O país em recessão explica a degringolada da candidatura Dilma

O país já está em recessão.  Não é crescimento medíocre.  Não é estagnação.  É recuo mesmo.  Recessão.  Fazia tempo que não se ouvia essa palavra no nosso país.

O resultado do primeiro trimestre de 2014 havia sido levemente positivo, de 0,2%  no PIB.  A previsão para o segundo trimestre é de retração do PIB em torno de 0,4%.  A expectativa para o terceiro trimestre também é negativa.  Ainda que haja resultados positivos no quarto trimestre, o resultado final do ano se aproxima de 0%.   O fato é que hoje já estamos em recessão.

O que tem forçado as revisões para baixo é, sobretudo, o mau momento da indústria. Um dos principais motores do crescimento, o setor desabou e continua a apontar para quedas intensas nos próximos meses. Beneficiada pelos pacotes fiscais lançados pelo governo — isenções de tributos como o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para a compra de carros, máquinas de lavar e até móveis para a casa —, a indústria havia ganho sobrevida. A realidade só bateu à porta das fábricas quando o consumo em disparada incentivou empresários a remarcarem preços. A consequência foi uma escalada da inflação que engoliu a renda das famílias e levou a prejuízos para toda a economia. A produção industrial quase estagnada e o desempenho ruim do mercado de trabalho em junho — o pior resultado em 16 anos — sinalizam que a economia enfrenta um período de retração que se transforma em recessão.  Os empresários pararam de investir o que derruba o PIB.  O setor de serviços que vinha se comportando de maneira ainda positiva, mostra sinais de desaceleração.  Nada nos faz crer que os próximos meses sejam diferentes.  O processo de retração deve continuar.  Em suma o futuro é preocupante.

Esse quadro econômico explica os resultados das pesquisas eleitorais que estamos conhecendo.  A queda de Dilma nas intenções de voto e na avaliação de seu governo é lenta, mas gradual e inexorável antes mesmo do conhecimento mais aprofundado que se tem dos seus adversários, o que só será possível após o início efetivo da campanha nos grandes meios de comunicação.   No momento as pesquisas indicam intenção de voto em Dilma e contra ela.  E essa segunda opção já é majoritária.  Entre ela e a soma dos outros, vence um outro.  E é só o começo.

 

 

 

Copa do Mundo: bom, mesmo, é o povo brasileiro!

Perdemos a Copa do mundo de futebol, mas ficamos entre os 4 melhores.  Não é ruim.  Ruim foi o Lula e a Dilma venderem a ideia de que, sendo a Copa aqui no Brasil, teríamos mais facilidades para vencer.  Ledo engano.  Ruim, também, a publicidade em torno da construção de um sem número de obras de infra estrutura que seriam o legado da Copa.  Pura mistificação.

Ruim mesmo é ouvir o Lula dizer que as vaias foram de uma “elite branca” que ocupa os assentos dos estádios e a Dilma dizer que é preciso parar de “exportar” os nossos talentosos jogadores.

O Lula não sabia que com os preços das entradas nos estádios só lá estariam convidados especiais – uma elite – com entradas fornecidas pelas grandes empresas do país?  E que qualquer cidadão seria afastado dos estádios, ou pelo preço das entradas, ou pelos sorteios para compra que nunca favoreciam os meros mortais, de qualquer cor ou raça?  Vejam a foto abaixo para identificar a elite branca.

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Vem a Dilma, agora, falar contra a “exportação”, procurando impedir que os nossos jogadores atinjam o Nirvana possibilitado pelo incrível enriquecimento que as negociações de seus passes e salários no exterior lhes permite ( um Neymar recebe em 1 mês lá fora, mais que um cientista, que trabalha para salvar milhares de vidas, ganha em toda a sua vida ).  Dilma quer fazer-nos crer que assim venceremos a próxima Copa?  Não seria melhor que ela se preocupasse com os milhares de cientistas e profissionais de alta capacidade, que anualmente são exportados para os países que lhes oferecem altos salários e benefícios, depois de sua formação nas nossas instituições públicas, vale dizer, com o nosso dinheiro?  Esses são atraídos para outros países para neles criar riquezas ou salvar vidas.

Não seria mais adequado formular uma legislação que estabelecesse a responsabilidade dos dirigentes das entidades esportivas – clubes, federações e confederações – entidades privadas que não pagam à Previdência pública e que também não vão pagar os empréstimos que levantaram para construir os estádios de futebol?  Deveriam responder pelos prejuízos que provocam ao cidadão ou ao poder público como em qualquer ramo de negócio.

Não seria mais sério e responsável Dilma se preocupar com o uso e as despesas de manutenção dos enormes estádios em cidades que nunca terão público para preenchê-los?

Dilma fala em renovação do futebol.  Ela quer renovar o quê?  Fala sem saber o que diz.  Por que não incentivar as demais modalidades esportivas, principalmente durante a vida escolar dos jovens?

O governo defendia a Copa feita no Brasil pelos resultados econômicos que se teria o país com a vinda de milhares de torcedores dos diversos países.  E o que aconteceu?  Grande parte dos turistas eram mochileiros que mais produziam despesas do que receitas  ( infra estrutura adequada para ficar com suas barracas, policiamento especial para segurança pública, providências para atendimento médico, se necessário, locais – sambódromo, autódromo para se instalar, etc ).  Só produziram resultados econômicos positivos aqueles que se instalaram em hotéis de melhor qualidade.  Mesmo assim, muitos hotéis e restaurantes ficaram frustrados com os resultados.

Os aeroportos, de fato, tiveram um grande avanço no que se refere à sua ampliação.  Com mais de dez anos de atraso, fez-se algo absolutamente necessário que já deveria ter sido feito.  Quanto à segurança e à mobilidade, Estados e Municípios deram conta do recado.  O governo federal aplaudiu.

Bom  mesmo é o povo brasileiro, que recebeu a todos com muito carinho.  Ponto que terá repercussão no exterior, limpando um pouco o nome do Brasil manchado pela repercussão negativa -  muitas vezes ampliada – de acontecimentos negativos do dia a dia de nossas cidades e pela corrupção que se espraiou pelo país.

A Copa e as eleições de outubro. Não subestimar a capacidade de pensar do brasileiro.

 

A grande maioria da população está ausente da discussão e da preocupação quanto à relação entre a Copa do Mundo de Futebol e as eleições deste ano.  Mas alguns milhares de brasileiros que acompanham e vivem a vida política do país se digladiam em uma discussão acaciana:  a vitória do Brasil ajudará a eleição de Dilma Rousseff?  A derrota do Brasil aumenta as possibilidades da oposição?

