O PT em estado de putrefação e o governo em fase terminal.  Não contem conosco para a sua salvação.

 

O PT que esteve agonizando, moribundo, morreu.  Agora está em estado de putrefação. Que renasça um PT progressista e saudável, para o bem da democracia em nosso país.

O governo, comandado por ele, está em fase terminal.  Não é capaz cumprir o seu papel de dirigente da administração pública, nem de balizar o desenvolvimento da sociedade brasileira. Perdeu a legitimidade para governar.

Esses são os fatos que se apresentam na realidade do nosso país nos dias de hoje.

É desejável para a vida política nacional que o PT seja recriado como um verdadeiro partido  democrata e respeitado.  Aquele PT que era uma referência da luta contra a desigualdade social e por uma vida política que teria na ética a sua alma.

O novo PT, certamente menos radical e sectário do que era, será um elemento essencial para a consolidação da democracia.

Os últimos suspiros dos que sustentam o governo Dilma são os apelos à oposição.  Não há nisso nenhum desejo verdadeiro de unir forças para superar a crise em que vivemos.  É apenas uma manobra para ganhar tempo e evitar o desenlace imediato.  Não contem conosco.

Houve vários momentos após as eleições de 2014 em que seria possível e razoável uma ação conjunta para enfrentar a crise que se sabia inevitável.

O primeiro deles logo após a divulgação dos resultados do pleito, quando era patente que a apertada vitória de Dilma colocava dúvidas sobre a legitimidade do novo governo.  Hoje isto é claro tendo em vista tudo que foi exposto publicamente nesses últimos meses.  Bastava o reconhecimento de que o povo, em grande parte, maioria ou não, não os desejava mais.

O segundo momento foi o da posse em 1º de janeiro quando Dilma, já absolutamente consciente das dificuldades que teria em superar a crise prevista e anunciada, procurou manter o discurso eleitoral e dividir o país entre eles, os bons moços, e nós, os maus, que queríamos manter as iniquidades da sociedade brasileira.

Nesses momentos Dilma e seus aliados representavam metade do povo brasileiro.  Agora não representam sequer 10% do mesmo.  A hora de apelar para um entendimento nacional já passou.  Agora é só ato de desespero, o pedido de uma mão que não será estendida.

Para o Brasil, a melhor saída  é a exclusão do poder do PT e dos aliados que se enlamearam.  Base política, social e legal não faltam. É a solução legítima, a mais rápida e mais eficaz e a menos penosa para o nosso povo.

Por isso temos de encontrar o caminho para superar esse quadro doloroso para o nosso povo, usando os instrumentos que as nossas instituições democráticas nos ensejam, . afastando do poder aqueles responsáveis por uma das mais graves crises de nossa História.

 

 

 

Vamos nos mobilizar para defender as instituições democráticas

 

A reação dos poderosos, que se julgavam inatingíveis pelas leis vigentes, crentes de que ninguém iria mexer com eles, está em franco andamento.

No executivo, Dilma e o PT mobilizam os seus ministros e pressionam os devedores de seus favores para evitar que o Tribunal de Contas da União dê parecer contrário às suas contas de 2014, o que ensejaria um processo por improbidade administrativa e por descumprimento da lei de responsabilidade fiscal.  Fizeram e desfizeram, prometeram pagar o que não podiam, gastaram o que não tinham e agora argumentam que não foram eles os únicos criminosos… Em seguida vão ter que se defender, perante o Tribunal Superior Eleitoral, dos crimes eleitorais cometidos durante a campanha eleitoral e explicar a montanha de propinas que receberam para sustentar os seus gastos.

No Legislativo, além do presidente do Senado, Renan Calheiros, às voltas com acusações feitas pelo Ministério Público de ter recebido propinas de empresários, e em guerra aberta contra o procurador geral Rodrigo Janot, superou-se o presidente da Câmara Eduardo Cunha.  Ele, também foi acusado por um assumido corrupto que, sob a delação premiada afirmou (perante o juiz do processo Sergio Moro, sem que esse o tivesse induzido a citar o parlamentar) que havia entregue a Cunha uma substancial quantia em dinheiro.  Então Cunha resolveu exigir do Supremo Tribunal Federal que o juiz fosse afastado  através de uma medida liminar, como se esse tivesse investigado o parlamentar que tem foro privilegiado.  Só falta o Lewandowski ceder à pressão.

Para completar elle voltou:  Collor de Mello botou pra quebrar, inconformado com a ação da Polícia Federal e do Ministério Público que foi à casa da Dinda buscar papéis e aproveitou para  aliviá-lo dos seus brinquedinhos – uns carrinhos pra provocar inveja de qualquer um.  Collor conseguiu na Comissão de Fiscalização Financeira do Senado, com parecer do senador Ivo Cassol, a aprovação de um requerimento para que o TCU fiscalize duas licitações feitas pelo Ministério Publico para suas atividades.  Um detalhe:  Ivo Cassol só está no Senado porque as condenações que sofreu na Justiça, aliás bem pesadas, ainda não transitaram em julgado definitivo.

Um pequeno refresco para Dilma:  não é só o Executivo que está coberto de lama.  No Legislativo as coisas também não andam bem.

Nesse quadro dantesco, sobram os 200 milhões de brasileiros, menos alguns, que nada tem a ver com as bandalheiras que aparecem a cada dia.  Mas se nós não nos mobilizarmos, de uma forma ou outra, para enfrentar os graúdos sem moral, quem vai acabar sendo presos seremos nós mesmos.

Então mãos à obra.  Ponhamos a cabeça e os pés a funcionar.  Cada um de nós.  E, é claro,  vale para os meus companheiros do PSDB e para todos os que amam esse país.

O DNA do PT

As agências reguladoras foram criadas para regular e fiscalizar o mercado em que atuam as empresas privadas ou públicas de um determinado setor.  Devem criar as condições para que as empresas tenham igualdade de condições nas disputas entre elas, sem que se constituam em cartéis que combinam preços e condições para fraudar a concorrência. Devem, também, tratar de garantir que o consumidor tenha os seus direitos assegurados.

Participei, como deputado federal, na elaboração da legislação de quase todas as atualmente existentes.  Fui relator da lei que criou a ANATEL no setor de Comunicações, presidi a Comissão Especial que elaborou a legislação do petróleo criando a ANP, e participei da Comissão que criou a ANEEL, dentre outras.

Em uma delas, a que criou a ANAC, agência nacional da aviação civil, presidi a Comissão que deu o parecer final.

Em nenhuma delas percebi interferências políticas quando da instalação de suas primeiras diretorias.  Nelas se aproveitou o que se tinha de mais qualificado em cada setor, a maioria durante o governo Fernando Henrique.

Isso no reinado de Lula e de Dilma Rousseff mudou.  As indicações, se não todas, em grande parte, se originaram de acordos políticos seja com os partidos de sustentação do governo, seja com os interesses privados envolvidos.  Os resultados estão aí.

