O doloroso estado terminal de um governo.  A renúncia é o sonho de uma noite de outono?

 

Por quanto tempo ainda o país ainda vai sofrer com o governo que tem?  É impossível prever a duração do doloroso fim de um governo em estado terminal.

O grau de isolamento da presidente é tal que o poder parece mais estar no Congresso, através dos presidentes das duas Casas, Câmara e Senado. De fato, um parlamentarismo à meia boca, ao arrepio da lei, sem as características positivas desse sistema de governo que são a possibilidade de derrubar o gabinete e de dissolver o Congresso convocando novas eleições.  Por incrível que pareça, não há aliança partidária, nem distribuição de cargos no executivo federal que garanta o exercício do poder de governar à presidente Dilma Rousseff.  Perdeu a maioria no Parlamento, perdeu essas alianças, perdeu a possibilidade de manipular as manifestações de rua e perdeu a credibilidade e a respeitabilidade necessárias para liderar o país.

Pouco tempo após as eleições que a fizeram presidente, ela expressa, de forma eloquente, a rejeição da população a ponto de, surpreendentemente, ter o apoio de apenas um décimo do eleitorado nacional.  Fato nunca visto.

Todos os dias, sem descanso, vem uma má notícia, mas o fundo do poço não é alcançado.  Parece que não tem fim.  Os tênues fios que a mantinham com algum alento, seja pela manutenção dos empregos, seja pela manutenção do poder de compra do povo, se romperam.  Hoje, além de inflação, recessão, baixos investimentos, situação fiscal dramática, é desemprego e baixos salários.  Nada mais sobra.  Ela vai encerrar o ciclo petista de maneira triste e deprimente.

É preciso que fique claro: Dilma não é a maior responsável por tudo isso.  Ela não é nada mais que um figurante nesse teatro de horror montado pelo PT sob a liderança de Luís Inácio Lula da Silva.  O episódio da Petrobrás, em que fica clara a ação do ex-presidente determinando, de forma autoritária e ilegal a estratégia da empresa, conforme declara Graça Foster, com objetivos políticos e financeiros, é gritante.

Após esse ciclo petista, que não tem data certa para se encerrar, teremos anos e anos de reconstrução, não só da nossa economia, mas também da vida democrática do país, abalada pela forma criminosa como o PT governou e governa.

O melhor para o país é que ela e o seu parceiro vice-presidente renunciassem para que novas eleições fossem convocadas sob novas regras, isto é, após uma reforma política que acabasse com as distorções no processo partidário e eleitoral.

Afinal tanto ela quanto ele são produto de um processo eleitoral viciado não só pelo uso da máquina estatal, como pelo uso de recursos públicos desviados de forma criminosa.  Isso possibilitaria um amplo acordo nacional.  Seria menos doloroso e uma demonstração de respeito para com o Brasil e o povo brasileiro.  Caso contrário vamos continuar, não sabemos por quanto tempo, com essa morte lenta e extremamente danosa para nossa economia e nossas instituições.

Sonho de uma noite de outono?  Talvez.  Se não isso, então o quê?

 

 

O início do fim. O desafio às forças democráticas quanto à transição.

As manifestações de hoje, 15 de março de 2015, foram as maiores manifestações populares da história brasileira.  Superaram, de longe, as manifestações a favor das eleições diretas que foram o início do fim do regime militar.  O lulopetismo está em seus estertores.  Trata-se para todos nós, democratas, de afastá-lo com os menores danos para o nosso país e o nosso povo usando os instrumentos que a democracia nos permite.  Dentre eles a pressão das ruas.

As manifestações de apoio ao governo, realizadas no último dia 13, cotejadas com as de hoje, permitiram que a Nação pudesse constatar, com clareza, que o governo que dirige o país não o representa.

As manifestações do dia 13 foram convocadas pelos pelegos sindicais, estudantis e dos movimentos sociais manipulados e subvencionados financeiramente pelo governo central e contaram com a presença, majoritária, de empregados dos sindicatos sob o comando da CUT e de outras centrais sindicais, da UNE e de outras entidades estudantis, das milícias do MST, e de alguns militantes do PT, do PCdoB e de outros partidos que se auto denominam de esquerda.  Presença voluntária, muito pouca.  Um retumbante fracasso.

No caso das manifestações de hoje não houve a necessidade da ação de partidos políticos, nem o fornecimento de alimentação e transporte gratuitos.  Não foi necessário mobilizar prefeituras petistas, nem exércitos de sem terra, comandados pelo Stédile e bancados pelo Incra.   A presença do povo foi voluntária, convocado pelas redes sociais, e se espalhou por todo o país.

O povo se manifestou, de forma ordeira, contra o governo petista, contra Lula e contra Dilma, não só nas capitais mas também nas grandes, médias e pequenas cidades.  O número dos manifestantes é imponderável – foram muitas centenas de milhares –  e o repúdio ao governo consolida a percepção de que o governo, politicamente, acabou.

Trata-se agora de construir a transição, necessariamente democrática, para expelir a podridão e a incompetência do comando da Nação.

A presença, no fim do dia, de dois ministros em entrevista aos meios de comunicação, foi patética.  Um acenando com uma reforma política tantas vezes anunciada quanto esquecida.  O outro desqualificando as manifestações com o argumento de que a maioria dos manifestantes seria dos que não votaram na Dilma.  Os dois repetindo as justificativas dadas durante a campanha eleitoral e repetidas em posteriores pronunciamentos da presidente.

Assim como não tiraram as conclusões políticas da vitória eleitoral obtida às custas de mentir e levar o país à crise em que vivemos, os petistas se recusam a avaliar com seriedade as manifestações de hoje.  Nenhum lampejo de autocrítica, depois de tantos erros cometidos.

O povo acaba de dar o recado.  Esse governo não tem mais como dar a volta por cima e ganhar o respeito necessário para poder governar.  Chegou ao ponto em que não há mais retorno.  Caminha para o abismo e nada pode evita-lo.

O problema é o sofrimento por que passa e passará o país.  Por isso não há como deixarmos de agir, com absoluto respeito aos princípios democráticos, diante do inevitável aprofundamento da crise nos próximos meses, muito menos nos quase 4 anos, que é a duração do mandato.

Esse é o desafio que se apresenta às forças verdadeiramente democráticas do país.

Já está tudo bastante claro. Quem comandou foram Lula e Dilma. E agora, como sair dessa?

 

José Eduardo Cardoso diz que não há o que investigar sobre Dilma Rousseff.  Ele está certo.   Não há mais o que investigar sobre ela e sobre Lula.  Está tudo claro.  É uma quadrilha só, uns mais ativos, outros menos.

Estão envolvidas todas as direções dos três principais partidos da base governista: PT, PMDB e PP, sob o comando do primeiro.  Estão lá seus presidentes, tesoureiros e lideres na Câmara e no Senado.  Sob o comando de Lula e Dilma foram indicados os operadores para exercer as diretorias da Petrobras e articular com os empresários para executar as obras e surripiar um naco substancial dos contratos com a finalidade de eleger presidentes, governadores, senadores e deputados, sem prejuízo, em alguns casos, de deixar um “troquinho” para si próprios.

