Mais uma dela.  É uma capacidade sem fim.

A presidente Dilma Rousseff se queixou das restrições que tem, durante entrevista no México: “A vida fica muito ruim com abstinência total de bebidas alcoólicas. Como eu poderia, originária do nosso país, defender que não se pode tomar uma caipirinha? Faz parte da saúde também, a alegria”. Em discurso no Palácio Nacional, Dilma elegeu a tequila e a cachaça como símbolos da relação entre o Brasil e o México.

Leiam bem o que ela diz e vejam se isso é próprio de um Presidente da República.

Claro, não é drama nenhum tomar um bebidinha aqui ou ali, com uma dose de álcool.  Porém dizer que a vida ficaria muito ruim sem ela é um disparate.  E não é pelo fato de nós produzirmos a cachaça, a “pinga”, que conhecemos, que a presidente deve fazer a apologia do produto. Muito menos dizer que provoca um pouco de alegria que melhora a saúde do povo.   É demais.

Acredito que ela poderia encontrar melhores símbolos da relação entre o nosso país e o México.  Por exemplo a luta comum dos nossos povos, e de todos da América Latina, para superar o atraso.

De certa forma ela quis fazer uma graça.  Ser jocosa, ao estilo do  Lula.  Mas convenhamos, não tem a bossa do seu criador.

 

 

Para rir e para chorar

 

No meio desta noite insone, leio duas notícias, uma para rir, outra para chorar.

Para rir: no México Dilma minimizou o esquema de corrupção da Petrobras ao dizer que apenas quatro dos 90 mil funcionários da empresa estão sendo acusados. É o que ela disse: “apenas 4”. Faltou dizer que os quatro eram os diretores e gerentes que comandavam a empresa.  Estão presos.  Não é para rir?

Para chorar: na votação do distritão, que seria o tiro fatal na tão medíocre e nascente democracia brasileira, felizmente derrotado, o PSDB deu 26 votos contra e 21 a favor.  Uma bela demonstração de unidade e de organização partidária!  Para um partido que se diz arauto da democracia e se pretende apto a governar, não é para chorar?

Distritão, a mais grave tentativa de se atingir a democracia.

 

 

Está em gestação no Congresso Nacional a mais grave tentativa de atingir a democracia no que ela tem de característica essencial, no seu coração: a existência e funcionamento dos partidos políticos.

Nem mesmo a ditadura militar teve a coragem de sustentar um regime sem partidos.  Após o golpe de 1964 criou a ARENA e incentivou a formação do MDB, ainda que imaginados sob o controle dos militares.  No entanto foi a existência do MDB que permitiu a formação de um embrião que veio a ser, anos depois, o instrumento de derrubada da ditadura.

Qual o instrumento proposto por alguns líderes que nunca tiveram qualquer apreço verdadeiro pela democracia: o distritão, isto é, em cada Estado se elegem os deputados mais votados, que preenchem todas as cadeiras, sem qualquer vinculação com os partidos políticos.  Esses, no máximo, vão apresentar listas de candidatos, mas o voto que hoje é computado para o candidato e também para o partido passa a ser apenas para o candidato.  Se alguém quiser votar apenas no partido, sem escolher candidato determinado, não poderá fazê-lo.  Vale dizer nenhum deputado terá que se submeter às decisões coletivas de seu partido, passando a ser o mandato sua propriedade exclusiva.

Em qualquer democracia no mundo a democracia se realiza através dos partidos, com todos os seus defeitos e virtudes.  Assim se dá a formação dos gabinetes nos sistemas parlamentaristas e se dá a formação da maioria nos sistemas presidencialistas.  É através dos partidos que se identificam programas de governo, projetos de sociedade e projetos de país.  O chamado distritão faz com que os deputados tenham compromisso apenas com si mesmo, não tenham a obrigação de ter ou responder por qualquer projeto de interesse do país.

O distritão acaba, numa só penada, com os partidos políticos.

O distritão é o aperfeiçoamento do autoritarismo que supúnhamos já superado e deixará os prefeitos, govenadores e presidentes eleitos ainda mais reféns dos parlamentares mais votados, com os quais terá de se haver, um a um.  Assim se chegará ao nível máximo possível do fisiologismo.

Quando a gente pensa que nada pode ser pior do que o sistema hoje em vigor no Brasil, passamos a saber que as coisas ainda podem piorar.  Do jeito que pretendem reformar menos mal será manter o que já existe.

Só espero que o meu partido, o PSDB vote, unânime, contra essa aberração que põe em risco todas as conquistas políticas das últimas décadas.

 

Mercadante, o aloprado símbolo do governo Dilma.  Pobre povo brasileiro!

Aloysio Mercadante é a figura mais simbólica do que se tornou o PT.  Já nos tempos em que foi parlamentar e líder da oposição, durante o governo FHC, era grosseiro, arrogante e gostava de fazer discursos caracterizados pela citação, em alta velocidade, de números e mais números, de forma que ninguém tivesse qualquer possibilidade de refutá-lo no correr da fala.  Era sua demonstração de erudição e de inteligência superior.  Com o tempo foi perdendo a credibilidade.

Nas eleições de 2006 quando foi candidato à Governador de São Paulo, em um pleito em que, desde o começo, era visível e fatal a sua derrota para o candidato José Serra, protagonizou um dos maiores espetáculos de falta de escrúpulos da história paulista: montou ( na minha opinião com a participação de Lula ) uma operação desesperada e desastrosa de compra de um dossiê montado por um grupo criminoso para tentar envolver Serra na que foi chamada a “máfia das ambulâncias”, que teria existido durante o período de Serra no Ministério da Saúde.  Seus acólitos foram pegos, pela PF, em um hotel da cidade, com as malas de dinheiro para comprar o documento.  Em função dos péssimos resultados da operação – a pá de cal em sua candidatura – receberam, ele e seus subordinados, a alcunha de “aloprados” dada pelo próprio Lula, não pela operação em si, mas pela incompetência em sua realização.

Quando parlamentar sua característica mais evidente era a da denúncia de quem quer que fosse citado como suspeito por atos irregulares e foi crítico duro da política econômica do governo FHC.  Uma vez,  numa reunião da Comissão de Orçamento do Congresso, que eu presidi, ele acusou o então ministro da Fazenda Pedro Malan de estar, no momento, usando uma caneta luxuosa, que seria uma “Mont Blanc”, como se fosse um crime, segundo ele, “enquanto a situação do nosso país era muito ruim”.  Viu-se depois que a caneta era uma desses brindes comerciais.  No mínimo ridículo.

Pois esse cidadão passou a ser Chefe da Casa Civil no governo Dilma Rousseff.  Nada mais justo. Os dois se acham gênios, mais capazes e mais inteligentes e cultos que quaisquer outros cidadãos.  E ela, parece, o adora.

A última dele, há poucos dias, após a magra vitória que o governo teve na aprovação de mudanças na legislação do seguro desemprego, foi a seguinte afirmativa: “É evidente que quem vota no governo, quem sustenta o governo…tem prioridade nas indicações do segundo escalão”. “Aqueles que querem colaborar serão privilegiados”.