A operação Lava Jato mostrou como isso foi desastroso para o pais.  Mas a lição não foi aprendida pelo governo atual que acaba de indicar, para aprovação do Senado, um senhor de 28 anos de idade, advogado, para a diretoria da ANAC, cujo curriculum é ter sido estagiário na própria Agência.  Sua principal qualidade e qualificação é ser genro do senador Eunício Oliveira, líder do PMDB no Senado Federal, em cujo casamento recente teve a honra da presença da presidente Dilma Rousseff, que agora o indica para a agência.

Essa gente do PT não aprende, nem aprendeu nada.  Essa forma de conduta faz parte do seu DNA.

Aguardem os próximos capítulos.  Vem ainda muita sujeira por aí.

Precisamos salvar o Brasil!

 

Ninguém sabe o que vem mais por aí.  O quadro social e econômico se deteriora rapidamente, em todas as áreas.  A ruína desse governo não se assemelha com nada já visto no Brasil.

Apenas para citar um dos mais eficazes instrumentos eleitorais do PT, o bolsa família, nesses últimos quatro anos ele foi reajustado em apenas 10%, as vésperas da eleição de 2014. Nada mais. Milhões de pessoas que tinham subido acima da chamada linha da pobreza, passaram a ficar abaixo e foram obrigadas a consumir menos do que consumiam.

Ainda mais, neste ano, milhões de jovens que foram atraídos para as faculdades privadas com o benefício do FIES e o ensino técnico através do PRONATEC, além daqueles que acessaram bolsas pelo programa Ciência sem Fronteiras, ficaram a ver navios, com seus estudos interrompidos.  Enquanto isso faculdades públicas construídas às pressas não estão podendo cumprir os seus objetivos por falta de recursos financeiros.  Tudo isso feito, ironicamente, ao mesmo tempo do lançamento do slogan “Brasil, pátria educadora”.

É possível imaginar algo mais criminoso do que o que vem sendo feito pelo governo brasileiro com milhões de cidadãos?  Todos eles foram induzidos a acreditar no contrário da realidade que enfrentam.

Ao mesmo tempo postos de trabalho desaparecem, a inflação avassaladora corrói os salários, não existem recursos públicos para investir e o setor privado teme fazê-lo.  A economia encolhe, em especial, a produção industrial.  A recessão se aprofunda dia após dia e não se sabe nem quando e nem como vamos chegar ao fundo do poço.

Os governos petistas foram uma catástrofe que se abateu sobre o país. Algo para ficar como um dos períodos mais negros da nossa História.

No plano político, que é causa e consequência desse clima adverso, as coisas vão de mal a pior.  A descoberta de ações de uso inadequado e de desvio de dinheiro público se apresenta em todos os setores da administração. Fica cada vez mais evidente a omissão, a conivência e a autoria de atos criminosos dos mais importantes governantes e dirigentes públicos e dos mais importantes lideres partidários da base de apoio da presidente.

A presidente perdeu a capacidade de governar e perdeu o respeito da população, inclusive do eleitor que acabou de sufragá-la.  Sua base de sustentação se desagrega e se dispersa dia após dia.  Não há mais nem o velho fisiologismo, que funcionou por vários anos, capaz de segurar o estouro da boiada.  Os dirigentes dos partidos da base do governo, a começar pelo PT, estão em um salve-se quem puder: os que não estão na cadeia, ou investigados, ou denunciados, ou processados, temem ser os próximos da lista.

Especula-se que ela pode ser apeada do cargo, com o vice junto ou que ele assumiria.  Que isso interessa a esse ou aquele partido, a esse ou aquele líder politico.  Especula-se que para uns interessa, a outros não, que deixem o governo antes de 2018.  Especula-se quem é que vai sucedê-los, agora, logo mais, ou em 2018.  Cada qual vê o quadro pela ótica de seus interesses privados.

Não é isso que interessa ao povo brasileiro.  Somos mais de 200 milhões sofrendo, aqui e agora, e queremos ações e resultados para o curto prazo, nos limites da legalidade democrática, repelindo quaisquer aventuras que maculem as instituições que conquistamos a duras penas.

Se um caminho interessa mais ou menos a qualquer agrupamento político, ou à alguma facção dele, isso é que menos importa

O que interessa, de verdade, e é sobre isso que devemos nos debruçar, e já, é encontrar o caminho que for melhor para o nosso povo, independentemente dos interesses e ambições de partidos e de pessoas, por mais legítimos que sejam.

. Essa é a discussão que as forças políticas, os partidos, a sociedade em geral devem enfrentar.  Cabe a nós, o PSDB, como maior partido de oposição, que esteve nas últimas eleições próximo de obter a maioria dos votos, a responsabilidade de articular e liderar todas as forças da sociedade que não estejam comprometidas com os descalabros que emergem nesse momento da vida política brasileira.

Precisamos é salvar o Brasil e renovar as esperanças de um futuro promissor para os brasileiros.

 

O Golpe de Dilma Rousseff

 

Quem está golpeando Dilma Rousseff?

Em primeiro lugar é a sociedade, uma quase unanimidade, que se deu conta dela ser falsa, mentirosa, covarde, que não teve a coragem de mostrar ao povo, durante o processo eleitoral, qual a real situação do país e quais seriam os sacrifícios que teriam de ser feitos para coloca-lo no eixo.  Ainda mais acusando os seus adversários de que iriam praticar todas as duras medidas que ela mesma decidiu tomar logo que a vitória lhe sorriu.

Em segundo lugar são seus aliados e o seu próprio partido, a começar do seu principal aliado, o PMDB que através de seus líderes no Congresso Nacional promove suas derrotas e cobra altos dividendos para abrandar o serviço que executa contra o próprio governo; não fica atrás o seu PT que acaba de produzir uma resolução em que, aproveitando a derrota dos que na Grécia defendiam uma política austera, ataca as políticas de ajuste fiscal aqui adotadas, justamente a principal ação da presidente para tentar sair da enrascada em que meteu o país; mais duro ainda é o seu criador, o Lula, que afirma que ela está, como todos eles, no “volume morto” e ameaça com a mobilização dos exércitos do Stédile, quem sabe se a favor ou contra ela.  Esses para ela não são golpistas?

Em terceiro lugar o que está golpeando Dilma são os feitos, ou malfeitos como ela gosta de chamar, dos seus indicados para dirigir a administração pública que, associados a políticos que tem de ser banidos da vida política e a empresários que devem ser impedidos de trabalhar para o poder público, promoveram a maior devastação que se tem notícia desde que Pedro Álvares Cabral aportou em nossas terras.

Enfim, golpe foi o que ela e seus chefes e subordinados, praticaram e tem praticado contra todos nós, brasileiros, que vão sofrer nos próximos anos para reconstruir o país e limpar as manchas que se espalham por todos os cantos da administração pública.