Com isso ganharam eleições.  Tornaram seus mandatos ilegítimos.  Moral, política e juridicamente inaceitáveis.

Ainda tentaram incluir na lista do Janot o nome de Aécio Neves.  Não conseguiram.  O máximo que conseguiram foi incluir o senador tucano mineiro Antonio Anastasia, citado nas investigações por um “mula” ( transportador das propinas ) que foi desmentido pelo doleiro Youssef que fez delação premiada e negou que tivesse mandado qualquer coisa para o senador.  O covarde Janot o incluiu para dar, ao menos, uma colher de chá à Dilma.  A simples citação do nome, sem qualquer prova, foi suficiente para Janot.

Como sair dessa enrascada que paralisa o país e condena milhões de brasileiros a viver sem perspectivas de uma vida melhor, sem perder as conquistas democráticas alcançadas depois de superado o período ditatorial, isto é, nos limites legais, é o nosso grande desafio.

 

 

 

Um ano de muitas emoções

Lula não precisava anunciar que o Stédile iria colocar seu exército nas ruas. Grandes ditadores, em todo mundo, já o fizeram, antes ou depois de tomar o poder: Franco na Espanha com as “Falanges”, Mussolini na Itália com os “Camisas Negras”, Hitler na Alemanha com as SA  (Sturmableitung, em português “Tropas  de assalto”).  Mais recentemente temos, na Venezuela, as milícias bolivarianas. Todos para manter o poder à força.

O aperitivo o PT já ofereceu, como mostrado durante o ato na Petrobras em que ele, Lula, esteve presente, incitando a formação de milícias. A provocação ao ato do PT foi uma ação imbecil, promovida por um pequeno número de populares, mas a resposta com porradas, inaceitável, serviu para o treinamento da milícia petista em formação.

Já era previsto que o PT iria cair “atirando”, como eu já havia escrito.  Que faria o diabo, como anunciou Dilma, durante o processo eleitoral.  Fez e venceu.  Usou, como nunca ninguém, os recursos desviados das empresas estatais e dos ministérios, como se vê pelas notícias publicadas dia após dia.  Agora já sabemos como, quando e onde.  Só uma parte, por enquanto.  Vem mais por aí.

Não foi só dinheiro que maculou a vitória petista.  A cada momento o  novo (velho), governo anuncia medidas que contrariam os compromissos de Dilma durante a campanha: inflação, desemprego, juros que aumentam, controle cambial deixa de existir, reajuste da tabela de IR abaixo da inflação, incentivos de isenção de IPI são revogados, desonerações das folhas de pagamento das empresas são diminuídas, o PAC é paralisado, o programa de financiamento de bens para os adquirentes do “minha casa, minha vida” é cancelado, benefícios da previdência  são reduzidos, tarifas de energia elétrica sobem, compensando quedas artificiais antes promovidas, além de muitas outras que vêm sendo tomadas.

Estelionato puro e simples, sem que Dilma tenha a coragem de vir à TV (como fez tantas  vezes, antes e durante a campanha, para comunicar benefícios) para explicar e justificar as decisões que atingem milhões de pessoas e todo o país.

Agora, passado o momento eleitoral, tudo muda.  Estouraram o país de uma forma tão grave que levaremos anos para consertar.  E eles não têm condições para isso.  Por isso começam a usar a violência para enfrentar a indignação popular.

O Brasil parou, ninguém mais quer investir, com inflação, recessão e a credibilidade da presidente chegando ao fundo do poço.

Qual a resposta de Lula?  Milícias paramilitares nas ruas.  Esse cidadão é o verdadeiro responsável por tudo o que estamos passando e vamos passar.  Assim tratou o país: gestão fraudulenta e gestão temerária. Dilma é apenas a operadora de toda essa desgraça.

Vamos viver 2015 em estado permanente de tensão.

O impedimento e o desafio da oposição

Artigo publicado na Folha de S. Paulo

Estamos iniciando um longo e dramático período político em nosso país. Longo, porque o mandato presidencial é de quatro anos. Dramático, porque Dilma Rousseff e seu partido não têm condições políticas e morais para conduzir o país por mais muito tempo.

Para não se apresentar confessando o estelionato eleitoral, Dilma entregou à nova equipe econômica a missão de implantar medidas de sacrifício da população –que durante a campanha eleitoral dizia que a oposição imporia à nação–, na busca desesperada de superar a estagnação produzida por sua política desastrosa.

Sem autocrítica, pelo contrário, em uma atitude covarde, procura arrastar o PSDB para o mar de lama em que está metida, ao afirmar que, se antes tivesse o governo FHC investigado e punido, não teríamos o que temos agora.

Esconde a sua responsabilidade na articulação de diretores da Petrobras e de seus fornecedores com os partidos de sua base, que objetivou o saque de recursos públicos para suas campanhas (e o enriquecimento de muitos) –o que, agora, emerge de maneira avassaladora.

É isso que destrói toda e qualquer condição moral de condução do país por parte da presidente Dilma Rousseff e seu ministério.

Dilma tratou de montar um ministério com figuras que representam agrupamentos partidários ou grupos de interesse que possam lhe dar o respaldo necessário no Congresso Nacional, para evitar um possível pedido de seu afastamento definitivo do cargo, nos termos da Constituição em vigor, uma sobrevida difícil de obter.

O governo petista está moribundo, e o partido continuará existindo como uma pálida imagem do que já foi no passado, quando, moralmente inatacável, pretendia ser o condutor de uma transformação profunda na sociedade brasileira.

No governo, liderado pelo seu grande chefe, Luiz Inácio Lula da Silva, o PT se corrompeu ao buscar, a qualquer preço, a manutenção do poder. O projeto de uma nova sociedade se frustrou, transformando-se em projetos de subsistência de milhões de brasileiros que vivem na pobreza, mantidos nessas condições para garantir o controle dos seus votos. Não passa disso.

Os resultados eleitorais foram colhidos, mas isso não garante ser possível conduzir o país, fazendo as transformações necessárias para que ele possa avançar econômica, social e politicamente.

Pelo contrário, a forma como esses resultados foram obtidos impõe à presidente e ao seu partido a necessidade de se legitimar perante a maioria do Brasil produtivo, que não vive na dependência do Estado. Tarefa impossível.

O quadro atual é dramático também para a oposição e para os milhões de brasileiros que não veem no governo atual condições para vencer a crise.

Como levar adiante uma transição nos limites da democracia constitucional em que vivemos, rejeitando firmemente qualquer solução que não seja legal, sem ter de aguardar quatro anos para que o país possa abraçar um caminho que abra novas perspectivas de desenvolvimento e de melhoria das condições de vida de nosso povo? Esse é o desafio que está colocado para nós.

Sobra o caminho legal do impedimento, que só acontecerá se o agravamento das condições econômicas e políticas persistirem a ponto de mobilizar o povo e os partidos para uma solução que, de qualquer forma, ainda que legal e democrática, não deixa de ser traumática.