Mercadante está tão fora de si que nem percebeu a gravidade da frase que pronunciou.  Apenas falou o que pensa, como se não tivesse responsabilidades institucionais.  Então não se escolhe pessoas para o governo pela sua formação, pela sua experiência, pela sua competência, pela sua capacidade de exercer a função que vai ocupar, pelo seu compromisso com o interesse público?  Isso tudo é secundário?  Escolhe-se tão somente através da indicação de algum político que no Congresso dê o voto que o governo deseja?  Esse é o método do ministro-aloprado.

Dilma abriu mão de governar.  Não manda mais nada.  Está submetida aos Mercadantes e Temers da vida.  O que lhe interessa é tão somente  sobreviver até o fim do seu mandato.  Assim será difícil.

Triste fim de uma ex revolucionária.   E triste a situação do povo brasileiro na mão dessa gente.

 

 

 

Repressão para preservar a legalidade

Anos de regimes ditatoriais e autoritários nos fizeram ver as ações policiais contra manifestações como sendo atos que contrariam os princípios democráticos.  Nesses períodos em que prevaleceram leis impostas pela força, contra os direitos do povo, essa foi uma verdade quase absoluta. No entanto, quando vivemos em um regime de prevalência da legalidade, com a democracia funcionando, ainda que com as limitações que conhecemos, em que as instituições políticas – Executivo, Legislativo e Judiciário – são constituídas pela vontade popular, produto de regras estabelecidas em uma Constituição aprovada por quem de direito, a ação repressiva pode ser, ao contrário da repressão nos períodos autoritários, uma garantia do cumprimento da lei e do respeito à vontade popular e às instituições que, mal ou bem, a democracia constituiu.

Vou me referir aos recentes episódios de confronto entre a polícia do Paraná e os manifestantes que foram reprimidos com bombas de efeito moral e balas de borracha.  Abaixo apresento duas fotos, do mês de fevereiro último, da Assembleia Legislativa do Paraná, tomada pelos manifestantes que procuravam –  e conseguiram, “na marra” – evitar que a Casa legislativa decidisse projetos originários do Executivo, repudiados por aqueles manifestantes.

 

As ações desses manifestantes, sejam eles professores ou simplesmente ativistas políticos, partidários ou não, oposição ou não, agrediram os princípios democráticos ao impedir o funcionamento do Legislativo paranaense, quaisquer que sejam as razões que motivaram a invasão e a ocupação da Casa.  Os invasores não receberam a delegação popular para impor suas vontades, nem seria essa a forma pela qual eles deveriam se manifestar para mostrar sua insatisfação.  Nada, nem ninguém, lhes deu esse direito.  Direito de manifestação é uma coisa. Invasão e violência é outra.

Na última semana, algumas centenas, ou milhares, de manifestantes tentaram repetir a cena, já prevista pelo governo do Paraná que obteve autorização judicial ( dela nem precisava ) para proteger o edifício do Legislativo e possibilitar a votação de um projeto de lei que contrariava a vontades desses manifestantes.  Procuraram romper o cerco policial e foram reprimidos pelos meios que a polícia têm, que são seus únicos instrumentos de ação, já que qualquer diálogo se tornava impossível.

A ação policial, nesse caso, procurou preservar o princípio democrático de garantir ao Legislativo, legitimamente eleito, o exercício de suas funções.  Em um confronto desse tipo é sempre possível – e acontece com frequência – que policiais vão além da medida da força necessária para a consecução do seu objetivo.  E isso também aconteceu nesse episódio. Pude verificar, por vídeos expostos na TV, um policial agredindo (chutando) um manifestante caído.  Atos isolados, desnecessários e inaceitáveis. O uso exagerado das bombas de efeito moral e das balas de borracha, também se pode observar.  Não era necessário, já que a tentativa de invasão já estava frustrada. Esses abusos policiais devem ser apurados e repudiados.

No entanto, o objetivo da repressão policial foi atingido: a casa legislativa pode se manifestar e decidir nos limites do seu poder e de sua responsabilidade constitucional.

Caso típico de uma ação repressiva, ao contrário do que se costumava observar no passado, para preservar a legalidade e a democracia.

Contra a corrente

 

 Ouço e leio diversas críticas à decisão de uma turma do STF permitindo que os executivos das empresas que estavam presos, alguns há mais de 5 meses, cumpram a prisão provisória em seus domicílios.

A meu ver, essa decisão foi acertada.  Por mais que eu tenha a convicção pessoal da responsabilidade concreta deles na articulação de um cartel que, para se realizar, tenha incluído o pagamento de propinas imensas a agentes públicos, isto é, tenham participado da formação de uma quadrilha que assaltou os cofres públicos, em benefício ao PT e dos seus aliados, penso que manter alguém preso por meses, sem processo e sem julgamento, é uma afronta ao Estado de Direito Democrático.

Muitos se manifestam desiludidos com o STF por liberar, ainda que com prisão domiciliar e controlados pelas tornozeleiras eletrônicas, os investigados na Operação Lava Jato.  A indignação da população com os crimes cometidos por eles, em associação com lideranças políticas e com agentes públicos instalados nos órgãos da administração pública, é compreensível.  Mas nada justifica como forma de obter as confissões a extensão das penas de prisão provisória por tempo ilimitado.

Ministério Público e Polícia Federal têm de realizar as investigações e obter a verdade usando os instrumentos legais que preservem a dignidade das pessoas, sejam elas culpadas ou não.  Ninguém pode ter sua vida na dependência de uma opinião de qualquer autoridade, por melhor que seja a sua intenção.

Quero,  como a maioria do nosso povo, ver na cadeia os responsáveis por destruir o Estado brasileiro e destruir a esperança de milhões de brasileiros.  Mas quero também preservar os princípios democráticos vigentes, pelos quais lutei toda minha vida.  Não será minha gana de vê-los pagar pelos seus crimes que mudará minha conduta.

Aliás cito também um episódio revoltante:  na última edição da Isto É vejo na capa a figura do João Vaccari Neto, com uma chamada “ 10 anos de corrupção “.  Por mais que eu tenha a convicção de que ele é um dos principais executores do processo de corrupção que atinge todas as instituições do Estado, não aceito que haja uma execração pública, um verdadeiro justiçamento do tesoureiro do PT, que não foi julgado, nem condenado.   E, ainda que o fosse, essa destruição moral, pública, do eventual condenado, não seria aceitável.

Assim, amigos, não dá.   Assim não vamos construir uma sociedade moderna, democrática e civilizada.

PT – A destruição de um ideal

 

Acompanho, cada vez mais surpreso e estarrecido, o que vem acontecendo com as investigações feitas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal a respeito do desvio de recursos públicos para garantir a manutenção do poder por parte do PT.  Parecem não ter fim as ações criminosas reveladas, cometidas pelas principais lideranças desse partido em seu desejo incontido de manter o comando do país.

O mais impactante e surpreendente para mim que tenho origem política no pensamento e na ação dos movimentos de esquerda que recusaram o uso da luta armada para derrubar a ditadura militar/fascista que assumiu o poder após o golpe de 1964, é o grau de degradação a que chegou um partido, o PT, que se formou para construir uma sociedade socialista, humana, solidária, justa e democrática e que, após conquistar o governo através de eleições democráticas, passou a usar de todos os instrumentos possíveis, legais ou não, morais ou não, democráticos ou não, para preservar e prolongar o poder conquistado.