E nós da oposição, do PSDB, fazemos o quê?  Não fomos nós que mobilizamos centenas de milhares de pessoas nas ruas para mostrar o descontentamento com o governo petista.  Foram gestos espontâneos de indignação de nosso povo.  Nem sequer participamos da organização dos atos.

Nós estamos exercitando por todos os meios legais o nosso papel de oposição e, mais que isso, de responsáveis pelo futuro do país.  Damos nossas opiniões pela imprensa em todos os níveis, nos apresentamos em todas as casas legislativas, em particular no Congresso Nacional, usamos as instituições democráticas na forma que as leis nos permitem, bem como fazemos o nosso papel como oposição responsável  posicionando-nos diante dos fatos que, dia a dia,  se nos apresenta a dura realidade de um governo que cometeu e comete ilegalidades por anos a fio.

Assim aguardamos as manifestações do Tribunal de Contas da União, do Superior Tribunal Eleitoral, do Supremo Tribunal Federal, do Ministério Público da União e da Polícia Federal, que exercem o seu papel, cada um dentro de sua competência, para que possamos avaliar o caminho que devemos adotar para resgatar o governo do país e permitir que ele possa enfrentar os desafios enormes que tem pela frente.

Nem golpe, nem condescendência com o governo Dilma!  O que ela tenta é nos criminalizar e jogar a opinião pública contra nós.

Não há, de nossa parte, nenhuma tentativa de golpe. Esse ela já deu e vem dando no descompromisso com valores morais e no desrespeito aos princípios democráticos.

O fato real é que, do ponto do vista político, o governo Dilma já acabou e não tem mais condições de governabilidade.  O importante agora é salvar o país, retirá-lo da estagnação e do retrocesso e reconstruir as instituições econômicas e políticas do país que foram arrasadas.

Precisamos, isto sim, de um contragolpe.  Ela grita “pega ladrão” para que o ladrão de verdade possa se evadir.  Não vai dar certo.

 

Convenção Nacional do PSDB.  Um novo e imenso desafio.

 

 

Neste domingo se realiza a Convenção Nacional do PSDB convocada para a eleição da nova direção partidária nacional. O Diretório já está formado pela existência de apenas uma chapa concorrente e a Comissão Executiva será, em grande parte, a repetição da atual, comandada por Aécio Neves.  Cumpre-se assim o ritual conforme os estatutos que nos regem.

No entanto, ainda que a Convenção em si não vá trazer nada de novo, ela se realiza em um momento de excepcional gravidade na vida política do país: apenas seis meses da posse do novo/velho governo, presidido novamente por Dilma Rousseff e Michel Temer, ele dá sinais eloquentes de debilidade e caducidade.

O governo perdeu a governabilidade, isto é, perdeu a capacidade de implementar quaisquer políticas que possam superar a grave crise econômica por que passa o país e perdeu a capacidade de agregar forças e vontades políticas para obter respaldo no Congresso Nacional e retomar o crescimento econômico.

A sociedade brasileira exprime a todo o momento e por diversas maneiras o seu desencanto e o seu repúdio ao governo recentemente eleito.  O resultado desse sentimento se expressa em todas as instituições políticas e nas organizações em que o povo se representa e se articula, em especial no Congresso Nacional.  Nessas condições o país é ingovernável.

É nesse quadro que a nova direção do PSDB será eleita.  É ela que terá de enfrentar o novo e imenso desafio.

Ainda que tivéssemos previsto as enormes dificuldades que teria a dupla Dilma/Temer se eleita fosse, e alertávamos para isso insistentemente – o que era entendido por muitos como ameaça eleitoreira – ninguém poderia imaginar o grau de desgaste do governo que iniciou o seu mandato, face à realidade que agora se verifica tanto no campo da economia quanto no campo das instituições políticas e da administração pública, degradadas moral e administrativamente pela ação dos governos petistas.

Dilma perdeu a credibilidade e, pior, o respeito que é devido a um governante.  Passou a ser ridicularizada, como nunca antes foi um presidente em nosso país.

Isso traz para nós, o principal partido de oposição, que apesar de ocupar apenas 10% de cadeiras no Congresso Nacional vem cumprindo honrosamente o seu papel, um novo desafio: como articular a transição – que já parece inevitável –  para superar, antes das eleições programadas para 2018, o vazio de governo e de comando do país, respeitadas a Constituição e as leis vigentes?

Duas hipóteses se apresentam.

A primeira seria dar início a um processo de impeachment da presidente, com base nos elementos que dia a dia vão mostrando que o exercício do seu cargo tem se desenrolado com o descumprimento da legislação, o que caracterizaria crime de responsabilidade.  Ainda mais se constata o seu envolvimento, no mínimo por omissão, nas graves ações de agentes públicos em crimes contra o poder público.

A segunda é dar andamento e suporte com provas – que são cada vez mais eloquentes, do uso de dinheiro de propinas obtidas pelo saque de recursos públicos para abastecer a campanha eleitoral do PT – ao processo no Supremo Tribunal Eleitoral para que se julgue a forma pela qual ela e o seu vice chegaram à vitória eleitoral, o que poderia levar à perda dos mandatos dos empossados.

Na primeira hipótese o impedimento atingiria apenas a figura do presidente, e o vice assumiria.  Na segunda a cassação atingiria a ela e ao seu vice, e eleições diretas seriam convocadas pelo presidente da Câmara dos Deputados no exercício da presidência da República.

Entendo a segunda hipótese a mais justa e coerente.  O vice Michel Temer e seu partido fazem parte, há anos, do comando do governo Dilma, e no processo eleitoral se beneficiaram, como ela e o PT, seja por ação ou conivência, das mesmas ilegalidades e imoralidades cometidas.  Não seria aceitável que ela perdendo o cargo ele assumisse a presidência.  Faltar-lhe-ia legitimidade para superar a ingovernabilidade atual e enfrentar os desafios da crise em que vivemos.

A solução constitucional e política é a convocação de novas eleições para a eleição do presidente e do vice.  Uma tarefa a ser enfrentada pela nova direção do PSDB.

Dilma não respeita os delatores.  E nós não a respeitamos mais.

 

Dilma Rousseff ultrapassou os limites da razoabilidade em suas declarações públicas.  Está mais perdida do que cachorro que caiu da mudança.  Fazer a comparação entre a delação premiada de alguns criminosos para diminuir a pena a que estão sujeitos e a delação que era imposta, sob tortura, aos presos políticos da ditadura é inominável.

A delação premiada é matéria de uma lei que foi sancionada pela presidente Dilma Rousseff.  Faz parte do arcabouço legal e é para ser utilizada – dentro de regras estabelecidas lei – para incentivar criminosos a confessar seus crimes e a contar tudo o que sabem.  Tem sido muito útil e é responsável pelo sucesso das investigações sobre a corrupção no governo petista.