Mas o próprio Lula já declarou, após a queda de Collor, que o povo brasileiro mostrou que o mesmo povo que elegeu um presidente pode tirá-lo. E pode, legalmente!

Pode não haver outra saída.

ALBERTO GOLDMAN, 77, vice-presidente nacional do PSDB, foi governador de São Paulo (2010)

Dilma Rousseff, coração valente

A jovem Dilma Rousseff, ideologicamente socialista desde a juventude, após o golpe militar de 1964 passou a se opor à ditadura militar implantada e, como muitos jovens na época, ingressou na luta armada como caminho para a derrubada do regime. Tornou- se membro da COLINA, Comando de Libertação Nacional e posteriormente do VAR-Palmares, Vanguarda Armada Revolucionária Palmares, organizações que se formaram para combater a ditadura. Passou quase três anos presa (1970–1972) e foi torturada pelos militares da Operação Bandeirante (OBAN). Após a queda da ditadura passou a fazer parte do PDT, tendo atuado no governo gaúcho como Secretario de Estado. De uma forma ou de outra, ainda que eu sempre tenha rejeitado a opção da luta armada para derrubar o regime ditatorial, estivemos lado a lado.

Pela sua formação política e por sua conduta em toda a sua história ninguém poderia acusá-la de qualquer interesse pessoal em sua vida pública. Nem antes, nem depois quando passou a exercer as funções de Ministro do Governo Lula e nem agora no exercício da Presidência da República.

Vamos dar um salto no tempo e chegar aos dias de hoje. Todos acompanharam o que se passou nesses últimos doze anos, onde ela, Dilma, teve um papel central, primeiro no governo Lula e agora como a maior mandatária do país. Esses anos estão agora sendo desvendados, para nossa surpresa, como um filme de horror que se apresenta aos olhos da população. O grau de apodrecimento a que chegaram os governos petistas nesse período é algo que ultrapassa o que poderíamos imaginar. Nem eu, que convivi nas últimas décadas com tudo isso, poderia pensar que um dia veria tamanha podridão.

Não sei se ela sabia de tudo que se passava. Tudo, não, mas de uma parte, certamente, ainda que não fosse o personagem principal desse imenso mar de lama. Beneficiária sim, o foi, como presidente eleita, e agora enfrenta uma crise que talvez o país não tenha passado em toda a sua História.

Não se poderia esperar dela uma atitude muito corajosa, um coração valente, que expusesse de forma crítica e autocrítica o período passado. Afinal ela conheceu e acompanhou tudo aquilo que se passou, ainda que pudesse não saber de tudo que se articulava. Mas poder-se-ia esperar que não tivesse uma atitude tão covarde como a exposta nos últimos dias de acusar o governo FHC como o responsável pelo que estamos assistindo.

Ela disse que “se em 1996 ou 1997 tivessem investigado e, naquele momento, punido, nós não teríamos o caso desse funcionário da Petrobras ( o gerente Pedro Barusco ) que ficou quase 20 anos atuando em esquema de corrupção.” Como se tudo que se constata hoje tivesse algo a ver com um funcionário da empresa que ganhou uma propina naquele período. Como se naquele período, ou mesmo em algum anterior, tivesse sido montada uma operação tão audaciosa e criminosa, articulando os diretores por ela e Lula indicados, empresários fornecedores da Petrobras e dirigentes políticos dos partidos da base governista. Por doze anos, sob as vista dela e de seu mentor.

Falsidade, enganação, escapismo, conivência. Sua ousadia não expressa a coragem, um coração valente. Expressa a covardia, a busca de responsáveis há mais de 12 anos, para diluir as suas responsabilidades mesmo tendo sido ela essa figura proeminente do governo todo esse tempo.

Perdeu todo o respeito.

O título desse post deveria ser atualizado: Dilma Rousseff, alma pequena, caráter covarde. Uma pena. Uma história bonita jogada no maior mar de lama que o Brasil já viu.

O PT no fim da linha

A eleição dos presidentes da Câmara e do Senado põe termo ao processo eleitoral que se deu em 2014. A derrota do PT é retumbante mostrando, como temos dito, que estamos vivendo o fim de uma era.
Renan Calheiros foi eleito presidente do Senado. Sem uma alternativa com possibilidade de vitória, Dilma é refém dessa figura de histórico, no mínimo, complicado.

Renan é originário do PCdo B, foi líder do governo Collor de Melo, rompeu com ele, veio para o PMDB, se elegeu presidente do Senado, renunciou para não ser cassado, se elegeu novamente e agora volta com apoio do governo. O PT e a presidente tiveram que rejeitar o senador Luiz Henrique, também do PMDB, homem de tradição e história na política do país, considerado um parlamentar competente e acima de qualquer suspeita, e apoiar o senador alagoano.

Triste ocaso de um partido outrora “o” arauto da honestidade.

Na Câmara a derrota de Dilma é colossal. O candidato do PT, Arlindo Chinaglia, teve apenas 136 votos, contra 267 de Eduardo Cunha e 100 votos dados ao candidato da oposição. Apesar de ter colocado toda a máquina governamental a serviço de Chinaglia, depois da distribuição dos ministérios e diretorias de empresas, a derrota foi como nunca antes havia acontecido. E Eduardo Cunha tem um histórico que não recomenda qualquer esperança de termos um estadista no comando da Câmara.

O governo desmorona a olhos vistos. Em um difícil período na administração do país, em especial, na área econômica, Dilma terá de se submeter à voracidade de agrupamentos políticos que se denominam “aliados”.

O fim desse período penoso da vida brasileira não vai demorar 4 anos. Não tem como subsistir tanto tempo. Não vislumbro como serão os próximos meses, mas é certo que as tensões vão aumentar sobremaneira e os conflitos vão se aguçar.

O resultado das escolhas dos presidentes não me alenta. Nem mesmo a derrota do governo me enche de júbilo. Não significam um passo adiante, uma expectativa de dias melhores.

Temos de encontrar uma saída, dentro dos limites da ordem constitucional democrática. Para o bem do país.

88 bilhões

Esse é o número, astronômico, que representa a diferença entre o valor dos ativos registados no balanço da Petrobras e o preço real, o valor justo, que seria pago por um terceiro se fosse adquiri-la. Isto é, a Petrobras vale 88 bilhões menos do que está contabilizado em seu ativo. Essa perda real do valor da empresa não foi expressa no seu balanço. O Conselho julgou que seria melhor publicá-lo sem mostrar, claramente, essa perda.

Esse valor a menos da empresa não se deve somente aos já conhecidos assaltos  à empresa em virtude da corrupção de seus diretores, partícipes dos esquemas que envolvem políticos e empresas privadas. A maior parte se refere à incompetência e má gestão dos seus diretores e a ações deliberadas promovidas em função dos compromissos políticos assumidos por Lula e Dilma, no Brasil e no exterior (vide a refinaria de Pernambuco que seria construída com a Venezuela).