É fato que a questão da Copa não se resume ao resultado futebolístico.  Como o Brasil é a sede do evento, a discussão é sobre a sua organização.  Se boa, ponto para governo.  Se má, ponto contra.  E por quê?  Porque o Lula resolveu bancar que a sua realização fosse no Brasil, evidentemente com intenções políticas.  É incrível que com tanta experiência que já tivemos no Brasil muitos ainda acham que o futebol aliena.  Vale dizer, que o povo é alienado.  Não é, nem nunca foi.  Pelo contrário, é muito pragmático, ainda que esse pragmatismo não signifique plena consciência do que deve ser feito a curto prazo para que não tenhamos de lamentar os resultados a longo prazo.

A FIFA, a real responsável pela Copa, é uma entidade privada.  Ela é hábil em misturar as coisas, fazendo parecer que o evento esplendoroso é um inocente evento público.  Mas não é.  O poder público, diante de um espetáculo que atrai grande público tem a obrigação ( ou melhor, acaba tendo  a  obrigação) de dar as condições de estrutura da cidade e do país, no que respeita à mobilidade, à segurança, e à tudo que pode resultar em bem estar da população.   A FIFA ( assim como o COI – Comitê Olímpico Internacional ) como entidade privada, “dona” da marca Copa do Mundo de Futebol, tem como objetivo maior o seu negócio, que realiza possibilitando que centenas de empresas ampliem também os seus negócios, inclusive usufruindo da publicidade inerente para obterem mais lucros.  E seus dirigentes, por diversas vias, legais ou não, se beneficiam deles.  Essa Copa das Copas é uma fonte de riquezas para muitos.

Nenhuma objeção teríamos se a Copa não envolvesse bilhões de reais em recursos públicos.  Quando Governador do Estado de São Paulo fiz questão de destacar esse fato e não autorizei nenhum gasto específico nos estádios, públicos ou pertencentes ao clubes de futebol, nem qualquer subsídio estatal.  E o mesmo fez o governo do Estado na atual administração  Mas o governo federal não se comportou da mesma forma.  Além das formas que ainda não contabilizamos – mas haveremos de conhecer – usou bancos estatais para financiar os gastos da Copa.  Esses financiamentos são feitos a juros subsidiados, isto é, o poder público banca os custos de captação desse dinheiro e os investimentos deixam de ser dirigidos para áreas que são carentes dos recursos do poder público.  Também o governo municipal de São Paulo, apesar das juras em contrário, possibilitou operações em que ele se responsabiliza por parte dos investimentos.  O mesmo acontece em todos os Estados e Municípios em que os jogos se realizam.

Portanto o sucesso da Copa é o sucesso das disputas de organizações privadas, a FIFA e as Confederações de cada país, em cima de um esporte que é um dos mais populares do mundo, no qual o brasileiro, no caso, deposita seu amor e carinho e torce autenticamente sem saber o que está atrás de tudo isso.

Faço essa constatação independentemente do meu prazer em acompanhar esse esporte, desde tenra idade, desde que vivia no bairro em que nasceu o meu Corinthians, chegando a ser eu, até, um bravo “gavião” da Fiel.  Porém nada disso me cega.

Mas se a Copa é um sucesso no entusiasmo dos confrontos nos campos e nos lucros das entidades internacionais de futebol – privadas, lembro mais uma vez – é um resultado tacanho, se não criminoso, no que se refere à herança a ser deixada pelo evento, mesmo que algumas obras que já deveriam ter sido feitas há muitos anos, como as dos aeroportos, que estavam em petição de miséria nas mãos da malfadada estatal Infraero, tenham saído do papel.

A questão é:  o que será dos grandes estádios -  que vão se transformar em enorme peso para os clubes e para o poder público – à medida que os empréstimos tenham de ser pagos e a manutenção, caríssima, tenha de ser feita?

Essa questão nunca foi olhada com a responsabilidade devida.  Mas a conta virá.  Assim como os clubes são grandes devedores de contribuições devidas à Previdência pública, aumentarão o seu passivo e sua inadimplência.  De um jeito ou outro, o povo paga.

Hoje tudo é alegria.  Mesmo ganhando ou perdendo, a seleção brasileira ( já estamos entre as 4 melhores seleções do mundo ) e os jogos em geral são um sucesso.  Hoje é a carraspana.  A ressaca vem em seguida e vai ser dolorosa, campeões ou não.

Voltando à inicial, se o Brasil ganhar, ou se o Brasil não for campeão, isso muda alguma coisa no resultado eleitoral que teremos em outubro?  Creio que não.  As competições anteriores são prova suficiente de que não há qualquer relação entre a Copa e as eleições.  A alegria momentânea que teremos, ou a tristeza que vier, não altera a realidade da vida, do cotidiano, de cada cidadão.   Não alterará, pois, o resultado eleitoral de outubro.  Nessa disputa as questões que serão o motivo de decisão do eleitor são as que mexem com a sua realidade e com as suas expectativas de um futuro melhor.

Por favor, não subestimem a capacidade de pensar do brasileiro.

 

Como nunca antes: Brasil, um país à deriva  

 

As piores previsões sobre a economia brasileira vão se confirmando.  Não bastasse a inflação renitente acima de 6%, a projeção de um baixo crescimento do produto bruto, próximo a 1%, os investimentos paralisados, a baixa produtividade da economia, as receitas de exportação cada vez menores com a queda dos preços dos produtos agrícolas causando uma balança comercial deficitária, e a queda das receitas tributárias – agora aparece com toda intensidade a desaceleração da criação de vagas no mercado de trabalho – talvez a única variável que ainda se mantinha positiva para sustentar a política econômica desse governo e a chance de reeleição da presidente.

O mercado formal de trabalho no país criou apenas 59 mil vagas em maio, o pior resultado para o mês desde 1992, menor que o resultado do ano passado que havia sido a criação de 72 mil vagas e menos da metade dos menores resultados do período de 22 anos, que foram 2003, 2009 e 2012, além de 2013.  A característica mais danosa dessa baixa criação de empregos é que a indústria encolheu e o resultado medíocre mas ainda positivo só foi possível pelos resultados da agricultura e dos serviços.  Se levarmos em conta que em maio se concentraram obras e serviços em função da Copa, podemos imaginar o que nos espera nos próximos meses.

O governo federal continua com suas estripulias que alguns chamam de criatividade.  Acaba de dar novas áreas do pré-sal para exploração pela Petrobrás, sem licitação.  Com isso a Petrobrás – que já não está bem das pernas – pagará à União 13 bilhões de reais durante cinco anos, dos quais 2 milhões só nesse ano, para uma exploração que deve dar resultados a partir de 2020.  Para tentar manter o superávit fiscal – essencial para sustentar a já débil posição do Brasil diante do mercado financeiro internacional – vende os direitos que tem sobre o petróleo sacando sobre um ativo que o país deve preservar para o futuro.

O país está à deriva.  A resposta de Dilma é acusar a oposição, a mídia, o mau humor dos empresários, o capitalismo internacional, o sistema financeiro e, se o Brasil não ganhar, o Filipão.  O PT não tem nada mais a oferecer à Nação.