A tortura praticada pela ditadura para obter confissões não é autorizada em nenhum texto legal.  Pelo contrário, a tortura é um crime e foi utilizada largamente durante o período ditatorial.

A delação premiada é uma ferramenta da democracia.  A tortura é ferramenta da ditadura.  Em nada se assemelham.

Delatores que se envolveram em crimes não precisam ser respeitados.   Delatores que fazem a delação premiada são criminosos, réus confessos.  Porque haveríamos de respeitá-los? Querem evitar penas pesadas e, se possível, manter uma parte do patrimônio.  Falam a verdade porque isso agora lhes interessa.  Menos mal para o país.

Quanto aos delatores que foram produto da tortura do regime ditatorial, eles têm, ao menos, nossa compreensão. Queriam preservar a vida.

Esses empresários delatores que Dilma diz que não respeita eram, até bem pouco tempo, seus interlocutores, se não amigos.  Forneciam-lhe os recursos para as suas campanhas e alimentavam com carinho o seu Partido.

Por isso nós não a respeitamos e julgamos que não tem mais condições de manter no país um mínimo de governabilidade.

Fica também, cada vez mais claro, o papel que seu mentor, o Lula, tem tido desde o início do período petista. É o grande articulador, o cabeça, o motor da manutenção do PT no poder e da tentativa de seguir comandando algumas décadas mais.

Não vai dar.  Chegaram ao fundo do poço.  Não são nem mais uma pálida sobra do que foram.  Perderam tudo de bom que poderiam apresentar.

Cabe-nos organizar uma frente para reconstruir o país.  Quando mais cedo, melhor.

O governo do PT em estado terminal.

Delator será ouvido em ação que investiga campanha de Dilma

  • O presidente da construtora UTC, empresário Ricardo Pessoa, que está preso em CuritibaO presidente da construtora UTC, empresário Ricardo Pessoa, que está preso em Curitiba

Brasília – O dono da empreiteira UTC, Ricardo Pessoa, será ouvido pela Justiça Eleitoral para esclarecer se a campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff no ano passado foi beneficiada pelo esquema de corrupção e cartel na Petrobras.

Pessoa é um dos delatores da Operação Lava Jato e disse em depoimento à Procuradoria-Geral da República que repassou R$ 750 mil ao tesoureiro da campanha presidencial de Dilma Rousseff em 2010, José de Filippi, e outros R$ 2,9 milhões ao ex-tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, que está preso preventivamente.

Ele entregou uma planilha intitulada “pagamentos ao PT por caixa dois” em que relaciona os dois petistas ao repasse de 3,6 milhões entre 2010 e 2014.

A oitiva de Pessoa foi autorizada no dia 23 pelo corregedor-geral eleitoral João Otávio de Noronha, que é relator no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de uma ação de investigação judicial eleitoral da campanha à reeleição de Dilma em 2014. A ação foi protocolada no TSE em dezembro de 2014 a pedido da coligação pela qual o senador Aécio Neves disputou as eleições presidenciais, liderada pelo PSDB, e pede apuração de “abuso do poder econômico e político” e “obtenção de recursos de forma ilícita” da campanha petista.

O empreiteiro será ouvido após citar repasses para o PT e por ter sido mencionado por outras testemunhas da investigação eleitoral. Na planilha que Pessoa entregou aos investigadores são citados também os ministros da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva, da Casa Civil, Aloizio Mercadante. Pessoa será chamado a esclarecer um suposto beneficiamento da campanha de Dilma pelo esquema que desvio recursos da Petrobras.

O acordo de delação firmado por Pessoa com a Procuradoria-Geral da República foi homologado na quinta-feira passada pelo ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal. A contribuição premiada poderá ser usada para reforçar indícios de participação dos suspeitos no esquema ou ainda para a abertura de novos inquéritos.

O depoimento de Pessoa está marcado para o dia 14 de julho no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo. O empreiteiro reside na capital paulista, onde cumpre prisão domiciliar determinada pelo Supremo Tribunal Federal. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O Brasil que revolta

“O Ministério Público Federal em São Paulo denunciou ontem à Justiça sete ex-agentes e ex-funcionários do Destacamento de Operações de Informações (DOI) do II Exército, na capital paulista, pela morte do metalúrgico Manoel Fiel Filho em 1976. Ligado na época ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) ele foi detido e torturado nas dependências da polícia política do regime militar poucos meses após o jornalista Vladimir Herzog ter sido morto no mesmo local.”

Esta matéria foi publicada no Estadão no dia de ontem. 39 anos depois do assassinato. Cerca de 30 anos após a saída do último presidente/general da ditadura e de 27 anos após a promulgação da atual Constituição Federal.

O “crime” cometido por Manoel Fiel Filho foi distribuir o “Voz Operário”, jornal oficial do PCB, partido que vivia na clandestinidade e se opunha à ditadura, mas rejeitava qualquer forma de luta armada ou de ações terroristas.

Eu era, na época, deputado estadual pelo MDB, e líder do partido na Assembleia Legislativa. Chegamos a fazer a denúncia do crime, pessoalmente, poucos dias depois, ao então presidente Geisel, em um evento no Palácio dos Bandeirantes quando o governador era Paulo Egídio Martins.

Parece piada, mas é triste. Décadas depois dos acontecimentos, décadas depois da redemocratização, décadas depois da “Constituição cidadã”, só agora o MP faz a denúncia e pede à Justiça o início do processo contra os agentes públicos.

Como alguém pode compreender que as nossas instituições possam funcionar dessa forma?  Não é a toa que existe absoluta descrença do nosso povo a respeito das leis, dos políticos em geral e de nossa Justiça.

Dá vontade de explodir tudo e começar tudo de novo. Me deem o direito a esse sentimento de revolta.

Lula está certo mas tenta tirar o dele da reta

 

Lula sabe o que está falando: “o PT está velho, viciado em poder, apegado a cargos, empregos, vitórias eleitorais, perdeu sua capacidade de gerar sonhos e utopias, não mobiliza mais as multidões, a não ser em troca de dinheiro, se afastou da juventude e hoje está diante de uma encruzilhada”. Ele disse tudo.

Sim, eu já escrevi sobre isso.  É o fim de uma era. De certa forma é uma tristeza vermos um partido que juntou muita gente boa, com entusiasmadas esperanças de poder construir um país melhor, ter se tornado a escória da política, no mesmo saco com o que sobrou do PMDB, outrora uma bandeira de progresso e mudança, e com o PP, refugo dos sobreviventes que apoiaram a ditadura.

É por isso que chora o Lula, visivelmente deprimido.  Em resumo seu partido só objetiva dinheiro e poder.  E poder para fazer dinheiro.  Perdido o poder, perderá o dinheiro.  E será, se puder se reinventar, ainda um partido de respeito, mas não o do passado pois se supõe que que tenha aprendido alguma coisa nesses longos anos de comando do governo federal.

