Dilma não respeita os delatores.  E nós não a respeitamos mais.

 

Dilma Rousseff ultrapassou os limites da razoabilidade em suas declarações públicas.  Está mais perdida do que cachorro que caiu da mudança.  Fazer a comparação entre a delação premiada de alguns criminosos para diminuir a pena a que estão sujeitos e a delação que era imposta, sob tortura, aos presos políticos da ditadura é inominável.

A delação premiada é matéria de uma lei que foi sancionada pela presidente Dilma Rousseff.  Faz parte do arcabouço legal e é para ser utilizada – dentro de regras estabelecidas lei – para incentivar criminosos a confessar seus crimes e a contar tudo o que sabem.  Tem sido muito útil e é responsável pelo sucesso das investigações sobre a corrupção no governo petista.

A tortura praticada pela ditadura para obter confissões não é autorizada em nenhum texto legal.  Pelo contrário, a tortura é um crime e foi utilizada largamente durante o período ditatorial.

A delação premiada é uma ferramenta da democracia.  A tortura é ferramenta da ditadura.  Em nada se assemelham.

Delatores que se envolveram em crimes não precisam ser respeitados.   Delatores que fazem a delação premiada são criminosos, réus confessos.  Porque haveríamos de respeitá-los? Querem evitar penas pesadas e, se possível, manter uma parte do patrimônio.  Falam a verdade porque isso agora lhes interessa.  Menos mal para o país.

Quanto aos delatores que foram produto da tortura do regime ditatorial, eles têm, ao menos, nossa compreensão. Queriam preservar a vida.

Esses empresários delatores que Dilma diz que não respeita eram, até bem pouco tempo, seus interlocutores, se não amigos.  Forneciam-lhe os recursos para as suas campanhas e alimentavam com carinho o seu Partido.

Por isso nós não a respeitamos e julgamos que não tem mais condições de manter no país um mínimo de governabilidade.

Fica também, cada vez mais claro, o papel que seu mentor, o Lula, tem tido desde o início do período petista. É o grande articulador, o cabeça, o motor da manutenção do PT no poder e da tentativa de seguir comandando algumas décadas mais.

Não vai dar.  Chegaram ao fundo do poço.  Não são nem mais uma pálida sobra do que foram.  Perderam tudo de bom que poderiam apresentar.

Cabe-nos organizar uma frente para reconstruir o país.  Quando mais cedo, melhor.

O governo do PT em estado terminal.

Delator será ouvido em ação que investiga campanha de Dilma

  • O presidente da construtora UTC, empresário Ricardo Pessoa, que está preso em CuritibaO presidente da construtora UTC, empresário Ricardo Pessoa, que está preso em Curitiba

Brasília – O dono da empreiteira UTC, Ricardo Pessoa, será ouvido pela Justiça Eleitoral para esclarecer se a campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff no ano passado foi beneficiada pelo esquema de corrupção e cartel na Petrobras.

Pessoa é um dos delatores da Operação Lava Jato e disse em depoimento à Procuradoria-Geral da República que repassou R$ 750 mil ao tesoureiro da campanha presidencial de Dilma Rousseff em 2010, José de Filippi, e outros R$ 2,9 milhões ao ex-tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, que está preso preventivamente.

Ele entregou uma planilha intitulada “pagamentos ao PT por caixa dois” em que relaciona os dois petistas ao repasse de 3,6 milhões entre 2010 e 2014.

A oitiva de Pessoa foi autorizada no dia 23 pelo corregedor-geral eleitoral João Otávio de Noronha, que é relator no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de uma ação de investigação judicial eleitoral da campanha à reeleição de Dilma em 2014. A ação foi protocolada no TSE em dezembro de 2014 a pedido da coligação pela qual o senador Aécio Neves disputou as eleições presidenciais, liderada pelo PSDB, e pede apuração de “abuso do poder econômico e político” e “obtenção de recursos de forma ilícita” da campanha petista.

O empreiteiro será ouvido após citar repasses para o PT e por ter sido mencionado por outras testemunhas da investigação eleitoral. Na planilha que Pessoa entregou aos investigadores são citados também os ministros da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva, da Casa Civil, Aloizio Mercadante. Pessoa será chamado a esclarecer um suposto beneficiamento da campanha de Dilma pelo esquema que desvio recursos da Petrobras.

O acordo de delação firmado por Pessoa com a Procuradoria-Geral da República foi homologado na quinta-feira passada pelo ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal. A contribuição premiada poderá ser usada para reforçar indícios de participação dos suspeitos no esquema ou ainda para a abertura de novos inquéritos.

O depoimento de Pessoa está marcado para o dia 14 de julho no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo. O empreiteiro reside na capital paulista, onde cumpre prisão domiciliar determinada pelo Supremo Tribunal Federal. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O Brasil que revolta

“O Ministério Público Federal em São Paulo denunciou ontem à Justiça sete ex-agentes e ex-funcionários do Destacamento de Operações de Informações (DOI) do II Exército, na capital paulista, pela morte do metalúrgico Manoel Fiel Filho em 1976. Ligado na época ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) ele foi detido e torturado nas dependências da polícia política do regime militar poucos meses após o jornalista Vladimir Herzog ter sido morto no mesmo local.”

Esta matéria foi publicada no Estadão no dia de ontem. 39 anos depois do assassinato. Cerca de 30 anos após a saída do último presidente/general da ditadura e de 27 anos após a promulgação da atual Constituição Federal.

O “crime” cometido por Manoel Fiel Filho foi distribuir o “Voz Operário”, jornal oficial do PCB, partido que vivia na clandestinidade e se opunha à ditadura, mas rejeitava qualquer forma de luta armada ou de ações terroristas.

Eu era, na época, deputado estadual pelo MDB, e líder do partido na Assembleia Legislativa. Chegamos a fazer a denúncia do crime, pessoalmente, poucos dias depois, ao então presidente Geisel, em um evento no Palácio dos Bandeirantes quando o governador era Paulo Egídio Martins.

Parece piada, mas é triste. Décadas depois dos acontecimentos, décadas depois da redemocratização, décadas depois da “Constituição cidadã”, só agora o MP faz a denúncia e pede à Justiça o início do processo contra os agentes públicos.

Como alguém pode compreender que as nossas instituições possam funcionar dessa forma?  Não é a toa que existe absoluta descrença do nosso povo a respeito das leis, dos políticos em geral e de nossa Justiça.

Dá vontade de explodir tudo e começar tudo de novo. Me deem o direito a esse sentimento de revolta.

Lula está certo mas tenta tirar o dele da reta

 

Lula sabe o que está falando: “o PT está velho, viciado em poder, apegado a cargos, empregos, vitórias eleitorais, perdeu sua capacidade de gerar sonhos e utopias, não mobiliza mais as multidões, a não ser em troca de dinheiro, se afastou da juventude e hoje está diante de uma encruzilhada”. Ele disse tudo.

