O país vai sofrer

 

O país já está sofrendo as dores do estertor da era petista.  Inflação, descontrole fiscal, baixos investimentos, reduzida criação de empregos, escândalos que se avolumam e descrédito geral são os sintomas desse final de ciclo em que o PT, com Lula e Dilma, presidiram o país.  O episódio da compra da refinaria de Pasadena pela Petrobrás – agravado pelo conhecimento que agora se tem da construção das refinarias em Pernambuco e no Rio de Janeiro – é a pá de cal, não só pelo fato em si, mas pela retirada do véu que sempre protegeu a empresa de quaisquer olhares mais atentos e críticos.  A Petrobrás é símbolo e orgulho da inteligência e capacidade de trabalho do nosso povo e a exposição de suas entranhas, que todos supúnhamos saudáveis, mostra a que ponto chegou o assalto a que foi submetido o Estado brasileiro nos últimos quase 12 anos.

A partir desse episódio tudo, em qualquer área da administração federal, virá à tona, e o que se pode antever é a emergência de um imenso rol de irregularidades e demonstrações de irresponsabilidade no uso do dinheiro público, o que torna o “mensalão” um episódio menor, um mero aperitivo do banquete que vem alimentando o PT e seus aliados.

O ex presidente da Petrobrás, José Sergio Gabrielli, unha e carne do chefe incontestável – Lula –  resolveu se defender.  “Dilma não pode fugir da responsabilidade dela, já que era presidente do Conselho ( da Petrobrás )”, diz ele em entrevista ao Estadão.   Mas, na linha de argumentação da presidente e do  criador dela, reafirma que a oposição faz campanha irresponsável contra a Petrobrás e cita como exemplo uma desconhecida ação de interesses financeiros, que ele não identifica, e ameaças – sabe-se lá quais – ao papel histórico da empresa em desenvolver o pré-sal.  Tudo no mundo virtual.

A quem ele pensa que vai enganar?  Esse time de verdadeiros gangsteres que foram introduzidos na diretoria da empresa, um deles atualmente preso por ser articulador do desvio de dinheiro público em licitações, é responsabilidade da oposição?  A destruição do patrimônio da empresa que passou a valer metade do que valia é culpa da oposição? As refinarias cujos orçamentos foram multiplicados várias vezes sem nunca terem chegado ao seu final, também são obra da oposição?

Esse governo está se desmilinguindo.  Desmanchando.  Os meses que ainda faltam até o seu término serão muito duros.  Vamos viver o período eleitoral com o inexorável desgaste do governo à medida que as condições do país continuem a piorar e que novos fatos passem a ser do conhecimento público.

O povo vai sofrer com isso e não será fácil para ninguém, seja quem for o eleito, colocar a casa em ordem.

Dilma não preside. É atriz de uma ópera bufa que vem se tornando uma ópera trágica.

 

Que triste!  Presidente do Brasil, nunca havia sido eleita para um cargo público, nem mesmo havia sido candidata.  Uma mulher de personalidade forte, havia sido militante política que aderiu à luta armada, equivocadamente, como muitos o fizeram.   Tem certamente muitas virtudes, caso contrário não teria chegado onde chegou.  Acreditou poder fazer o papel que o seu chefe e líder, Luís Inácio Lula da Silva, lhe reservara.  Por que não? Afinal sua formação intelectual era superior à dele.

Não deu.  Faltou-lhe consistência política para poder enfrentar e vencer os grandes desafios de uma nova época, uma conjuntura que não esperava encontrar.  Não se deu conta de que o seu antecessor fora vitorioso não só por cavalgar em um quadro mundial favorável, mas também pelos seus dotes indiscutíveis, dentre os quais a percepção de que a continuidade das políticas do governo FHC, o prosseguimento de um período virtuoso, pós impeachment de Collor de Mello, deveria ser consolidado com o aprofundamento das políticas sociais que já tinham se iniciado.

Dilma não se deu conta de que Lula usufruiu de um quadro muito favorável, sem levar adiante reformas essenciais, sem as quais o sucesso do governo não teria muito fôlego.  Achou que tinha recebido uma herança maravilhosa e não percebeu que o modelo estava em fase terminal.  Não inovou, não rompeu com preconceitos, a não ser tardiamente.

Agora o governo Dilma vai chegando ao seu limiar sem ter criado nada de novo, nada consistente.  Pelo contrário apenas aprofundou as deficiências da condução política de seu partido e de seu antecessor.  Todos os seus projetos, desde os PACs até novos avanços sociais não se realizam, ou se realizam de forma insuficiente diante da demanda da sociedade.

Dilma paga um preço pela luta pelo poder dentro de suas alianças políticas e dentro de seu próprio partido.  Não conseguiu fazer a máquina pública, a administração do país, dar passos expressivos em nenhuma área.  A educação básica continua deficiente, a saúde pública não se resolve com programas medíocres como o “mais médicos”, o déficit habitacional para as populações de menor renda não se elimina com um programa que não consegue responder às demandas da população de baixa renda, os índices na segurança pública continuam ruins, sem sinais de melhora, a política econômica, quase em todos os setores, mostra-se deficiente, a infra estrutura do país – transportes, energia, saneamento, mobilidade – são um insucesso absoluto e o respeito aos valores éticos desapareceu de forma gritante.

Cada vez mais a presidente deixa de governar para se tornar candidata, conduzida pelos seus assessores que lhe colocam eventos sem maior significado e discursos sem sentido.   Sem ter o que apresentar vai de cidade em cidade distribuir máquinas e caminhões, ambulatórios e creches, do pouco que conseguiu realizar.   Faz pronunciamentos que só podem ser consequência da falta do que falar, como o recente discurso em que – para se distanciar dos escândalos na maior empresa brasileira, a Petrobrás – acusa a oposição de querer destruí-la quando todos sabem que todas – todas – as denúncias de desvio de dinheiro público nascem no bojo de sua própria base de sustentação e foram tornadas públicas pelas instituições – que ela, presidente, não domina –  do próprio Estado brasileiro.

Dilma já não preside mais nada.  Passou a ser apenas uma personagem, uma atriz, conduzida por produtores de libretos e diretores de cena de uma ópera bufa, que vem se tornando uma verdadeira ópera trágica.  E ainda mais, assombrada pelo fantasma do seu antecessor.

Lula, o teflon e a corrosiva Dilma Rousseff

Não resisto a escrever sobre uma coluna do Ruy Castro, na Folha, com o título de “Teflon inexpugnável”.   Ele se refere ao Lula que, segundo sua ironia, teria sido batizado por uma água com o polímero teflon, uma resina química usada para impermeabilizar utensílios, em especial panelas.  Com teflon nas panelas a sujeira não pega, não gruda, assim como não gruda no Lula a interminável série de irregularidades cometidas em seu governo, com sua ação direta ou indireta.

Se a memória não me falha, começou com o vídeo mostrando a cobrança de propina feita pelo Waldomiro Diniz ao Carlinhos Cachoeira, ligado aos bingos, como coleta de fundos para a campanha do Lula.  O vídeo foi feito em 2002 e divulgado em 2004 quando Waldomiro era sub chefe da Casa Civil ( o chefe era o Zé Dirceu ), do governo Lula.  Na ocasião tentou-se fazer a CPI dos Bingos que o governo matou.  O corruptor foi condenado, em 2012, a 12 anos de prisão e está recorrendo em liberdade.  Durante todos esses anos continua a ser um próspero empresário.

Depois disso vieram à tona vários episódios e escândalos:  assassinato do Celso Daniel, passando pelo episódio do Palocci/caseiro Francelino, o mensalão, os aloprados, as diversas acusações aos ministros dele e da Dilma, afastados e recuperados, Rosemary Noronha e mais uma penca de casos que não procurei nos arquivos.  O último, “the last but not least” é o caso Petrobrás que se desdobra numa infinidade.  E o último é apenas o último até agora.  Vem mais.

O Teflon é resistente a altas temperaturas, não é solúvel, resiste a choques e ataque por ácidos corrosivos.  E tem uma textura lisa, escorregadia.  “Madona”, é o próprio Lula!!!

Mas há uma coisa que esse polímero não esperava: a Dilma.  É tão corrosiva que ataca o teflon do Lula.  Vai desgastá-lo e mostrar a sua verdadeira face.