A pergunta que clama é: o Lula não tem nada a ver com esse infausto destino do seu partido?  Não foi ele que o liderou na conquista da presidência da República? Não foi ele o comandante todo poderoso no seu governo?  Não viu, nem ouviu, o que todos nós estávamos vendo e ouvindo, isto é, o processo de apodrecimento do partido, do governo e dele mesmo?  Quer tirar o dele da reta?

Com todo esse arroubo de pretensa honestidade ele não deveria fazer um mea culpa, uma auto crítica?  Ou será que os responsáveis são o José Dirceu, o Genoino, o Vaccari e agora também a Dilma?

Já que a retirada deles – o PT –  é inevitável, que o façam se conturbar ainda mais o país.  Quanto mais cedo, melhor para o Brasil. Já estamos sofrendo muitos pelo caos que eles instalaram na nossa vida econômica e política.  Aí o Lula poderia ter um papel que o redimiria, em parte, dos seus desatinos.

 

 

O fundo do poço ainda está longe

 

É com angústia que acompanhamos, todos os dias, as notícias sobre a economia nacional e sobre os mais diversos setores da vida brasileira que impactam a todos nós.

Ainda que tudo que acontece tenha sido, de uma certa forma, previsto e anunciado durante a última campanha eleitoral, é desolador perceber-se que o quadro é muito mais grave e crítico do que se supunha e se dizia.  Afinal não está em jogo, como prioridade, a certificação do que já anunciávamos.  Isso importa menos, é só uma carta na disputa política.  Prioritária é a vida de milhões de brasileiros que dependem para viver de empregos, salários e um governo que possa atender às demandas das suas necessidades vitais.

Não há, pois, em nossa manifestação, qualquer ponta de alegria, de satisfação, por acertarmos nas nossas análises sobre o passado e sobre o duro futuro a ser enfrentado em nosso país.  Era preferível estarmos errados e podermos encontrar o nosso caminho adequado na busca de um discurso para os próximos embates eleitorais.

Não chegamos, infelizmente, ao fundo do poço.  O país vai de mal a pior, e piorando a cada momento.  O mercado formal de empregos registrou em maio o pior índice dos últimos 23 anos.  O mês fechou com resultado negativo de 115 mil vagas, enquanto em maio de 2014 haviam sido criadas 59 mil vagas.   No acumulado do ano de 2015 já foram fechadas 254 mil vagas, que é o pior resultado desde 2002.  O resultado é dramático na indústria de transformação, que é o motor de qualquer economia pujante: foram fechadas 61 mil vagas.

Já em abril o emprego na indústria apontou uma queda de 5,4% na comparação com igual mês de 2014.  São 43 meses de queda ininterrupta.

A inflação, a cada mês, se mostra mais forte.  Anualizada se aproxima de 9% ao ano.  Ela está corroendo os ganhos dos trabalhadores e, com isso a folha de pagamentos da indústria, em valores reais, vem registrando queda, aliás desde janeiro de 2014.  O índice de atividade da economia, o IBC-Br, que o Banco Central divulga mensalmente, mostrou em abril em relação a março uma retração de 0,84%, atingindo o menor patamar em 3 anos e acumulando perdas de 2,23% nos 4 meses do ano.

Estoques altos na indústria, baixos índices de confiança, piora do mercado de trabalho, inflação crescente, tudo isso leva os economistas a estimar que o PIB caia 2% em 2015.  Como o crescimento da população é um índice que se aproxima de 1% ao ano, a queda do PIB per capita estará próxima a 3%.  A expectativa é que em 2016 o crescimento do PIB seja 0%.  Ou seja, o Brasil não parou, anda para trás.

Além de tudo isso, o que se observa na área política/econômica – e policial – não anima qualquer previsão de melhora do quadro econômico: grandes empresários processados por corrupção, investimentos públicos restringidos pela questão fiscal, investimentos privados represados pela insegurança do quadro econômico, programas governamentais que não saem do papel pela incrível incapacidade de gestão do governo federal.  E o Congresso Nacional, sob a liderança do PMDB aliado da Dilma fazendo as maiores estripulias possíveis.

As grandes dificuldades que se apresentam levaram a credibilidade da presidente, sob ameaça de processos judiciais e políticos em várias frentes, à níveis  (baixos) nunca imaginados, o que alimenta a crise e é por ela alimentada.  Um circulo vicioso.

Não se vê ainda uma luz no fim do túnel, ou o fundo do poço.  O quadro ainda deve piorar, antes que haja uma estabilização da situação e se possa almejar voltar a crescer.

O fracasso da administração petista e as suas consequências são um desastre para o país e causaram danos profundos e duradouros, maiores do que se imaginava.

O estelionato eleitoral que ela pratica, sem qualquer reconhecimento de seus erros e mentiras é, de fato, necessário.  Mas nem assim se pode ter muita ilusão de que vamos sair dessa em pouco tempo.  Mesmo com os custos imensos que o nosso povo já está pagando.

 

 

Confissão de Arno Augustin comprova o crime de responsabilidade de Dilma e o uso ilegal das instituições

 

No último dia útil do último mês do último ano do primeiro governo de Dilma Rousseff, o seu secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, assinou um documento (nota técnica) no qual assume a responsabilidade pelas chamadas “pedaladas” fiscais, isto é, pelas manobras contábeis realizadas pelo governo para melhorar, artificial e ilegalmente, as contas públicas durante o mandato da presidente.  Elas são a razão do relatório do TCU para a rejeição das contas de 2014 da presidente.

Esse documento, elaborado pela área técnica e assumido pelo ex-secretário, tem a data posterior às ilegalidades cometidas.  É claro, meu caro Watson, como diria Sherlock Holmes, que ele não embasava os atos praticados – é posterior a eles.  Visava resguardar o ministro da Fazenda e a presidente da República, o que mostra que eles tinham consciência da ilegalidade dos seus atos e que, em algum momento, a verdade viria à tona.  O nome dado ao documento, “ratificação de procedimentos atinentes à liberação de recursos da STN (Secretaria do Tesouro Nacional)” já os condena.

Nos dois últimos parágrafos do documento, Augustin explica que cabe a ele a decisão final sobre valores que serão repassados a bancos federais e ministérios.  Diz ele: “De posse das informações preparadas pela área técnica, o Secretário do Tesouro Nacional decide o montante a ser liberado em cada item da programação financeira. Desta forma, reitero que cumpre às áreas competentes procederem na operacionalização/transferência desses recursos, posteriormente à autorização de liberação pelo secretário do Tesouro Nacional”.

Como se constata, é uma tentativa de evitar que se relacionem os atos ilegais com decisões da presidente.  Significa, no entanto que, todos eles, técnicos, secretário, ministro e presidente, sabiam perfeitamente o que estavam fazendo.  Cometendo irregularidades e procurando esconder as responsabilidades. Arno Augustin, o fiel militante petista, se dispôs a ser o bode expiatório.