Sob o argumento de que estão transformando a vida, para melhor, de milhões de brasileiros, tudo passou a ser tolerado e justificado.  A estrutura do Estado brasileiro, do qual se apropriou o partido, passou a servir ao objetivo de manutenção indefinida do poder, e não só a isso.  Passou a ser a forma de viver e de usufruir a vida para centenas de seus líderes.

As últimas notícias dão conta que depoimentos de empresários – no caso o presidente e o vice presidente de uma das maiores empresas brasileiras, a Camargo Corrêa, feitos como confissão dos delitos cometidos para poder gozar de benefícios que a lei concede aos que decidem colaborar com a Justiça – reconhecem ter pago 110 milhões de reais em propinas para poder obter contratos com a Petrobras.  Os pagamentos foram feitos a um diretor da empresa – Renato Duque – indicado pelo PT e a outro – Paulo Roberto Costa – indicado por um aliado, o PP, referendado pelo PT e pelo PMDB.   Tudo operacionalizado por seus tesoureiros: no caso do PT por Delúbio Soares e, após a sua condenação, por João Vaccari Neto.

Essa é a soma fantástica que uma única empresa, entre 2007 e 2012, destinou aos partidos no poder.  Imaginem as dezenas de empresas envolvidas, as centenas de contratos, em todos esses anos de governo petista – de 2003 a 2014 – quanto dispenderam para os partidos no poder vencerem as eleições, até a mais recente.  E quanto foram beneficiados líderes, como José Dirceu e Antonio Palocci, que através de empresas de consultoria, faturaram  milhões de reais em troca de sua influência política.

Sob o ponto de vista da evasão de recursos estatais, mais do que as propinas pagas, de 1% a 3% do faturamento que, em cada ano, foi de dezenas de bilhões de reais, foi o prejuízo da sociedade pelas decisões tomadas, pois muitos desses investimentos e gastos do setor estatal foram artificialmente e desnecessariamente realizados apenas para possibilitar e facilitar as propinas.  Como exemplo a decisão de construir 4 refinarias de petróleo em regiões do país, decisão essa que acaba de ser revogada, após gastos bilionários,  para que se termine, apenas em parte, apenas duas delas.

O PT foi criado para realizar um ideal – um sonho: a construção de uma sociedade socialista, justa, humana e solidária, presumivelmente democrática.  O maior crime cometido por seus dirigentes foi justamente o de transformar esse sonho em uma verdadeira tragédia, que atinge  não só os que honesta e patrioticamente aderiram ao PT durante esses anos, mas a todos que em outros agrupamentos políticos também buscam uma sociedade mais justa.

A destruição desse ideal é a terrível herança que o PT vai deixar.  Nós, que viemos com os ideais das lutas da esquerda, temos dificuldade em nos declararmos como tal, vistos e confundidos agora com aqueles que ocasionaram um mal tão grande ao país e ao futuro das transformações pelas quais ansiamos.

Se o PT foi, algum dia, um partido de esquerda, se tornou a trincheira de interesses escusos que maculam a tradição de luta de milhões de brasileiros que, nos últimos quase cem anos, lutaram e morreram por uma sociedade melhor.

A meu ver isso justifica ações concretas para que nos libertemos daqueles que não souberam dignificar o papel a que se propuseram ao chegar ao governo.  Vale dizer, nos libertemos do PT, de suas dilmas e de seus lulas.

Encontrar esse caminho, nos limites da Constituição vigente, deve ser o objetivo e é o desafio a todos os democratas.

 

 

Crônica da legitimidade perdida: Para onde as coisas caminham

Dia após dia Dilma Rousseff vai perdendo uma porção da legitimidade que todo governante tem de manter para poder governar. Não basta a legalidade do mandato (às vezes contestada), obtida no processo eleitoral, e a consequente diplomação. É preciso que o governante seja respeitado, tenha credibilidade e seja reconhecido como comprometido com as ações que se propôs a realizar. Tem de ser respeitado não só por sua capacidade de fazer as coisas acontecerem, mas também pela preservação dos valores éticos que a sociedade valoriza.

 

 

Dia após dia surge uma notícia que nega esses atributos que Dilma tem de manter. Em um dia algum ministro a desmoraliza, no outro são membros presumidos de sua base de sustentação política que a desmoralizam, no terceiro ela entrega a pessoas em quem não confia a responsabilidade política por articular seus apoios.

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Dia após dia vai sendo demonstrada a falsidade de suas afirmativas no processo eleitoral: é a inflação que sobe, é o desemprego que assusta, é a economia paralisada, são os estouros do caixa do governo, são as dificuldades de equilíbrio das contas externas.

Dia após dia toma-se conhecimento de um novo escândalo: é a Petrobras saqueada, são os recursos da Caixa Econômica Federal ilegalmente utilizados para encobrir o brutal déficit nas contas públicas, é a Controladoria Geral da República que escondeu, até passar as eleições, as falcatruas cometidas e denunciadas.

Assim, dia após dia, cai um pedaço da legitimidade de Dilma.  Só sobra a legalidade formal, o documento que o Tribunal Superior Eleitoral lhe deu para ser a presidente do país.

Cada vez fica mais clara a ação do seu partido, o PT, que obteve recursos sem os limites da moral e da legalidade, para sustentar a eleição de seus membros.  O mais recente episódio é a prisão do tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, que traz à tona os montantes de recursos por ele angariados para o partido:  R$ 50,7 milhões em 2011 e R$ 79,8 milhões em 2013,  isto é, fora dos anos eleitorais, muito superiores aos obtidos por qualquer outro partido.  Nada mais evidente, além de diversos testemunhos, para demonstrar que esses montantes não são produto apenas de doações legais, mas o resultado de operações criminosas comandadas por agentes do partido incrustados no aparelho estatal, sob o comando do tesoureiro do PT.

A eleição de Dilma está eivada de irregularidades e isso repercute, de imediato, sobre a legitimidade do exercício do seu mandato.  Uma falta de legitimidade que a impede de enfrentar, com sucesso, os grandes problemas que o país apresenta, parte deles fruto da herança  de 3 períodos de governo petista.

Eis as razões que nos levam a avaliar a possibilidade do afastamento da governante.  Porém isso não pode ser apenas uma opinião de um ou de poucos, ter que ser a convicção da sociedade, majoritariamente.  Mais que isso, tem que haver a vontade, expressa com vigor, de todas as formas possíveis, para que o fato se concretize.

Haverá um momento em que, como a água que ferve, o sentimento popular entrará em ebulição.  É nessa direção que as coisas caminham.

Renúncia de fato e renúncia de direito

A indicação do vice presidente, Michel Temer, para comandar as articulações políticas do governo Dilma Rousseff, compondo o grupo dirigente com Eduardo Cunha e Renan Calheiros, presidentes da Câmara e do Senado, foi um passo decisivo da presidente na direção da renúncia de direito do exercício da presidência, já que a renúncia de fato acaba de se concretizar.  É um ato sem volta, “point of no return”, já que Eduardo e Renan não são, de direito, demissíveis e Michel não o será, de fato.