A empresa publicou o balanço do terceiro trimestre de 2014 sem incluir qualquer prejuízo e sem a aprovação da auditoria. Como balanço, não vale nada. As agências de avaliação de riscos já reagiram rebaixando a empresa.

A defesa que está sendo feita pelos empreiteiros afirma que quem organizou o esquema de assalto à Petrobras foram os diretores da empresa e os políticos e partidos que eles representavam. Se colocam como tendo sido submetidos a achaques, reféns dos demais sócios na empreitada criminosa.

É claro que a origem do processo de formação da quadrilha estava no desejo dos partidos e políticos governistas de manter o poder, aliás, tarefa realizada com sucesso, como se viu em eleições sucessivas. Eles lideraram e coordenaram a indicação de pessoas de sua confiança para a direção dos diversos setores do aparelho estatal – a Petrobras em especial –  com a finalidade de conseguir os recursos necessários para as suas eleições e – afinal ninguém é de ferro – dedicar um pedaço maior ou menor da propina para os seus objetivos pessoais. Porém, sem a anuência dos empresários, que participaram gostosamente ou não, não se fecharia o circulo caracterizador da quadrilha.  Os doleiros, no caso, eram  operadores, sem maior participação nas decisões do grupo.

O efeito desse episódio sobre a economia brasileira é descomunal. A paralisia é total e o país continua descendo a ladeira.  A construção de duas novas refinarias pela Petrobras, no Ceará e no Maranhão, já foi para o espaço. A do Rio de Janeiro será redimensionada.  E a de Pernambuco que o Lula acertou com o presidente Chávez, da Venezuela, também.  E a repercussão do episódio em todas as atividades é brutal.

Em função do descalabro da política econômica do governo federal e do comprometimento das autoridades federais e dos lideres políticos dos partidos governistas, o crescimento econômico foi zero em 2014 e o mesmo se repetirá em 2015.  Ou perto disso, se não piorar.

Nada de novo e mais profundo acontece e não será o ministro Joaquim Levy que vai conseguir reverter a situação.  Mesmo porque o fato concreto é que a presidente Dilma não reconhece a gravidade da situação e continua como se na campanha eleitoral ainda estivesse, ainda que seus ministros da área econômica tentem caminhar em outra direção.  Não vai dar certo.

As reais possibilidades de Dilma conseguir administrar o país e voltar a ter o respeito da nação são mínimas.  O que nos leva a enfrentar uma grave questão política: como o país poderá suportar, por mais 4 anos, um governo tão abatido e desmoralizado?

Impeachment é golpe?

A possibilidade que levantei do impeachment da presidente Dilma como uma transição democrática diante do descalabro da administração federal, que vem se desdobrando de forma dramática nas ações de governo e nas apurações da operação Lava Jato, tem indignado parte do eleitorado petista como sendo uma tentativa de golpe.
Muitos desses indignados, mais jovens, não viveram o processo de impeachment do ex presidente Collor de Mello, que se deu em 1992. Mas muitos deles, menos jovens, não só viveram o episódio como participaram das manifestações que deram suporte popular à decisão do Congresso Nacional que votou pelo impedimento do presidente.
Não se perpetrou, então, nenhum golpe. Usou-se do texto constitucional e da legislação em vigor para, democraticamente, retirar do poder um presidente que não correspondia às necessidades da Nação. Com o apoio da maioria dos partidos, à frente o PMDB, o PT e o PSDB.
Se houver motivos para denunciá-la – a presidente – como tendo cometido crime de responsabilidade e se o quadro político e econômico continuar a se deteriorar, pode ser a saída democrática necessária. Talvez a única.
Não é o nosso desejo. O nosso desejo é continuar a luta pela mudança da direção do País, na forma dos pleitos eleitorais que a lei determina. Melhor seria esse governo mostrar a sua capacidade e a possibilidade de gerenciar a administração pública e superar as acusações de corrupção que se espraiam por ela, para que o País retome o desenvolvimento da economia e avance na construção de uma sociedade mais justa.
Mas não vejo em Dilma e nos seus compromissos partidários a possibilidade de isso acontecer.
O que importa não é a figura da presidente, nem do seu partido e de suas alianças. Nem os interesses da oposição. O que importa é o País, o Brasil, os 200 milhões de brasileiros que devem ser sempre o objetivo de nossa ação política.
Se para o País o impeachment é a saída para abrir perspectivas melhores para todos temos a obrigação de usá-lo como o instrumento legal apropriado.

Um governo que se apaga. E a oposição, o que fazer?

O que vai sobrar do governo Dilma? O que vai sobrar da presidente?
Cada dia que passa, nesse primeiro ano do governo da reeleição, o quadro se desenha mais grave.
Esta semana, então, que só está começando, parece o fim do mundo. Chegou o apagão. Sim aquele mesmo que nunca viria, promessa de Dilma. Ah, sim, existem razões objetivas para isso, o calor e a seca não são de rua responsabilidade. Mas é de sua responsabilidade a desestruturação total do setor elétrico, promovida para que se pudesse apresentar, antes das eleições, um tarifa de energia elétrica mais baixa. O setor entrou em crise, até hoje tem mundos de dinheiro a receber, do governo e, em consequência, dos usuários, o que o levou a apertar custos de manutenção e a adiar investimentos. Está em stress permanente. Apesar da nossa indústria estar andando para trás, ainda assim o Operador Nacional do Sistema elétrico pediu aos grandes consumidores que diminuíssem a demanda. Se tivéssemos algum crescimento econômico o apagão seria muito mais geral e profundo.
Mas o governo está sob um apagão permanente. E não será a equipe de resgate ( Joaquim Levy e companhia ) que vai tirá-la da UTI. Vão usando todos os remédios que Dilma disse que não usaria, contra os pensionistas, contra os desempregados, contra as conquistas trabalhistas. Vão aumentar impostos, a Cide, o Pis/Cofins, o IOF, aumentar tarifas de serviços públicos, aumentar a taxa básica dos juros. Tudo isso é paliativo para chegar aos míseros 1,2% do PIB de superávit nas contas públicas ( apenas 66 bilhões para pagar uma dívida que cresce 240 bilhões em um ano ). Os investimentos continuam baixos, a inflação alta, os juros altos, a criação de postos de emprego baixa, o comércio e o consumo em baixa, a credibilidade e o crescimento empatados em zero.
Não é só. As investigações em diversas áreas do governo, em especial na Petrobras, mostram uma total deterioração do governo e dos partidos que o sustentam. Diretores são presos e processados, e se acusam uns aos outros. Até o ex diretor,Nestor Cerveró, que tinha dado uma de fortaleza, já perguntou porque ele está preso e a Graça Foster não. O Sergio Gabrielli que era o presidente da empresa, acusado por diretores, diz que não sabia de nada (?), e já está apontando para a ex presidente do Conselho, a Dilma Rousseff.
É um Deus nos acuda, um salve-se quem puder.
E o que sobra de Dilma e de seu governo? Como vai resistir quatro anos em um quadro de superação difícil, se não impossível. Como e quando será possível uma transição democrática, supondo que a situação não possa ser mantida pelos 4 anos desse mandato.
Essa é a questão posta para a oposição e para as forças democráticas do País. É a nossa tarefa.