Teremos novas emoções.

 

 

 

 

 

 

Razão, mesmo, tem o Lula, o esperto.

 

Razão tem o Lula, o único cara esperto desse bando de petistas “lesos”.   Ele já aprendeu: a CPI do Mensalão começou como CPI dos Correios.  Bastou o Roberto Jeferson dizer que o governo tinha organizado uma distribuição de dinheiro para garantir apoio no Congresso e nas eleições, que a coisa desandou e sabemos os resultados. Então tem gritado que é melhor matar totalmente a CPI da Petrobrás e não ampliá-la colocando trens e portos, contrariando a Constituição, para tentar atingir o PSDB e o PSB.

Mas no governo estão a Dilma, o Mercadante, o Berzoini.   Eles não se entendem e nunca fizeram nada certo.  O Berzoini montou, com o Vaccari, a Cooperativa dos Bancários que garfou milhares de bancários que ficaram sem a habitação que pagaram.  O Mercadante é o chefe dos aloprados que tentaram melar as eleições de 2006.  E a Dilma…. Bem, a Dilma está chafurdando em contradições e mentiras.

Esse pessoal nem o Lula aguenta.  Está como biruta de aeroporto.  Não sabe o que fazer.  Ontem ouvi na TV o Sergio Gabrielli, ex presidente da estatal, que a comandava na época da compra da refinaria de Pasadena.  Patético.  Dizia que a Dilma tinha razão, os conselheiros não conheciam todos os termos do contrato de compra da refinaria.  Acredito.  Certamente alguns interessados esconderam do próprio Conselho, propositadamente, diversas cláusulas.  Mas e o Gabrielli que era presidente?  Também não sabia?  E não devia ter alertado esses conselheiros?

Mas pior é que o suposto maior responsável pela operação, o então diretor Nestor Cerveró, foi afastado da empresa quando a bomba estourou,  no momento em que a Petrobrás foi obrigada a comprar a outra metade da refinaria pelo preço que, somado à primeira metade já adquirida, atingia 1,2 bilhão de dólares.  Isto é, quando a Dilma soube, ficou muito brava e botou o Cerveró na diretoria financeira da BR Distribuidora, a distribuidora da Petrobrás.  E botou a sujeira debaixo do tapete.

Que castigo, hein, minha gente.  E que presidente dura e impoluta.

Ditadura Constitucional em modelo petista

 

O título deste post é uma contradição em si mesmo.  Como uma ditadura pode ser constitucional?  Pois esta é mais uma “jabuticaba” brasileira.  De certa forma a ditadura implantada no país em 1964 foi uma Ditadura Constitucional.  Isto é, os golpistas impuseram um conjunto de leis e agiam dentro dessa “legalidade”.

Quando  João Goulart deixou Brasília em 31 de março e voou para Porto Alegre, sem sair do Brasil, o presidente da Câmara, Auro Soares de Moura Andrade, declarou o cargo vago e, em 9 de abril, com a assinatura dos ministros militares, editou-se o Ato Institucional  nº 1.  Ele diz:

“A revolução vitoriosa se investe no exercício do Poder Constituinte. Este se manifesta pela eleição popular ou pela revolução. Esta é a forma mais expressiva e mais radical do Poder Constituinte. Assim, a revolução vitoriosa, como Poder Constituinte, se legitima por si mesma. Ela destitui o governo anterior e tem a capacidade de constituir o novo governo. Nela se contém a força normativa, inerente ao Poder Constituinte. Ela edita normas jurídicas sem que nisto seja limitada pela normatividade anterior à sua vitória….. O Ato Institucional que é hoje editado pelos Comandantes-em-Chefe do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, em nome da revolução que se tornou vitoriosa com o apoio da Nação na sua quase totalidade, se destina a assegurar ao novo governo a ser instituído, os meios indispensáveis à obra de reconstrução econômica, financeira, política e moral do Brasil…A revolução vitoriosa necessita de se institucionalizar…”.

Esse Ato manteve a Constituição de 1946 e determinou a eleição, pelo Congresso Nacional, do novo Presidente do Brasil apenas dois dias após a sua promulgação.  Assim o general Castelo Branco foi eleito Presidente.

E assim por diante vão se editando Atos Institucionais, Atos Complementares e Decretos-lei que estabeleceram o arcabouço institucional do país, mantendo o Congresso, o Judiciário e a Imprensa  funcionando, com seus membros sendo ameaçados, se não cassados, ou demitidos e colocados na reserva no caso dos militares, quando o regime entendia necessário.  Em 1968 Castelo Branco editou Ato Institucional convocando o Congresso para votar uma nova Constituição.  Ela foi promulgada no início de 1967, mas ainda assim novos Atos eram baixados. Ficou em vigor até 1988.

Em 1985, com o regime agonizante, o Colégio Eleitoral que havia sido determinado por um desses atos elege Tancredo Neves e José Sarney.  Com a doença do primeiro, o segundo assume, convoca uma Assembleia Nacional Constituinte que vota e promulga a atual Constituição de 1988.

Como se vê, a ditadura militar manteve funcionando, sob tutela, as instituições características de uma Democracia, sempre apoiada na Constituição que ela mesmo escreveu e emendou ao seu talante.  Uma Ditadura Constitucional.

No Brasil de hoje não há intervenção do poder militar.  Porém, os arranjos políticos dos detentores do Poder Executivo ( o PT e seus aliados ) provocam resultados semelhantes aos havidos após o golpe de 64 na vida política do país.  Como no passado, as oposições políticas são bloqueadas por artifícios e artimanhas do governo.  Sem tortura, sem violência, sem a ameaça de cassação de mandatos.  Antes se controlavam parlamentares, juízes e promotores com a ameaça de cassação.  Hoje se faz pela cooptação, pela distribuição de benesses, pelo acesso a cargos e instrumentos de poder que se transformam em enriquecimento ilícito.  Ontem se controlava a imprensa pela censura, aberta ou sub-reptícia, hoje se faz pela distribuição da publicidade.

Vivemos uma nova modalidade de Ditadura Constitucional.  No modo de ser petista, mais antidemocrático – porque não transparente – do que aquilo que se enfrentava no período pós golpe.  Para dar um exemplo vou expor um caso em que estive no centro dos acontecimentos.

Em 1979, primeiro ano do meu mandato de deputado federal, ainda sob o mesmo regime ditatorial, encabecei um requerimento de convocação de CPI para investigar uma operação entre o BNH ( Banco Nacional da Habitação ) e a empresa privada Delfim – Crédito Imobiliário.  O BNH havia recebido terrenos, como pagamento de uma enorme dívida da empresa, por um valor que se denominou “valor potencial”, e não pelo valor de mercado.  O “valor potencial” era muito superior ao do mercado, pois era o resultado da operação imobiliária que seria feita pela devedora, virtual pois, nos terrenos em questão ( construção, venda e recebimento do seu produto ), uma fantasia que, se realizada, daria como resultado um lucro imaginário.  Esse lucro imaginário foi o que se chamou de “valor potencial”.  Um escândalo de dimensões astronômicas.  Essa decisão foi respaldada pelos ministros do Planejamento, Fazenda e Interior: Delfim Neto, Ernani Galveas e Mario Andreazza,.

A CPI foi constituída, fui o relator da mesma e chegamos à conclusão que a operação era fraudulenta, com indiscutível responsabilidade dos ministros.  O resultado da CPI foi remetido ao Ministério Público que, como tudo naquela época, era dominado pelo Executivo e dele, com a Imprensa silenciada, não se teve mais notícia.

Mesmo naquela época, com o regime ditatorial em pleno funcionamento, os donos do poder não tiveram a coragem de impedir o funcionamento da CPI.  Nos dias atuais, mesmo não tendo os poderes formais da ditadura, o governo petista consegue impedir, com artimanhas e subterfúgios, o funcionamento desse instituto, como no recente caso da Petrobrás, essencial para o funcionamento da oposição e da própria Democracia.

Por isso não é exagero afirmar que vivemos, com formato diferente, no modelo petista, uma Ditadura Constitucional.   Assim como na época a derrota do regime dependeu da vontade e mobilização do povo brasileiro, esse governo que aí está agonizando poderá – e será – derrotado pela vontade e mobilização do mesmo povo brasileiro.