Passa a comandar a República uma troika peemedebista, um conjunto de políticos que não recebeu do povo a delegação para dirigir o país e, pois, sem a necessária legitimidade para governar e enfrentar o futuro.

Assim, caiu no colo do PMDB, o exercício do poder no Brasil.  Não foi isso que as urnas determinaram, não era isso que o povo desejava.  É inaceitável.  Dias difíceis nos aguardam.

Esse roteiro é complementado pela condução da economia, entregue de forma absoluta, ao ministro Joaquim Levy.  Aí, também, a presidente renunciou de fato, entregando a ele a tarefa de tirar o país do buraco. Mais uma razão para o afastamento de direito da presidente, que não governa mais o país.

Assim a história do segundo mandato de Dilma Rousseff vai sendo contada, como uma grande tragédia, após a farsa eleitoral, cuja dramaticidade não pode ser minimizada pois atinge a vida de mais de 200 milhões de brasileiros.

O povo percebeu isso e levou às ruas palavras de ordem pedindo a renúncia formal de Dilma.  Isso eu assisti hoje, na avenida Paulista, onde uma multidão bem superior a 100 mil pessoas – a segunda maior manifestação popular que conheci, inferior apenas àquela de 15 de março – clamava contra o PT e contra a presidente.

12abril

Não posso também deixar de expressar a minha revolta com alguns manifestantes, ainda que sejam uma ínfima minoria que, aproveitando-se do clima político contra o governo,  ousaram pedir a extinção do PT ( só o povo pode decidir sobre a dimensão, a vida e a morte de um partido ) e a “intervenção militar constitucional”, segundo eles possível nos termos do artigo 142 da Constituição.  Falso esse argumento pois o artigo citado diz que “ as Forças Armadas….sob a autoridade suprema do Presidente da República, destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer deles, à defesa da lei e da ordem”.

Vale dizer, não existe a tal intervenção militar constitucional. As palavras de ordem dessa minoria anti-democrática deve ser repudiada por todos os que buscam soluções concretas, nos limites da ordem constitucional.

A ação quase que espontânea do povo nos protestos contra o governo chegou onde poderia chegar.  Agora é hora das forças políticas democráticas do país, ao lado das instituições da sociedade civil que se organizaram para repudiar o governo Dilma, assumirem em conjunto a responsabilidade de encontrar a saída para a crise, isolando os grupos que não convivem com a democracia.

Os saudosos da ditadura militar, e os adeptos do poder a qualquer custo encrustados no aparelho de Estado e dele beneficiários, que sejam excluídos de uma frente pela democracia e pelo desenvolvimento que se constitua comandada por pessoas com legitimidade e respeitabilidade.  É a nossa tarefa.

Nem Delfim, nem Bresser Pereira. Os atuais governantes não têm mais condições para governar.

No mínimo são curiosas as opiniões de dois economistas famosos que expõem suas ideias na “Folha de São Paulo”, neste último, e sugestivo, primeiro de abril:  Delfim Netto e Luiz Carlos Bresser-Pereira.  Diferentes são suas trajetórias mas coincidentes são os seus sentimentos em relação aos governos petistas.

Delfim Netto foi ministro em diversos governos da ditadura.  Sob a presidência de Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo  ele foi, em períodos diversos, Ministro da Fazenda, da Agricultura, do Planejamento e  embaixador na França.  Quando da edição do Ato Institucional n° 5 assinou o então decreto que levou a ditadura à sua maior radicalização.  Nunca se sentiu incomodado com a violência do regime militar.  Pelo contrário, gozou por ser considerado o condutor da política econômica do governo.  Malufista por décadas, autor de muitas estripulias durante os seus mandatos, hoje ele é só conselheiro de Lula e de Dilma.  Para esses não há qualquer restrição.

Nesse último primeiro de abril, Delfim começa seu artigo com rasgados elogios ao primeiro período petista, sob o comando de Lula, sem deixar de cutucar o governo anterior, de FHC, pela “precária inclusão social com programas de focos confusos e apenas iniciados”.  Omite as dificuldades de um período pós inflação galopante e as profundas mudanças estruturais que foram executadas.

A era lulista, segundo Delfim, começou com uma desconfiança generalizada, mas caminhou para uma “profunda mudança de filosofia”, “deixando de ser a inclusão social apenas um detalhe como no governo anterior” para tornar-se o “objeto principal do governo…” e aí vêm os elogios, “governo de um operário de pouca educação formal, compensada por uma inteligência prática privilegiada e uma imensa capacidade de articulação política”.

Nenhuma referência faz Delfim ao aparelhamento do Estado e seu uso criminoso para a manutenção do poder.  Nada que surpreenda, já que foi um dos sustentáculos de uma ditadura que nos retirou a democracia mas deu alguns períodos de crescimento da economia.

Quanto a Dilma, Delfim diz que a presidente “demorou a reconhecer que tudo tinha mudado: as condições eram outras”.  Mas segundo ele, ela assumiu corajosamente uma conversão econômica equivalente à de São Paulo na estrada de Damasco… com um programa razoável.  E termina a coluna com a seguinte pérola, vinda de quem vem: “A democracia não é uma dádiva divina. É difícil, mas é o único caminho para a civilização”.

Delfim, este sim, fez uma conversão espantosa. Oportunismo explícito.

Quanto a Bresser Pereira, foi ministro da Fazenda durante o governo José Sarney e foi ministro chefe da Secretaria da Administração Federal e Reforma do Estado e Ministro da Ciência e Tecnologia durante os mandatos de Fernando Henrique Cardoso.

Ele diz, em seu artigo, que a explicação fundamental para a perda da popularidade da presidente Dilma “está na hegemonia ideológica do conservadorismo liberal (alguém sabe o que é isso?) que dá à crise econômica de curto prazo uma dimensão que ela não tem, que acusa a presidente de estelionato eleitoral porque ela está fazendo o que tem que fazer e que procura vinculá-la ao escândalo da Petrobras sem qualquer fundamento”.  Nem os mais radicais petistas elogiariam com tal entusiasmo e com tal incapacidade de ver o que está mais que visível.

Ao criticar os movimentos de rua contra Dilma, Bresser pergunta: “É então o golpe de Estado que se quer? Para obrigar Dilma trair seus princípios e se submeter à politica liberal e dependente que a oposição defende?” Afinal que diabo é essa política liberal e dependente que a oposição defende?

Bresser então defende um grande acordo político que deve ser desenvolvimentista, “de centro, em vez de direita ou de esquerda”, e termina também com uma pérola: “porque não se deve dar preferência nem aos trabalhadores nem aos empresários”.  Genial!  Parece piada.

Assim Delfim, esteio da ditadura militar, vai se identificando com Bresser Pereira, homem de confiança de FHC, ou vice-versa, os dois no afã de salvar a cara de Lula, de Dilma e do PT.

Afinal tudo que estamos assistindo, não só no plano ético/moral, mas no campo econômico com profundas repercussões sociais, é responsabilidade dos governos petistas.  A obrigação dos que falam e escrevem com honestidade intelectual é fazer a análise crítica desses 12 anos de descalabro e procurar soluções que afastem do governo aqueles que foram os responsáveis pelo desastre que constatamos nos dias de hoje.