Mais alguns ministros de Dilma.

Gilberto Occhi é o Ministro de Integração Nacional. Até agora estava no Ministério das Cidades, então feudo do PP, agora feudo do PSD de Gilberto Kassab.

Representa o PP que é um dos partidos mais comprometidos com o assalto à Petrobras e, segundo se sabe até o momento, deve ser um dos mais atingidos pela revelação dos nomes dos parlamentares que se envolveram no recebimento de dinheiro, conforme a operação Lava Jato.

O PP esperneou com a mudança mas afinal esse ministério também tem muitas verbas.

Pouco se sabe sobre o tal ministro. Era, antes do ministério das Cidades, no qual ficou 9 meses, antes era um funcionário da CEF. Na primeira entrevista dada ao Estadão, já começou mal, cobrando do governo de São Paulo planos de intervenção para a Defesa Civil, referindo-se às cheias e à seca, como se aqui, em nosso Estado, não houvesse um governo responsável e como se o governo federal tivesse, em algum momento, atuado para nos auxiliar. Na entrevista ele se refere à questão hídrica no Estado, como se o problema se restringisse a São Paulo e como se o governo federal tivesse atuado para enfrentar os problemas climáticos – seca e enchentes – em todo território nacional.

Sem qualquer escrúpulo, como já é rotina nas ações federais, disse que teve a oportunidade de assinar, com a presidente Dilma, um investimento de 2,5 bilhões para a obra de captação de água do São Lourenço, que trará água do sul do Estado para atender à região metropolitana de São Paulo. Pura malandragem. Não há investimento federal para São Paulo . O que foi assinado foi um financiamento, um empréstimo, não um investimento, da CEF à empresa privada vencedora da licitação de uma parceria público privada para a execução das obras.

Não há um tostão de recursos do orçamento federal para o governo de São Paulo na área de saneamento básico.

Por aí se pode avaliar a qualidade desse ministro. Mais um no rol dos malandros.

George Hilton é o Ministro do Esporte. O que se sabe do cidadão é que foi processado pela CEF por uma dívida de 30 mil reais no cartão de crédito e que tem uma ação de execução tributária aberta pela Fazendo Nacional. Porém ele não é ele. Ele é o representante da Igreja Universal do Reino de Deus. Foi deputado federal pelo PRB e não conseguiu a reeleição. Em 2005 foi expulso do PFL após ser detido no aeroporto de Belo Horizonte transportando caixas de dinheiro em espécie, alegando que eram doações feitas por fiéis da Universal. Um lídimo representante do bispo Edir Macedo.

Quanto ao seu conhecimento da área que vai comandar já declarou não entender, “profundamente”, de esporte. Do que será que entende?

A inexpressiva representação do PMDB no ministério de Dilma. O triste fim de um partido outrora glorioso.

Edinho Araújo é o Ministro da Secretaria de Portos. É um antigo militante do MDB, foi prefeito de Santa Fé do Sul, deputado estadual e deputado federal e era muito respeitado. Saiu do partido mas voltou para ele e foi eleito prefeito de Santa São José do Rio Preto em dois períodos. No governo Serra no Estado de São Paulo foi presidente da CODASP, Companhia de Desenvolvimento Agrícola do Estado. Agora, cooptado pelo vice presidente Michel Temer, e totalmente alheio às questões portuárias, será um instrumento das operações do vice presidente nos portos brasileiros, em particular, no porto de Santos.
Eliseu Padilha é o Ministro da Secretaria de Aviação Civil. Foi deputado federal e Ministro dos Transportes no governo de Fernando Henrique Cardoso. Também instrumento das operações do vice, Michel Temer, passa a comandar uma área com a qual não tem qualquer afinidade.
Helder Barbalho é o Ministro da Pesca e Aquicultura. É filho do senador Jader Barbalho, foi prefeito no Pará e foi derrotado nas últimas eleições para governador. Fora as relações familiares não se tem conhecimento de suas qualidades nem de maiores afinidades com a área que vai comandar.
Eduardo Braga é o Ministro de Minas e Energia. Foi govenador do Amazonas, é Senador e foi líder de Dilma no Senado. Comanda uma área estratégica ( petróleo e energia em geral ), sem nunca ter estado afinado com os seus problemas. Um risco enorme para o país.
Kátia Abreu é o Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Foi deputado federal do PFL e é senador, além de presidente da CNA ( Confederação Nacional da Agricultura ). Tornou-se amiga de Dilma apesar das suas convicções conservadoras e representa uma parcela dos produtores do campo que se aliou à ela nesse último processo eleitoral.
Vinicius Nobre Lages é o Ministro do Turismo. O pouco que se sabe é que é engenheiro agrônomo e indicação do presidente do Senado, Renan Calheiros.
O PMDB já foi o maior e mais importante partido brasileiro. Hoje se reduz a ser o campo de atuação de alguns líderes que comandam as máquinas partidárias nacional e estaduais em benefício próprio. Para o que já foi, celeiro de grandes lideranças políticas, um triste fim para um partido outrora glorioso.

Dilma, suas fantasias e seus fantasmas. Até inimigos externos enxerga.

Os autos elogios e a falta de autocrítica no discurso de posse de Dilma para o novo mandato já eram esperados. Assim foi a afirmação de que com o trabalho de Lula, continuado por ela, tivemos a primeira geração de brasileiros que não vivenciou a tragédia da fome, a ascensão dos brasileiros à classe média, a conquista de empregos com carteira assinada, a valorização do salário mínimo, o acesso à casa própria, ao ensino técnico, às universidades, o longo período sem crises institucionais, o respeito às instituições, a apuração e punição à corrupção, a conquista dos direitos básicos a qualquer cidadão, o direito de trabalhar, alimentar e educar a família.

Esse fora o diferencial dos seus governos, tudo começa com eles, e por isso o povo concluiu que eles poderiam fazer muito mais e melhor. Esse é o limite da capacidade de avaliação de Dilma Rousseff.

Sem nenhum pejo ela reafirma sua convicção sobre o valor da estabilidade econômica, o controle da inflação, o imperativo da disciplina fiscal e a necessidade de merecer a confiança dos trabalhadores e dos empresários, ainda que tenha feito, conscientemente, o contrário.

Nenhuma palavra sobre o baixo crescimento econômico, o definhamento da indústria nacional, a inflação sempre acima da meta objetivada, o baixo investimento que impede o crescimento, a baixa produtividade da economia, o temor da participação privada na economia, o descontrole das contas públicas, as relações de troca com o exterior com resultados negativos, a baixa criação de novos empregos, o desalento dos investidores nacionais e estrangeiros, a intervenção crescente nas atividades privadas, a contenção artificial das tarifas públicas, a carência de mão de obra especializada, a baixa realização dos investimentos públicos, transformando a logística de transportes em um entrave ao crescimento, a saúde com uma das piores avalições da história, os índices de criminalidade que teimam em se manter ou crescer, o desrespeito e a intervenção nas agências reguladoras tomadas de assalto, assim como as demais instituições públicas, pelo partido da presidente e por seus aliados.