 

 

O golpe, a ditadura e o seu fim. E o bom combate de hoje.

 

Em 31 de março de 1964 deu-se um golpe no Brasil com a movimentação das forças armadas e o apoio civil de alguns setores da sociedade e a consequente deposição do presidente constitucional João Goulart.   Os golpistas justificam, até hoje, seus atos sob o argumento de que o país estava sendo levado a implantar um regime comunista, com o apoio do próprio presidente no seu exercício constitucional que estaria, paradoxalmente, preparando um golpe.

Quem, como eu, viveu aqueles dias sabe que essa justificativa é falsa.  O governo Goulart, quando muito, tentava realizar algumas reformas estruturais, e encontrou forte reação dos setores mais conservadores da sociedade que percebiam seus interesses atingidos.  Como exemplo a desapropriação de terras para a realização da reforma agrária.  Qualquer reforma agrária significa o surgimento de milhares de proprietários no lugar de apenas alguns donos de latifúndios improdutivos, o que é a base, não para o comunismo, mas para o fortalecimento do próprio capitalismo.  E Jango, como era chamado o presidente, nunca se dispôs a respaldar qualquer intenção de dar um golpe para transformá-lo em ditador.  Muito menos para implantar o regime comunista.

Na ocasião eu era um militante do PCB, Partido Comunista Brasileiro, que recusava qualquer tentativa de desrespeito ao texto constitucional.  Lutávamos, isso sim, por reformas profundas que pudessem permitir o enfrentamento da miséria e da desigualdade, no contexto do processo democrático e do próprio sistema capitalista.   Ironicamente, posso assegurar que, como eu, a grande maioria dos militantes nunca tinha empunhado uma arma.  Até hoje eu nunca puxei um gatilho, nem sei como fazê-lo.  Enfrentávamos a reação com ideias, mobilizações, greves e votos nas urnas.  O ideal socialista estava muito longe, longe inclusive do desejo popular.

O dia 31 foi um dia amargo, pois víamos desmoronar todas as esperanças de uma luta pacífica, democrática, em benefício da melhoria das condições de vida do nosso povo.   Era o dia do aniversário de 2 anos do meu primeiro filho, e poucos dias antes do nascimento do segundo.  Fiquei alguns dias fora de casa, supondo que poderiam vir prender-me.   Me enganei.  Eu era apenas um engenheiro sem qualquer projeção política.  Aliás nunca fui preso, nem processado, nem torturado, nem exilado.  Por sorte ou por pouca importância, quem sabe?

Depois vieram os Atos Institucionais que acabaram com o resto de instituições democráticas que havia.   Em 1970 eu me decidi a participar do jogo eleitoral, ainda que sabendo das limitações políticas no exercício de um mandato.  E assim fui levando, passando por inúmeras situações em que parecia que eu sofreria alguma sanção da ditadura, mas nunca arrefecendo o combate.   Vi muitos companheiros de luta tombarem, exilados, torturados, mortos.  Eles são o que de melhor o Brasil já produziu.  A eles devemos viver agora uma nova era.

Foi com sangue, suor e lágrimas que vencemos.  E usando a cabeça, a inteligência.  Pouco a pouco, avançamos somando as dissidências da ditadura às forças democráticas que nunca aceitaram o regime.  Fazendo política séria, com os olhos voltados para o país e para o povo.  Conquistamos a anistia, ainda que não na forma que defendíamos, mas a que era possível.   E obrigamos o regime a aceitar uma disputa em um colégio eleitoral que haviam montado para vencer, nunca para perder.  Usamos das suas próprias armas para derrotá-lo.

Finalmente chegamos ao dia 15 de janeiro de 1985, momento final, com o regime estrebuchando, derrotando o seu candidato, Paulo Maluf, e vencendo no colégio eleitoral com 480 votos para Tancredo Neves.  Me orgulho de ter sido um deles e ter feito parte dessa construção democrática.  Essa é a data que devemos comemorar.

O restante da história já se sabe.  Sarney, Constituinte, Collor de Mello, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso e, finalmente, Lula e Dilma Rousseff.  Talvez o combate hoje para a conquista e consolidação da democracia, 29 anos após o colégio eleitoral e 50 anos após o golpe, seja tão ou mais difícil do que foi até a vitória de Tancredo.   Mas vale a pena, de novo, combater.  O bom combate.  O mesmo que almejávamos para o nosso país, desde aquela década de 1960.

 

É dose cavalar. Vejam a turma que comanda o país que Dilma preside.

 

Já não bastava o Aloisio Mercadante chefe da Casa Civil do governo Dilma Roussef, agora temos o Ricardo Berzoini, ministro das Relações Institucionais. É dose cavalar.

O Mercadante era, em 2006, candidato a governador de São Paulo.  Armou com o Lula e com a revista Isto é uma operação em que a publicação de um suposto dossíê que comprometeria o então candidato José Serra com a máfia da ambulâncias, permitiria reverter a sua difícil situação eleitoral, derrubaria o Serra e lhe possibilitaria a vitória.  Mas o dossiê estava nas mãos de uns malandros que o haviam produzido para vender ao PT que acreditou nos documentos fajutos.  Na situação em que estava o Mercadante, qualquer tentativa valia a pena.  Mas a operação de compra e venda foi tão mal feita que a Polícia Federal soube da história e pegou, em um quarto do hotel Ibis, em São Paulo, os vendedores, os compradores ( dirigentes da campanha do PT ) e a mala com o dinheiro que, até agora. ninguém reivindicou.   O Lula ficou danado de raiva e acusou seus companheiros de “aloprados”  que foi o nome que a imprensa deu ao escândalo.

Na época o presidente do PT era o Ricardo Berzoini, além de ser o coordenador da campanha do Lula.  Tinha sido ministro do Lula e é seu homem de confiança. Ninguém acreditou que ele estivesse fora da trama, nem mesmo o próprio Lula e o PT.  Em função disso foi defenestrado e voltou à sua condição de simples deputado federal.

Berzoni foi presidente do sindicato dos bancários de São Paulo. Como tal foi um dos criadores da Bancoop, Cooperativa dos Bancários, que era presidida pelo João Vaccari Neto.  Já há anos estão sendo processados por terem garfado as economias de milhares de bancários que não receberam o que a cooperativa tinha de lhes entregar: suas moradias.  O João Vaccari foi suplente do Mercadante em seu primeiro mandato de senador, é membro do Conselho de Administração da Itaipu Binacional e secretário de finanças do PT.  O processo que respondem é a acusação de desvio de dinheiro da cooperativa para os cofres do PT,

Essa é a turma que comanda atualmente o país que Dilma preside.

Já na posse o Berzoini mostrou as suas garras e a sua formação de caráter. Declarou: “Não há motivo para ficarmos na defensiva. Vamos para a ofensiva, vamos mostrar o que foi a Petrobras no governo Fernando Henrique (Cardoso) e o que é a Petrobras nos governos Lula e Dilma.”  Isto é, no poder há 12 anos, eles vão agora mostrar as falcatruas que teriam sido feitas mais de 12 anos atrás.  Se sabiam, nada fizeram até agora?  É essa a defesa para justificar o escândalo da compra da refinaria de Pasadena? 

Quem fez tudo o que fez não vai entregar o poder sem maiores estragos.  Como tenho dito, esperem novas emoções.

 

 

 

Petrobras: um mar de lama que atinge o PT, Lula e Dilma

É de uma gravidade sem paralelo o que vem acontecendo com a gestãopetista de Lula e Dilma na Petrobrás.  Os episódios recentes, em especial a exposição mais ampla dos negócios que levaram à compra da refinaria em Pasadena, EUA, mostram que, a partir do governo Lula, a Petrobrás passou a ser o objeto de desejo de predadores em operações que só agora vêm à tona.  A decisão da companhia, respaldada pelo seu Conselho de Administração que foi presidido por Dilma Rousseff, é apenas a ponta do iceberg que começa a aparecer.