Os atuais dirigentes não tem mais condições de governar.  Não tem credibilidade, não são respeitados pelo povo.  Precisam sair.  Como fazê-lo nos limites estritos da legalidade democrática, esse é o desafio a todos os patriotas.

Vamos torcer para que tenhamos chegado ao fundo do poço

O fracasso do “modo petista de governar” é estrondoso. Conhecendo os dados de 2014, podemos afirmar que os mais pessimistas vaticínios estão se realizando. O IBGE precisou usar uma nova metodologia de cálculo do PIB para que o país crescesse no ano passado 0,1% e, refazendo o cálculo dos anos anteriores, pudesse fechar os quatro anos de Dilma Rousseff na média anual de 2.1%. Senão, seria pior. Assim mesmo, um dos menores crescimentos da América Latina e bem abaixo de alguns países mais avançados que teriam sido, segundo a presidente, os responsáveis por esse baixo crescimento. Sim, porque os Estados Unidos cresceram 2,2% em 2013 e 2,4% em 2014, desmentindo as patranhas dilminianas.

No ano passado, a indústria de transformação diminuiu em 3,8%, em sequência a anos de queda. Assim, vamos perdendo o setor mais dinâmico da economia, tecnologicamente mais avançado e gerador de melhores empregos. Pouco ou nada adiantaram os programas de isenção fiscal e os estímulos ao crédito oficial. Um alento momentâneo que não produziu crescimento no que é fundamental para a economia: os investimentos e a produtividade. Pelo contrário o país investia, em 2011, 19,4% do PIB e passou a investir, em 2014, 15,8%. Um desastre.

PIB

O início desse ano escancara o péssimo período petista. O período Lula preparou a cama de Dilma. Irresponsabilidade sobre irresponsabilidade produziram uma herança negativa.  E o primeiro período Dilma deixou para o segundo período da mesma uma herança ainda mais maldita. Não bastassem os resultados negativos de 2014, esse ano se mostra ainda mais preocupante. A produção continua a cair, a criação de novos empregos desaba, o desemprego volta a assustar, a inflação recrudesce e os salários médios diminuem, os juros aumentam e, em consequência, os custos da dívida e a balança comercial de exportações e importações continua negativa, mesmo com a brutal desvalorização do real. Precisamos de um mundo de dinheiro de fora para sustentar o nosso balanço de pagamentos. Caso contrário, as reservas externas vão para o espaço. Se, e quando, o mundo (em especial os EUA) aumentar as suas taxas de juros, então será a chamada tempestade perfeita. Sai de baixo…

Quando parece que chegamos ao fundo do poço percebemos que ele é ainda mais fundo e não sabemos onde vamos parar. Nem Levy e seus Chicago Boys vão salvar a presidente, muito menos nós.

O drama é que o país vai sendo levado de roldão.

O ajuste fiscal de Levy/Dilma, como mostram os números, se apoia fundamentalmente no crescimento das receitas de impostos e taxas. O que noticia a imprensa é que se calcula que 85% do ajuste vêm delas. Lembraram até de cobrar dos bancos a operação das folhas de pagamento dos servidores federais, o que se faz em São Paulo há anos com as dos servidores do Estado. Corte de despesas, de fato, é secundário.

Assim até eu, que não tenho diploma de economista, não sou PhD de Chicago, nem de coisa alguma!

O doloroso estado terminal de um governo.  A renúncia é o sonho de uma noite de outono?

 

Por quanto tempo ainda o país ainda vai sofrer com o governo que tem?  É impossível prever a duração do doloroso fim de um governo em estado terminal.

O grau de isolamento da presidente é tal que o poder parece mais estar no Congresso, através dos presidentes das duas Casas, Câmara e Senado. De fato, um parlamentarismo à meia boca, ao arrepio da lei, sem as características positivas desse sistema de governo que são a possibilidade de derrubar o gabinete e de dissolver o Congresso convocando novas eleições.  Por incrível que pareça, não há aliança partidária, nem distribuição de cargos no executivo federal que garanta o exercício do poder de governar à presidente Dilma Rousseff.  Perdeu a maioria no Parlamento, perdeu essas alianças, perdeu a possibilidade de manipular as manifestações de rua e perdeu a credibilidade e a respeitabilidade necessárias para liderar o país.

Pouco tempo após as eleições que a fizeram presidente, ela expressa, de forma eloquente, a rejeição da população a ponto de, surpreendentemente, ter o apoio de apenas um décimo do eleitorado nacional.  Fato nunca visto.

Todos os dias, sem descanso, vem uma má notícia, mas o fundo do poço não é alcançado.  Parece que não tem fim.  Os tênues fios que a mantinham com algum alento, seja pela manutenção dos empregos, seja pela manutenção do poder de compra do povo, se romperam.  Hoje, além de inflação, recessão, baixos investimentos, situação fiscal dramática, é desemprego e baixos salários.  Nada mais sobra.  Ela vai encerrar o ciclo petista de maneira triste e deprimente.

É preciso que fique claro: Dilma não é a maior responsável por tudo isso.  Ela não é nada mais que um figurante nesse teatro de horror montado pelo PT sob a liderança de Luís Inácio Lula da Silva.  O episódio da Petrobrás, em que fica clara a ação do ex-presidente determinando, de forma autoritária e ilegal a estratégia da empresa, conforme declara Graça Foster, com objetivos políticos e financeiros, é gritante.

Após esse ciclo petista, que não tem data certa para se encerrar, teremos anos e anos de reconstrução, não só da nossa economia, mas também da vida democrática do país, abalada pela forma criminosa como o PT governou e governa.

O melhor para o país é que ela e o seu parceiro vice-presidente renunciassem para que novas eleições fossem convocadas sob novas regras, isto é, após uma reforma política que acabasse com as distorções no processo partidário e eleitoral.

Afinal tanto ela quanto ele são produto de um processo eleitoral viciado não só pelo uso da máquina estatal, como pelo uso de recursos públicos desviados de forma criminosa.  Isso possibilitaria um amplo acordo nacional.  Seria menos doloroso e uma demonstração de respeito para com o Brasil e o povo brasileiro.  Caso contrário vamos continuar, não sabemos por quanto tempo, com essa morte lenta e extremamente danosa para nossa economia e nossas instituições.

Sonho de uma noite de outono?  Talvez.  Se não isso, então o quê?

 

 

O início do fim. O desafio às forças democráticas quanto à transição.

As manifestações de hoje, 15 de março de 2015, foram as maiores manifestações populares da história brasileira.  Superaram, de longe, as manifestações a favor das eleições diretas que foram o início do fim do regime militar.  O lulopetismo está em seus estertores.  Trata-se para todos nós, democratas, de afastá-lo com os menores danos para o nosso país e o nosso povo usando os instrumentos que a democracia nos permite.  Dentre eles a pressão das ruas.

As manifestações de apoio ao governo, realizadas no último dia 13, cotejadas com as de hoje, permitiram que a Nação pudesse constatar, com clareza, que o governo que dirige o país não o representa.