Sim, eu já escrevi sobre isso.  É o fim de uma era. De certa forma é uma tristeza vermos um partido que juntou muita gente boa, com entusiasmadas esperanças de poder construir um país melhor, ter se tornado a escória da política, no mesmo saco com o que sobrou do PMDB, outrora uma bandeira de progresso e mudança, e com o PP, refugo dos sobreviventes que apoiaram a ditadura.

É por isso que chora o Lula, visivelmente deprimido.  Em resumo seu partido só objetiva dinheiro e poder.  E poder para fazer dinheiro.  Perdido o poder, perderá o dinheiro.  E será, se puder se reinventar, ainda um partido de respeito, mas não o do passado pois se supõe que que tenha aprendido alguma coisa nesses longos anos de comando do governo federal.

A pergunta que clama é: o Lula não tem nada a ver com esse infausto destino do seu partido?  Não foi ele que o liderou na conquista da presidência da República? Não foi ele o comandante todo poderoso no seu governo?  Não viu, nem ouviu, o que todos nós estávamos vendo e ouvindo, isto é, o processo de apodrecimento do partido, do governo e dele mesmo?  Quer tirar o dele da reta?

Com todo esse arroubo de pretensa honestidade ele não deveria fazer um mea culpa, uma auto crítica?  Ou será que os responsáveis são o José Dirceu, o Genoino, o Vaccari e agora também a Dilma?

Já que a retirada deles – o PT –  é inevitável, que o façam se conturbar ainda mais o país.  Quanto mais cedo, melhor para o Brasil. Já estamos sofrendo muitos pelo caos que eles instalaram na nossa vida econômica e política.  Aí o Lula poderia ter um papel que o redimiria, em parte, dos seus desatinos.

 

 

O fundo do poço ainda está longe

 

É com angústia que acompanhamos, todos os dias, as notícias sobre a economia nacional e sobre os mais diversos setores da vida brasileira que impactam a todos nós.

Ainda que tudo que acontece tenha sido, de uma certa forma, previsto e anunciado durante a última campanha eleitoral, é desolador perceber-se que o quadro é muito mais grave e crítico do que se supunha e se dizia.  Afinal não está em jogo, como prioridade, a certificação do que já anunciávamos.  Isso importa menos, é só uma carta na disputa política.  Prioritária é a vida de milhões de brasileiros que dependem para viver de empregos, salários e um governo que possa atender às demandas das suas necessidades vitais.

Não há, pois, em nossa manifestação, qualquer ponta de alegria, de satisfação, por acertarmos nas nossas análises sobre o passado e sobre o duro futuro a ser enfrentado em nosso país.  Era preferível estarmos errados e podermos encontrar o nosso caminho adequado na busca de um discurso para os próximos embates eleitorais.

Não chegamos, infelizmente, ao fundo do poço.  O país vai de mal a pior, e piorando a cada momento.  O mercado formal de empregos registrou em maio o pior índice dos últimos 23 anos.  O mês fechou com resultado negativo de 115 mil vagas, enquanto em maio de 2014 haviam sido criadas 59 mil vagas.   No acumulado do ano de 2015 já foram fechadas 254 mil vagas, que é o pior resultado desde 2002.  O resultado é dramático na indústria de transformação, que é o motor de qualquer economia pujante: foram fechadas 61 mil vagas.

Já em abril o emprego na indústria apontou uma queda de 5,4% na comparação com igual mês de 2014.  São 43 meses de queda ininterrupta.

A inflação, a cada mês, se mostra mais forte.  Anualizada se aproxima de 9% ao ano.  Ela está corroendo os ganhos dos trabalhadores e, com isso a folha de pagamentos da indústria, em valores reais, vem registrando queda, aliás desde janeiro de 2014.  O índice de atividade da economia, o IBC-Br, que o Banco Central divulga mensalmente, mostrou em abril em relação a março uma retração de 0,84%, atingindo o menor patamar em 3 anos e acumulando perdas de 2,23% nos 4 meses do ano.

Estoques altos na indústria, baixos índices de confiança, piora do mercado de trabalho, inflação crescente, tudo isso leva os economistas a estimar que o PIB caia 2% em 2015.  Como o crescimento da população é um índice que se aproxima de 1% ao ano, a queda do PIB per capita estará próxima a 3%.  A expectativa é que em 2016 o crescimento do PIB seja 0%.  Ou seja, o Brasil não parou, anda para trás.

Além de tudo isso, o que se observa na área política/econômica – e policial – não anima qualquer previsão de melhora do quadro econômico: grandes empresários processados por corrupção, investimentos públicos restringidos pela questão fiscal, investimentos privados represados pela insegurança do quadro econômico, programas governamentais que não saem do papel pela incrível incapacidade de gestão do governo federal.  E o Congresso Nacional, sob a liderança do PMDB aliado da Dilma fazendo as maiores estripulias possíveis.

As grandes dificuldades que se apresentam levaram a credibilidade da presidente, sob ameaça de processos judiciais e políticos em várias frentes, à níveis  (baixos) nunca imaginados, o que alimenta a crise e é por ela alimentada.  Um circulo vicioso.

Não se vê ainda uma luz no fim do túnel, ou o fundo do poço.  O quadro ainda deve piorar, antes que haja uma estabilização da situação e se possa almejar voltar a crescer.

O fracasso da administração petista e as suas consequências são um desastre para o país e causaram danos profundos e duradouros, maiores do que se imaginava.

O estelionato eleitoral que ela pratica, sem qualquer reconhecimento de seus erros e mentiras é, de fato, necessário.  Mas nem assim se pode ter muita ilusão de que vamos sair dessa em pouco tempo.  Mesmo com os custos imensos que o nosso povo já está pagando.

 

 

Confissão de Arno Augustin comprova o crime de responsabilidade de Dilma e o uso ilegal das instituições

 

No último dia útil do último mês do último ano do primeiro governo de Dilma Rousseff, o seu secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, assinou um documento (nota técnica) no qual assume a responsabilidade pelas chamadas “pedaladas” fiscais, isto é, pelas manobras contábeis realizadas pelo governo para melhorar, artificial e ilegalmente, as contas públicas durante o mandato da presidente.  Elas são a razão do relatório do TCU para a rejeição das contas de 2014 da presidente.

Esse documento, elaborado pela área técnica e assumido pelo ex-secretário, tem a data posterior às ilegalidades cometidas.  É claro, meu caro Watson, como diria Sherlock Holmes, que ele não embasava os atos praticados – é posterior a eles.  Visava resguardar o ministro da Fazenda e a presidente da República, o que mostra que eles tinham consciência da ilegalidade dos seus atos e que, em algum momento, a verdade viria à tona.  O nome dado ao documento, “ratificação de procedimentos atinentes à liberação de recursos da STN (Secretaria do Tesouro Nacional)” já os condena.

Nos dois últimos parágrafos do documento, Augustin explica que cabe a ele a decisão final sobre valores que serão repassados a bancos federais e ministérios.  Diz ele: “De posse das informações preparadas pela área técnica, o Secretário do Tesouro Nacional decide o montante a ser liberado em cada item da programação financeira. Desta forma, reitero que cumpre às áreas competentes procederem na operacionalização/transferência desses recursos, posteriormente à autorização de liberação pelo secretário do Tesouro Nacional”.