Não se trata aqui de demonizar qualquer membro do Conselho de Administração da empresa.  Sei, por experiência própria, que a maioria dos membros desses Conselhos de Administração das estatais não tem acesso à totalidade dos processos que lhes cabe avaliar e homologar.  Não têm equipe para uma análise completa das matérias, nem estão, via de regra, tecnicamente preparados para decidir.  Mas alguns desses conselheiros são figuras especiais, que fazem parte da administração do dia a dia das empresas, secretarias e ministérios, e têm a obrigação e a responsabilidade de conhecer todos os aspectos do que será decidido e assim orientar os demais conselheiros.

No caso específico da Petrobrás, Dilma Rousseff era presidente do Conselho de Administração no início do governo Lula pelo fato de ser a ministra de Minas e Energia.  Continuou na função mesmo deixando o ministério para se transformar em Ministra Chefe da Casa Civil.  Ela tinha em suas mãos toda a estrutura de governo para lhe dar assessoria e orientação.  Não tem como tirar o dela da reta.

Era de sua responsabilidade e, mais ainda, do presidente Lula a indicação dos diretores da Petrobrás, em especial do seu presidente, Sergio Gabrielli, companheiro de partido e membro do Conselho de Administração.  Os outros diretores também foram indicados da mesma forma, prevalecendo a componente de interesse partidário, seja PMDB ou PT, Sarney, Renan Calheiros ou Delcídio Amaral.  Fiar-se em pareceres apresentados por um diretor – Nestor Cerveró – atualmente em férias muito convenientes, ou por outro – Paulo Roberto Costa – atualmente preso foi, além de imprudência, conivência e incompetência.  Os dois diretores foram produtos do condomínio em que se transformou o governo Lula e mesmo o governo Dilma.

Na realidade Dilma assumiu, por omissão, conivência ou puro oportunismo político, ou tudo isso junto, a responsabilidade de confiar nesses indicados.  Mais incrível ainda é o conhecimento que se tem agora do parecer de Cerveró ( incompleto, técnica e juridicamente falho, segundo Dilma, no qual ela se pautou para dar o seu voto ), que lhe valeu a demissão da empresa na época em que se constatou os problemas da compra da refinaria.  Porém, castigado ou premiado ( ? ) foi transferido para a diretoria financeira da BR Distribuidora que comandou até poucos dias atrás.  A proteção aos membros da quadrilha são auto explicados.

O episódio da compra em 2006 pela Petrobrás de 50% da refinaria, que havia sido adquirida por um grupo belga, um ano antes, por 42 milhões de dólares, e que custou para a empresa 360 milhões de dólares e que foi, posteriormente, obrigada a adquirir os restantes 50% por mais 820 milhões de dólares, é um caso gritante de incompetência e malandragem.  Os belgas devem estar rindo, gargalhando, melhor dizer, até agora.  Não vai ser necessário chamar o mr. Poirot,  o detetive belga, personagem das obras de Ágatha Christie, para desvendar o crime.

Agora que o véu foi arrancado, a administração petista ficou nua.  Muito já vai aparecendo e muito mais virá logo adiante.  Pra começar a construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, que foi programada para ser construída em parceria com a PDVSA, estatal venezuelana, pelo custo de US$ 2,5 bilhões, com 40% de participação da Venezuela.  Lula lançou ao lado de Chavez a pedra fundamental do empreendimento,

lulachavez

que já deveria estar funcionando, mas o novo orçamento previsto elevou o custo a US$ 20 bilhões, com a desistência do parceiro em participar do negócio.  Se vai acontecer, e quando, ninguém sabe.

A compra da refinaria de Pasadena foi realizada em 2006, ano posterior ao do estouro do episódio do mensalão que começou com uma denúncia de corrupção de diretores dos Correios e em cuja CPI ninguém acreditava, a não ser alguns poucos da oposição.  Diante da dimensão da Petrobrás e dos escândalos que agora começam a ser desvendados,  o episódio do mensalão vai parecer troco, “peanuts” como diriam os americanos.

Vamos deixar claro.  Os grandes responsáveis por tudo isso são o PT e seu líder maior, Luís Inácio Lula da Silva.   Eles transformaram as direções dos órgãos estatais em instrumento de manutenção do poder, através da indicação de pessoas cuja única função é o levantamento de dinheiro, seja para campanhas eleitorais, seja para o enriquecimento deles e de seus padrinhos.

Como eu já havia previsto, mais emoções virão por aí.

O “Risco Dilma” paira sobre nossas cabeças

 

Lembram o “Risco Lula” em 2002, na disputa eleitoral, em que parecia que o “perigoso” Luís Inácio poderia vencer e implantar o regime socialista que o PT pregava?   Isso provocou a subida do dólar e um forte surto inflacionário e levou os petistas a escreverem a “carta aos brasileiros” em que se comprometiam a garantir os contratos vigentes e assegurar que não havia risco de, com Lula na presidência, ser implantado o socialismo.  Com as difíceis condições econômicas em que se viveu, creditadas ao governo anterior, e com o seguro de que não “chutariam o pau da barraca”, o PT venceu o pleito.

Surge agora o “Risco Dilma”, que é de outra natureza: se a Dilma se reeleger o desastre político e administrativo da presidente e sua equipe vai continuar, com a agravante de que o quadro será pior do que já foi nesses 12 anos de petismo, especialmente nessa última fase.

Nesta semana tivemos a exata percepção desse risco quando observamos que com as notícias de que em pesquisa do IBOPE ela teria caído fortemente -  o que não se confirmou – a Bolsa de Valores havia subido.  Isto é, a perspectiva de derrota da presidente animava os investidores.   Significa que os agentes econômicos estão sensíveis: se ela continuar na presidência eles preveem um quadro econômico ainda mais difícil.

O fato é que Dilma perdeu as condições de governabilidade.  Já não é vista mais como boa gestora, mantém em sua cabeça conceitos e preconceitos que se supunha superados, não tem conseguido concretizar, na velocidade necessária, os investimentos estatais, nem tem entusiasmado os investidores privados, a não ser alguns poucos beneficiados pela expansão do crédito e do consumo ou por financiamentos privilegiados de agencias estatais, e não tem conseguido criar uma base política que se assente em um projeto político, que vá além da distribuição de benesses, no varejo e no atacado, para partidos e parlamentares.

Além das dificuldades políticas por que passa com os aliados e com o seu próprio partido, o quadro da economia não é róseo.  A inflação, mesmo com a contenção artificial de preços e tarifas, circula em torno dos 6% ao ano ( que passou a ser, de fato, o novo centro da meta ) mesmo com uma taxa de juros crescente; a situação fiscal é cada vez mais apertada ( superávit menor ); o saldo comercial cada vez menor afetando, ainda mais, a balança de pagamentos; o crescimento do PIB ameaçando não chegar, sequer, aos 2%; a taxa de investimentos baixa e estável; e a crise energética, agravada pela seca, promovendo alta de tarifas e necessidade de cobertura orçamentária às empresas do setor.  Não há tranquilidade em nenhuma área.

São – ou eram – dois os pés em que se sustenta a economia brasileira e a própria presidente: um, a ampliação do mercado de consumo, cujo crescimento já chegou ao seu limite em função da inflação e da elevação das taxas de juros; o outro, a estabilidade, em níveis baixos, dos índices de desemprego, muito mais consequência da diminuição da população economicamente ativa ( PEA ) –  em virtude, principalmente, das baixas taxas de natalidade das últimas décadas do que consequência do aumento de postos de trabalho restritos ao setor de serviços, de menor qualificação profissional.   Esses dois pés de apoio já estão hoje bastante abalados pelo continuado baixo crescimento da produção e baixos investimentos.

Do ponto de vista político/social, a presidente se sustenta nos programas de distribuição de renda que tem sido ampliados ao extremo mas cujo limite está, justamente, na péssima performance da economia como um todo.

Dia após dia se verifica que esse quadro dramático afeta a própria capacidade da presidente de discernir e encontrar o melhor discurso.  Prova disso é a sua desastrada reação à divulgação dos resultados da operação da Petrobrás na compra de uma refinaria em Pasadena, EUA, matéria essa que tratarei em outro post.

De qualquer forma fica clara, para setores cada vez mais amplos que estão incluídos na economia formal, sejam eles investidores ou trabalhadores, a percepção de que a continuidade do governo Dilma, seja por quatro anos, ou mesmo por apenas um ano, é um risco para o país.  É o “Risco Dilma” que paira sobre as nossas cabeças. E assim as coisas só podem se agravar.