Ela descobriu, agora, após 12 anos de poder, que “só a educação liberta um povo e lhe abre as portas de um futuro próspero” e assim lança o lema “Brasil, pátria educadora”. Um slogan apenas, fluido como tudo que tem feito. E vem com a conversa de que mais recursos serão destinados à Educação e a panaceia são os royalties do petróleo. Mais uma enganação, pois esses recursos não são tão expressivos e não tem prazo para se realizarem.

Outra descoberta retumbante: “a corrupção deve ser extirpada”. E isso ela o fará com a continuidade da autonomia da Polícia Federal e a independência do Ministério Público como se isso já não fosse assegurado pela Constituição. E diz que vai acentuar essa luta pela apresentação de um “pacote” de medidas que enviará ao Congresso Nacional.

Mas o ápice falta de pudor e irresponsabilidade no exercício do papel de presidente é a seguinte declaração no texto do pronunciamento: “Temos muitos motivos para preservar e defender a Petrobrás de predadores internos e de seus inimigos externos”.

Ora, os predadores internos são os dirigentes que eles mesmos, Lula e Dilma, colocaram na empresa para dela sugar recursos com a finalidade de manter o poder e garantir a sua continuidade. E os seus inimigos externos são quem? Serão os governos árabes que jogaram o preço do petróleo para baixo para inviabilizar a exploração em vários países ( pre sal em águas profundas no Brasil, xisto betuminoso nos EUA, outras alternativas energéticas )? Ou será o governo Obama que através das empresas petrolíferas quer engolir a Petrobrás ( vai ver que Pasadena faz parte do complô ). Ou as demais multinacionais assustadas com a “eficiência” da Petrobrás desejam destruí-la? Ou os franceses, os ingleses, os italianos? Ou serão os norte coreanos (eu não confio naquele ditadorzinho baixinho e gordinho)?

Afinal a senhora presidente deve dizer quem são os inimigos externos da Petrobras.

Não será um discurso que vai salvá-la. Copiando Nelson Rodrigues, bonitinho, mas ordinário. Hoje eu a assisti, na posse, encurralada por Michel Temer, Renan Calheiros e Henrique Eduardo Alves. Com esse time não vai a lugar algum.

Um ministro dos transportes sem qualquer afinidade com a área

Antonio Carlos Rodrigues é o novo ministro dos Transportes. Transportes sem portos e sem aeroportos. Para Dilma ( e Lula ) portos e aeroportos não são transportes, o que, no mínimo agride o senso comum, já que portos e aeroportos, sem a articulação com rodovias, ferrovias e hidrovias, não podem existir. Mas os governantes petistas precisam de mais ministérios para ter mais moeda de troca.

Esse ministério é o reino podre do PR, o pomposo nome do Partido da República, cujo líder e pensador mais famoso é o mensaleiro Valdemar da Costa Neto. Nesse ministério nada acontece sem que a máfia do PR tenha o seu quinhão. Como Dilma é refém de deputados e senadores, ela se submete a eles, ainda que seja contra a vontade, pois pretendia manter o seu protegido atual, Paulo Sergio Passos.

Antonio Carlos Rodrigues é advogado, foi vereador na capital paulista e é suplente de Marta Suplicy que precisou do tempo de TV do PR para a sua eleição. Sua especialidade é a articulação política, de transportes – uma das principais deficiências da infra estrutura logística brasileira – sabe muito pouco. Para Dilma pouco importa. O que importa é o apoio no Congresso para espantar o fantasma de um impeachment que a assombra todo dia.

Quem vai ditar as regras são os mesmos de sempre. Se estourar alguma bomba, Dilma fará como já fez. Aceita a demissão do ministro e o põe na conta da faxina, como já fez em ocasiões anteriores, e ainda vai posar de heroína de moral ilibada.

Ricardo Berzoini vai tentar emplacar a chamada “democratização dos meios de comunicação”

Ricardo Berzoini é um dos homens de confiança de Lula. Foi seu ministro da Previdência Social e do Trabalho. Hoje é Ministro de Relações Institucionais e foi agora indicado para ser o Ministro das Comunicações, assumindo, não se sabe ainda ao certo, a Secretaria de Comunicações Institucionais, responsável pela publicidade governamental.

Foi também Presidente do PT no período das eleições em 2006, tendo perdido o cargo pelo possível envolvimento no dossiê Vedoin, quando o PT, através de pessoas da confiança do partido e do então candidato a governador de São Paulo, Aloysio Mercadante, tentou envolver José Serra, candidato a governador do PSDB, na chamada máfia dos sangue sugas. A operação fracassada pela prisão, pela Polícia Federal, em um hotel da capital paulista, dos assessores carregando malas de dinheiro, levou Lula a chamar os fracassados petistas de “aloprados” e o dossiê fajuto passou a se chamar “dossiê dos aloprados”.

Berzoini foi também presidente do sindicato dos bancários de São Paulo e um dos fundadores da Cooperativa dos Bancários ( Bancoop ) que vem sendo investigada pelo Ministério Público desde 2007 por acusações de lavagem de dinheiro, superfaturamento e desvio de recursos. O seu presidente por muitos anos, João Vaccari Neto, ora o secretário de finanças do partido e envolvido na operação “lava jato”, enfrenta um processo movido pelo Ministério Público representando milhares de cooperados que foram lesados, isto é, contribuíram para obter a sua moradia e ficaram a ver navios.

Ironicamente um dos lesados havia sido Luís Inácio Lula da Silva que adquiriu um tríplex em um edifício na praia das Astúrias, no Guarujá. Digo havia sido lesado porque a sua situação foi resolvida, ao contrário de outros milhares de cooperados. Ele já recebeu o seu imóvel.

Segundo os próprios blogs petistas, a indicação de Berzoini para o cargo mostra a importância que Dilma está dando à bandeira do partido de “democratização dos meios de comunicação”, tese que foi matéria durante a última campanha eleitoral, ainda que, em nenhum momento, tenha ficado claro o significado dessa democratização. Para os próprios meios de comunicação e para setores da oposição, na falta de uma explicação melhor, ela representa a tentativa de impedir que as críticas aos governos petistas sejam divulgadas. Conhecendo o “espírito democrático” do PT, é compreensível.

Na Ciência e Tecnologia uma cabeça dos anos 50 ( do século passado )

Como não conhecemos o programa de Dilma Rousseff para o próximo mandato, nem conhecemos os projetos que pretende implantar, a não ser a vaga informação de que será, conforme disse na campanha eleitoral, um governo de continuidade das mudanças feitas no primeiro mandato, vamos analisar os ministros que veem sendo indicados, para entender o que ela pretende fazer.

