque de recursos públicos para abastecer a campanha eleitoral do PT – ao processo no Supremo Tribunal Eleitoral para que se julgue a forma pela qual ela e o seu vice chegaram à vitória eleitoral, o que poderia levar à perda dos mandatos dos empossados.

Na primeira hipótese o impedimento atingiria apenas a figura do presidente, e o vice assumiria.  Na segunda a cassação atingiria a ela e ao seu vice, e eleições diretas seriam convocadas pelo presidente da Câmara dos Deputados no exercício da presidência da República.

Entendo a segunda hipótese a mais justa e coerente.  O vice Michel Temer e seu partido fazem parte, há anos, do comando do governo Dilma, e no processo eleitoral se beneficiaram, como ela e o PT, seja por ação ou conivência, das mesmas ilegalidades e imoralidades cometidas.  Não seria aceitável que ela perdendo o cargo ele assumisse a presidência.  Faltar-lhe-ia legitimidade para superar a ingovernabilidade atual e enfrentar os desafios da crise em que vivemos.

A solução constitucional e política é a convocação de novas eleições para a eleição do presidente e do vice.  Uma tarefa a ser enfrentada pela nova direção do PSDB.

Dilma não respeita os delatores.  E nós não a respeitamos mais.

 

Dilma Rousseff ultrapassou os limites da razoabilidade em suas declarações públicas.  Está mais perdida do que cachorro que caiu da mudança.  Fazer a comparação entre a delação premiada de alguns criminosos para diminuir a pena a que estão sujeitos e a delação que era imposta, sob tortura, aos presos políticos da ditadura é inominável.

A delação premiada é matéria de uma lei que foi sancionada pela presidente Dilma Rousseff.  Faz parte do arcabouço legal e é para ser utilizada – dentro de regras estabelecidas lei – para incentivar criminosos a confessar seus crimes e a contar tudo o que sabem.  Tem sido muito útil e é responsável pelo sucesso das investigações sobre a corrupção no governo petista.

A tortura praticada pela ditadura para obter confissões não é autorizada em nenhum texto legal.  Pelo contrário, a tortura é um crime e foi utilizada largamente durante o período ditatorial.

A delação premiada é uma ferramenta da democracia.  A tortura é ferramenta da ditadura.  Em nada se assemelham.

Delatores que se envolveram em crimes não precisam ser respeitados.   Delatores que fazem a delação premiada são criminosos, réus confessos.  Porque haveríamos de respeitá-los? Querem evitar penas pesadas e, se possível, manter uma parte do patrimônio.  Falam a verdade porque isso agora lhes interessa.  Menos mal para o país.

Quanto aos delatores que foram produto da tortura do regime ditatorial, eles têm, ao menos, nossa compreensão. Queriam preservar a vida.

Esses empresários delatores que Dilma diz que não respeita eram, até bem pouco tempo, seus interlocutores, se não amigos.  Forneciam-lhe os recursos para as suas campanhas e alimentavam com carinho o seu Partido.

Por isso nós não a respeitamos e julgamos que não tem mais condições de manter no país um mínimo de governabilidade.

Fica também, cada vez mais claro, o papel que seu mentor, o Lula, tem tido desde o início do período petista. É o grande articulador, o cabeça, o motor da manutenção do PT no poder e da tentativa de seguir comandando algumas décadas mais.

Não vai dar.  Chegaram ao fundo do poço.  Não são nem mais uma pálida sobra do que foram.  Perderam tudo de bom que poderiam apresentar.

Cabe-nos organizar uma frente para reconstruir o país.  Quando mais cedo, melhor.

O governo do PT em estado terminal.

Delator será ouvido em ação que investiga campanha de Dilma

  • O presidente da construtora UTC, empresário Ricardo Pessoa, que está preso em CuritibaO presidente da construtora UTC, empresário Ricardo Pessoa, que está preso em Curitiba

Brasília – O dono da empreiteira UTC, Ricardo Pessoa, será ouvido pela Justiça Eleitoral para esclarecer se a campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff no ano passado foi beneficiada pelo esquema de corrupção e cartel na Petrobras.

Pessoa é um dos delatores da Operação Lava Jato e disse em depoimento à Procuradoria-Geral da República que repassou R$ 750 mil ao tesoureiro da campanha presidencial de Dilma Rousseff em 2010, José de Filippi, e outros R$ 2,9 milhões ao ex-tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, que está preso preventivamente.

Ele entregou uma planilha intitulada “pagamentos ao PT por caixa dois” em que relaciona os dois petistas ao repasse de 3,6 milhões entre 2010 e 2014.