A fumaça está se dissipando

 

Matéria publicada hoje ( 18/3 ) no Estadão conta que uma perícia realizada pelo setor técnico do Ministério Público de São Paulo descartou a formação de cartel na compra dos 40 trens para a CPTM realizada durante a gestão Serra no Governo do Estado.  A mesma conclusão, não divulgada,  já se tinha das investigações feitas pelo CADE ( Conselho Administrativo de Defesa Econômica ).  Sobre isso já escrevi aqui no meu blog, mostrando o absurdo das suspeitas que foram levantadas pelo MP e pela mídia, já que a vencedora, a CAF espanhola, havia ganho a licitação com um preço 768 milhões menor que a Siemens que entrou na Justiça tentando anular o resultado da licitação, e a Justiça, na última instância ( STJ ) já tinha barrado a pretensão da empresa alemã.  Houve disputa, três empresas concorreram, a espanhola venceu com um preço bem menor, e a alemã tentou melar, o que comprovava que não tinha havido o cartel denunciado.

Mas não faltaram manchetes de jornais, declarações irresponsáveis de promotores de Justiça e, naturalmente, a tentativa dos petistas, que são costumeiros autores de denúncias e dossiês falsos em manchar o nome do Governador.  Levantou-se, inclusive, um pretensa reunião em Amsterdam, durante um Congresso que tratava do transporte ferroviário, em que Serra teria dito a  um diretor que se a Siemens conseguisse o seu intento, ele  mandaria anular a licitação e determinaria um novo chamamento.  O que, se tivesse havido, nada mais natural que o Governador expusesse a sua intenção.  Inaceitável seria pagar mais de 700 milhões a mais para a Siemens.

Na semana passada, graças à ação de alguns conselheiros do CADE,  incomodados com o uso político-partidário do órgão, admitiu-se que existem indícios de atuação de cartel em licitações feitas pelo Governo Federal para compra de trens para os metrôs de Porto Alegre e Belo Horizonte.  Houve uma associação de duas empresas vencedoras das licitações.  Em Belo Horizonte uma ficou no consórcio com 93% e a outra com 7%.  Em Porto Alegre trocaram de posição: uma com 7% e a outra com 93%.  Aí sim, formação de cartel sem sombra de dúvida.

Tudo isso significa o seguinte: a fumaça está se dissipando. O uso político-partidário do Cade, transformado em órgão de acusações contra adversários do PT, foi um tiro curto.  E no pé.

A atuação do governador Geraldo Alckmin nesse sentido é exemplar: investigar se houve atuação de algum funcionário público para facilitar a ação de cartéis – se houve é pau nele –  e, especialmente, processar essas empresas para que possam ressarcir aos cofres públicos o dinheiro que teriam indevidamente.

Só podemos esperar que a presidente Dilma Rousseff faça o mesmo em relação a essas mesmas empresas que formaram o cartel para atuar em licitações federais.

Todo o resto é fumaça e oportunismo eleitoral, associados à irresponsabilidade e à leviandade.

O “volta, Lula” não é tão simples assim

Artigo publicado na Folha de S. Paulo em 12/03/2014

No discurso oficial, governistas comemoram as pesquisas que mostram Dilma Rousseff (PT) reeleita no primeiro turno nas eleições deste ano. Ainda assim, o brado de petistas, aliados e demais aproveitadores da era PT –”volta, Lula”– começa a ecoar em Brasília.

Os mais experientes em processos eleitorais sabem que intenções de voto meses antes do pleito nada valem. Mesmo considerando-as hoje, o cenário não é bom para Dilma.

A presidente é a única candidata com alta taxa de conhecimento, e 56% não declaram voto nela neste momento. Entre os que conhecem bem os três principais candidatos, o cenário é menos favorável para a presidente. Isso sim é relevante, assim como a avaliação de seu governo.

O desgaste da presidente e o futuro melancólico vislumbrado na economia levam muitos governistas à procura da salvação de seus interesses pessoais. A solução seria chamar o ex-presidente Lula (PT) para assumir a candidatura e garantir mais quatro anos de retrocesso.

Para muitos –empresários inclusive–, seria a chance de deixar o barco que está afundando para se agarrar a um novo candidato que lhes pareça ter possibilidades de vitória e que garanta a manutenção de seus privilégios e benefícios. Lula seria o candidato –segundo eles, imbatível– de Dilma e da continuidade. No entanto, uma retrospectiva da história recente mostra que as coisas não seriam assim tão fáceis.

Após a redemocratização, nas eleições de 1989, tínhamos um governo José Sarney (PMDB) mal avaliado, o que levou a um segundo turno entre dois oposicionistas, Fernando Collor (então PRN) e Lula. Venceu Collor, que sofreu o impeachment e deu lugar a Itamar Franco. Este, bem avaliado devido ao sucesso do Plano Real, lançou Fernando Henrique Cardoso (PSDB) em 1994, que venceu Lula no primeiro turno naquele pleito e no seguinte, de 1998, por um FHC bem avaliado.

Em 2002, com a má avaliação de FHC, José Serra (PSDB) foi derrotado por Lula. Este, bem avaliado, foi reeleito em 2006 e, em 2010, conseguiu eleger Dilma Rousseff. Os bem avaliados venceram.

O mesmo padrão se repete nas eleições estaduais em São Paulo. Em 1982, Franco Montoro, do PMDB, de oposição ao regime militar, se elege contra o candidato da situação, Reinaldo de Barros (PDS). Em 1986, Montoro com boa avaliação elege Orestes Quércia (PMDB). Em 1990, Quércia, com boa avaliação, elege Luiz Antônio Fleury Filho (PMDB), contra a oposição de Paulo Maluf (então PDS). Em 1994, Fleury, mal avaliado, lança Barros Munhoz (PMDB), que é derrotado por Mario Covas (PSDB). Em 1998, Covas, com avaliação razoável, se reelege, derrotando Maluf e Marta Suplicy (PT). Em 2002, após assumir o governo com a morte de Covas e administrar bem, Geraldo Alckmin (PSDB) é reeleito, derrotando José Genoino, da oposição (do PT). Em 2006, Alckmin, com boa avaliação, elege o sucessor, José Serra (PSDB), e este, em 2010, bem avaliado, elege o sucessor, o próprio Alckmin.

Em praticamente todos os casos, seja com candidatura à reeleição ou com candidato de continuidade, vence o governo que tem boa avaliação. Perde quem não a tem.

Vai daí que, se a avaliação negativa de Dilma se confirmar –e já se esgotaram os efeitos especiais–, ela não se reelegerá nem terá condições de eleger sua continuidade, qualquer que seja o nome. Não é matemático, mas é um padrão dos processos eleitorais.

Lula está louco pra voltar, mas teme que os efeitos do reconhecimento do insucesso de Dilma coloque em risco o prestígio que adquiriu.

De uma coisa temos certeza: o PT vai cair atirando. Seu nível de escrúpulos é baixo e o seu compromisso com a democracia é tênue. Teremos muitas emoções.

ALBERTO GOLDMAN, 76, é vice-presidente nacional do PSDB. Foi governador de São Paulo (2010)

Ele ainda não entendeu…

 

O nosso Lula deu uma entrevista ao jornal italiano “La República” na qual resolveu, ao ser indagado pelo jornalista, contestar a fragilidade da economia brasileira.  Depois de ressaltar as condições de crescimento do país sob o ponto de vista macroeconômico – dando a entender que o seu governo foi o autor da obra ( alguém imaginaria que ele desse o crédito a outros? ) – resolveu enveredar por uma análise da economia afirmando que os críticos ao governo do PT dizem que o melhor é reduzir a oferta de emprego para reduzir a inflação, mas que para eles, condutores do atual governo, a defesa do emprego é mais importante que a inflação.

Tantos anos governando o país, além da experiência do passado, e Lula ainda não compreendeu que emprego e inflação andam juntos e que não existe qualquer contradição em desejar a ampliação dos empregos e, ao mesmo tempo, o combate à inflação e que estes dois objetivos devem estar sob o foco de qualquer governo responsável, sem que um seja mais importante que o outro.