As manifestações do dia 13 foram convocadas pelos pelegos sindicais, estudantis e dos movimentos sociais manipulados e subvencionados financeiramente pelo governo central e contaram com a presença, majoritária, de empregados dos sindicatos sob o comando da CUT e de outras centrais sindicais, da UNE e de outras entidades estudantis, das milícias do MST, e de alguns militantes do PT, do PCdoB e de outros partidos que se auto denominam de esquerda.  Presença voluntária, muito pouca.  Um retumbante fracasso.

No caso das manifestações de hoje não houve a necessidade da ação de partidos políticos, nem o fornecimento de alimentação e transporte gratuitos.  Não foi necessário mobilizar prefeituras petistas, nem exércitos de sem terra, comandados pelo Stédile e bancados pelo Incra.   A presença do povo foi voluntária, convocado pelas redes sociais, e se espalhou por todo o país.

O povo se manifestou, de forma ordeira, contra o governo petista, contra Lula e contra Dilma, não só nas capitais mas também nas grandes, médias e pequenas cidades.  O número dos manifestantes é imponderável – foram muitas centenas de milhares –  e o repúdio ao governo consolida a percepção de que o governo, politicamente, acabou.

Trata-se agora de construir a transição, necessariamente democrática, para expelir a podridão e a incompetência do comando da Nação.

A presença, no fim do dia, de dois ministros em entrevista aos meios de comunicação, foi patética.  Um acenando com uma reforma política tantas vezes anunciada quanto esquecida.  O outro desqualificando as manifestações com o argumento de que a maioria dos manifestantes seria dos que não votaram na Dilma.  Os dois repetindo as justificativas dadas durante a campanha eleitoral e repetidas em posteriores pronunciamentos da presidente.

Assim como não tiraram as conclusões políticas da vitória eleitoral obtida às custas de mentir e levar o país à crise em que vivemos, os petistas se recusam a avaliar com seriedade as manifestações de hoje.  Nenhum lampejo de autocrítica, depois de tantos erros cometidos.

O povo acaba de dar o recado.  Esse governo não tem mais como dar a volta por cima e ganhar o respeito necessário para poder governar.  Chegou ao ponto em que não há mais retorno.  Caminha para o abismo e nada pode evita-lo.

O problema é o sofrimento por que passa e passará o país.  Por isso não há como deixarmos de agir, com absoluto respeito aos princípios democráticos, diante do inevitável aprofundamento da crise nos próximos meses, muito menos nos quase 4 anos, que é a duração do mandato.

Esse é o desafio que se apresenta às forças verdadeiramente democráticas do país.

Já está tudo bastante claro. Quem comandou foram Lula e Dilma. E agora, como sair dessa?

 

José Eduardo Cardoso diz que não há o que investigar sobre Dilma Rousseff.  Ele está certo.   Não há mais o que investigar sobre ela e sobre Lula.  Está tudo claro.  É uma quadrilha só, uns mais ativos, outros menos.

Estão envolvidas todas as direções dos três principais partidos da base governista: PT, PMDB e PP, sob o comando do primeiro.  Estão lá seus presidentes, tesoureiros e lideres na Câmara e no Senado.  Sob o comando de Lula e Dilma foram indicados os operadores para exercer as diretorias da Petrobras e articular com os empresários para executar as obras e surripiar um naco substancial dos contratos com a finalidade de eleger presidentes, governadores, senadores e deputados, sem prejuízo, em alguns casos, de deixar um “troquinho” para si próprios.

Com isso ganharam eleições.  Tornaram seus mandatos ilegítimos.  Moral, política e juridicamente inaceitáveis.

Ainda tentaram incluir na lista do Janot o nome de Aécio Neves.  Não conseguiram.  O máximo que conseguiram foi incluir o senador tucano mineiro Antonio Anastasia, citado nas investigações por um “mula” ( transportador das propinas ) que foi desmentido pelo doleiro Youssef que fez delação premiada e negou que tivesse mandado qualquer coisa para o senador.  O covarde Janot o incluiu para dar, ao menos, uma colher de chá à Dilma.  A simples citação do nome, sem qualquer prova, foi suficiente para Janot.

Como sair dessa enrascada que paralisa o país e condena milhões de brasileiros a viver sem perspectivas de uma vida melhor, sem perder as conquistas democráticas alcançadas depois de superado o período ditatorial, isto é, nos limites legais, é o nosso grande desafio.

 

 

 

Um ano de muitas emoções

Lula não precisava anunciar que o Stédile iria colocar seu exército nas ruas. Grandes ditadores, em todo mundo, já o fizeram, antes ou depois de tomar o poder: Franco na Espanha com as “Falanges”, Mussolini na Itália com os “Camisas Negras”, Hitler na Alemanha com as SA  (Sturmableitung, em português “Tropas  de assalto”).  Mais recentemente temos, na Venezuela, as milícias bolivarianas. Todos para manter o poder à força.

O aperitivo o PT já ofereceu, como mostrado durante o ato na Petrobras em que ele, Lula, esteve presente, incitando a formação de milícias. A provocação ao ato do PT foi uma ação imbecil, promovida por um pequeno número de populares, mas a resposta com porradas, inaceitável, serviu para o treinamento da milícia petista em formação.

Já era previsto que o PT iria cair “atirando”, como eu já havia escrito.  Que faria o diabo, como anunciou Dilma, durante o processo eleitoral.  Fez e venceu.  Usou, como nunca ninguém, os recursos desviados das empresas estatais e dos ministérios, como se vê pelas notícias publicadas dia após dia.  Agora já sabemos como, quando e onde.  Só uma parte, por enquanto.  Vem mais por aí.

Não foi só dinheiro que maculou a vitória petista.  A cada momento o  novo (velho), governo anuncia medidas que contrariam os compromissos de Dilma durante a campanha: inflação, desemprego, juros que aumentam, controle cambial deixa de existir, reajuste da tabela de IR abaixo da inflação, incentivos de isenção de IPI são revogados, desonerações das folhas de pagamento das empresas são diminuídas, o PAC é paralisado, o programa de financiamento de bens para os adquirentes do “minha casa, minha vida” é cancelado, benefícios da previdência  são reduzidos, tarifas de energia elétrica sobem, compensando quedas artificiais antes promovidas, além de muitas outras que vêm sendo tomadas.

Estelionato puro e simples, sem que Dilma tenha a coragem de vir à TV (como fez tantas  vezes, antes e durante a campanha, para comunicar benefícios) para explicar e justificar as decisões que atingem milhões de pessoas e todo o país.

Agora, passado o momento eleitoral, tudo muda.  Estouraram o país de uma forma tão grave que levaremos anos para consertar.  E eles não têm condições para isso.  Por isso começam a usar a violência para enfrentar a indignação popular.

O Brasil parou, ninguém mais quer investir, com inflação, recessão e a credibilidade da presidente chegando ao fundo do poço.

Qual a resposta de Lula?  Milícias paramilitares nas ruas.  Esse cidadão é o verdadeiro responsável por tudo o que estamos passando e vamos passar.  Assim tratou o país: gestão fraudulenta e gestão temerária. Dilma é apenas a operadora de toda essa desgraça.

Vamos viver 2015 em estado permanente de tensão.