Como se constata, é uma tentativa de evitar que se relacionem os atos ilegais com decisões da presidente.  Significa, no entanto que, todos eles, técnicos, secretário, ministro e presidente, sabiam perfeitamente o que estavam fazendo.  Cometendo irregularidades e procurando esconder as responsabilidades. Arno Augustin, o fiel militante petista, se dispôs a ser o bode expiatório.

Não creio que essa artimanha resolva o problema da presidente, que seja suficiente para que ela se safe das suas evidentes responsabilidades de ter se utilizado de manobras ilegais e inadequadas para realizar ações governamentais. A lei de responsabilidade fiscal não é dirigida especificamente para nenhum dos técnicos que atuam na administração pública: é focada nos próprios dirigentes máximos de cada nível de governo: prefeitos, governadores e presidentes.

A responsabilidade é da presidente, indelegável, qualquer que seja o fiel escudeiro que tente protegê-la.  Suas ações no exercício da presidência da República comprovam que usou de forma ilegal e imoral o seu mandato para obter a sua reeleição.

Ainda há tempo para o TSE julgar a impugnação que fizemos (o PSDB) quando da diplomação de Dilma e decidir pela perda de seu mandato.  Os elementos comprobatórios das ilegalidades são cada vez mais flagrantes.

A perplexidade da bancada federal do PSDB: o que fazer?

 

Hoje tivemos a convenção estadual do PSDB de São Paulo.  Chapa única, convenção traquila e entusiasmada, com discursos fortes, em especial de Geraldo Alckmin, José Serra e Aloysio Nunes.  Um aquecimento para as eleições municipais do próximo ano.

O que me chamou a atenção, na conversa com diversos deputados federais, que nas últimas semanas protagonizaram votações na Câmara dos Deputados de matérias extremamente complexas e de difícil consenso, foi a perplexidade que se apossa dos mesmos, em especial dos de primeiro mandato, diante de uma questão que assombra a todos nós que fizemos e fazemos oposição decidida e vigorosa aos governos petistas de Lula e Dilma.

Trata-se do dilema de como a oposição deve se portar diante de matérias que são propostas pelo poder executivo, contra o qual nos opomos com vigor mas que são, ou absolutamente necessárias para enfrentar a crise ( criada pelo PT, sem qualquer participação nossa ), ou são matérias de longo alcance que produzirão efeitos a médio e longo prazo para o bem ou para o mal.

Traduzindo a questão de forma simplificada e aparentemente simplista, eu afirmo que a responsabilidade do partido para com o país – e a real possibilidade de estarmos à testa do governo federal, em algum momento, nos próximos anos – o obriga a colocar os interesses do país, imediatos e mediatos, acima e além de posições que parecem, à primeira vista, mais simpáticas ao eleitorado e, portanto, sujeitas ao aplauso fácil da  população.

Reconheço que o interesse eleitoral imediato – a derrota do PT- é condição necessária para que um futuro promissor para o país possa ser enfrentado com sucesso.  Mas esses objetivos não se contradizem, pelo contrário, se complementam.  Um pensamento do PSDB coerente com seu passado, seu presente e com o que será seu futuro.

Advogo que o PSDB não é um partido que se assemelha ao PT, que na oposição procurou impedir todas as medidas e reformas que trariam melhores condições ao desenvolvimento econômico, político e social, desde que isso significasse uma conquista do governo na época, a curto ou longo prazo.  O PT optou por uma política que se contrapunha ao interesse público, mas que, momentaneamente, lhe traria benefícios eleitorais.  Oportunismo eleitoreiro que não deixou de ter suas vantagens imediatas para as eleições seguintes.

Nós do PSDB não podemos agir dessa forma.  Temos uma tarefa difícil pela frente: mostrar que não devemos defender políticas de cunho populista, de imediato efeito eleitoral, ainda que isso nos pareça necessário para derrotar o petismo no poder.  Não devemos temer enfrentar a luta política no dia a dia, esclarecendo as nossas posições, mostrando quais são os interesses públicos que defendemos.

Foi isso que pretendi transmitir aos nossos deputados e assim penso deve ser a conduta de um partido sério, honesto e verdadeiramente defensor do povo.

José Dirceu tem razão: “estamos todos no mesmo saco, eu, o Lula e a Dilma”. 

 

Dirceu está revoltado: “de que serve toda covardia que o Lula e a Dilma fizeram na ação penal 470 e estão repetindo na Lava Jato?”.  Agora que se começa a conhecer a participação dos dois, Lula e Dilma, Dirceu assume que estão todos no mesmo saco.

Está indignado. Até agora só ele pagou.

Dirceu e Dilma têm origem na luta armada contra a ditadura militar que comandou o país de 1964 até meados da década de 80.  Além do desejo do retorno das instituições democráticas, eles almejavam construir um regime socialista no Brasil. Seria um equívoco afirmar que tivessem qualquer objetivo de vantagens financeiras. Trabalharam sim, para a chegada ao poder para a consecução dos objetivos ideológicos.  Se algum resultado financeiro para algum deles se deu – e no caso da Dilma nunca se percebeu nada nessa direção, ao contrário para alguns “companheiros” – foi uma parte menor do que se coletou para as campanhas eleitorais através do saque ao setor público usando o anseio incontido do empresariado em obter lucros mais expressivos.

Do Lula, em princípio, não se tem prova de enriquecimento ilícito, mas não esqueçamos que seu filho teve, durante o seu primeiro mandato, a “felicidade” de ter parte de sua empresinha de fundo de quintal comprada a peso de ouro por uma das primeiras teles que nasceram do processo de privatização das telecomunicações, a Telemar.  Claro como o sol.

Em todo esse processo de desvendamento da corrupção no setor público, durante os governos do PT, Lula se fez de bobo: nada sabia.  Nem mesmo de onde vinha o gordo volume de dinheiro para sua campanha de 2006 nem para a campanha de Dilma em 2010.  Muitos de seus companheiros, a seu ver, são irresponsáveis, trapalhões, aloprados. Ele é a Madre Tereza de Calcutá no caso enganada e traída.

Dilma não fica atrás.  Ministro de Minas e Energia que comandou as estatais do setor, Petrobras dentre elas, Presidente do Conselho de Administração da empresa, Chefe da Casa Civil do governo Lula e, finalmente, presidente da República, também  nada sabia.

Contudo a mentira tem pernas curtas.  Em entrevista a um canal francês de TV, Dilma diz que o escândalo se refere à atuação de um grupo restrito da alta cúpula da estatal: “a Petrobrás tem mais de 30 mil empregados e são cinco os envolvidos”.  Cinco apenas. Só cinco!  Esqueceu de dizer que são os diretores e gerentes mais importantes, os que decidem de fato.