Não conheço ninguém que propugne a destruição de empregos como forma de combate à inflação, nem que opine por mais inflação para ampliar as possibilidades de ampliar o emprego.

O que existe, é fato, o conceito de que a ampliação dos empregos e da massa salarial, sem a contrapartida de maior oferta de bens, isto é, sem mais investimentos na produção, leva ao crescimento dos índices inflacionários.   E este leva à desorganização da produção e à diminuição da oferta de bens com a consequente diminuição do emprego, e à corrosão da capacidade aquisitiva dos salários e vencimentos.

O emprego e a inflação contida devem ser vistos como elementos igualmente importantes para o equilíbrio da economia e o crescimento sustentável.

De Napoleão para Hitler, Lula e os elefantes brancos de 30 bilhões

 

O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, respondendo a um jornalista que mostrava a preocupação de termos pouco tempo – 100 dias – para o início da Copa do Mundo, e ainda não termos finalizadas uma boa parte das obras dos estádios assim como as complementares necessárias ainda estarem em execução, veio com essa tirada: ‘Napoleão reconquistou a França em 100 dias’.   Faltou lembrar que os exércitos nazistas, durante a segunda guerra mundial, ocuparam a Polônia em 35 dias e obrigaram a França à rendição 43 dias após a invasão do seu território.

Mas poderia também lembrar que os exércitos hitleristas lançaram o ataque contra a União Soviética durante o verão de 1941 com o objetivo de derrotar o adversário antes do inverno europeu.  Não aconteceu, nem em 100 dias, nem nunca. Chegaram às portas de Leningrado, Moscou e Stalingrado, foram barrados e tiveram de recuar a Berlim quando foram definitivamente derrotados.

O que tem a ver tudo isso com a Copa do Mundo no Brasil?  De fato, nada, nada!

O fato é que o custo da Copa, para o Brasil, já atinge a previsão de 30 bilhões de reais!  E, certamente, muitas das obras previstas não serão finalizadas em tempo.

Em São Paulo, ainda se discute quem vai arcar com as instalações temporárias, como as arquibancadas suplementares para completar a lotação exigida.

Essa aventura foi arquitetada pelo Sr. Luis Inácio Lula da Silva, que conquistou esse direito para o Brasil em outubro de 2007.  Mais de 6 anos após, estamos nesse sufoco.  Parece obra do PAC.

Toda essa dinheirama para ter no Brasil uma Copa do Mundo.  Por si só, é claro que termos os jogos aqui, ao vivo, pouco vale.  A maioria do nosso povo vai assisti-los pela TV.  O número de lugares a serem preenchidos por brasileiros é ínfimo em relação àqueles que os verão pela mídia eletrônica.

E o legado? Teremos obras nas cidades sede, algumas que serão aproveitadas no pós Copa. Só!  Boa parte dos custos são despesas para a realização dos jogos, não são passíveis de recuperação.  E teremos elefantes brancos, que ficarão “ad aeternum” como exemplo e prova de um governo irresponsável.

 

Instituições maculadas

 

É assustador para qualquer cidadão comum o quadro que se desenha nas instituições que configuram a república democrática em nosso país.   Se já não bastasse o que vemos no Executivo comandado pelo PT, onde o respeito ao conceito de república – um Estado acima dos partidos e dos interesses privados – já foi substituído pelo conceito de todo o poder ao partido, independentemente do interesse público, e não bastasse a deterioração da ação do Legislativo que perdeu sua legitimidade para representar a sociedade e construir, de forma autônoma, as relações entre o Estado e a Sociedade, constatamos com profunda apreensão o que se passa no Poder Judiciário, último baluarte da democracia representativa.

O balanço do processo que se chamou de “mensalão” ainda é positivo se atentarmos para uma ação penal que, pela primeira vez na nossa história, colocou no banco dos réus dirigentes públicos do partido governante, promoveu um processo transparente e produziu condenações sobre crimes de corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e outros.  Mas alguns aspectos chamam a atenção quanto à coerência das condenações, quanto à execução das penas e quanto a ação política e jurídica dos condenados, de seus defensores legais e de seus adeptos políticos.

Quanto a esses últimos poder-se-ia esperar uma conduta mais auto crítica do que a apresentação de punhos cerrados, a acusação das condenações como sendo consequência de um julgamento político e o apequenamento das decisões judicias vis a vis às vontades das urnas.

Mas quanto às decisões judiciais é estranho e assustador ao cidadão que uma decisão de tal magnitude sobre homens que comandavam e ainda comandam o país – refiro-me à decisão de inocentar o núcleo político do mensalão do crime de quadrilha – tenha sido tomada por reforma de decisão anterior, porque dois dos magistrados que votaram em uma determinada direção se aposentaram, e os novos, sem terem convivido com os meses dos debates na Corte, se pronunciaram no sentido contrário, produzindo um resultado oposto ao anterior.  E mais, como resultado do julgamento, verifica-se que o núcleo pensante, criminoso, da operação montada para fidelizar parlamentares e partidos, é o que recebeu penas de menor gravidade que aquele grupo de pessoas que foi instrumento operacional, sem qualquer poder decisório, de mando, sobre o desvio, coleta e personalização da distribuição do dinheiro obtido ilegalmente.   Esse grupo – diretores e funcionários de empresas de publicidade e bancos privados – foi apenado com condenações em regime fechado, altas multas e tempo de reclusão dilatado em relação aos autores intelectuais, os verdadeiros comandantes da operação.

E ainda agora, na execução das penas do núcleo político o que se vê é a total falta de pudor dos condenados e de seus adeptos.  São privilegiados nas prisões, recebem quem quiser como se  viu José Dirceu receber um chefe da Defensoria Pública, Delúbio receber o  presidente do sindicato dos funcionários do sistema penitenciário e o governador petista do DF de forma acintosa e despudorada visitar José Dirceu sob o argumento que foi à uma inauguração e aproveitou a ocasião para tratar com ele de assuntos pessoais.  Um escárnio.

E o que mais vem por aí?  Uma revisão judicial?  Uma tentativa de um projeto de anistia como se fossem presos políticos?

Nesse reino, sob mando do PT, Lula, Dilma “et caterva”, tudo é possível.  Eleições vêm aí. O povo quer que tudo continue assim mesmo?

 

A nossa presidente dando um show na cúpula União Europeia – Mercosul. Um vexame.

O pronunciamento de Dilma nessa cúpula e entrevistas realizadas, em Bruxelas, são pra deixar qualquer brasileiro com vergonha. Vale a pena ler o editorial do Estadão de hoje (clique aqui para ler a íntegra), “Ela fala pelo Brasil”, destaco alguns pontos abaixo:

“Até mesmo o lusófono presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, deve ter tido sérias dificuldades para entender os dois discursos da presidente Dilma Rousseff proferidos em Bruxelas a propósito da cúpula União Europeia (UE)-Brasil. Não porque contivessem algum pensamento profundo ou recorressem a termos técnicos, mas, sim, porque estavam repletos de frases inacabadas, períodos incompreensíveis e ideias sem sentido.”

“Ao falar de improviso para plateias qualificadas, compostas por dirigentes e empresários europeus e brasileiros, Dilma mostrou mais uma vez todo o seu despreparo. Fosse ela uma funcionária de escalão inferior, teria levado um pito de sua chefia por expor o País ao ridículo, mas o estrago seria pequeno; como ela é a presidente, no entanto, o constrangimento é institucional, pois Dilma é a representante de todos os brasileiros – e não apenas daqueles que a bajulam e temem adverti-la sobre sua limitadíssima oratória.”

“Movida pela arrogância dos que acreditam ter mais a ensinar do que a aprender, Dilma foi a Bruxelas disposta a dar as lições de moral típicas de seu padrinho, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Acreditando ser uma estadista congênita, a presidente julgou desnecessário preparar-se melhor para representar de fato os interesses do Brasil e falou como se estivesse diante de estudantes primários – um vexame para o País.”

Um vexame.

Henrique Pizzolato, um arquivo vivo. As pesquisas, “again”.

 

Henrique Pizzolato, um arquivo vivo

Henrique Pizzolato não é um bagrinho. É peixe pra mais de metro, um verdadeiro arquivo vivo.