O impedimento e o desafio da oposição

Artigo publicado na Folha de S. Paulo

Estamos iniciando um longo e dramático período político em nosso país. Longo, porque o mandato presidencial é de quatro anos. Dramático, porque Dilma Rousseff e seu partido não têm condições políticas e morais para conduzir o país por mais muito tempo.

Para não se apresentar confessando o estelionato eleitoral, Dilma entregou à nova equipe econômica a missão de implantar medidas de sacrifício da população –que durante a campanha eleitoral dizia que a oposição imporia à nação–, na busca desesperada de superar a estagnação produzida por sua política desastrosa.

Sem autocrítica, pelo contrário, em uma atitude covarde, procura arrastar o PSDB para o mar de lama em que está metida, ao afirmar que, se antes tivesse o governo FHC investigado e punido, não teríamos o que temos agora.

Esconde a sua responsabilidade na articulação de diretores da Petrobras e de seus fornecedores com os partidos de sua base, que objetivou o saque de recursos públicos para suas campanhas (e o enriquecimento de muitos) –o que, agora, emerge de maneira avassaladora.

É isso que destrói toda e qualquer condição moral de condução do país por parte da presidente Dilma Rousseff e seu ministério.

Dilma tratou de montar um ministério com figuras que representam agrupamentos partidários ou grupos de interesse que possam lhe dar o respaldo necessário no Congresso Nacional, para evitar um possível pedido de seu afastamento definitivo do cargo, nos termos da Constituição em vigor, uma sobrevida difícil de obter.

O governo petista está moribundo, e o partido continuará existindo como uma pálida imagem do que já foi no passado, quando, moralmente inatacável, pretendia ser o condutor de uma transformação profunda na sociedade brasileira.

No governo, liderado pelo seu grande chefe, Luiz Inácio Lula da Silva, o PT se corrompeu ao buscar, a qualquer preço, a manutenção do poder. O projeto de uma nova sociedade se frustrou, transformando-se em projetos de subsistência de milhões de brasileiros que vivem na pobreza, mantidos nessas condições para garantir o controle dos seus votos. Não passa disso.

Os resultados eleitorais foram colhidos, mas isso não garante ser possível conduzir o país, fazendo as transformações necessárias para que ele possa avançar econômica, social e politicamente.

Pelo contrário, a forma como esses resultados foram obtidos impõe à presidente e ao seu partido a necessidade de se legitimar perante a maioria do Brasil produtivo, que não vive na dependência do Estado. Tarefa impossível.

O quadro atual é dramático também para a oposição e para os milhões de brasileiros que não veem no governo atual condições para vencer a crise.

Como levar adiante uma transição nos limites da democracia constitucional em que vivemos, rejeitando firmemente qualquer solução que não seja legal, sem ter de aguardar quatro anos para que o país possa abraçar um caminho que abra novas perspectivas de desenvolvimento e de melhoria das condições de vida de nosso povo? Esse é o desafio que está colocado para nós.

Sobra o caminho legal do impedimento, que só acontecerá se o agravamento das condições econômicas e políticas persistirem a ponto de mobilizar o povo e os partidos para uma solução que, de qualquer forma, ainda que legal e democrática, não deixa de ser traumática.

Mas o próprio Lula já declarou, após a queda de Collor, que o povo brasileiro mostrou que o mesmo povo que elegeu um presidente pode tirá-lo. E pode, legalmente!

Pode não haver outra saída.

ALBERTO GOLDMAN, 77, vice-presidente nacional do PSDB, foi governador de São Paulo (2010)

Dilma Rousseff, coração valente

A jovem Dilma Rousseff, ideologicamente socialista desde a juventude, após o golpe militar de 1964 passou a se opor à ditadura militar implantada e, como muitos jovens na época, ingressou na luta armada como caminho para a derrubada do regime. Tornou- se membro da COLINA, Comando de Libertação Nacional e posteriormente do VAR-Palmares, Vanguarda Armada Revolucionária Palmares, organizações que se formaram para combater a ditadura. Passou quase três anos presa (1970–1972) e foi torturada pelos militares da Operação Bandeirante (OBAN). Após a queda da ditadura passou a fazer parte do PDT, tendo atuado no governo gaúcho como Secretario de Estado. De uma forma ou de outra, ainda que eu sempre tenha rejeitado a opção da luta armada para derrubar o regime ditatorial, estivemos lado a lado.

Pela sua formação política e por sua conduta em toda a sua história ninguém poderia acusá-la de qualquer interesse pessoal em sua vida pública. Nem antes, nem depois quando passou a exercer as funções de Ministro do Governo Lula e nem agora no exercício da Presidência da República.

Vamos dar um salto no tempo e chegar aos dias de hoje. Todos acompanharam o que se passou nesses últimos doze anos, onde ela, Dilma, teve um papel central, primeiro no governo Lula e agora como a maior mandatária do país. Esses anos estão agora sendo desvendados, para nossa surpresa, como um filme de horror que se apresenta aos olhos da população. O grau de apodrecimento a que chegaram os governos petistas nesse período é algo que ultrapassa o que poderíamos imaginar. Nem eu, que convivi nas últimas décadas com tudo isso, poderia pensar que um dia veria tamanha podridão.

Não sei se ela sabia de tudo que se passava. Tudo, não, mas de uma parte, certamente, ainda que não fosse o personagem principal desse imenso mar de lama. Beneficiária sim, o foi, como presidente eleita, e agora enfrenta uma crise que talvez o país não tenha passado em toda a sua História.

Não se poderia esperar dela uma atitude muito corajosa, um coração valente, que expusesse de forma crítica e autocrítica o período passado. Afinal ela conheceu e acompanhou tudo aquilo que se passou, ainda que pudesse não saber de tudo que se articulava. Mas poder-se-ia esperar que não tivesse uma atitude tão covarde como a exposta nos últimos dias de acusar o governo FHC como o responsável pelo que estamos assistindo.

Ela disse que “se em 1996 ou 1997 tivessem investigado e, naquele momento, punido, nós não teríamos o caso desse funcionário da Petrobras ( o gerente Pedro Barusco ) que ficou quase 20 anos atuando em esquema de corrupção.” Como se tudo que se constata hoje tivesse algo a ver com um funcionário da empresa que ganhou uma propina naquele período. Como se naquele período, ou mesmo em algum anterior, tivesse sido montada uma operação tão audaciosa e criminosa, articulando os diretores por ela e Lula indicados, empresários fornecedores da Petrobras e dirigentes políticos dos partidos da base governista. Por doze anos, sob as vista dela e de seu mentor.

Falsidade, enganação, escapismo, conivência. Sua ousadia não expressa a coragem, um coração valente. Expressa a covardia, a busca de responsáveis há mais de 12 anos, para diluir as suas responsabilidades mesmo tendo sido ela essa figura proeminente do governo todo esse tempo.

Perdeu todo o respeito.

O título desse post deveria ser atualizado: Dilma Rousseff, alma pequena, caráter covarde. Uma pena. Uma história bonita jogada no maior mar de lama que o Brasil já viu.

O PT no fim da linha

A eleição dos presidentes da Câmara e do Senado põe termo ao processo eleitoral que se deu em 2014. A derrota do PT é retumbante mostrando, como temos dito, que estamos vivendo o fim de uma era.
Renan Calheiros foi eleito presidente do Senado. Sem uma alternativa com possibilidade de vitória, Dilma é refém dessa figura de histórico, no mínimo, complicado.