Comecemos pelo Ministro da Ciência e Tecnologia, Aldo Rebelo, até então o Ministro dos Esportes. Se atentarmos para o discurso de Dilma, comum a todas as forças políticas, de que o crescimento econômico em geral, e o industrial em particular, está diretamente dependente do avanço no índice de produtividade da economia, isto é, da competitividade do nosso setor produtivo, e que um dos fatores mais importantes que influenciam esse índice é o fator “Ciência, Tecnologia, Pesquisa e Inovação”, é impossível entender a escolha da presidente.

Aldo é jornalista, tem tido uma ação política relevante nos governos Lula e Dilma durante os seus mandatos de deputado federal, mas nunca se notabilizou por ações nessa área estratégica da administração, em especial não nos parece apto para realizar uma tarefa tão importante e decisiva no momento em que todo o País precisa se mobilizar para a retomada do crescimento econômico.

Pelo contrário, a sua história pregressa não indica que seja o nome adequado para o setor. Aldo tornou-se famoso por posições ditas “nacionalistas”, no estilo do PCdoB da década de 1950, das quais não parece que tenha se afastado, dentre as quais a tentativa de proibição do uso de “estrangeirismos” na língua portuguesa, como deixar de usar o “mouse” e substituí-lo por, quem sabe, “ratinho”. Outra dele é a afirmação de que “o movimento ambientalista internacional nada mais é, em sua essência geopolítica, que uma cabeça de ponte do imperialismo”.

Porém o mais grave, em sua história, foi o projeto de lei que apresentou em 1994 para proibir a adoção pelos órgãos públicos, de inovação tecnológica poupadora de mão de obra. Essa proposição mostra os conceitos ideológicos que sempre nortearam, e nada indica que isso tenha mudado, a sua ação política.
Dilma tinha que atender o seu aliado tradicional, o PCdoB, que se identificou nesses últimos anos como um partido que obtinha recursos para a sua subsistência através de ONGs e projetos duvidosos na área do Esportes. O partido é um deserto de personalidades competentes para o exercício da administração pública. Nem por isso se justifica a entrega de um setor tão estratégico para o nosso desenvolvimento a alguém que não tem qualquer afinidade com ele.

O hitlerzinho caboclo no STF

 

O Ministro Dias Toffoli, membro do Supremo Tribunal Federal e, atualmente, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, chegou ao STF por ser ativo militante do PT, sem cumprir o dispositivo constitucional que determina que para chegar a esse posto do Judiciário tem que ter “notável saber jurídico”.   Não tem em seu curriculum nada que o credencie.  Foi indicado por Dilma Rousseff e aprovado pela maioria governista do Senado Federal.  Um acinte.

No mínimo deveria ter compostura e mostrar a isenção de um magistrado na mais alta Corte do País.

Nesta quinta-feira o PSDB ingressou com uma ação no TSE questionando a candidatura de Dilma por suposto uso da máquina pública e abuso de poder político e econômico.  Um direito que lhe cabe.  É a lei.  O processo está sob a relatoria de João Otávio Noronha.

Dias Toffoli, ex advogado do PT, afirmou nesta mesma quinta-feira (18) que não haverá terceiro turno no país. A declaração endereçada à oposição foi feita na cerimônia de diplomação da presidente Dilma Rousseff, como reação à ação do PSDB.   Segundo ele, as eleições são uma página virada e esta é posição dos membros da Corte e do próprio corregedor Eleitoral, ministro João Otávio Noronha.  “Eleições concluídas são, para o poder Judiciário Eleitoral, uma página virada. Não haverá terceiro turno na Justiça Eleitoral. Que os especuladores se calem. Não há espaço. Já conversei com a corte e é esta a posição inclusive de nosso corregedor geral eleitoral. Não há espaço para terceiro turno que possa vir a cassar o voto destes 54.501.118 eleitores”, disse.

O Ministro, travestido de militante, não esperou a reunião da Corte, não falou no corpo do processo com as arguições das partes, defesa e acusação, não esperou pelas opiniões, formalmente expostas no momento adequado, dos demais Ministros.  Já decretou:  “É página virada…já conversei com a corte e essa é a posição do nosso corregedor geral eleitoral…os especuladores que se calem”.

Esse hitlerzinho que ganhou uma batina de juiz pelos serviços prestados ao PT, não considera o direito democrático de outros, ainda que representem a voz de mais de 51 milhões de eleitores, que estão usando o direito que a lei lhes confere de contestar a forma pela qual Dilma se reelegeu.  Não se dispõe a esperar a decisão normal no processo e já divulga o que seria a decisão da Corte.

Fôssemos uma democracia pra valer ele perderia o seu lugar no STF, no mínimo, por abuso de poder ou por falta de decoro.  Ainda não somos mas, um dia, haveremos de ser.  E seres como esse cidadão não terão mais espaço na vida democrática da Nação. Não pra ser juiz da Suprema Corte.

A organização criminosa de dirigentes do PT não atinge a personalidade jurídica do Partido.  O impeachment faz parte do Estado de Direito Democrático.

 

A incapacidade do PT em responder adequadamente às acusações de desvio de conduta, que são feitas aos seus dirigentes e aos seus militantes que estão exercendo altos postos na administração federal, o tem levado a expressar argumentos  falaciosos que só podem ser bem recebidos por aqueles que reagem por interesse pessoal, ou aqueles que, por ingenuidade, ainda guardam em sua mente a imagem de um partido que se pretendia ser o partido dos trabalhadores, ou o partido dos excluídos.

A tentativa de atingir e igualar todos os partidos e agentes políticos nos crimes de corrupção cometidos, colocando-os no mesmo balaio, como se todos fossem da mesma natureza, faz parte da política que o PT desenvolve inoculando em seus eleitores mais honestos – afinal a maioria dos seus adeptos – o argumento de que todos são a mesma coisa, todos são corruptos.   A diferença que o PT ressalta é que ele atua em benefício do povo marginalizado, explorado pelas elites que sempre dominaram a vida política do País.  São os fins que justificam os meios, ainda que esses sejam imorais e ilegais.

Esse argumento atinge o clímax nos mais recentes episódios que atingem a Petrobrás.  A justificativa para as propinas recebidas das empresas privadas nos contratos com a Petrobrás – ainda a ponta do iceberg – é que todos fazem a mesma coisa, todos os partidos agem da mesma forma.   Assim, sem qualquer espírito critico, se estabelece uma relação de semelhança entre esses escândalos, em que seus dirigentes estão metidos, com o episódio dos trens do sistema de transporte sobre trilhos conduzido pelo governo do Estado de São Paulo.  A confusão proposital tenta encobrir uma diferença fundamental:  no caso da Petrobrás o envolvimento é da direção do partido, do seu tesoureiro e dos seus indicados para postos no serviço público, que lá se encontram para, em muitos casos, sem prejuízo à obtenção de vantagens pessoais, captar recursos para o partido para  a manutenção do poder.  No caso dos trens de São Paulo a formação dos cartéis se deu para benefício pessoal de alguns dos diretores das empresas estaduais, pelo que se tem conhecimento até agora, sem qualquer envolvimento do partido como instituição.