Sem se dar conta da besteira que fala, mais uma dentre as centenas que já despejou, Dilma afirma que demitiu, no início de seu primeiro mandato, pessoas envolvidas no escândalo. Ora, se eram envolvidas em escândalo, ela tomou conhecimento da sua existência e de que fizeram os “malfeitos”, como gosta de se referir à corrupção.  E que atitude tomou, além da demissão?

Ao se dar conta da confissão, retifica em outra entrevista: ”não porque eram suspeitos mas porque eles não faziam parte dos membros da equipe em que eu confio”.

Não foi por corrupção, foi porque não faziam parte dos membros da sua equipe?  Nos poupe, presidente.  Mais fala, mais se enrola.

Quanto hipocrisia.  E quanta covardia, atira José Dirceu.

Assim não dá, não é Dilma?  O Zé ( Dirceu ) tem razão.

FHC chama o PSDB para um “freio de arrumação”

 

 

Em artigo no Estadão de domingo, “0 ponto a que chegamos”, o ex presidente Fernando Henrique faz uma lúcida análise dos anos de governo do PT e chama a atenção do PSDB para exercer o papel de “apontar os caminhos para superar” os desastres provocados pelos 12 anos de comando petista.

Fazendo uma retrospectiva, FHC afirma que nos últimos anos não houve uma guinada para a esquerda. Ela foi para o despropósito, porque o que havia sido penosamente reconstruído na década de 1990, “perdeu-se por desmesura, pois depois do governo perder o rumo, perdeu o limite da prudência na dosagem” de suas ações, tanto no período Lula, quanto no primeiro mandato de Dilma.

Após um início de governo petista, no qual se respeitaram as bases econômicas lançadas em seu governo, FHC afirma que surgiu a dita “nova matriz econômica” substituindo a visão do governo do PSDB, social-democrata, que entendia que “o bom governo, para atender ao longo do tempo às demandas sociais, requer previsibilidade na condução das políticas econômicas”.

A isso se associou a erosão do “presidencialismo de coalização” e do bom senso na economia, dando lugar ao “presidencialismo de cooptação”, o que significou que o PT e os aliados puderam ter uma penetração cada vez maior na máquina governamental e na participação nos contratos públicos.  Daí o que já conhecemos nas suas ações em benefício próprio e de agentes econômicos que a eles se associaram.

FHC conclui que “não houve apenas roubalheira, mas uma visão política e econômica equivocada, desatenção ao bê-á-bá do manejo das finanças públicas e erros palmares da política setorial”.

O ex-presidente avalia o que se cobra das oposições: o que fazer?  Dizer que “quem pariu Mateus que o embale”, não é aceitável porque “o Brasil não é do governo ou da oposição.  E conclui: “ela ( a oposição ) não deve escorregar para o populismo, e sim apontar caminhos para superar os problemas” que o país enfrenta.

Eis o que chamo de “freio de arrumação”.

As palavras ponderadas do ex-presidente devem ser absorvidas e incorporadas pelo PSDB, que não pode se eximir de realizar o debate interno e com a sociedade.

Ao mesmo tempo em que nós denunciamos os responsáveis pelo desastre que se abate sobre o país e condenamos a obsessão do PT em permanecer no poder, quaisquer que sejam os meios usados para tanto, devemos lembrar, como diz FHC: “a oposição de hoje será o governo amanhã” e eu complemento que o nosso papel como partido político é apontar transformações que possam trazer ao povo brasileiro a esperança de dias melhores.

Bem vindo o ex-presidente ao debate franco e aberto.  Internamente no seu partido e perante a sociedade brasileira

A reforma política que não houve.

 

Na semana passada votaram-se na Câmara dos Deputados  vários textos que não fizeram avançar nem um milímetro a desejada reforma de regras para a consolidação do processo democrático.  Felizmente a mais danosa das propostas– o distritão – foi derrotada, a despeito das manobras do presidente da Câmara, Eduardo Cunha que, no entanto, conseguiu impedir a aprovação da proposta, correta, de extinção da coligação de partidos nas eleições proporcionais, e evitar o estabelecimento de uma cláusula de barreira para impedir a existência de partidos que não tem votos, nem representam coisa alguma.  Negociou com os partidos nanicos o apoio ao distritão e deu com os burros n’água.  Menos mal.  Mas conseguiu, com sua conduta, derrotar propostas essenciais para dar plena legitimidade ao Congresso Nacional e melhorar as nossas instituições políticas, que dariam ao sistema eleitoral uma representatividade mais de acordo com a vontade da sociedade.

A proposta de extinção do instituto da reeleição para os cargos majoritários foi aprovada, sem que se estabelecesse o período de mandato dos eleitos.  Fala-se no mandato de 5 anos, a meu ver longo demais para buscar a vontade popular.  A reeleição, também a meu ver, era um avanço institucional. Infelizmente, o PT, especialmente na última eleição presidencial, conseguiu desmoralizá-la pela atuação do PT e da presidente Dilma que, sem quaisquer limites, se utilizaram do poder para a manutenção do comando do governo.  Eu preferiria que o processo eleitoral tivesse sanções mais duras pelo uso indevido do governo no processo eleitoral e fosse mantido o princípio da reeleição.  Não foi o que ocorreu.

Outra questão abordada foi o financiamento das campanhas.  Foi aprovada a possibilidade de aporte de recursos de pessoas jurídicas para o financiamento dos partidos.  Um equívoco pois, na minha opinião, pessoa jurídica não deve participar do processo eleitoral.  O embate político é entre partidos e no seio da sociedade civil.  Empresas e entidades privadas de todo tipo têm seus objetivos e interesses próprios, não devem influir sobre quem tem a responsabilidade de dirigir o país.

Na próxima semana teremos novos embates.  Dentre eles a proposta de  coincidência de todas as eleições no país: municipais, estaduais e federais.  Uma aberração que precisa ser evitada para que as questões municipais não sejam deixadas em segundo plano diante dos problemas de ordem nacional.  Eleições sempre fazem bem, e o povo deve se pronunciar, dentro de períodos de tempo adequados, e para cada função dirigente, de maneira a poder avaliar conscientemente quem tem a responsabilidade de governar.

Mais uma dela.  É uma capacidade sem fim.

A presidente Dilma Rousseff se queixou das restrições que tem, durante entrevista no México: “A vida fica muito ruim com abstinência total de bebidas alcoólicas. Como eu poderia, originária do nosso país, defender que não se pode tomar uma caipirinha? Faz parte da saúde também, a alegria”. Em discurso no Palácio Nacional, Dilma elegeu a tequila e a cachaça como símbolos da relação entre o Brasil e o México.

Leiam bem o que ela diz e vejam se isso é próprio de um Presidente da República.

Claro, não é drama nenhum tomar um bebidinha aqui ou ali, com uma dose de álcool.  Porém dizer que a vida ficaria muito ruim sem ela é um disparate.  E não é pelo fato de nós produzirmos a cachaça, a “pinga”, que conhecemos, que a presidente deve fazer a apologia do produto. Muito menos dizer que provoca um pouco de alegria que melhora a saúde do povo.   É demais.