Não creio que essa artimanha resolva o problema da presidente, que seja suficiente para que ela se safe das suas evidentes responsabilidades de ter se utilizado de manobras ilegais e inadequadas para realizar ações governamentais. A lei de responsabilidade fiscal não é dirigida especificamente para nenhum dos técnicos que atuam na administração pública: é focada nos próprios dirigentes máximos de cada nível de governo: prefeitos, governadores e presidentes.

A responsabilidade é da presidente, indelegável, qualquer que seja o fiel escudeiro que tente protegê-la.  Suas ações no exercício da presidência da República comprovam que usou de forma ilegal e imoral o seu mandato para obter a sua reeleição.

Ainda há tempo para o TSE julgar a impugnação que fizemos (o PSDB) quando da diplomação de Dilma e decidir pela perda de seu mandato.  Os elementos comprobatórios das ilegalidades são cada vez mais flagrantes.

A perplexidade da bancada federal do PSDB: o que fazer?

 

Hoje tivemos a convenção estadual do PSDB de São Paulo.  Chapa única, convenção traquila e entusiasmada, com discursos fortes, em especial de Geraldo Alckmin, José Serra e Aloysio Nunes.  Um aquecimento para as eleições municipais do próximo ano.

O que me chamou a atenção, na conversa com diversos deputados federais, que nas últimas semanas protagonizaram votações na Câmara dos Deputados de matérias extremamente complexas e de difícil consenso, foi a perplexidade que se apossa dos mesmos, em especial dos de primeiro mandato, diante de uma questão que assombra a todos nós que fizemos e fazemos oposição decidida e vigorosa aos governos petistas de Lula e Dilma.

Trata-se do dilema de como a oposição deve se portar diante de matérias que são propostas pelo poder executivo, contra o qual nos opomos com vigor mas que são, ou absolutamente necessárias para enfrentar a crise ( criada pelo PT, sem qualquer participação nossa ), ou são matérias de longo alcance que produzirão efeitos a médio e longo prazo para o bem ou para o mal.

Traduzindo a questão de forma simplificada e aparentemente simplista, eu afirmo que a responsabilidade do partido para com o país – e a real possibilidade de estarmos à testa do governo federal, em algum momento, nos próximos anos – o obriga a colocar os interesses do país, imediatos e mediatos, acima e além de posições que parecem, à primeira vista, mais simpáticas ao eleitorado e, portanto, sujeitas ao aplauso fácil da  população.

Reconheço que o interesse eleitoral imediato – a derrota do PT- é condição necessária para que um futuro promissor para o país possa ser enfrentado com sucesso.  Mas esses objetivos não se contradizem, pelo contrário, se complementam.  Um pensamento do PSDB coerente com seu passado, seu presente e com o que será seu futuro.

Advogo que o PSDB não é um partido que se assemelha ao PT, que na oposição procurou impedir todas as medidas e reformas que trariam melhores condições ao desenvolvimento econômico, político e social, desde que isso significasse uma conquista do governo na época, a curto ou longo prazo.  O PT optou por uma política que se contrapunha ao interesse público, mas que, momentaneamente, lhe traria benefícios eleitorais.  Oportunismo eleitoreiro que não deixou de ter suas vantagens imediatas para as eleições seguintes.

Nós do PSDB não podemos agir dessa forma.  Temos uma tarefa difícil pela frente: mostrar que não devemos defender políticas de cunho populista, de imediato efeito eleitoral, ainda que isso nos pareça necessário para derrotar o petismo no poder.  Não devemos temer enfrentar a luta política no dia a dia, esclarecendo as nossas posições, mostrando quais são os interesses públicos que defendemos.

Foi isso que pretendi transmitir aos nossos deputados e assim penso deve ser a conduta de um partido sério, honesto e verdadeiramente defensor do povo.

José Dirceu tem razão: “estamos todos no mesmo saco, eu, o Lula e a Dilma”. 

 

Dirceu está revoltado: “de que serve toda covardia que o Lula e a Dilma fizeram na ação penal 470 e estão repetindo na Lava Jato?”.  Agora que se começa a conhecer a participação dos dois, Lula e Dilma, Dirceu assume que estão todos no mesmo saco.

Está indignado. Até agora só ele pagou.

Dirceu e Dilma têm origem na luta armada contra a ditadura militar que comandou o país de 1964 até meados da década de 80.  Além do desejo do retorno das instituições democráticas, eles almejavam construir um regime socialista no Brasil. Seria um equívoco afirmar que tivessem qualquer objetivo de vantagens financeiras. Trabalharam sim, para a chegada ao poder para a consecução dos objetivos ideológicos.  Se algum resultado financeiro para algum deles se deu – e no caso da Dilma nunca se percebeu nada nessa direção, ao contrário para alguns “companheiros” – foi uma parte menor do que se coletou para as campanhas eleitorais através do saque ao setor público usando o anseio incontido do empresariado em obter lucros mais expressivos.

Do Lula, em princípio, não se tem prova de enriquecimento ilícito, mas não esqueçamos que seu filho teve, durante o seu primeiro mandato, a “felicidade” de ter parte de sua empresinha de fundo de quintal comprada a peso de ouro por uma das primeiras teles que nasceram do processo de privatização das telecomunicações, a Telemar.  Claro como o sol.

Em todo esse processo de desvendamento da corrupção no setor público, durante os governos do PT, Lula se fez de bobo: nada sabia.  Nem mesmo de onde vinha o gordo volume de dinheiro para sua campanha de 2006 nem para a campanha de Dilma em 2010.  Muitos de seus companheiros, a seu ver, são irresponsáveis, trapalhões, aloprados. Ele é a Madre Tereza de Calcutá no caso enganada e traída.

Dilma não fica atrás.  Ministro de Minas e Energia que comandou as estatais do setor, Petrobras dentre elas, Presidente do Conselho de Administração da empresa, Chefe da Casa Civil do governo Lula e, finalmente, presidente da República, também  nada sabia.

Contudo a mentira tem pernas curtas.  Em entrevista a um canal francês de TV, Dilma diz que o escândalo se refere à atuação de um grupo restrito da alta cúpula da estatal: “a Petrobrás tem mais de 30 mil empregados e são cinco os envolvidos”.  Cinco apenas. Só cinco!  Esqueceu de dizer que são os diretores e gerentes mais importantes, os que decidem de fato.

Sem se dar conta da besteira que fala, mais uma dentre as centenas que já despejou, Dilma afirma que demitiu, no início de seu primeiro mandato, pessoas envolvidas no escândalo. Ora, se eram envolvidas em escândalo, ela tomou conhecimento da sua existência e de que fizeram os “malfeitos”, como gosta de se referir à corrupção.  E que atitude tomou, além da demissão?

