O hitlerzinho caboclo no STF

 

O Ministro Dias Toffoli, membro do Supremo Tribunal Federal e, atualmente, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, chegou ao STF por ser ativo militante do PT, sem cumprir o dispositivo constitucional que determina que para chegar a esse posto do Judiciário tem que ter “notável saber jurídico”.   Não tem em seu curriculum nada que o credencie.  Foi indicado por Dilma Rousseff e aprovado pela maioria governista do Senado Federal.  Um acinte.

No mínimo deveria ter compostura e mostrar a isenção de um magistrado na mais alta Corte do País.

Nesta quinta-feira o PSDB ingressou com uma ação no TSE questionando a candidatura de Dilma por suposto uso da máquina pública e abuso de poder político e econômico.  Um direito que lhe cabe.  É a lei.  O processo está sob a relatoria de João Otávio Noronha.

Dias Toffoli, ex advogado do PT, afirmou nesta mesma quinta-feira (18) que não haverá terceiro turno no país. A declaração endereçada à oposição foi feita na cerimônia de diplomação da presidente Dilma Rousseff, como reação à ação do PSDB.   Segundo ele, as eleições são uma página virada e esta é posição dos membros da Corte e do próprio corregedor Eleitoral, ministro João Otávio Noronha.  “Eleições concluídas são, para o poder Judiciário Eleitoral, uma página virada. Não haverá terceiro turno na Justiça Eleitoral. Que os especuladores se calem. Não há espaço. Já conversei com a corte e é esta a posição inclusive de nosso corregedor geral eleitoral. Não há espaço para terceiro turno que possa vir a cassar o voto destes 54.501.118 eleitores”, disse.

O Ministro, travestido de militante, não esperou a reunião da Corte, não falou no corpo do processo com as arguições das partes, defesa e acusação, não esperou pelas opiniões, formalmente expostas no momento adequado, dos demais Ministros.  Já decretou:  “É página virada…já conversei com a corte e essa é a posição do nosso corregedor geral eleitoral…os especuladores que se calem”.

Esse hitlerzinho que ganhou uma batina de juiz pelos serviços prestados ao PT, não considera o direito democrático de outros, ainda que representem a voz de mais de 51 milhões de eleitores, que estão usando o direito que a lei lhes confere de contestar a forma pela qual Dilma se reelegeu.  Não se dispõe a esperar a decisão normal no processo e já divulga o que seria a decisão da Corte.

Fôssemos uma democracia pra valer ele perderia o seu lugar no STF, no mínimo, por abuso de poder ou por falta de decoro.  Ainda não somos mas, um dia, haveremos de ser.  E seres como esse cidadão não terão mais espaço na vida democrática da Nação. Não pra ser juiz da Suprema Corte.

A organização criminosa de dirigentes do PT não atinge a personalidade jurídica do Partido.  O impeachment faz parte do Estado de Direito Democrático.

 

A incapacidade do PT em responder adequadamente às acusações de desvio de conduta, que são feitas aos seus dirigentes e aos seus militantes que estão exercendo altos postos na administração federal, o tem levado a expressar argumentos  falaciosos que só podem ser bem recebidos por aqueles que reagem por interesse pessoal, ou aqueles que, por ingenuidade, ainda guardam em sua mente a imagem de um partido que se pretendia ser o partido dos trabalhadores, ou o partido dos excluídos.

A tentativa de atingir e igualar todos os partidos e agentes políticos nos crimes de corrupção cometidos, colocando-os no mesmo balaio, como se todos fossem da mesma natureza, faz parte da política que o PT desenvolve inoculando em seus eleitores mais honestos – afinal a maioria dos seus adeptos – o argumento de que todos são a mesma coisa, todos são corruptos.   A diferença que o PT ressalta é que ele atua em benefício do povo marginalizado, explorado pelas elites que sempre dominaram a vida política do País.  São os fins que justificam os meios, ainda que esses sejam imorais e ilegais.

Esse argumento atinge o clímax nos mais recentes episódios que atingem a Petrobrás.  A justificativa para as propinas recebidas das empresas privadas nos contratos com a Petrobrás – ainda a ponta do iceberg – é que todos fazem a mesma coisa, todos os partidos agem da mesma forma.   Assim, sem qualquer espírito critico, se estabelece uma relação de semelhança entre esses escândalos, em que seus dirigentes estão metidos, com o episódio dos trens do sistema de transporte sobre trilhos conduzido pelo governo do Estado de São Paulo.  A confusão proposital tenta encobrir uma diferença fundamental:  no caso da Petrobrás o envolvimento é da direção do partido, do seu tesoureiro e dos seus indicados para postos no serviço público, que lá se encontram para, em muitos casos, sem prejuízo à obtenção de vantagens pessoais, captar recursos para o partido para  a manutenção do poder.  No caso dos trens de São Paulo a formação dos cartéis se deu para benefício pessoal de alguns dos diretores das empresas estaduais, pelo que se tem conhecimento até agora, sem qualquer envolvimento do partido como instituição.