Acredito que ela poderia encontrar melhores símbolos da relação entre o nosso país e o México.  Por exemplo a luta comum dos nossos povos, e de todos da América Latina, para superar o atraso.

De certa forma ela quis fazer uma graça.  Ser jocosa, ao estilo do  Lula.  Mas convenhamos, não tem a bossa do seu criador.

 

 

Para rir e para chorar

 

No meio desta noite insone, leio duas notícias, uma para rir, outra para chorar.

Para rir: no México Dilma minimizou o esquema de corrupção da Petrobras ao dizer que apenas quatro dos 90 mil funcionários da empresa estão sendo acusados. É o que ela disse: “apenas 4”. Faltou dizer que os quatro eram os diretores e gerentes que comandavam a empresa.  Estão presos.  Não é para rir?

Para chorar: na votação do distritão, que seria o tiro fatal na tão medíocre e nascente democracia brasileira, felizmente derrotado, o PSDB deu 26 votos contra e 21 a favor.  Uma bela demonstração de unidade e de organização partidária!  Para um partido que se diz arauto da democracia e se pretende apto a governar, não é para chorar?

Distritão, a mais grave tentativa de se atingir a democracia.

 

 

Está em gestação no Congresso Nacional a mais grave tentativa de atingir a democracia no que ela tem de característica essencial, no seu coração: a existência e funcionamento dos partidos políticos.

Nem mesmo a ditadura militar teve a coragem de sustentar um regime sem partidos.  Após o golpe de 1964 criou a ARENA e incentivou a formação do MDB, ainda que imaginados sob o controle dos militares.  No entanto foi a existência do MDB que permitiu a formação de um embrião que veio a ser, anos depois, o instrumento de derrubada da ditadura.

Qual o instrumento proposto por alguns líderes que nunca tiveram qualquer apreço verdadeiro pela democracia: o distritão, isto é, em cada Estado se elegem os deputados mais votados, que preenchem todas as cadeiras, sem qualquer vinculação com os partidos políticos.  Esses, no máximo, vão apresentar listas de candidatos, mas o voto que hoje é computado para o candidato e também para o partido passa a ser apenas para o candidato.  Se alguém quiser votar apenas no partido, sem escolher candidato determinado, não poderá fazê-lo.  Vale dizer nenhum deputado terá que se submeter às decisões coletivas de seu partido, passando a ser o mandato sua propriedade exclusiva.

Em qualquer democracia no mundo a democracia se realiza através dos partidos, com todos os seus defeitos e virtudes.  Assim se dá a formação dos gabinetes nos sistemas parlamentaristas e se dá a formação da maioria nos sistemas presidencialistas.  É através dos partidos que se identificam programas de governo, projetos de sociedade e projetos de país.  O chamado distritão faz com que os deputados tenham compromisso apenas com si mesmo, não tenham a obrigação de ter ou responder por qualquer projeto de interesse do país.

O distritão acaba, numa só penada, com os partidos políticos.

O distritão é o aperfeiçoamento do autoritarismo que supúnhamos já superado e deixará os prefeitos, govenadores e presidentes eleitos ainda mais reféns dos parlamentares mais votados, com os quais terá de se haver, um a um.  Assim se chegará ao nível máximo possível do fisiologismo.

Quando a gente pensa que nada pode ser pior do que o sistema hoje em vigor no Brasil, passamos a saber que as coisas ainda podem piorar.  Do jeito que pretendem reformar menos mal será manter o que já existe.

Só espero que o meu partido, o PSDB vote, unânime, contra essa aberração que põe em risco todas as conquistas políticas das últimas décadas.

 

Mercadante, o aloprado símbolo do governo Dilma.  Pobre povo brasileiro!

Aloysio Mercadante é a figura mais simbólica do que se tornou o PT.  Já nos tempos em que foi parlamentar e líder da oposição, durante o governo FHC, era grosseiro, arrogante e gostava de fazer discursos caracterizados pela citação, em alta velocidade, de números e mais números, de forma que ninguém tivesse qualquer possibilidade de refutá-lo no correr da fala.  Era sua demonstração de erudição e de inteligência superior.  Com o tempo foi perdendo a credibilidade.

Nas eleições de 2006 quando foi candidato à Governador de São Paulo, em um pleito em que, desde o começo, era visível e fatal a sua derrota para o candidato José Serra, protagonizou um dos maiores espetáculos de falta de escrúpulos da história paulista: montou ( na minha opinião com a participação de Lula ) uma operação desesperada e desastrosa de compra de um dossiê montado por um grupo criminoso para tentar envolver Serra na que foi chamada a “máfia das ambulâncias”, que teria existido durante o período de Serra no Ministério da Saúde.  Seus acólitos foram pegos, pela PF, em um hotel da cidade, com as malas de dinheiro para comprar o documento.  Em função dos péssimos resultados da operação – a pá de cal em sua candidatura – receberam, ele e seus subordinados, a alcunha de “aloprados” dada pelo próprio Lula, não pela operação em si, mas pela incompetência em sua realização.

Quando parlamentar sua característica mais evidente era a da denúncia de quem quer que fosse citado como suspeito por atos irregulares e foi crítico duro da política econômica do governo FHC.  Uma vez,  numa reunião da Comissão de Orçamento do Congresso, que eu presidi, ele acusou o então ministro da Fazenda Pedro Malan de estar, no momento, usando uma caneta luxuosa, que seria uma “Mont Blanc”, como se fosse um crime, segundo ele, “enquanto a situação do nosso país era muito ruim”.  Viu-se depois que a caneta era uma desses brindes comerciais.  No mínimo ridículo.

Pois esse cidadão passou a ser Chefe da Casa Civil no governo Dilma Rousseff.  Nada mais justo. Os dois se acham gênios, mais capazes e mais inteligentes e cultos que quaisquer outros cidadãos.  E ela, parece, o adora.

A última dele, há poucos dias, após a magra vitória que o governo teve na aprovação de mudanças na legislação do seguro desemprego, foi a seguinte afirmativa: “É evidente que quem vota no governo, quem sustenta o governo…tem prioridade nas indicações do segundo escalão”. “Aqueles que querem colaborar serão privilegiados”.

Mercadante está tão fora de si que nem percebeu a gravidade da frase que pronunciou.  Apenas falou o que pensa, como se não tivesse responsabilidades institucionais.  Então não se escolhe pessoas para o governo pela sua formação, pela sua experiência, pela sua competência, pela sua capacidade de exercer a função que vai ocupar, pelo seu compromisso com o interesse público?  Isso tudo é secundário?  Escolhe-se tão somente através da indicação de algum político que no Congresso dê o voto que o governo deseja?  Esse é o método do ministro-aloprado.

Dilma abriu mão de governar.  Não manda mais nada.  Está submetida aos Mercadantes e Temers da vida.  O que lhe interessa é tão somente  sobreviver até o fim do seu mandato.  Assim será difícil.

Triste fim de uma ex revolucionária.   E triste a situação do povo brasileiro na mão dessa gente.