 

 

Dilma vai a pique

 

Em uma pesquisa eleitoral feita 4 meses antes do pleito o que é expressivo? Certamente não é a nebulosa intenção de voto nos candidatos.  Essa fala mais do passado do que do futuro.  No caso atual em nosso país, uma presidente candidata à reeleição, diuturnamente nos meios de comunicação, distribuindo dádivas a torto e à direito, sem se preocupar com o que vai acontecer após as eleições, vai disputar com dois ex governadores, conhecidos apenas em seus Estados, aparece na frente das pesquisas de intenção de volto.  O que isso quer dizer?  Literalmente, nada!  E o que quer dizer a avaliação da detentora do cargo e de seu governo? Tudo!

Para começar, pela primeira vez na série do Ibope, tornou-se majoritário o contingente de pessoas que consideram o governo Dilma ruim ou péssimo. A avaliação negativa da gestão atual é feita por 33% dos entrevistados pelo Ibope, enquanto os que a consideram ótima ou boa somam apenas 31%. Nem no auge dos protestos do ano passado isso chegou a acontecer (na ocasião, houve rigoroso empate em 31%).

Da mesma maneira, são maioria os brasileiros que desaprovam a maneira de a candidata-presidente governar: são 50%, contra 44% que ainda a aprovam. Neste quesito, isso se dá pela segunda vez na atual gestão: em julho do ano passado, Dilma também era mais rejeitada que aprovada (49% a 45%), situação que agora volta a acontecer.

A mesma coisa acontece com o grau de confiança na presidente. Segundo o Ibope, 52% simplesmente não confiam na presidente que os governa, enquanto 41% mantêm a confiança. É a maior marca negativa neste quesito registrada por Dilma – em julho de 2013, a desconfiança também superava a confiança, mas com margem menor (50% a 45%).

As políticas adotadas pela presidente Dilma são majoritariamente desaprovadas pelos brasileiros: educação, saúde, segurança pública, combate à fome e à pobreza, combate ao desemprego, meio ambiente, impostos, combate à inflação e taxa de juros.

Com toda essa desaprovação – governo majoritariamente ruim e péssimo,  desconfiança, e maneira de governar negativas –  Dilma Rousseff vai a pique. Surpresas e milagres existem mas, em geral, não acontecem nas eleições.  E não vai ser a campanha do Lula – “a esperança vencerá o ódio” – que vai pegar, pois durante toda a vida do PT os petistas geraram muito ódio contra seus opositores.

 

 

 

 

A pesquisa do Ibope foi realizada após a abertura da Copa, sugerindo, quem sabe, que a população em geral não compartilhou o repúdio aos péssimos modos da torcida no Itaquerão, como o PT se encarregou de tentar fazer todos crerem – embora sequer os mais destacados porta-vozes petistas, como Gilberto Carvalho, demonstrem acreditar em suas versões…

 

O mais certo é que os brasileiros de fato compartilham a avaliação que o secretário-geral da Presidência da Repúblicaexternou entre militantes e ativistas amigos do PT: “(A percepção de que) Inventamos a corrupção, de que nós aparelhamos o Estado brasileiro, de que somos um bando de aventureiros que veio aqui para se locupletar, essa história pegou.” A pesquisa do Ibope mostra que ele está coberto de razão.

O Cantareira: a verdade não interessa ao PT

 

Dilma afirmou que São Paulo não pode mais confiar no “volume morto” – referindo-se ao uso da reserva de água do Cantareira – ao comentar a eleição estadual na qual o seu candidato já foi rifado por ela.   Mais uma vez demonstra desonestidade intelectual.  Ela e seus assessores petistas sabem muito bem do quadro climático em São Paulo e no Brasil.   Chove torrencialmente no Norte, em diversos Estados do Nordeste, no Sul e mesmo em algumas áreas de São Paulo, como na Serra do Mar, o que provoca uma abundância de água no Guarapiranga.  Mas por um fenômeno climático sem precedentes não chove na bacia que forma o Sistema Cantareira.  Vejam o quadro abaixo (clique na imagem para ampliar):

grafico cantareiraA linha azul é a média histórica de afluência de água para cada mês ao longo dos 84 anos, na área do Cantareira.  A vermelha é a mínima histórica.  E a linha verde é o que aconteceu nos meses de 2014.   Isto é um fenômeno impossível, tecnicamente, de se prever.  A dimensão de qualquer sistema de fornecimento de água leva em conta, na hipótese mais pessimista, as mínimas históricas, nunca algo como metade dessas, como acontece em 2014.

Dilma sabe.  Lula sabe.  O PT sabe.  Mas a verdade não lhes interessa.  Apenas interessa o que lhes possa servir para manter ou ganhar o poder.

Eles fazem o mesmo em outros setores da administração pública.  Sabem, por exemplo, que os índices de criminalidade em São Paulo são os menores do Brasil.  Que as extensões dos sistemas de transporte de massa em trilhos são dezenas de vezes maiores que os existentes em qualquer lugar do país, onde o o governo federal é o responsável.

Mas não lhes interessa.  A verdade não lhes interessa.

 

Os fins justificam os meios, um episódio para mostrar a alma de Dilma, Lula e do PT

 

Eu não estava absolutamente disposto a comentar a vaia e o xingamento que a Dilma Rousseff sofreu na abertura da Copa.  O xingamento constrange, não porque é a Presidente, nem muito menos porque é mulher, ainda que a expressão e as vaias sejam muito usadas em momentos de raiva.  Contudo não é correto, seja o atingido qualquer cidadão, por mais simples que seja.  É muito agressivo.  Intimidador.  Mas não tem nenhuma importância e não vai mudar a vida de ninguém nem do país.

Um presidente ou um governante qualquer está sujeito à isso.  Eu mesmo já senti na própria carne vaias e baixarias no exercício de minhas funções públicas.  Adivinhem que eram os autores?  É isso mesmo: a nossa oposição comandada pelos inocentes petistas que agora tanto protestam.

É certo?  É educativo?  É conveniente?  Não, a meu ver, não é.

Porém as reações do PT e do governo me fizeram mudar minha intenção de não falar. Quem são eles para dar lições de moral para quem quer que seja?  O que já falaram do FHC, do Covas, do Serra, de mim mesmo, não lhes dá o direito de espernear.  Muito menos dizer que é a oposição que incentiva essas agressões.   O PT e sua tropa nada mais estão fazendo do que se aproveitar de um episódio menor, produto do sentimento de uma parte do povo que se expressa de forma equivocada, para criminalizar os oposicionistas que, via de regra, condenam essas atitudes..

Tudo isso faz parte de uma estratégia política.  Em todos os momentos possíveis, até as eleições que se aproximam, eles verbalizarão que estaria existindo um confronto de classes.  Ou melhor das elites contra o povo pobre e sofrido.  Nós somos as elites e eles, pobres coitados, os verdadeiros defensores dos oprimidos.  Essa estratégia sempre foi usada pelos ditadores e pelas ditaduras, em qualquer coloração,  para manter o poder.