A oitiva de Pessoa foi autorizada no dia 23 pelo corregedor-geral eleitoral João Otávio de Noronha, que é relator no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de uma ação de investigação judicial eleitoral da campanha à reeleição de Dilma em 2014. A ação foi protocolada no TSE em dezembro de 2014 a pedido da coligação pela qual o senador Aécio Neves disputou as eleições presidenciais, liderada pelo PSDB, e pede apuração de “abuso do poder econômico e político” e “obtenção de recursos de forma ilícita” da campanha petista.

O empreiteiro será ouvido após citar repasses para o PT e por ter sido mencionado por outras testemunhas da investigação eleitoral. Na planilha que Pessoa entregou aos investigadores são citados também os ministros da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva, da Casa Civil, Aloizio Mercadante. Pessoa será chamado a esclarecer um suposto beneficiamento da campanha de Dilma pelo esquema que desvio recursos da Petrobras.

O acordo de delação firmado por Pessoa com a Procuradoria-Geral da República foi homologado na quinta-feira passada pelo ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal. A contribuição premiada poderá ser usada para reforçar indícios de participação dos suspeitos no esquema ou ainda para a abertura de novos inquéritos.

O depoimento de Pessoa está marcado para o dia 14 de julho no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo. O empreiteiro reside na capital paulista, onde cumpre prisão domiciliar determinada pelo Supremo Tribunal Federal. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O Brasil que revolta

“O Ministério Público Federal em São Paulo denunciou ontem à Justiça sete ex-agentes e ex-funcionários do Destacamento de Operações de Informações (DOI) do II Exército, na capital paulista, pela morte do metalúrgico Manoel Fiel Filho em 1976. Ligado na época ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) ele foi detido e torturado nas dependências da polícia política do regime militar poucos meses após o jornalista Vladimir Herzog ter sido morto no mesmo local.”

Esta matéria foi publicada no Estadão no dia de ontem. 39 anos depois do assassinato. Cerca de 30 anos após a saída do último presidente/general da ditadura e de 27 anos após a promulgação da atual Constituição Federal.

O “crime” cometido por Manoel Fiel Filho foi distribuir o “Voz Operário”, jornal oficial do PCB, partido que vivia na clandestinidade e se opunha à ditadura, mas rejeitava qualquer forma de luta armada ou de ações terroristas.

Eu era, na época, deputado estadual pelo MDB, e líder do partido na Assembleia Legislativa. Chegamos a fazer a denúncia do crime, pessoalmente, poucos dias depois, ao então presidente Geisel, em um evento no Palácio dos Bandeirantes quando o governador era Paulo Egídio Martins.

Parece piada, mas é triste. Décadas depois dos acontecimentos, décadas depois da redemocratização, décadas depois da “Constituição cidadã”, só agora o MP faz a denúncia e pede à Justiça o início do processo contra os agentes públicos.

Como alguém pode compreender que as nossas instituições possam funcionar dessa forma?  Não é a toa que existe absoluta descrença do nosso povo a respeito das leis, dos políticos em geral e de nossa Justiça.

Dá vontade de explodir tudo e começar tudo de novo. Me deem o direito a esse sentimento de revolta.

Lula está certo mas tenta tirar o dele da reta

 

Lula sabe o que está falando: “o PT está velho, viciado em poder, apegado a cargos, empregos, vitórias eleitorais, perdeu sua capacidade de gerar sonhos e utopias, não mobiliza mais as multidões, a não ser em troca de dinheiro, se afastou da juventude e hoje está diante de uma encruzilhada”. Ele disse tudo.

Sim, eu já escrevi sobre isso.  É o fim de uma era. De certa forma é uma tristeza vermos um partido que juntou muita gente boa, com entusiasmadas esperanças de poder construir um país melhor, ter se tornado a escória da política, no mesmo saco com o que sobrou do PMDB, outrora uma bandeira de progresso e mudança, e com o PP, refugo dos sobreviventes que apoiaram a ditadura.

É por isso que chora o Lula, visivelmente deprimido.  Em resumo seu partido só objetiva dinheiro e poder.  E poder para fazer dinheiro.  Perdido o poder, perderá o dinheiro.  E será, se puder se reinventar, ainda um partido de respeito, mas não o do passado pois se supõe que que tenha aprendido alguma coisa nesses longos anos de comando do governo federal.

A pergunta que clama é: o Lula não tem nada a ver com esse infausto destino do seu partido?  Não foi ele que o liderou na conquista da presidência da República? Não foi ele o comandante todo poderoso no seu governo?  Não viu, nem ouviu, o que todos nós estávamos vendo e ouvindo, isto é, o processo de apodrecimento do partido, do governo e dele mesmo?  Quer tirar o dele da reta?