 

 

 

Repressão para preservar a legalidade

Anos de regimes ditatoriais e autoritários nos fizeram ver as ações policiais contra manifestações como sendo atos que contrariam os princípios democráticos.  Nesses períodos em que prevaleceram leis impostas pela força, contra os direitos do povo, essa foi uma verdade quase absoluta. No entanto, quando vivemos em um regime de prevalência da legalidade, com a democracia funcionando, ainda que com as limitações que conhecemos, em que as instituições políticas – Executivo, Legislativo e Judiciário – são constituídas pela vontade popular, produto de regras estabelecidas em uma Constituição aprovada por quem de direito, a ação repressiva pode ser, ao contrário da repressão nos períodos autoritários, uma garantia do cumprimento da lei e do respeito à vontade popular e às instituições que, mal ou bem, a democracia constituiu.

Vou me referir aos recentes episódios de confronto entre a polícia do Paraná e os manifestantes que foram reprimidos com bombas de efeito moral e balas de borracha.  Abaixo apresento duas fotos, do mês de fevereiro último, da Assembleia Legislativa do Paraná, tomada pelos manifestantes que procuravam –  e conseguiram, “na marra” – evitar que a Casa legislativa decidisse projetos originários do Executivo, repudiados por aqueles manifestantes.

 

As ações desses manifestantes, sejam eles professores ou simplesmente ativistas políticos, partidários ou não, oposição ou não, agrediram os princípios democráticos ao impedir o funcionamento do Legislativo paranaense, quaisquer que sejam as razões que motivaram a invasão e a ocupação da Casa.  Os invasores não receberam a delegação popular para impor suas vontades, nem seria essa a forma pela qual eles deveriam se manifestar para mostrar sua insatisfação.  Nada, nem ninguém, lhes deu esse direito.  Direito de manifestação é uma coisa. Invasão e violência é outra.

Na última semana, algumas centenas, ou milhares, de manifestantes tentaram repetir a cena, já prevista pelo governo do Paraná que obteve autorização judicial ( dela nem precisava ) para proteger o edifício do Legislativo e possibilitar a votação de um projeto de lei que contrariava a vontades desses manifestantes.  Procuraram romper o cerco policial e foram reprimidos pelos meios que a polícia têm, que são seus únicos instrumentos de ação, já que qualquer diálogo se tornava impossível.

A ação policial, nesse caso, procurou preservar o princípio democrático de garantir ao Legislativo, legitimamente eleito, o exercício de suas funções.  Em um confronto desse tipo é sempre possível – e acontece com frequência – que policiais vão além da medida da força necessária para a consecução do seu objetivo.  E isso também aconteceu nesse episódio. Pude verificar, por vídeos expostos na TV, um policial agredindo (chutando) um manifestante caído.  Atos isolados, desnecessários e inaceitáveis. O uso exagerado das bombas de efeito moral e das balas de borracha, também se pode observar.  Não era necessário, já que a tentativa de invasão já estava frustrada. Esses abusos policiais devem ser apurados e repudiados.

No entanto, o objetivo da repressão policial foi atingido: a casa legislativa pode se manifestar e decidir nos limites do seu poder e de sua responsabilidade constitucional.

Caso típico de uma ação repressiva, ao contrário do que se costumava observar no passado, para preservar a legalidade e a democracia.

Contra a corrente

 

 Ouço e leio diversas críticas à decisão de uma turma do STF permitindo que os executivos das empresas que estavam presos, alguns há mais de 5 meses, cumpram a prisão provisória em seus domicílios.

A meu ver, essa decisão foi acertada.  Por mais que eu tenha a convicção pessoal da responsabilidade concreta deles na articulação de um cartel que, para se realizar, tenha incluído o pagamento de propinas imensas a agentes públicos, isto é, tenham participado da formação de uma quadrilha que assaltou os cofres públicos, em benefício ao PT e dos seus aliados, penso que manter alguém preso por meses, sem processo e sem julgamento, é uma afronta ao Estado de Direito Democrático.

Muitos se manifestam desiludidos com o STF por liberar, ainda que com prisão domiciliar e controlados pelas tornozeleiras eletrônicas, os investigados na Operação Lava Jato.  A indignação da população com os crimes cometidos por eles, em associação com lideranças políticas e com agentes públicos instalados nos órgãos da administração pública, é compreensível.  Mas nada justifica como forma de obter as confissões a extensão das penas de prisão provisória por tempo ilimitado.

Ministério Público e Polícia Federal têm de realizar as investigações e obter a verdade usando os instrumentos legais que preservem a dignidade das pessoas, sejam elas culpadas ou não.  Ninguém pode ter sua vida na dependência de uma opinião de qualquer autoridade, por melhor que seja a sua intenção.

Quero,  como a maioria do nosso povo, ver na cadeia os responsáveis por destruir o Estado brasileiro e destruir a esperança de milhões de brasileiros.  Mas quero também preservar os princípios democráticos vigentes, pelos quais lutei toda minha vida.  Não será minha gana de vê-los pagar pelos seus crimes que mudará minha conduta.

Aliás cito também um episódio revoltante:  na última edição da Isto É vejo na capa a figura do João Vaccari Neto, com uma chamada “ 10 anos de corrupção “.  Por mais que eu tenha a convicção de que ele é um dos principais executores do processo de corrupção que atinge todas as instituições do Estado, não aceito que haja uma execração pública, um verdadeiro justiçamento do tesoureiro do PT, que não foi julgado, nem condenado.   E, ainda que o fosse, essa destruição moral, pública, do eventual condenado, não seria aceitável.

Assim, amigos, não dá.   Assim não vamos construir uma sociedade moderna, democrática e civilizada.

PT – A destruição de um ideal

 

Acompanho, cada vez mais surpreso e estarrecido, o que vem acontecendo com as investigações feitas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal a respeito do desvio de recursos públicos para garantir a manutenção do poder por parte do PT.  Parecem não ter fim as ações criminosas reveladas, cometidas pelas principais lideranças desse partido em seu desejo incontido de manter o comando do país.

O mais impactante e surpreendente para mim que tenho origem política no pensamento e na ação dos movimentos de esquerda que recusaram o uso da luta armada para derrubar a ditadura militar/fascista que assumiu o poder após o golpe de 1964, é o grau de degradação a que chegou um partido, o PT, que se formou para construir uma sociedade socialista, humana, solidária, justa e democrática e que, após conquistar o governo através de eleições democráticas, passou a usar de todos os instrumentos possíveis, legais ou não, morais ou não, democráticos ou não, para preservar e prolongar o poder conquistado.

Sob o argumento de que estão transformando a vida, para melhor, de milhões de brasileiros, tudo passou a ser tolerado e justificado.  A estrutura do Estado brasileiro, do qual se apropriou o partido, passou a servir ao objetivo de manutenção indefinida do poder, e não só a isso.  Passou a ser a forma de viver e de usufruir a vida para centenas de seus líderes.