Renan é originário do PCdo B, foi líder do governo Collor de Melo, rompeu com ele, veio para o PMDB, se elegeu presidente do Senado, renunciou para não ser cassado, se elegeu novamente e agora volta com apoio do governo. O PT e a presidente tiveram que rejeitar o senador Luiz Henrique, também do PMDB, homem de tradição e história na política do país, considerado um parlamentar competente e acima de qualquer suspeita, e apoiar o senador alagoano.

Triste ocaso de um partido outrora “o” arauto da honestidade.

Na Câmara a derrota de Dilma é colossal. O candidato do PT, Arlindo Chinaglia, teve apenas 136 votos, contra 267 de Eduardo Cunha e 100 votos dados ao candidato da oposição. Apesar de ter colocado toda a máquina governamental a serviço de Chinaglia, depois da distribuição dos ministérios e diretorias de empresas, a derrota foi como nunca antes havia acontecido. E Eduardo Cunha tem um histórico que não recomenda qualquer esperança de termos um estadista no comando da Câmara.

O governo desmorona a olhos vistos. Em um difícil período na administração do país, em especial, na área econômica, Dilma terá de se submeter à voracidade de agrupamentos políticos que se denominam “aliados”.

O fim desse período penoso da vida brasileira não vai demorar 4 anos. Não tem como subsistir tanto tempo. Não vislumbro como serão os próximos meses, mas é certo que as tensões vão aumentar sobremaneira e os conflitos vão se aguçar.

O resultado das escolhas dos presidentes não me alenta. Nem mesmo a derrota do governo me enche de júbilo. Não significam um passo adiante, uma expectativa de dias melhores.

Temos de encontrar uma saída, dentro dos limites da ordem constitucional democrática. Para o bem do país.

88 bilhões

Esse é o número, astronômico, que representa a diferença entre o valor dos ativos registados no balanço da Petrobras e o preço real, o valor justo, que seria pago por um terceiro se fosse adquiri-la. Isto é, a Petrobras vale 88 bilhões menos do que está contabilizado em seu ativo. Essa perda real do valor da empresa não foi expressa no seu balanço. O Conselho julgou que seria melhor publicá-lo sem mostrar, claramente, essa perda.

Esse valor a menos da empresa não se deve somente aos já conhecidos assaltos  à empresa em virtude da corrupção de seus diretores, partícipes dos esquemas que envolvem políticos e empresas privadas. A maior parte se refere à incompetência e má gestão dos seus diretores e a ações deliberadas promovidas em função dos compromissos políticos assumidos por Lula e Dilma, no Brasil e no exterior (vide a refinaria de Pernambuco que seria construída com a Venezuela).

A empresa publicou o balanço do terceiro trimestre de 2014 sem incluir qualquer prejuízo e sem a aprovação da auditoria. Como balanço, não vale nada. As agências de avaliação de riscos já reagiram rebaixando a empresa.

A defesa que está sendo feita pelos empreiteiros afirma que quem organizou o esquema de assalto à Petrobras foram os diretores da empresa e os políticos e partidos que eles representavam. Se colocam como tendo sido submetidos a achaques, reféns dos demais sócios na empreitada criminosa.

É claro que a origem do processo de formação da quadrilha estava no desejo dos partidos e políticos governistas de manter o poder, aliás, tarefa realizada com sucesso, como se viu em eleições sucessivas. Eles lideraram e coordenaram a indicação de pessoas de sua confiança para a direção dos diversos setores do aparelho estatal – a Petrobras em especial –  com a finalidade de conseguir os recursos necessários para as suas eleições e – afinal ninguém é de ferro – dedicar um pedaço maior ou menor da propina para os seus objetivos pessoais. Porém, sem a anuência dos empresários, que participaram gostosamente ou não, não se fecharia o circulo caracterizador da quadrilha.  Os doleiros, no caso, eram  operadores, sem maior participação nas decisões do grupo.

O efeito desse episódio sobre a economia brasileira é descomunal. A paralisia é total e o país continua descendo a ladeira.  A construção de duas novas refinarias pela Petrobras, no Ceará e no Maranhão, já foi para o espaço. A do Rio de Janeiro será redimensionada.  E a de Pernambuco que o Lula acertou com o presidente Chávez, da Venezuela, também.  E a repercussão do episódio em todas as atividades é brutal.

Em função do descalabro da política econômica do governo federal e do comprometimento das autoridades federais e dos lideres políticos dos partidos governistas, o crescimento econômico foi zero em 2014 e o mesmo se repetirá em 2015.  Ou perto disso, se não piorar.

Nada de novo e mais profundo acontece e não será o ministro Joaquim Levy que vai conseguir reverter a situação.  Mesmo porque o fato concreto é que a presidente Dilma não reconhece a gravidade da situação e continua como se na campanha eleitoral ainda estivesse, ainda que seus ministros da área econômica tentem caminhar em outra direção.  Não vai dar certo.

As reais possibilidades de Dilma conseguir administrar o país e voltar a ter o respeito da nação são mínimas.  O que nos leva a enfrentar uma grave questão política: como o país poderá suportar, por mais 4 anos, um governo tão abatido e desmoralizado?

Impeachment é golpe?

A possibilidade que levantei do impeachment da presidente Dilma como uma transição democrática diante do descalabro da administração federal, que vem se desdobrando de forma dramática nas ações de governo e nas apurações da operação Lava Jato, tem indignado parte do eleitorado petista como sendo uma tentativa de golpe.
Muitos desses indignados, mais jovens, não viveram o processo de impeachment do ex presidente Collor de Mello, que se deu em 1992. Mas muitos deles, menos jovens, não só viveram o episódio como participaram das manifestações que deram suporte popular à decisão do Congresso Nacional que votou pelo impedimento do presidente.
Não se perpetrou, então, nenhum golpe. Usou-se do texto constitucional e da legislação em vigor para, democraticamente, retirar do poder um presidente que não correspondia às necessidades da Nação. Com o apoio da maioria dos partidos, à frente o PMDB, o PT e o PSDB.
Se houver motivos para denunciá-la – a presidente – como tendo cometido crime de responsabilidade e se o quadro político e econômico continuar a se deteriorar, pode ser a saída democrática necessária. Talvez a única.
Não é o nosso desejo. O nosso desejo é continuar a luta pela mudança da direção do País, na forma dos pleitos eleitorais que a lei determina. Melhor seria esse governo mostrar a sua capacidade e a possibilidade de gerenciar a administração pública e superar as acusações de corrupção que se espraiam por ela, para que o País retome o desenvolvimento da economia e avance na construção de uma sociedade mais justa.
Mas não vejo em Dilma e nos seus compromissos partidários a possibilidade de isso acontecer.
O que importa não é a figura da presidente, nem do seu partido e de suas alianças. Nem os interesses da oposição. O que importa é o País, o Brasil, os 200 milhões de brasileiros que devem ser sempre o objetivo de nossa ação política.
Se para o País o impeachment é a saída para abrir perspectivas melhores para todos temos a obrigação de usá-lo como o instrumento legal apropriado.