Ao se dar conta da confissão, retifica em outra entrevista: ”não porque eram suspeitos mas porque eles não faziam parte dos membros da equipe em que eu confio”.

Não foi por corrupção, foi porque não faziam parte dos membros da sua equipe?  Nos poupe, presidente.  Mais fala, mais se enrola.

Quanto hipocrisia.  E quanta covardia, atira José Dirceu.

Assim não dá, não é Dilma?  O Zé ( Dirceu ) tem razão.

FHC chama o PSDB para um “freio de arrumação”

 

 

Em artigo no Estadão de domingo, “0 ponto a que chegamos”, o ex presidente Fernando Henrique faz uma lúcida análise dos anos de governo do PT e chama a atenção do PSDB para exercer o papel de “apontar os caminhos para superar” os desastres provocados pelos 12 anos de comando petista.

Fazendo uma retrospectiva, FHC afirma que nos últimos anos não houve uma guinada para a esquerda. Ela foi para o despropósito, porque o que havia sido penosamente reconstruído na década de 1990, “perdeu-se por desmesura, pois depois do governo perder o rumo, perdeu o limite da prudência na dosagem” de suas ações, tanto no período Lula, quanto no primeiro mandato de Dilma.

Após um início de governo petista, no qual se respeitaram as bases econômicas lançadas em seu governo, FHC afirma que surgiu a dita “nova matriz econômica” substituindo a visão do governo do PSDB, social-democrata, que entendia que “o bom governo, para atender ao longo do tempo às demandas sociais, requer previsibilidade na condução das políticas econômicas”.

A isso se associou a erosão do “presidencialismo de coalização” e do bom senso na economia, dando lugar ao “presidencialismo de cooptação”, o que significou que o PT e os aliados puderam ter uma penetração cada vez maior na máquina governamental e na participação nos contratos públicos.  Daí o que já conhecemos nas suas ações em benefício próprio e de agentes econômicos que a eles se associaram.

FHC conclui que “não houve apenas roubalheira, mas uma visão política e econômica equivocada, desatenção ao bê-á-bá do manejo das finanças públicas e erros palmares da política setorial”.

O ex-presidente avalia o que se cobra das oposições: o que fazer?  Dizer que “quem pariu Mateus que o embale”, não é aceitável porque “o Brasil não é do governo ou da oposição.  E conclui: “ela ( a oposição ) não deve escorregar para o populismo, e sim apontar caminhos para superar os problemas” que o país enfrenta.

Eis o que chamo de “freio de arrumação”.

As palavras ponderadas do ex-presidente devem ser absorvidas e incorporadas pelo PSDB, que não pode se eximir de realizar o debate interno e com a sociedade.

Ao mesmo tempo em que nós denunciamos os responsáveis pelo desastre que se abate sobre o país e condenamos a obsessão do PT em permanecer no poder, quaisquer que sejam os meios usados para tanto, devemos lembrar, como diz FHC: “a oposição de hoje será o governo amanhã” e eu complemento que o nosso papel como partido político é apontar transformações que possam trazer ao povo brasileiro a esperança de dias melhores.

Bem vindo o ex-presidente ao debate franco e aberto.  Internamente no seu partido e perante a sociedade brasileira

A reforma política que não houve.

 

Na semana passada votaram-se na Câmara dos Deputados  vários textos que não fizeram avançar nem um milímetro a desejada reforma de regras para a consolidação do processo democrático.  Felizmente a mais danosa das propostas– o distritão – foi derrotada, a despeito das manobras do presidente da Câmara, Eduardo Cunha que, no entanto, conseguiu impedir a aprovação da proposta, correta, de extinção da coligação de partidos nas eleições proporcionais, e evitar o estabelecimento de uma cláusula de barreira para impedir a existência de partidos que não tem votos, nem representam coisa alguma.  Negociou com os partidos nanicos o apoio ao distritão e deu com os burros n’água.  Menos mal.  Mas conseguiu, com sua conduta, derrotar propostas essenciais para dar plena legitimidade ao Congresso Nacional e melhorar as nossas instituições políticas, que dariam ao sistema eleitoral uma representatividade mais de acordo com a vontade da sociedade.

A proposta de extinção do instituto da reeleição para os cargos majoritários foi aprovada, sem que se estabelecesse o período de mandato dos eleitos.  Fala-se no mandato de 5 anos, a meu ver longo demais para buscar a vontade popular.  A reeleição, também a meu ver, era um avanço institucional. Infelizmente, o PT, especialmente na última eleição presidencial, conseguiu desmoralizá-la pela atuação do PT e da presidente Dilma que, sem quaisquer limites, se utilizaram do poder para a manutenção do comando do governo.  Eu preferiria que o processo eleitoral tivesse sanções mais duras pelo uso indevido do governo no processo eleitoral e fosse mantido o princípio da reeleição.  Não foi o que ocorreu.

Outra questão abordada foi o financiamento das campanhas.  Foi aprovada a possibilidade de aporte de recursos de pessoas jurídicas para o financiamento dos partidos.  Um equívoco pois, na minha opinião, pessoa jurídica não deve participar do processo eleitoral.  O embate político é entre partidos e no seio da sociedade civil.  Empresas e entidades privadas de todo tipo têm seus objetivos e interesses próprios, não devem influir sobre quem tem a responsabilidade de dirigir o país.

Na próxima semana teremos novos embates.  Dentre eles a proposta de  coincidência de todas as eleições no país: municipais, estaduais e federais.  Uma aberração que precisa ser evitada para que as questões municipais não sejam deixadas em segundo plano diante dos problemas de ordem nacional.  Eleições sempre fazem bem, e o povo deve se pronunciar, dentro de períodos de tempo adequados, e para cada função dirigente, de maneira a poder avaliar conscientemente quem tem a responsabilidade de governar.

Mais uma dela.  É uma capacidade sem fim.

A presidente Dilma Rousseff se queixou das restrições que tem, durante entrevista no México: “A vida fica muito ruim com abstinência total de bebidas alcoólicas. Como eu poderia, originária do nosso país, defender que não se pode tomar uma caipirinha? Faz parte da saúde também, a alegria”. Em discurso no Palácio Nacional, Dilma elegeu a tequila e a cachaça como símbolos da relação entre o Brasil e o México.

Leiam bem o que ela diz e vejam se isso é próprio de um Presidente da República.

Claro, não é drama nenhum tomar um bebidinha aqui ou ali, com uma dose de álcool.  Porém dizer que a vida ficaria muito ruim sem ela é um disparate.  E não é pelo fato de nós produzirmos a cachaça, a “pinga”, que conhecemos, que a presidente deve fazer a apologia do produto. Muito menos dizer que provoca um pouco de alegria que melhora a saúde do povo.   É demais.

Acredito que ela poderia encontrar melhores símbolos da relação entre o nosso país e o México.  Por exemplo a luta comum dos nossos povos, e de todos da América Latina, para superar o atraso.