As últimas notícias dão conta que depoimentos de empresários – no caso o presidente e o vice presidente de uma das maiores empresas brasileiras, a Camargo Corrêa, feitos como confissão dos delitos cometidos para poder gozar de benefícios que a lei concede aos que decidem colaborar com a Justiça – reconhecem ter pago 110 milhões de reais em propinas para poder obter contratos com a Petrobras.  Os pagamentos foram feitos a um diretor da empresa – Renato Duque – indicado pelo PT e a outro – Paulo Roberto Costa – indicado por um aliado, o PP, referendado pelo PT e pelo PMDB.   Tudo operacionalizado por seus tesoureiros: no caso do PT por Delúbio Soares e, após a sua condenação, por João Vaccari Neto.

Essa é a soma fantástica que uma única empresa, entre 2007 e 2012, destinou aos partidos no poder.  Imaginem as dezenas de empresas envolvidas, as centenas de contratos, em todos esses anos de governo petista – de 2003 a 2014 – quanto dispenderam para os partidos no poder vencerem as eleições, até a mais recente.  E quanto foram beneficiados líderes, como José Dirceu e Antonio Palocci, que através de empresas de consultoria, faturaram  milhões de reais em troca de sua influência política.

Sob o ponto de vista da evasão de recursos estatais, mais do que as propinas pagas, de 1% a 3% do faturamento que, em cada ano, foi de dezenas de bilhões de reais, foi o prejuízo da sociedade pelas decisões tomadas, pois muitos desses investimentos e gastos do setor estatal foram artificialmente e desnecessariamente realizados apenas para possibilitar e facilitar as propinas.  Como exemplo a decisão de construir 4 refinarias de petróleo em regiões do país, decisão essa que acaba de ser revogada, após gastos bilionários,  para que se termine, apenas em parte, apenas duas delas.

O PT foi criado para realizar um ideal – um sonho: a construção de uma sociedade socialista, justa, humana e solidária, presumivelmente democrática.  O maior crime cometido por seus dirigentes foi justamente o de transformar esse sonho em uma verdadeira tragédia, que atinge  não só os que honesta e patrioticamente aderiram ao PT durante esses anos, mas a todos que em outros agrupamentos políticos também buscam uma sociedade mais justa.

A destruição desse ideal é a terrível herança que o PT vai deixar.  Nós, que viemos com os ideais das lutas da esquerda, temos dificuldade em nos declararmos como tal, vistos e confundidos agora com aqueles que ocasionaram um mal tão grande ao país e ao futuro das transformações pelas quais ansiamos.

Se o PT foi, algum dia, um partido de esquerda, se tornou a trincheira de interesses escusos que maculam a tradição de luta de milhões de brasileiros que, nos últimos quase cem anos, lutaram e morreram por uma sociedade melhor.

A meu ver isso justifica ações concretas para que nos libertemos daqueles que não souberam dignificar o papel a que se propuseram ao chegar ao governo.  Vale dizer, nos libertemos do PT, de suas dilmas e de seus lulas.

Encontrar esse caminho, nos limites da Constituição vigente, deve ser o objetivo e é o desafio a todos os democratas.

 

 

Crônica da legitimidade perdida: Para onde as coisas caminham

Dia após dia Dilma Rousseff vai perdendo uma porção da legitimidade que todo governante tem de manter para poder governar. Não basta a legalidade do mandato (às vezes contestada), obtida no processo eleitoral, e a consequente diplomação. É preciso que o governante seja respeitado, tenha credibilidade e seja reconhecido como comprometido com as ações que se propôs a realizar. Tem de ser respeitado não só por sua capacidade de fazer as coisas acontecerem, mas também pela preservação dos valores éticos que a sociedade valoriza.

 

 

Dia após dia surge uma notícia que nega esses atributos que Dilma tem de manter. Em um dia algum ministro a desmoraliza, no outro são membros presumidos de sua base de sustentação política que a desmoralizam, no terceiro ela entrega a pessoas em quem não confia a responsabilidade política por articular seus apoios.

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Dia após dia vai sendo demonstrada a falsidade de suas afirmativas no processo eleitoral: é a inflação que sobe, é o desemprego que assusta, é a economia paralisada, são os estouros do caixa do governo, são as dificuldades de equilíbrio das contas externas.

Dia após dia toma-se conhecimento de um novo escândalo: é a Petrobras saqueada, são os recursos da Caixa Econômica Federal ilegalmente utilizados para encobrir o brutal déficit nas contas públicas, é a Controladoria Geral da República que escondeu, até passar as eleições, as falcatruas cometidas e denunciadas.

Assim, dia após dia, cai um pedaço da legitimidade de Dilma.  Só sobra a legalidade formal, o documento que o Tribunal Superior Eleitoral lhe deu para ser a presidente do país.

Cada vez fica mais clara a ação do seu partido, o PT, que obteve recursos sem os limites da moral e da legalidade, para sustentar a eleição de seus membros.  O mais recente episódio é a prisão do tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, que traz à tona os montantes de recursos por ele angariados para o partido:  R$ 50,7 milhões em 2011 e R$ 79,8 milhões em 2013,  isto é, fora dos anos eleitorais, muito superiores aos obtidos por qualquer outro partido.  Nada mais evidente, além de diversos testemunhos, para demonstrar que esses montantes não são produto apenas de doações legais, mas o resultado de operações criminosas comandadas por agentes do partido incrustados no aparelho estatal, sob o comando do tesoureiro do PT.

A eleição de Dilma está eivada de irregularidades e isso repercute, de imediato, sobre a legitimidade do exercício do seu mandato.  Uma falta de legitimidade que a impede de enfrentar, com sucesso, os grandes problemas que o país apresenta, parte deles fruto da herança  de 3 períodos de governo petista.

Eis as razões que nos levam a avaliar a possibilidade do afastamento da governante.  Porém isso não pode ser apenas uma opinião de um ou de poucos, ter que ser a convicção da sociedade, majoritariamente.  Mais que isso, tem que haver a vontade, expressa com vigor, de todas as formas possíveis, para que o fato se concretize.

Haverá um momento em que, como a água que ferve, o sentimento popular entrará em ebulição.  É nessa direção que as coisas caminham.

Renúncia de fato e renúncia de direito

A indicação do vice presidente, Michel Temer, para comandar as articulações políticas do governo Dilma Rousseff, compondo o grupo dirigente com Eduardo Cunha e Renan Calheiros, presidentes da Câmara e do Senado, foi um passo decisivo da presidente na direção da renúncia de direito do exercício da presidência, já que a renúncia de fato acaba de se concretizar.  É um ato sem volta, “point of no return”, já que Eduardo e Renan não são, de direito, demissíveis e Michel não o será, de fato.

Passa a comandar a República uma troika peemedebista, um conjunto de políticos que não recebeu do povo a delegação para dirigir o país e, pois, sem a necessária legitimidade para governar e enfrentar o futuro.

Assim, caiu no colo do PMDB, o exercício do poder no Brasil.  Não foi isso que as urnas determinaram, não era isso que o povo desejava.  É inaceitável.  Dias difíceis nos aguardam.