Começou a carreira como funcionário do BB, foi presidente do Sindicato dos Bancários de Toledo (PR) e depois presidente da CUT no Paraná. Foi candidato a governador do Paraná, pelo PT.  Elegeu-se em 1992 como representante dos funcionários do BB no Conselho de Administração do Banco.  Dali foi para a Previ e, com a vitória de Lula em 2002, tornou-se diretor de marketing e comunicação do Banco do Brasil.

Durante o período eleitoral trabalhou com Delúbio Soares, tesoureiro do PT, dando suporte à campanha de Lula.

Pizzolato foi condenado pelo STF no processo do mensalão por ter sido responsável por contratar o publicitário Marcos Valério com o dinheiro repassado pelo Fundo VisaNet, administrado pelo BB,  para promover a compra de lealdade dos partidos políticos que sustentavam o presidente Lula no Congresso Nacional.

Até então Pizzolato parecia ser apenas um alto funcionário do BB, petista de carteirinha, desprovido de escrúpulos, a serviço da manutenção do PT no poder, se possível, “ad aeternum”.   Mas parece que é muito mais que isso.  Hoje tem se conhecimento de que desde que a CPI sobre o caso foi se desenrolando no Congresso, descobrindo os detalhes do maior escândalo de corrupção política de que se teve notícia no Brasil, Pizzolato já vinha se preparando para o que desse e viesse.

Assumiu, há vários anos, uma dupla personalidade.  Além de Henrique, também era Celso, um irmão falecido, votando e apresentando declaração de imposto de renda pelos dois, ele e o morto.   Sua fuga para o exterior – recém capturado na Itália – se deu usando o nome do irmão.

Começam a aparece, agora, novos elementos: Pizzolato abriu, em nome do irmão, várias contas  e comprou imóveis no exterior.  Vocês podem imaginar o que ainda vem por aí.

De onde vem tanto dinheiro?  É só dele ou ele é o guarda de recursos de outros?  Se existem outros, quem são?

É só o começo.  Muita água ainda vai passar debaixo da ponte.

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 Pesquisas “again”

Fica claro para quem quer ver.  Um governo que um ano e pouco antes tinha uma avaliação positiva acima de 60%, que perdeu mais da metade do índice positivo durante as manifestações de junho do ano passado e só conseguiu recuperar 20 a 25% do que havia perdido, não pode estar tranquilo quanto ao seu futuro eleitoral.

Nas pesquisas de “intenção de voto”, expressão absolutamente inadequada quando se trata de antecedência de 8 meses Dilma,  confrontada com candidatos ainda desconhecidos, com uma brutal exposição à mídia e distribuindo pão, circo e máquinas de terraplenagem, “ganha” no primeiro turno.  Quando confrontada com outros nomes conhecidos, que não são candidatos, seu resultado é outro.

Garanto lhes, ela não está tranquila.  Muito menos o PT que já não esconde: pensa seriamente na volta, imediata, do seu chefe maior, o Lula.

Sejamos justos, é natural: ele é o responsável maior – o enrolador maior da República -  pelas dificuldades econômicas pelas quais passa o país.  Que responda por elas.

 

Argumento estúpido e o construtor do partido

 

Argumento estúpido

Segundo o advogado de José Genoíno, na defesa que faz perante o STF durante a discussão dos embargos, não houve formação de uma quadrilha, mas de um partido político que, desde 2002 vem vencendo as eleições majoritárias para a presidência da República, o que comprova que o povo vem aprovando a conduta deles, condenados, e de seu partido.

Poucas vezes ouvi argumento tão estúpido.  Significa, segundo ele, que o povo aprova o desvio de dinheiro público para a formação de maiorias no Congresso Nacional e para garantir melhores resultados eleitorais.

É como se disséssemos que o povo aprovava da ditadura, a repressão e a tortura impostas pelo golpe militar de 1964 quando, no auge do terror, em 1970, 1974 e 1978 elegeu, através de seu partido, a ARENA, a maioria dos deputados federais e senadores.

Eleição não é anistia.  Não é certidão de honorabilidade.

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Um construtor de partido

Henrique Pizzolato, fundador do PT, ex diretor do Banco do Brasil, um dos membros da quadrilha, fugitivo na Itália, é o símbolo maior do que significa uma quadrilha.  Desde o início das apurações do mensalão, ele se preparou para fugir se as coisas não dessem certo para eles, como não deram.  Assumiu uma dupla personalidade, usando o irmão morto, seus documentos e tudo mais, inclusive abrindo contas no exterior em nome do falecido.   Henrique era Henrique quando queria e era Celso quando lhe convinha.   Por isso conseguiu fugir.  Belo exemplo de um cidadão que organizou um partido – não uma quadrilha conforme o advogado de Genoíno defende.

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Os presidentes dos poderes da República perderam o respeito

 

Covardia, incompetência e abdicação do dever, podem ser creditadas às atitudes dos chefes dos poderes da República, Ricardo Lewandowski, presidente eventual do STF e Dilma Rousseff, presidente da República, quando das manifestações do MST em Brasília.

Covardia porque Lewandowski suspendeu a sessão do Tribunal e Dilma transferiu sua agenda do Planalto para o Alvorada, sua residência, diante do risco de invasão. Tornaram-se ser reféns de manifestantes, o que é inaceitável, demonstrando um receio que só incentiva a violência dos mesmos.  E se eles se dirigissem ao Alvorada, ela iria para a Granja do Torto?  E depois fugiria para onde?

Incompetência porque não é admissível que sejam pegos de surpresa, despreparados, pela agressividade das manifestações e não tenham esquemas de segurança aptos e prontos para entrar em ação em defesa de seus cargos e de suas pessoas.

Abdicação do dever porque é obrigação de um agente público com a responsabilidade que assumiram, encarar, com os instrumentos que têm, a agressão aos princípios democráticos sob os quais vivemos, dando um exemplo de não aceitação do descumprimento das leis.

Pior ainda foi a atitude posterior da presidente, aceitando a imposição do MST dela se reunir com o Movimento, apesar das dezenas de policiais feridos pelas ações violentas dos manifestantes.  Um incentivo para novas manifestações violentas.

Dilma mostra que já perdeu as rédeas do governo e do poder de presidente. Anda ao sabor do vento e do calendário eleitoral.  É a agonia de que não estava preparado para assumir o cargo de presidente.

Triste fim.  Ruim para o Brasil.

 

 

 

O que são as pesquisas? Dilma pode ser batida. O PT em fase terminal

 

Para uma análise do quadro atual do processo de eleição do presidente da República, vamos fazer uma breve e resumida retrospectiva das pesquisas de intenção de voto para as eleições passadas, a partir de 1970.   Entre 1970 e 1986, como não tínhamos eleições diretas a não ser para o Senado trataremos,  entre 1970 e 1978 das eleições para o Senado e, entre 1982 e 1986 das eleições para o governo estadual, em São Paulo.  Em seguida veremos as eleições presidenciais de 1989 até hoje.

Em 1970  concorriam a duas vagas para o Senado em São Paulo, Lino de Mattos, Franco Montoro e Orlando Zancaner.  Lino, candidato a reeleição, era tido com imbatível, o primeiro nas pesquisas feitas meses antes das eleições.  O resultado foi a vitória de Montoro, com Zancaner ganhando a segunda vaga.

Em 1974 a disputa ao Senado era para apenas uma vaga.  Carvalho Pinto, ex governador, amplamente favorito, estava à frente nas pesquisas.  Orestes Quercia, ex prefeito de Campinas, um azarão, iniciou a disputa com 2% de intenções de voto.  Resultado: Quercia eleito com ampla maioria.

Em 1978 disputa de uma  vaga para o Senado, pois a ditadura havia criado uma vaga para um senador eleito pelo voto indireto ( os senadores biônicos ).  Montoro favorito à reeleição ( com Fernando Henrique Cardoso em uma das sub legendas do MDB ) venceu Claudio Lembo, candidato da Arena, com ampla margem.  Resultado previsível desde o início.  Nesse ano foi eleito governador indireto Paulo Maluf.

Nessas três eleições para o Senado em São Paulo o resultado foi previsível apenas na última, desde o início das pesquisas.