De certa forma ela quis fazer uma graça.  Ser jocosa, ao estilo do  Lula.  Mas convenhamos, não tem a bossa do seu criador.

 

 

Para rir e para chorar

 

No meio desta noite insone, leio duas notícias, uma para rir, outra para chorar.

Para rir: no México Dilma minimizou o esquema de corrupção da Petrobras ao dizer que apenas quatro dos 90 mil funcionários da empresa estão sendo acusados. É o que ela disse: “apenas 4”. Faltou dizer que os quatro eram os diretores e gerentes que comandavam a empresa.  Estão presos.  Não é para rir?

Para chorar: na votação do distritão, que seria o tiro fatal na tão medíocre e nascente democracia brasileira, felizmente derrotado, o PSDB deu 26 votos contra e 21 a favor.  Uma bela demonstração de unidade e de organização partidária!  Para um partido que se diz arauto da democracia e se pretende apto a governar, não é para chorar?

Distritão, a mais grave tentativa de se atingir a democracia.

 

 

Está em gestação no Congresso Nacional a mais grave tentativa de atingir a democracia no que ela tem de característica essencial, no seu coração: a existência e funcionamento dos partidos políticos.

Nem mesmo a ditadura militar teve a coragem de sustentar um regime sem partidos.  Após o golpe de 1964 criou a ARENA e incentivou a formação do MDB, ainda que imaginados sob o controle dos militares.  No entanto foi a existência do MDB que permitiu a formação de um embrião que veio a ser, anos depois, o instrumento de derrubada da ditadura.

Qual o instrumento proposto por alguns líderes que nunca tiveram qualquer apreço verdadeiro pela democracia: o distritão, isto é, em cada Estado se elegem os deputados mais votados, que preenchem todas as cadeiras, sem qualquer vinculação com os partidos políticos.  Esses, no máximo, vão apresentar listas de candidatos, mas o voto que hoje é computado para o candidato e também para o partido passa a ser apenas para o candidato.  Se alguém quiser votar apenas no partido, sem escolher candidato determinado, não poderá fazê-lo.  Vale dizer nenhum deputado terá que se submeter às decisões coletivas de seu partido, passando a ser o mandato sua propriedade exclusiva.

Em qualquer democracia no mundo a democracia se realiza através dos partidos, com todos os seus defeitos e virtudes.  Assim se dá a formação dos gabinetes nos sistemas parlamentaristas e se dá a formação da maioria nos sistemas presidencialistas.  É através dos partidos que se identificam programas de governo, projetos de sociedade e projetos de país.  O chamado distritão faz com que os deputados tenham compromisso apenas com si mesmo, não tenham a obrigação de ter ou responder por qualquer projeto de interesse do país.

O distritão acaba, numa só penada, com os partidos políticos.

O distritão é o aperfeiçoamento do autoritarismo que supúnhamos já superado e deixará os prefeitos, govenadores e presidentes eleitos ainda mais reféns dos parlamentares mais votados, com os quais terá de se haver, um a um.  Assim se chegará ao nível máximo possível do fisiologismo.

Quando a gente pensa que nada pode ser pior do que o sistema hoje em vigor no Brasil, passamos a saber que as coisas ainda podem piorar.  Do jeito que pretendem reformar menos mal será manter o que já existe.

Só espero que o meu partido, o PSDB vote, unânime, contra essa aberração que põe em risco todas as conquistas políticas das últimas décadas.

 

Mercadante, o aloprado símbolo do governo Dilma.  Pobre povo brasileiro!

Aloysio Mercadante é a figura mais simbólica do que se tornou o PT.  Já nos tempos em que foi parlamentar e líder da oposição, durante o governo FHC, era grosseiro, arrogante e gostava de fazer discursos caracterizados pela citação, em alta velocidade, de números e mais números, de forma que ninguém tivesse qualquer possibilidade de refutá-lo no correr da fala.  Era sua demonstração de erudição e de inteligência superior.  Com o tempo foi perdendo a credibilidade.

Nas eleições de 2006 quando foi candidato à Governador de São Paulo, em um pleito em que, desde o começo, era visível e fatal a sua derrota para o candidato José Serra, protagonizou um dos maiores espetáculos de falta de escrúpulos da história paulista: montou ( na minha opinião com a participação de Lula ) uma operação desesperada e desastrosa de compra de um dossiê montado por um grupo criminoso para tentar envolver Serra na que foi chamada a “máfia das ambulâncias”, que teria existido durante o período de Serra no Ministério da Saúde.  Seus acólitos foram pegos, pela PF, em um hotel da cidade, com as malas de dinheiro para comprar o documento.  Em função dos péssimos resultados da operação – a pá de cal em sua candidatura – receberam, ele e seus subordinados, a alcunha de “aloprados” dada pelo próprio Lula, não pela operação em si, mas pela incompetência em sua realização.

Quando parlamentar sua característica mais evidente era a da denúncia de quem quer que fosse citado como suspeito por atos irregulares e foi crítico duro da política econômica do governo FHC.  Uma vez,  numa reunião da Comissão de Orçamento do Congresso, que eu presidi, ele acusou o então ministro da Fazenda Pedro Malan de estar, no momento, usando uma caneta luxuosa, que seria uma “Mont Blanc”, como se fosse um crime, segundo ele, “enquanto a situação do nosso país era muito ruim”.  Viu-se depois que a caneta era uma desses brindes comerciais.  No mínimo ridículo.

Pois esse cidadão passou a ser Chefe da Casa Civil no governo Dilma Rousseff.  Nada mais justo. Os dois se acham gênios, mais capazes e mais inteligentes e cultos que quaisquer outros cidadãos.  E ela, parece, o adora.

A última dele, há poucos dias, após a magra vitória que o governo teve na aprovação de mudanças na legislação do seguro desemprego, foi a seguinte afirmativa: “É evidente que quem vota no governo, quem sustenta o governo…tem prioridade nas indicações do segundo escalão”. “Aqueles que querem colaborar serão privilegiados”.

Mercadante está tão fora de si que nem percebeu a gravidade da frase que pronunciou.  Apenas falou o que pensa, como se não tivesse responsabilidades institucionais.  Então não se escolhe pessoas para o governo pela sua formação, pela sua experiência, pela sua competência, pela sua capacidade de exercer a função que vai ocupar, pelo seu compromisso com o interesse público?  Isso tudo é secundário?  Escolhe-se tão somente através da indicação de algum político que no Congresso dê o voto que o governo deseja?  Esse é o método do ministro-aloprado.

Dilma abriu mão de governar.  Não manda mais nada.  Está submetida aos Mercadantes e Temers da vida.  O que lhe interessa é tão somente  sobreviver até o fim do seu mandato.  Assim será difícil.

Triste fim de uma ex revolucionária.   E triste a situação do povo brasileiro na mão dessa gente.