Com todo esse arroubo de pretensa honestidade ele não deveria fazer um mea culpa, uma auto crítica?  Ou será que os responsáveis são o José Dirceu, o Genoino, o Vaccari e agora também a Dilma?

Já que a retirada deles – o PT –  é inevitável, que o façam se conturbar ainda mais o país.  Quanto mais cedo, melhor para o Brasil. Já estamos sofrendo muitos pelo caos que eles instalaram na nossa vida econômica e política.  Aí o Lula poderia ter um papel que o redimiria, em parte, dos seus desatinos.

 

 

O fundo do poço ainda está longe

 

É com angústia que acompanhamos, todos os dias, as notícias sobre a economia nacional e sobre os mais diversos setores da vida brasileira que impactam a todos nós.

Ainda que tudo que acontece tenha sido, de uma certa forma, previsto e anunciado durante a última campanha eleitoral, é desolador perceber-se que o quadro é muito mais grave e crítico do que se supunha e se dizia.  Afinal não está em jogo, como prioridade, a certificação do que já anunciávamos.  Isso importa menos, é só uma carta na disputa política.  Prioritária é a vida de milhões de brasileiros que dependem para viver de empregos, salários e um governo que possa atender às demandas das suas necessidades vitais.

Não há, pois, em nossa manifestação, qualquer ponta de alegria, de satisfação, por acertarmos nas nossas análises sobre o passado e sobre o duro futuro a ser enfrentado em nosso país.  Era preferível estarmos errados e podermos encontrar o nosso caminho adequado na busca de um discurso para os próximos embates eleitorais.

Não chegamos, infelizmente, ao fundo do poço.  O país vai de mal a pior, e piorando a cada momento.  O mercado formal de empregos registrou em maio o pior índice dos últimos 23 anos.  O mês fechou com resultado negativo de 115 mil vagas, enquanto em maio de 2014 haviam sido criadas 59 mil vagas.   No acumulado do ano de 2015 já foram fechadas 254 mil vagas, que é o pior resultado desde 2002.  O resultado é dramático na indústria de transformação, que é o motor de qualquer economia pujante: foram fechadas 61 mil vagas.

Já em abril o emprego na indústria apontou uma queda de 5,4% na comparação com igual mês de 2014.  São 43 meses de queda ininterrupta.

A inflação, a cada mês, se mostra mais forte.  Anualizada se aproxima de 9% ao ano.  Ela está corroendo os ganhos dos trabalhadores e, com isso a folha de pagamentos da indústria, em valores reais, vem registrando queda, aliás desde janeiro de 2014.  O índice de atividade da economia, o IBC-Br, que o Banco Central divulga mensalmente, mostrou em abril em relação a março uma retração de 0,84%, atingindo o menor patamar em 3 anos e acumulando perdas de 2,23% nos 4 meses do ano.

Estoques altos na indústria, baixos índices de confiança, piora do mercado de trabalho, inflação crescente, tudo isso leva os economistas a estimar que o PIB caia 2% em 2015.  Como o crescimento da população é um índice que se aproxima de 1% ao ano, a queda do PIB per capita estará próxima a 3%.  A expectativa é que em 2016 o crescimento do PIB seja 0%.  Ou seja, o Brasil não parou, anda para trás.

Além de tudo isso, o que se observa na área política/econômica – e policial – não anima qualquer previsão de melhora do quadro econômico: grandes empresários processados por corrupção, investimentos públicos restringidos pela questão fiscal, investimentos privados represados pela insegurança do quadro econômico, programas governamentais que não saem do papel pela incrível incapacidade de gestão do governo federal.  E o Congresso Nacional, sob a liderança do PMDB aliado da Dilma fazendo as maiores estripulias possíveis.

As grandes dificuldades que se apresentam levaram a credibilidade da presidente, sob ameaça de processos judiciais e políticos em várias frentes, à níveis  (baixos) nunca imaginados, o que alimenta a crise e é por ela alimentada.  Um circulo vicioso.

Não se vê ainda uma luz no fim do túnel, ou o fundo do poço.  O quadro ainda deve piorar, antes que haja uma estabilização da situação e se possa almejar voltar a crescer.

O fracasso da administração petista e as suas consequências são um desastre para o país e causaram danos profundos e duradouros, maiores do que se imaginava.

O estelionato eleitoral que ela pratica, sem qualquer reconhecimento de seus erros e mentiras é, de fato, necessário.  Mas nem assim se pode ter muita ilusão de que vamos sair dessa em pouco tempo.  Mesmo com os custos imensos que o nosso povo já está pagando.