Eles, PT e seus aliados no governo, não são elites, segundo o que pretendem fazer-nos acreditar.  Lula e Dilma têm calos nas mãos, trabalhadores que são pelo povo.  Tão discriminados, espezinhados, sofridos, coitados.  Eles e seus amigos – Maluf, Paulo Scaf, Sarney, Renan, Michel Temer – além dos militantes petistas, sindicais ou não, enfiados nos altos cargos do governo federal, simples homens do povo, trabalhadores, agredidos por essa “elite branca, instruída, bem alimentada”, que os vaia porque eles querem o melhor para o povo brasileiro.  É o que eles pensam vender ao nosso povo.

Na verdade eles são sócios desse assalto ao governo que o Brasil está sofrendo. A hipocrisia deles não têm  limites.  Mas os fins justificam os meios.  Esse princípio nunca deixou de norteá-los, de ser a sua filosofia, a sua a alma.

 

Dilma em campanha na TV foge da abertura da Copa.

 

Dilma acaba de fazer em cadeia nacional de radio e TV um longo horário eleitoral, sob a justificativa da abertura da Copa do Mundo.  Propaganda eleitoral descarada sem a possibilidade do contraditório, ilegal por que a lei não lhe dá esse direito.  Vai ser condenada pelo TSE a pagar, mais uma vez, uma multa que, certamente, o PT lhe cobrirá.  Ilegal ou não, faz o que quer, sem quaisquer escrúpulos. Sem coragem de mostrar a cara no estádio, temerosa de ser vaiada, substitui com uma gravação a sua ausência na abertura da copa. Corajosa no estúdio fechado de uma produtora de vídeo.

Nada disso vai adiantar.  Informo que uma pesquisa IBOPE, publicada hoje, contratada por uma entidade privada mostra mais uma queda das intenções de voto na presidente e uma subida dos candidatos da oposição.  Ela está com 38% de intenções de voto.  Aécio com 22%, Eduardo Campos com 13% e os nanicos 7%, somam 42%.  Segundo turno garantido.  Sua rejeição é, também, 38% ( em São Paulo, 61% dizem que não votarão nela em hipótese nenhuma ).  E a avaliação positiva de seu governo já é inferior à avaliação negativa.

Não há cadeia nacional que cure.

A desagregação começou por São Paulo e se espalha pelo Brasil

 

Como me foi possível intuir e expressar em evento do Instituto Teotônio Vilela ( ITV ) há um ano e meio e escrever sobre o fim da era ( ou do ciclo ) petista há um ano, os sinais da desagregação do PT estão cada vez mais evidentes, em especial a partir do sentimento do povo brasileiro que vive em território paulista.

O desespero petista já vinha se anunciando com as declarações e atitudes dos dirigentes públicos que nos governam, em especial da Dilma e do Lula.  Dilma já se tornou alvo do ridículo ao afirmar a realização de projetos que não se concretizam, ao insistir em apresentar o país por uma visão rósea e irrealista, ao fazer o jogo do contente e, ultimamente, em apontar a oposição ao seu governo como a responsável pelas dificuldades do país, sem nunca reconhecer os seus próprios erros.

Lula, por sua vez, que percebe que a sua casa está caindo, vem no mesmo diapasão e acrescenta entre as oposições as que ele chama de “elites”, dentre elas a mídia, que ele supõe sabotando o medíocre governo que ele implantou com a sua candidata vitoriosa.  Mais irônico é que ele coordena  uma frente, que define como “progressista”, juntando em São Paulo – e repisando o que fez no Brasil –  o PT , o Maluf e o Paulo Skaf.   Tudo a peso de ouro ( e de cargos ). Haja progressismo.  Aliás a Dilma já disse que em São Paulo tem dois candidatos: o Padilha e o Skaf.  Já enterrou o Padilha.

Eles são os progressistas e nós – social democratas e liberais – somos os reacionários.  Piada digna do José Simão.

Os sinais da desagregação são muito fortes.  No plano econômico a inflação, os baixos investimentos, a baixa criação de empregos, o crescimento econômico tangenciando a recessão, o déficit fiscal crescente, a balança de pagamentos cada vez mais desiquilibrada.  No campo social os movimentos que expressam o descontentamento da população.  No campo político os deputados e vereadores petistas que são descobertos como aliados do tráfico  ou dos doleiros.  Tudo lhes vai mal.

Os resultados começam a aparecer nas pesquisas nacionais que mostram que estão ladeira abaixo.   Começando fortemente por São Paulo, onde as pesquisas dizem que o governo Dilma tem a aprovação de apenas 23% do eleitorado e que 61% não votariam nele em hipótese alguma.   O índice do governo de ruim e péssimo é 39%.  Por incrível que pareça, em um eventual segundo turno entre ela e Aécio Neves, ela teria 34% e o ainda desconhecido Aécio teria 46%.  Perde até do Eduardo Campos.   E ela está, há 4 meses das eleições, em trajetória descendente!!!

São Paulo já a rejeitou e o Brasil, na sua totalidade, o fará logo mais.

Não vai deixar saudades

 

Dilma Rousseff é incapaz de oferecer um pouco de sinceridade e de confiança ao povo brasileiro.   Não conseguindo articular um projeto de futuro corre de um canto ao outro do país, inaugurando obras já inauguradas ou ainda em fase de construção e acaba se restringindo a críticas à oposição como se esta fosse culpada de seus insucessos.  Não consegue deixar de lançar petardos contra o governo FHC, como se ela e o Lula não  houvessem passado 12 anos no governo nos quais se nutriram da herança positiva que receberam.  Em todos esses anos nada realizaram que os identificassem como modernizadores e transformadores da situação que encontraram.

Seu governo vai terminar com um crescimento econômico inferior à metade da média dos países emergentes e pobres, que o FMI estima em 5,2%.  O desempenho de nosso país é o pior entre os principais países fora do mundo desenvolvido.  Dilma encerrará seu mandato – e já vai tarde – com uma expansão média anual de 2% do Produto Interno Bruto, isso se a estimativa de crescimento nesse ano – 1,6% – se realizar, o que já parece hoje impossível.  Os dados do primeiro trimestre desse ano ( crescimento de 0,2% ) e a perspectiva dos números de maio, apontam para índice inferior.

Entre 2011 e 2014, considerando o G20, o Brasil está na rabeira: a China com 8% na média anual, a Índia 5,3%, a Turquia 4,3%, a Argentina 3,8%, o México 3,0%, a África do Sul e a Rússia 2,6%.  O Brasil só supera alguns países ricos, com alto nível de vida e de renda, como Alemanha, Reino Único, Japão, França e Itália.

Comparando com as principais economias da América Latina, o crescimento médio nesses anos será o menor de todas.  Menor que Peru, Bolívia, Equador, Paraguai, Colômbia, Chile, Uruguai, Argentina, México e Venezuela.  Que desastre!

Dilma deu de falar pelos cotovelos, todos os dias, sem que a sua fala tivesse nexo, ou pudesse expressar de forma crível a esperança de dias melhores.  Está pasma com ela mesma e com a sua conturbada e medíocre equipe governamental.  Mais perdida que cachorro que caiu do caminhão de mudança.