Esse roteiro é complementado pela condução da economia, entregue de forma absoluta, ao ministro Joaquim Levy.  Aí, também, a presidente renunciou de fato, entregando a ele a tarefa de tirar o país do buraco. Mais uma razão para o afastamento de direito da presidente, que não governa mais o país.

Assim a história do segundo mandato de Dilma Rousseff vai sendo contada, como uma grande tragédia, após a farsa eleitoral, cuja dramaticidade não pode ser minimizada pois atinge a vida de mais de 200 milhões de brasileiros.

O povo percebeu isso e levou às ruas palavras de ordem pedindo a renúncia formal de Dilma.  Isso eu assisti hoje, na avenida Paulista, onde uma multidão bem superior a 100 mil pessoas – a segunda maior manifestação popular que conheci, inferior apenas àquela de 15 de março – clamava contra o PT e contra a presidente.

12abril

Não posso também deixar de expressar a minha revolta com alguns manifestantes, ainda que sejam uma ínfima minoria que, aproveitando-se do clima político contra o governo,  ousaram pedir a extinção do PT ( só o povo pode decidir sobre a dimensão, a vida e a morte de um partido ) e a “intervenção militar constitucional”, segundo eles possível nos termos do artigo 142 da Constituição.  Falso esse argumento pois o artigo citado diz que “ as Forças Armadas….sob a autoridade suprema do Presidente da República, destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer deles, à defesa da lei e da ordem”.

Vale dizer, não existe a tal intervenção militar constitucional. As palavras de ordem dessa minoria anti-democrática deve ser repudiada por todos os que buscam soluções concretas, nos limites da ordem constitucional.

A ação quase que espontânea do povo nos protestos contra o governo chegou onde poderia chegar.  Agora é hora das forças políticas democráticas do país, ao lado das instituições da sociedade civil que se organizaram para repudiar o governo Dilma, assumirem em conjunto a responsabilidade de encontrar a saída para a crise, isolando os grupos que não convivem com a democracia.

Os saudosos da ditadura militar, e os adeptos do poder a qualquer custo encrustados no aparelho de Estado e dele beneficiários, que sejam excluídos de uma frente pela democracia e pelo desenvolvimento que se constitua comandada por pessoas com legitimidade e respeitabilidade.  É a nossa tarefa.

Nem Delfim, nem Bresser Pereira. Os atuais governantes não têm mais condições para governar.

No mínimo são curiosas as opiniões de dois economistas famosos que expõem suas ideias na “Folha de São Paulo”, neste último, e sugestivo, primeiro de abril:  Delfim Netto e Luiz Carlos Bresser-Pereira.  Diferentes são suas trajetórias mas coincidentes são os seus sentimentos em relação aos governos petistas.

Delfim Netto foi ministro em diversos governos da ditadura.  Sob a presidência de Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo  ele foi, em períodos diversos, Ministro da Fazenda, da Agricultura, do Planejamento e  embaixador na França.  Quando da edição do Ato Institucional n° 5 assinou o então decreto que levou a ditadura à sua maior radicalização.  Nunca se sentiu incomodado com a violência do regime militar.  Pelo contrário, gozou por ser considerado o condutor da política econômica do governo.  Malufista por décadas, autor de muitas estripulias durante os seus mandatos, hoje ele é só conselheiro de Lula e de Dilma.  Para esses não há qualquer restrição.

Nesse último primeiro de abril, Delfim começa seu artigo com rasgados elogios ao primeiro período petista, sob o comando de Lula, sem deixar de cutucar o governo anterior, de FHC, pela “precária inclusão social com programas de focos confusos e apenas iniciados”.  Omite as dificuldades de um período pós inflação galopante e as profundas mudanças estruturais que foram executadas.

A era lulista, segundo Delfim, começou com uma desconfiança generalizada, mas caminhou para uma “profunda mudança de filosofia”, “deixando de ser a inclusão social apenas um detalhe como no governo anterior” para tornar-se o “objeto principal do governo…” e aí vêm os elogios, “governo de um operário de pouca educação formal, compensada por uma inteligência prática privilegiada e uma imensa capacidade de articulação política”.

Nenhuma referência faz Delfim ao aparelhamento do Estado e seu uso criminoso para a manutenção do poder.  Nada que surpreenda, já que foi um dos sustentáculos de uma ditadura que nos retirou a democracia mas deu alguns períodos de crescimento da economia.

Quanto a Dilma, Delfim diz que a presidente “demorou a reconhecer que tudo tinha mudado: as condições eram outras”.  Mas segundo ele, ela assumiu corajosamente uma conversão econômica equivalente à de São Paulo na estrada de Damasco… com um programa razoável.  E termina a coluna com a seguinte pérola, vinda de quem vem: “A democracia não é uma dádiva divina. É difícil, mas é o único caminho para a civilização”.

Delfim, este sim, fez uma conversão espantosa. Oportunismo explícito.

Quanto a Bresser Pereira, foi ministro da Fazenda durante o governo José Sarney e foi ministro chefe da Secretaria da Administração Federal e Reforma do Estado e Ministro da Ciência e Tecnologia durante os mandatos de Fernando Henrique Cardoso.

Ele diz, em seu artigo, que a explicação fundamental para a perda da popularidade da presidente Dilma “está na hegemonia ideológica do conservadorismo liberal (alguém sabe o que é isso?) que dá à crise econômica de curto prazo uma dimensão que ela não tem, que acusa a presidente de estelionato eleitoral porque ela está fazendo o que tem que fazer e que procura vinculá-la ao escândalo da Petrobras sem qualquer fundamento”.  Nem os mais radicais petistas elogiariam com tal entusiasmo e com tal incapacidade de ver o que está mais que visível.

Ao criticar os movimentos de rua contra Dilma, Bresser pergunta: “É então o golpe de Estado que se quer? Para obrigar Dilma trair seus princípios e se submeter à politica liberal e dependente que a oposição defende?” Afinal que diabo é essa política liberal e dependente que a oposição defende?

Bresser então defende um grande acordo político que deve ser desenvolvimentista, “de centro, em vez de direita ou de esquerda”, e termina também com uma pérola: “porque não se deve dar preferência nem aos trabalhadores nem aos empresários”.  Genial!  Parece piada.

Assim Delfim, esteio da ditadura militar, vai se identificando com Bresser Pereira, homem de confiança de FHC, ou vice-versa, os dois no afã de salvar a cara de Lula, de Dilma e do PT.

Afinal tudo que estamos assistindo, não só no plano ético/moral, mas no campo econômico com profundas repercussões sociais, é responsabilidade dos governos petistas.  A obrigação dos que falam e escrevem com honestidade intelectual é fazer a análise crítica desses 12 anos de descalabro e procurar soluções que afastem do governo aqueles que foram os responsáveis pelo desastre que constatamos nos dias de hoje.

Os atuais dirigentes não tem mais condições de governar.  Não tem credibilidade, não são respeitados pelo povo.  Precisam sair.  Como fazê-lo nos limites estritos da legalidade democrática, esse é o desafio a todos os patriotas.