Em 1982 na eleição para Governador de Estado, Montoro, do PMDB, foi o favorito desde o início, e derrotou Reinaldo de Barros do PDS ( antiga ARENA ), Janio Quadros e Lula,  este na primeira tentativa do PT.

Em 1986 a disputa se inicia com Maluf à frente nas pesquisas e Quercia logo atrás.  Aparece Antonio Ermírio de Moraes que cresce ameaçando Maluf enquanto Quércia cai para menos de 10%.  Mas a 60 dias das eleições Quércia arranca e vence a eleição, ficando Antonio Ermírio em segundo.

Nesses casos houve um resultado previsível e outro que, depois de muitas variações, terminou de forma não prevista.

Em 1989  temos a primeira eleição presidencial direta após a ditadura.  As pesquisas iniciais mostravam a força de Leonel Brizola.  O PMDB apresenta Ulisses Guimarães, em tese um forte candidato.  O PSDB apresenta Mario Covas, senador de muito prestígio.  Lula é o candidato do PT.  E Collor de Mello, deputado federal de atuação apagada, aparece por um partido nanico sem, aparentemente, qualquer possibilidade eleitoral.  A campanha faz alternar posições e, já na reta final, parecia que Brizola e Collor chegariam ao segundo turno.  No entanto Lula cresce, passa Brizola e vai para o segundo turno, com Collor terminando em primeiro lugar.  No segundo turno, no início das pesquisas, Collor aparece à frente de Lula com larga distância. Há poucos dias da eleição Lula encosta em Collor e ameaça ultrapassá-lo.  Nos debates finais Collor faz acusações a Lula que lhe possibilitam a vitória.   Vale observar que no ano seguinte, 1990, o PMDB vence a eleição para governador do Estado de São Paulo com Luiz Antonio Fleury Filho, derrotando o aparentemente imbatível Paulo Maluf no segundo turno.  No primeiro turno Fleury chegou em segundo lugar derrotando Mario Covas ( PSDB ) e Plinio de Arruda Sampaio ( PT ), mas no segundo turno supera Maluf.

Em 1994, no mês de abril,  as pesquisas de intenção de voto indicavam vitória de Lula (PT) com 40%, e pouco mais de 12% para Fernando Henrique (PSDB)  .  Em Julho é lançado, com o sucesso, o plano real.  FHC cresce e vence o pleito no primeiro turno, derrotando também Brizola e Quércia.  Virada total.

Em 1998  FHC, candidato à reeleição, vence com facilidade no 1º turno contra Lula e Ciro Gomes.  Resultado previsível desde o início da campanha.

Em 2002  Lula aparecia como o favorito desde o início do processo eleitoral.   Em um momento foi ameaçado por Roseana Sarney, que desistiu em função do escândalo “Lunus”, e em outro por Ciro Gomes que foi se esvaindo paulatinamente.  José Serra, que começou com baixos índices, foi subindo e conquistou o segundo lugar.  Não obtendo maioria absoluta, Lula foi ao segundo turno que lhe deu o primeiro mandato presidencial.

Em 2006  Lula aparecia nas pesquisas em primeiro lugar com Geraldo Alckmin em segundo e assim terminou o primeiro turno.  Um bom percentual de votos de Heloisa Helena levou a eleição para o segundo turno.  Este é vencido por Lula com uma votação expressiva.

Em 2010  Dilma começa em baixa nas pesquisas com Serra na frente.  Só em junho/julho de 2010  Dilma consolida a dianteira, com Marina crescendo. Dilma vence no primeiro turno, mas não consegue a maioria absoluta.  No segundo turno ela vence Serra com uma diferença de 12% .

Em três dessas seis eleições presidenciais desde a redemocratização os resultados finais foram, em dimensões variadas, os previsíveis pelas pesquisas.  Nas outras três muitas mudanças se deram e o que se viu no final não foi o que as pesquisas indicavam no início do processo eleitoral, com meses de antecedência.  Muitos outros exemplos poderiam ser dados com resultados eleitorais para governadores e prefeitos em diversas épocas e em diversos lugares.  A regra geral é não haver correspondência direta entre resultados de pesquisas de opinião feitas com meses de antecedência e os resultados eleitorais concretos.

Os resultados eleitorais se dão em função de um número imenso de variáveis, algumas objetivas em função das condições da economia, do quadro social e das alianças políticas.  Dependem, também, da forma e do conteúdo das campanhas eleitorais.  Além disso, são condicionantes importantes o comportamento dos candidatos, os seus históricos e os episódios que os atingiram durante a sua vida, política ou mesmo como cidadão.

Dessa forma as pesquisas de opinião que se fazem sobre a eleição presidencial de 2014 podem indicar o estado da arte atual, momentâneo, estático.  Como se viu – e como está sendo constatado – a evolução das pesquisas é imprevisível.   Centenas de fatos e acontecimentos se darão e vão impactar, cada vez mais nas proximidades do pleito, o resultado final.

Por isso é falso afirmar qualquer favoritismo da presidente Dilma.  Muita água ainda vai passar debaixo da ponte.

Há, a meu ver, um fato que considero inelutável: o ciclo do PT se encerrou.  É fase terminal.  Estamos em um momento de transição e um outro bloco de poder hegemônico ainda não se formou.   Mas se formará.   Isso pode se dar já a partir de outubro desse ano, ou não.  Poderemos conviver ainda algum tempo com a reeleição da presidente – não são favas contadas, na certeza de crises políticas em futuro próximo.  Mas isso não será bom para o país.  O melhor é que esse governo petista, e suas alianças, em franca decomposição – há um processo em ebulição na alma profunda do povo –  seja o mais cedo possível substituído por um novo bloco de poder, com capacidade para enfrentar a herança maldita que vai receber e construir os caminhos da superação.

 

Padilha, nos poupe. Não vale o pão que come.

 

Já vi que com esse Padilha ( o Alexandre ) não vai me faltar matéria o ano todo.  No primeiro discurso eleitoral, na sua saída do ministério, já deu pra saber quem é.  É canelada e cotovelada pra lá e pra cá.  E na sua primeira entrevista como candidato, já faz jus às primeiras impressões.  Vamos lá.

Diz na entrevista à Folha que “quando soube o que aconteceu com o filho do governador ( tentativa de assalto ), eu quis prestar solidariedade a ele e sua família”.   Que doce!! Quanta simpatia e sentimento humano!  Ainda assim, não o fez.

Continua, dizendo “os grandes símbolos da violência em São Paulo são outros… que mais de 500 carros são roubados por dia no Estado.”   Ah, é verdade, e quantos no país, e quantos na Bahia e quantos no Rio Grande do Sul e quantos no Rio de Janeiro?   Para ele o desafio é termos uma política de segurança pública com polícia mais presente nas ruas e operando com mais inteligência.   Como se vê, o Padilha descobriu a pólvora, ninguém sabia…!

Em seguida ele foi à glória:  ”o PCC é uma criação dos 20 anos do governo do PSDB…”. Puxa vida e eu que li o relatório das ações criminosas desencadeadas pelo PCC em São Paulo, em 2006, ano eleitoral, no governo Alckmin/Lembo, no qual se mostrou que o PCC indicava candidatos do PT às eleições, digo o quê?  Digo, Padilha, você também não vale o pão que come.  Você bem sabe que o problema da criminalidade é o do tráfico de armas e drogas, que entram livremente através de nossas fronteiras que o governo federal deveria cuidar.   E Padilha, como vão os índices de criminalidade no conjunto do país?   E no DF, na Bahia, no Rio Grande do Sul, comandados pelo PT?   E como vão as prisões no Maranhão, da querida Roseana Sarney e no RS do querido Tarso Genro?  Ah, ele diz que a comparação tem de ser com outros países.  Quem sabe, com a Suíça, a Suécia, a Alemanha, a França?

E o programa “mais médicos” que ele festeja?  Só me pergunto: em um país que tem 400 mil médicos formados e trabalhando e que forma mais de 15 mil por ano, não tiveram a competência de atrair 10 mil para trabalhar nas áreas carentes, precisaram importar de Cuba, que produz médicos para exportação sem que se saiba de suas qualificações?

Ora Padilha, nos poupe!