Numa de suas últimas performances ela afirmou que o país vive um “problema seríssimo de expectativa” que está afetando o crescimento econômico.  Lula reclama do “péssimo humor dos empresários”. Pois é, esse problema seríssimo é culpa de quem?  Eles não têm nada a ver com isso?  O mau humor, as expectativas negativas são consequência de uma política econômica desastrosa, não sua causa.

É patético, mas ela pede ao empresariado que confie em uma mudança de clima “quando novembro chegar”.  Isto é, após as eleições.  Pois ela já antevê a sua derrota, já que são o seu governo, seu partido e suas alianças que estão levando o país ao desalento.

Ela diz “nós fizemos o possível e o impossível”.  Aliás em muitas coisas ela e eles fizeram o impossível de se imaginar e o impossível de se aceitar.  E o possível para que se repudie suas condutas.  Ao citar a inflação faz uma comparação ridícula com o governo FHC:  “nos três primeiros anos desse governo a inflação estava acima dos 12% e nos três primeiros do meu acima de 6%”.  Esqueceu-se de dizer que nos governos anteriores a FHC vivíamos numa hiperinflação e ela e o Lula pegaram um país estabilizado com uma economia equilibrada – tão equilibrada que eles prometeram, na carta aos brasileiros, antes das eleições que venceram, mantê-la com os mesmos fundamentos.

Não vai deixar saudades!

   Não é o país que não está dando certo.  São os governos.  E chega!  Já é demais!

O país avança, a sociedade progride, as condições de vida do povo melhoram, a miséria é enfrentada e a desigualdade combatida quando produzimos mais riquezas, mais bens e serviços.  E quando, ao mesmo tempo, o povo luta para participar dessas riquezas.  Isto é, economia e política interagindo.

Para se produzir mais é preciso ter competitividade.   O resto é “cascata”, discurso vazio, empulhação.

Creio que não há melhor forma de se avaliar como uma sociedade está se desenvolvendo e como um país foi e está sendo dirigido do que a análise de sua capacidade de competição no mundo da produção, isto é, de sua competitividade.  É isso que permite enfrentar, com efetividade, a miséria e a desigualdade.

A competitividade dá a exata medida das condições em que se encontram várias atividades em um país, que se traduzem em maior ou menor capacidade de disputar mercados e oferecer bens e serviços à sua população.

O país ser competitivo significa que os seus produtos podem disputar mercados em todo o mundo, ampliando sua capacidade de exportar bens, gerando internamente empregos e salários, além de obter as divisas necessárias para importar bens essenciais para incrementar sua própria produção e produzir para o consumo da população.  Também significa que os custos de seus produtos para consumo interno ficam no melhor patamar possível de preços, auxiliando no combate à inflação.  Assim se geram mais empregos e salários.

A competitividade do país depende de muitas condições: da formação e capacitação das pessoas que trabalham, vale dizer, do nível educacional e da qualificação profissional das pessoas; das suas condições de vida, ou seja, do atendimento à sua saúde, às suas necessidades habitacionais, à  mobilidade que permite ir e vir da casa ao trabalho; da infraestrutura logística das estradas, portos e aeroportos e da disponibilidade de energia motriz; do seu desenvolvimento tecnológico e de inovação de seu parque produtivo; das instituições que regem o trabalho e o capital; da maior ou menor eficiência da administração pública; do ambiente de negócios ( tributos, burocracia, etc ).

No Brasil de nossos dias, nenhuma dessas condições está presente para incentivar investimentos e possibilitar uma produção competitiva na  economia.   Isto é, a nossa competitividade é um gargalo que nos coloca em situação desvantajosa no contexto internacional e nacional: os nossos produtos são caros e de qualidade inferior.  Por isso temos inflação, baixa produção de novos empregos e baixo crescimento econômico.

No ranking de competitividade, montado pelo IMD, um instituto internacional que trabalha no Brasil com a Fundação Dom Cabral, o Brasil aparece nesse ano em 54º lugar dentre 60 economias.  E vem caindo.  Está entre os dez piores do mundo, nessa relação.  Depois de perder várias posições nesses últimos anos, se situa agora nesse ranking à frente apenas de países como a Grécia, a Argentina, a Venezuela, que passam por grave crise, e da Eslovênia, da Bulgária e da Croácia.  Também entre os dez últimos se situa a nossa gestão governamental, a qualidade da infraestrutura e a inflação.  Triste situação para um país que já foi um dos principais emergentes e esperança de um fato novo no contexto internacional.

Não é o país que não está dando certo.  Poucos no mundo têm um potencial igual ao nosso.  O que não está dando certo é, ou são, os nossos governos.  Se vivêssemos em um país sob regime parlamentarista, o gabinete já teria caído e o Congresso chamado para uma nova eleição.  Tanto um quanto o outro não têm o respeito e o respaldo do povo.

Como o nosso regime é presidencialista, temos de aguentar até o final do ano.  E chega!  Já é demais!

 

 

 

Como nunca antes em nosso país.

 

A recente paralisação dos transportes em São Paulo, provocada por uma dissidência interna ao Sindicato dos Trabalhadores do setor, é um exemplo do grau de esgarçamento a que se chegou na sociedade brasileira nas relações entre pessoas e entre grupos sociais.  Eles se enfrentam no afã de proteger ou conquistar algo que supõem seu direito e se dispõem a transgredir a lei para atingir seus interesses atingindo direitos e interesses de outros.

No caso em questão o conflito assumiu uma gravidade nunca antes verificada, como nunca antes em nosso país.  Os condutores dos ônibus de transporte urbano de passageiros de São Paulo não fizeram uma greve tradicional que, por si só, é ilegal porque se trata de serviço público essencial.  Decidiram assumir a direção dos ônibus, levá-los às ruas com passageiros, pará-los aleatoriamente e obrigaram esses passageiros a desembarcar abandonando os veiculos onde estivessem.  Em alguns casos o colocaram de forma transversal na avenida, furando pneus e impedindo o tráfego.

Cometeram um crime que tem de ser punido.  A polícia civil tem de abrir um inquérito ( já abriu ) e promover o devido processo legal.  Além de  perturbarem a cidade como poucas vezes se viu, eles transformaram milhares de trabalhadores em reféns, jogados nas ruas sem nenhum respeito, sem qualquer sentimento de solidariedade, sem compaixão.  Deixaram de ser seres humanos.  Agiram como se os seus direitos se sobrepusessem aos direitos de outros milhares de cidadãos que ficaram andando pelas ruas sem saber o que fazer.

É verdade que o poder público foi pego de surpresa.  A prefeitura não teve como acionar, de imediato, o seu esquema de emergência que, de qualquer maneira não estaria preparado para essa situação inusitada.  O governo do Estado, por sua vez, reforçou o esquema de segurança pública para preservar as pessoas e o patrimônio. Era o que podia e o que devia fazer.