O PSDB não se organizou, ao contrário do PT, para criar um duto de captação de recursos para as suas campanhas eleitorais.  Isso explica, inclusive, a enorme diferença que se tem verificado entre os recursos que os dois partidos tem obtido para as essas campanhas.  Falo dos recursos contabilizados, que não contém os recursos depositados em contas no exterior e os transferidos, diretamente, em dinheiro vivo, ao PT com a interveniência de simples “portadores”, o “Tigrão”, o “Melancia” e o “Eucalipto”, alcunhas que passaram a ser agora conhecidas, sob o comando de João Vaccari, o tesoureiro do partido.

Essa organização criminosa constituída pelos dirigentes partidários e públicos do PT, é que será objeto dos processos criminais e cíveis em andamento.  Ou seja, as pessoas físicas que a constituem vão sofrer, individualmente, o rigor da lei, que não se estende à personalidade jurídica do Partido, muito menos aos seus milhares ou milhões de filiados e simpatizantes.

Não há, pois, o que se falar em impedir o funcionamento do partido mas, tão somente, em penalização personificada dos seus comandantes, seja pela condenação criminal, como já se deu no processo do “mensalão”, seja pelo afastamento dos cargos exercidos, qualquer que seja a importância dos mesmos.

Esse raciocínio se estende à figura da presidente Dilma e dos seus Ministros de Estado.  Nele pode-se levantar o crime de responsabilidade política no exercício de cargos públicos, vale dizer, a sujeição ao dispositivo constitucional do impeachment cujo processo tem que ser autorizado pela Câmara dos Deputados, para que o Senado o julgue.

Não se trata de golpe.  É o exercício do Estado de Direito Democrático. Basta que existam razões consistentes e a clara e expressa vontade popular.

Falta de coerência de Dilma, melhor para o Brasil

 

Felizmente para o nosso País, Dilma não tem coerência, e a nova equipe econômica anunciada para o seu novo mandato, “governo novo, ideias novas” repete, sem qualquer diferença, o que Aécio Neves disse que faria, e o que ela disse que não faria para não provocar desemprego, para não tirar a comida da mesa do trabalhador e para não destruir os bancos públicos: contenção da dívida pública bruta, corte de gastos sem afetar os programas sociais, superávit nas contas públicas sem mandrakaria, isto é, sem “contabilidade criativa”, paralisação das transferências de recursos da União para os bancos públicos incentivando novos investimentos através do mercado de capitais.

Se no código penal existisse a figura do estelionato moral, ela seria inapelavelmente processada e condenada.  Não há. Só sobra o julgamento popular.

A nova equipe anuncia reformas na política econômica, mais do que isso, promoverá um desmanche da política Dilma/Mântega.  O modelo fracassou e a presidente, seu ministro e o PT fracassaram.  Quem venceu as eleições, numericamente, pela ampla maioria de votos entre o povo que tem sua subsistência dependente de bolsas governamentais, e presidirá a República foi Dilma Rousseff, mas quem venceu a parada sobre a política que deve dirigir o País nos próximos anos foi Aécio Neves.  Coisas da democracia brasileira.

Para a nova equipe a manutenção das políticas sociais depende do sucesso das políticas de estabilização, de investimentos e de crescimento econômico, exatamente o que a oposição dizia insistentemente.  Dilma, como qualquer cidadão de mediana cultura e informação, já sabia.  Mas o interesse eleitoral a levou a atacar ferozmente aqueles que defendiam as mudanças que agora ela promove, como essenciais para o avanço social.

Se tivesse caráter, ao menos reconheceria o que a sua campanha trouxe de mentiras e desinformação.  É pedir demais, não é?

Melhor assim para o País.  Abre-se uma perspectiva de superarmos a crise econômica em que vivemos, desde que o que os novos dirigentes tenham as condições reais de realizar a política exposta.  Terão?  O futuro dirá.

Quanto a ela e seu partido, o povo que diga.

PT o partido dos pobres?  Ou dos ricos?

 

O PT durante anos trombeteia que é o partido dos pobres.   Diz que a elite é contra ele.  São os empresários, é a mídia, golpista, é claro, são os banqueiros, as multinacionais contra os interesses do País.  Do seu lado a classe operária, os trabalhadores, os desvalidos, os injustiçados, os excluídos.

Pois esse pobre PT arrecadou na última campanha cerca de 319 milhões de reais, 41% a mais que arrecadou em 2010, já ajustado o valor da época pelo IPCA.  Os maiores contribuintes foram o JBS ( nascida em Goiânia é hoje uma multinacional), dono do frigorífico Friboi, que deu a bagatela de 69,7 milhões, foi aquinhoado nos governos petistas com enormes financiamentos públicos, e as construtoras Andrade Gutierres e OAS.  Mas para mostrar a vontade popular de contribuir com o partido, 0,7% do total recolhido vieram de pessoas físicas.  É a contribuição popular, para mostrar como o partido é do povão.

Essa dinheirama foi toda gasta na campanha.  Sobrou um troquinho.  Partido popular é assim.

Já o partido da elite, o PSDB, arrecadou 201 milhões de reais e gastou 216 milhões.  Ficou devendo na praça.

Caso único na História Mundial em que os ricos contribuem mais para os pobres nas disputas políticas.

Até quando essa gente pensa que vai continuar enganando?

 Um prêmio para quem evita as investigações

O senador Vital do Rego, do PMDB da Paraíba, vai ser indicado pela Dilma para uma vaga no Tribunal de Contas da União.  Ele preside a CPMI da Petrobrás e se notabiliza por proteger os dirigentes da empresa e o próprio governo.

Um prêmio à altura.  Imaginem-no fiscalizando o governo federal.

Coerência da Dilma

Intelectuais ditos de “esquerda” e representantes de movimentos ditos “sociais” que apoiaram a reeleição de Dilma cobram coerência entre o discurso de campanha e as práticas de governo, uma forma de protesto contra a escolha de Joaquim Levy para a Fazenda e Katia Abreu para a Agricultura.   Segundo eles as escolhas sinalizam “regressão” da agenda vitoriosa das urnas.

Ora, a única agenda vitoriosa das urnas que houve foram os avisos feitos aos 50 milhões de dependentes do bolsa família além de outros programas assistenciais, humildes brasileiros, que correriam riscos de perda dos benefícios caso Aécio fosse eleito.  Essa foi a única mensagem “progressista” que vi durante a campanha, exposta pelo PT.

Agora Dilma, goste ou não goste, gostem ou não gostem os ditos intelectuais, terá de falar a verdade e agir conforme ela.

Chama-se estelionato eleitoral e todos nós, eles também, sabiam que assim seria.

Vejam bem, senhores que protestam, os trabalhadores de todo tipo, vinculados de uma forma ou outra ao processo de produção foram, em sua maioria, eleitores de Aécio.  É só ter honestidade intelectual para verificar.

Além do que, cobrar coerência onde nunca houve?

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