A nota destoante foi o secretário da prefeitura, Tatto, responsável pela área dos transportes coletivos, que resolveu reclamar do governo do Estado, acusando-o de atitude passiva.  Lembram-se do caso da desocupação do “pinheirinho” em que a PM foi acusada pelo PT por cumprir uma determinação judicial?

O secretário Tatto imaginava que a PM poderia evitar as consequências da paralização e deveria tirar os ônibus das vias?  Esse é papel do governo municipal que tem pessoas preparadas e equipamentos adequados para fazer a operação.  É claro que, com 2mil ônibus paralisados nas vias, essa operação em tempo curto seria impossível.  Mas acusar a PM é uma aberração.  A PM não tem motoristas habilitados, nem equipamentos adequados a uma operação desse tipo.  A PM pode, e deve, proteger os agentes da prefeitura na sua responsabilidade de desobstruir as vias.  Esse é, de fato, o seu papel.  Nada mais.

Esse é mais um episódio do clima em que vivemos.   O problema não é do Município, nem do Estado.  É do país, como um todo, que estoura em São Paulo por suas características peculiares.  Tudo isso produto de anos e anos de descalabro, de desrespeito às leis e aos valores universais de um regime democrático onde se deve construir uma sociedade solidária.  O PT, Lula e Dilma percebem agora a sua responsabilidade com os males que afetam a sociedade brasileira?

Como nunca antes em nosso país, Lula tem razão..

PT nunca mais

 

Para quem não acreditava, já aconteceu.  Acabo de voltar de uma grande concentração em Cotia, cidade da Grande São Paulo, com uma apresentação do presidente do PSDB aos militantes e aliados da região Oeste do GSP, com a presença do ex governador José Serra.

Os discursos, tanto de Serra, quanto de Aécio, são a comprovação de que todas as forças que desejam uma mudança efetiva em nosso país estão unidas com o mesmo objetivo: encerrar a era de domínio petista.  Serra, em uma demonstração de grandeza, como todos esperávamos coloca, claramente, os interesses do futuro do país acima de quaisquer outros.  Unidos para mudar.

PT nunca mais.

Presidente, ou Presidenta, tenha vergonha na cara.

 

Partidos e políticos não costumam ser muito éticos quando envolvidos nos debates eleitorais.  Raramente contestam seus adversários com argumentos honestos e consistentes.  Frequentemente distorcem os fatos, apresentam dados falsos, não falam a verdade.  Expressam, às vezes, opiniões e conceitos que eles mesmo não sustentam.  Isso não deveria ser a regra geral.  Mas, infelizmente, é.  Exceções existem e cabe a cada cidadão perceber onde está a verdade, quem a expressa e quem colabora para o papel precípuo desses, partidos e políticos, que seria o bem estar comum da população.

Quando me refiro a esses personagens devo fazer uma exceção indispensável: o Presidente da República.  Pela sua posição, pelo seu papel, pela simbologia do cargo e pela sua importância no exemplo de conduta que o identifica como a figura de maior responsabilidade na vida pública, ele não pode se portar como qualquer militante partidário ou um agente político de menor importância.  Quando o faz, macula seu cargo, minimiza o seu papel e, pior, mostra o seu verdadeiro caráter.

Na vida, homem ou mulher sem caráter não é nada.  É zero.  Não merece respeito qualquer seja a sua posição na sociedade.

Sem ir muito longe no tempo, vou me referir à Dilma Rousseff, nossa presidente.  A cada dia que passa vai mostrando o que é.  De palanque em palanque, nos quais transforma atos de inauguração ou simples visitas à obras, Dilma se expressa sem qualquer pudor ou respeito aos cidadãos.  Faz a sua campanha eleitoral como qualquer militante político faria.

A última visita que fez foi à uma obra no projeto de transposição do Rio São Francisco, cuja conclusão está atrasada em anos.  Enquanto visitava esse monumento de incompetência no planejamento e execução do seu governo e de seu antecessor, Dilma, lá no sertão nordestino, teve a coragem de apontar falta de planejamento do governo de São Paulo para evitar uma crise de desabastecimento de água.  E o fez ao mesmo tempo em que os lagos produzidos pelas barragens das usinas de energia elétrica por larga área do país estão quase secos, colocando em questão a possibilidade de falta de energia elétrica. Isto é, a falta de água não se dá apenas no Sistema Cantareira de abastecimento de água para São Paulo, a estiagem atinge também as reservas das usinas hidroelétricas.   E vomita: “Acontece uma coisa engraçada no Brasil.  Quem nunca fez desanda a cobrar de quem fez”.

Cara de pau.  Sem caráter.  Quem nunca fez?  Quem fez?

Qual a contribuição do governo federal a São Paulo na área de saneamento básico?  Fora financiamentos, que são pagos com juros e correção, extensivos, é claro, a todos os Estados, qual o aporte de recursos federais para São Paulo?  Nada!  Zero! Pelo contrário a SABESP recolhe, anualmente, centenas de milhões em impostos para o governo federal, sem receber um tostão em troca.  Nem mesmo isenção de impostos sobre as empresas de saneamento.  No Brasil produzir água e proteger nosso meio ambiente paga impostos ao governo federal.  Do mesmo jeito que a Coca Cola.

Presidente, ou se assim o desejar, Presidenta, tenha vergonha na cara.  Nós não somos um banco de imbecis.  Merecemos e exigimos respeito!

 

O aeroporto de Guarulhos e nossos levianos dirigentes públicos

 

Quando eu fui Vice Governador e Secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, no primeiro ano do governo Serra, visitei o superintendente da Infraero da região de São Paulo e perguntei quais os projetos em andamento para suprir a crescente demanda dos aeroportos do Estado.  Ele me informou que naquele ano, 2007, iniciariam a construção do terminal 3 de Guarulhos que seria entregue em 2010.  Chamei a sua atenção para o rápido aumento da demanda de passageiros e que mesmo o terceiro terminal já estaria com sua capacidade esgotada em 2010.   A resposta foi rápida:  “em seguida precisamos ampliar o aeroporto de Viracopos”.  Pensavam em ampliar Viracopos como um terminal para atender também a região metropolitana de São Paulo. Lembrei-o, então, que Viracopos se situava a quase 100 km do centro da. cidade de São Paulo, distância superior àquelas existentes em qualquer parte do mundo entre as regiões metropolitanas e o aeroporto que as serve e que assim não haveria um lapso de tempo razoável e aceitável para o usuário do transporte aéreo ir da capital até Viracopos.

Aí veio a resposta surpreendente:  “ o acesso ao aeroporto não é problema nosso ( da Infraero ).  É problema do governo do Estado.”  Por via rodoviária, o tempo de acesso seria superior a uma hora, vindo da capital.  Trem não havia, nem há.  O sonhado trem bala, tão cantado e decantado por Lula e Dilma não passou de uma ilusão que se procurou vender à população do Rio e São Paulo.  Não aconteceu, conforme eu tinha previsto.

Por aí se vê a situação caótica em que se encontrava esse setor  da infra estrutura do país, nada diferente dos demais.

Enfim, estamos em 2014, e o terminal 3 foi entregue ainda em obras.  O quadro até agora só não foi mais dramático porque a demanda não cresceu tão rapidamente esses últimos anos em razão do baixo crescimento econômico.  De qualquer forma, mesmo com a ampliação de Viracopos, a situação não se resolve para os próximos anos.

 

Quando houve a tragédia com o avião da TAM, em 2007, em Congonhas, Lula e Dilma se apressaram a comunicar, formalmente, através de todos os meios de comunicação que, em 60 dias haveria a indicação do local de um novo aeroporto internacional na região metropolitana de São Paulo.   Sete anos se passaram, e nada.

Assim são os nossos levianos dirigentes públicos.

Lula, o santo do pau oco. A lição do fim de uma era.

 

O ex presidente Lula, ao discursar no Encontro Nacional do PT, apesar de se mostrar incapaz de fazer uma auto crítica e avaliar a sua responsabilidade  na história do país nos últimos 12 anos  em que ele e Dilma presidiram, reconhece ter o seu partido se afastado dos ideais que levaram à sua criação, não ter conseguido “provar que é possível fazer política de forma mais digna” e de ter se transformado em um “partido convencional”, em que “tudo é uma máquina de fazer dinheiro”, nas suas próprias palavras.  Mas, busca na mídia, na oposição e em “uma parte da elite brasileira” os culpados pelo quadro de crise por que passa o governo e pelo estado de decomposição por que passa  o partido.

Lula se lamuria dizendo “uma parte da elite brasileira não nos suporta.  Gente mal agradecida que cospe no prato que comeu…”.  Mas não tem o que reclamar.  Ele deu, de fato, a essa elite os privilégios que ela demandou, através de generosos contratos e financiamentos, além do apoio incondicional.  Mas não foi apenas uma parte da elite brasileira que se apropriou dos resultados desses 12 anos de comando petista.  Foram os próprios líderes do partido, seja por dinheiro ou simplesmente por poder político, que apodreceram moralmente.  É dessa forma que ele pretendia cumprir aqueles ideais que foram a razão da criação do PT?

Lula é um santo do pau oco.  Dissimulado como ele só, permitiu e contribuiu para que muitos enriquecessem às custas do povo brasileiro.  Ele próprio é um exemplo da gratidão dessa elite que agora acusa, que lhe enseja andar pelo país e pelo exterior dando palestras muito bem remuneradas.

O desespero bate às portas do PT.  Não faz a auto crítica necessária e, mesmo que a fizesse, já é tarde para reconstruir a imagem arrasada.

É o fim de uma era, infelizmente com a destruição de um partido do qual se esperava uma enorme contribuição para uma nova forma de fazer política.  Que os próximos dirigentes do país aprendam a lição e se preparem para governar não para um ou mais partidos, mas para o conjunto da sociedade.

Padilha no ofício de conselheiro do PSDB. Quem diria?

 

Interessante esse Padilha, o Alexandre.  Que ele se defenda de acusações, é legítimo.   Rejeita a afirmação de que teria indicado como executivo do Labogen, o laboratório adquirido pelo doleiro Youssef para operações pouco republicanas, o seu ex auxiliar, Marcus Cezar Ferreira, o Marcão, conforme gravação obtida pela Polícia Federal de conversas entre o deputado petista André Vargas e o citado doleiro.  Marcão seria a ponte entre o esquema corrupto e o ministério.  Minimiza o fato de ter assinado como testemunha o termo de possível parceria com o laboratório dizendo que, antes de qualquer contrato, ele haveria de passar por filtros de avaliação.  Até aí, tudo aceitável, a ser comprovado, como seu direito de defesa.

O que não é aceitável é ele, debaixo dessas acusações, virar as baterias contra o PSDB como se esse fosse o autor das denúncias.  Não é.  São matérias do jornal “O Globo” e investigações feitas pela Polícia Federal.  Padilha, naturalmente “preocupado” com o futuro de seu adversário, o PSDB, lhe dá orientação política, afirmando que “o PSDB vai perder de novo se continuar a minar as candidaturas petistas como a dele e da presidente Dilma, por meio de denúncias”.  Patético.

Não satisfeito em se meter a ser conselheiro do PSDB, acusa o governo de São Paulo de não investigar a formação de cartel, “cujas investigações começaram por autoridades internacionais e pelo CADE”.  Pelo contrário, o governo de São Paulo, logo após a confissão de um diretor da SIEMENS, uma das partes do cartel, iniciou uma investigação e um processo judicial de ressarcimento dos prejuízos eventualmente provocados pela formação do cartel, inclusive utilizando as investigações feitas pelo CADE.  É importante que se esclareça, que o cartel das empresas que atuaram na área teve abrangência internacional e, no Brasil, teria se organizado em todo o território nacional, inclusive nas empresas federais que utilizam os bens produzidos pelas empresas que formaram o cartel, não só na área do transporte sobre trilhos como também no setor elétrico, onde a participação federal é dominante.  Aliás, no âmbito federal, além das investigações do CADE desconheço qualquer iniciativa para processar e pedir judicialmente ressarcimento por prejuízos provocados pelo cartel.  Dizer que “no âmbito do governo federal a apuração começa no governo federal”, é desconhecer que ministros caíram sem que qualquer dos acusados por corrupção tenha sido molestado.  Pelo contrário, vários deles voltaram a dirigir e mandar em ministérios e órgãos federais.

Reconheço o seu direito de defesa.  Seus argumentos devem ser avaliados e aceitos, ou não.  O que ele não tem o direito é de ser intelectualmente desonesto e tentar encobrir seus problemas com ataques a terceiros, sem base nos fatos.

 

Lula diz que a verdade aparecer é questão de tempo. Que assim seja!

 

Não vamos opinar sobre a afirmação de Lula em terras portuguesas de que no processo do mensalão 80% da decisão foi política e 20% foi técnica.  O que são 80%, ou 20%, de uma decisão?   Como medir uma decisão e estabelecer sobre ela um percentual de acerto ou erro? Uma bobagem incompreensível.  Próprio do Lula que nunca se preocupou com coerência.

Mas se há uma coisa que Lula falou que é verdade é o seguinte:   “O que eu acho é que não houve mensalão. Eu também não vou ficar discutindo a decisão da Suprema Corte. Eu só acho que essa história vai ser recontada. É apenas uma questão de tempo, e essa história vai ser recontada para saber o que aconteceu na verdade”.

É isso mesmo.  É uma questão de tempo para saber o grau de envolvimento e de conhecimento que ele tinha sobre a compra de votos – e de consciências – para garantir maioria no Congresso Nacional.   A meu ver o Lula não ficará isento, não sairá limpo, no julgamento da história.  É possível mesmo que essa discussão se acenda durante a campanha eleitoral, principalmente se ele for o candidato do PT, como já se cogita abertamente por aí.

Como sabemos a Dilma já está baleada, ferida, e dificilmente se recupera. Lula, é possível, vem aí.  E então poderá contar o que aconteceu na verdade.

Padilha, não é ignorância, é desonestidade intelectual. Me dá ódio e nojo.

 

Há um mês li um belo artigo do Alexandre Padilha na pág. 3 da Folha de São Paulo.  Fala do seu pai, preso, torturado e exilado no período da ditadura militar.  Só veio a conhecê-lo quase aos oito anos de idade.  Relata sua infância impactada por essa ausência. Diz, como o Dr. Ulisses Guimarães dizia, que tem ódio e nojo da ditadura.  Como eu.

Fui contemporâneo e também vivi esses tempos de tristeza e de tensão.  Nunca fui preso, torturado ou exilado.  Estava aqui mesmo, no Brasil, usando a trincheira possível lutando pela volta da democracia.  Ainda que com caminhos distintos, buscávamos o mesmo objetivo e chegamos lá.

Alexandre é bem mais jovem que eu.  Um quadro novo da política nacional.  Perdemos muitos quadros políticos, ou por morte, ou por desilusão ou por simplesmente por terem aderido ao jogo do poder pelo poder ou pelo que o poder pode trazer de benefícios pessoais.   Mas alguns, como Alexandre, seriam a esperança de recuperar o que se perdeu no período trágico de 20 anos de ditadura e autoritarismo.

O que mais se exige desses novos quadros é, como parte de conduta moral e ética irrepreensível, a honestidade intelectual.  Tenho ódio e nojo também da falta dela.  É o que eu esperava dele.  É o que eu pratico.

Padilha passou a ser o candidato do seu partido, o PT.  Sua entrada em cena, no entanto, não condiz com o que se poderia esperar face ao seu histórico pessoal e ao seu artigo na Folha.   No programa partidário apresentado na TV ele se submete à falta de escrúpulos de seu partido e dos marqueteiros de sua campanha.  Na mesma linha, aliás, de Fernando Haddad, outra novidade da política, que durante a campanha para a prefeitura não teve escrúpulos em fazer propostas e afirmações que sabia serem irreais ou inverídicas.

Padilha se apresentou no vídeo diante da represa Billings, cheia de água, e de uma represa do sistema Cantareira, andando em um chão esturricado, afirmando que isso comprova a falta de planejamento do governo do Estado.  Uma represa cheia, a outra vazia.   Desonestidade intelectual.

As equipes de Padilha sabem, e ele também – não vou admitir ignorância porque ele não é inocente –  que a represa Billings foi construída com o objetivo de fornecer água para mover as turbinas da Usina Henry Borden, em Cubatão, está situada na bacia hidrográfica da Serra do Mar, cujos índices pluviométricos são elevados – e o foram neste último verão – recebe as águas do rio Tietê através do rio Pinheiros e, por isso, tem uma grande parte do seu corpo poluído por esgotos domésticos e industriais, o que a inviabiliza como fornecedora de água, a não ser em alguns de seus braços, que já vêm sendo utilizados para abastecer a metrópole.

Já a represa de Guarapiranga, na mesma bacia hidrográfica, está cheia, é fornecedora de água para parte da região metropolitana e está sendo utilizada no limite de suas possibilidades.  Porque Padilha não fez imagens à beira do Guarapiranga?

A situação do Cantareira é distinta.  Na sua bacia hidrográfica choveu em novembro metade da média histórica.  Em Dezembro, pouco mais de um quarto e em Janeiro e Fevereiro apenas um terço.   Abaixo de qualquer índice que se tem conhecimento.   Além disso, a média de temperatura nesses meses foi a maior que se conheceu.

Assim não há como se comparar as duas bacias que abastecem as  represas.  É uma situação absolutamente inesperada, jamais prevista por qualquer instituto de meteorologia.  Chuvas intensas em um sistema e seca no outro.

Padilha sabe disso.  Não é ignorância.   É desonestidade intelectual.  O candidato com essa conduta, submetendo-se à falta de escrúpulos de seu partido, entra no rol dos mesmos que transformaram a nossa vida política no que ela é.  É frustrante e, mais uma vez, me dá ódio e nojo.

O país vai sofrer

 

O país já está sofrendo as dores do estertor da era petista.  Inflação, descontrole fiscal, baixos investimentos, reduzida criação de empregos, escândalos que se avolumam e descrédito geral são os sintomas desse final de ciclo em que o PT, com Lula e Dilma, presidiram o país.  O episódio da compra da refinaria de Pasadena pela Petrobrás – agravado pelo conhecimento que agora se tem da construção das refinarias em Pernambuco e no Rio de Janeiro – é a pá de cal, não só pelo fato em si, mas pela retirada do véu que sempre protegeu a empresa de quaisquer olhares mais atentos e críticos.  A Petrobrás é símbolo e orgulho da inteligência e capacidade de trabalho do nosso povo e a exposição de suas entranhas, que todos supúnhamos saudáveis, mostra a que ponto chegou o assalto a que foi submetido o Estado brasileiro nos últimos quase 12 anos.

A partir desse episódio tudo, em qualquer área da administração federal, virá à tona, e o que se pode antever é a emergência de um imenso rol de irregularidades e demonstrações de irresponsabilidade no uso do dinheiro público, o que torna o “mensalão” um episódio menor, um mero aperitivo do banquete que vem alimentando o PT e seus aliados.

O ex presidente da Petrobrás, José Sergio Gabrielli, unha e carne do chefe incontestável – Lula –  resolveu se defender.  “Dilma não pode fugir da responsabilidade dela, já que era presidente do Conselho ( da Petrobrás )”, diz ele em entrevista ao Estadão.   Mas, na linha de argumentação da presidente e do  criador dela, reafirma que a oposição faz campanha irresponsável contra a Petrobrás e cita como exemplo uma desconhecida ação de interesses financeiros, que ele não identifica, e ameaças – sabe-se lá quais – ao papel histórico da empresa em desenvolver o pré-sal.  Tudo no mundo virtual.

A quem ele pensa que vai enganar?  Esse time de verdadeiros gangsteres que foram introduzidos na diretoria da empresa, um deles atualmente preso por ser articulador do desvio de dinheiro público em licitações, é responsabilidade da oposição?  A destruição do patrimônio da empresa que passou a valer metade do que valia é culpa da oposição? As refinarias cujos orçamentos foram multiplicados várias vezes sem nunca terem chegado ao seu final, também são obra da oposição?

Esse governo está se desmilinguindo.  Desmanchando.  Os meses que ainda faltam até o seu término serão muito duros.  Vamos viver o período eleitoral com o inexorável desgaste do governo à medida que as condições do país continuem a piorar e que novos fatos passem a ser do conhecimento público.

O povo vai sofrer com isso e não será fácil para ninguém, seja quem for o eleito, colocar a casa em ordem.