O PSDB não se organizou, ao contrário do PT, para criar um duto de captação de recursos para as suas campanhas eleitorais.  Isso explica, inclusive, a enorme diferença que se tem verificado entre os recursos que os dois partidos tem obtido para as essas campanhas.  Falo dos recursos contabilizados, que não contém os recursos depositados em contas no exterior e os transferidos, diretamente, em dinheiro vivo, ao PT com a interveniência de simples “portadores”, o “Tigrão”, o “Melancia” e o “Eucalipto”, alcunhas que passaram a ser agora conhecidas, sob o comando de João Vaccari, o tesoureiro do partido.

Essa organização criminosa constituída pelos dirigentes partidários e públicos do PT, é que será objeto dos processos criminais e cíveis em andamento.  Ou seja, as pessoas físicas que a constituem vão sofrer, individualmente, o rigor da lei, que não se estende à personalidade jurídica do Partido, muito menos aos seus milhares ou milhões de filiados e simpatizantes.

Não há, pois, o que se falar em impedir o funcionamento do partido mas, tão somente, em penalização personificada dos seus comandantes, seja pela condenação criminal, como já se deu no processo do “mensalão”, seja pelo afastamento dos cargos exercidos, qualquer que seja a importância dos mesmos.

Esse raciocínio se estende à figura da presidente Dilma e dos seus Ministros de Estado.  Nele pode-se levantar o crime de responsabilidade política no exercício de cargos públicos, vale dizer, a sujeição ao dispositivo constitucional do impeachment cujo processo tem que ser autorizado pela Câmara dos Deputados, para que o Senado o julgue.

Não se trata de golpe.  É o exercício do Estado de Direito Democrático. Basta que existam razões consistentes e a clara e expressa vontade popular.

Falta de coerência de Dilma, melhor para o Brasil

 

Felizmente para o nosso País, Dilma não tem coerência, e a nova equipe econômica anunciada para o seu novo mandato, “governo novo, ideias novas” repete, sem qualquer diferença, o que Aécio Neves disse que faria, e o que ela disse que não faria para não provocar desemprego, para não tirar a comida da mesa do trabalhador e para não destruir os bancos públicos: contenção da dívida pública bruta, corte de gastos sem afetar os programas sociais, superávit nas contas públicas sem mandrakaria, isto é, sem “contabilidade criativa”, paralisação das transferências de recursos da União para os bancos públicos incentivando novos investimentos através do mercado de capitais.

Se no código penal existisse a figura do estelionato moral, ela seria inapelavelmente processada e condenada.  Não há. Só sobra o julgamento popular.

A nova equipe anuncia reformas na política econômica, mais do que isso, promoverá um desmanche da política Dilma/Mântega.  O modelo fracassou e a presidente, seu ministro e o PT fracassaram.  Quem venceu as eleições, numericamente, pela ampla maioria de votos entre o povo que tem sua subsistência dependente de bolsas governamentais, e presidirá a República foi Dilma Rousseff, mas quem venceu a parada sobre a política que deve dirigir o País nos próximos anos foi Aécio Neves.  Coisas da democracia brasileira.

Para a nova equipe a manutenção das políticas sociais depende do sucesso das políticas de estabilização, de investimentos e de crescimento econômico, exatamente o que a oposição dizia insistentemente.  Dilma, como qualquer cidadão de mediana cultura e informação, já sabia.  Mas o interesse eleitoral a levou a atacar ferozmente aqueles que defendiam as mudanças que agora ela promove, como essenciais para o avanço social.

Se tivesse caráter, ao menos reconheceria o que a sua campanha trouxe de mentiras e desinformação.  É pedir demais, não é?

Melhor assim para o País.  Abre-se uma perspectiva de superarmos a crise econômica em que vivemos, desde que o que os novos dirigentes tenham as condições reais de realizar a política exposta.  Terão?  O futuro dirá.

Quanto a ela e seu partido, o povo que diga.

PT o partido dos pobres?  Ou dos ricos?

 

O PT durante anos trombeteia que é o partido dos pobres.   Diz que a elite é contra ele.  São os empresários, é a mídia, golpista, é claro, são os banqueiros, as multinacionais contra os interesses do País.  Do seu lado a classe operária, os trabalhadores, os desvalidos, os injustiçados, os excluídos.

Pois esse pobre PT arrecadou na última campanha cerca de 319 milhões de reais, 41% a mais que arrecadou em 2010, já ajustado o valor da época pelo IPCA.  Os maiores contribuintes foram o JBS ( nascida em Goiânia é hoje uma multinacional), dono do frigorífico Friboi, que deu a bagatela de 69,7 milhões, foi aquinhoado nos governos petistas com enormes financiamentos públicos, e as construtoras Andrade Gutierres e OAS.  Mas para mostrar a vontade popular de contribuir com o partido, 0,7% do total recolhido vieram de pessoas físicas.  É a contribuição popular, para mostrar como o partido é do povão.

Essa dinheirama foi toda gasta na campanha.  Sobrou um troquinho.  Partido popular é assim.

Já o partido da elite, o PSDB, arrecadou 201 milhões de reais e gastou 216 milhões.  Ficou devendo na praça.

Caso único na História Mundial em que os ricos contribuem mais para os pobres nas disputas políticas.

Até quando essa gente pensa que vai continuar enganando?

 Um prêmio para quem evita as investigações

O senador Vital do Rego, do PMDB da Paraíba, vai ser indicado pela Dilma para uma vaga no Tribunal de Contas da União.  Ele preside a CPMI da Petrobrás e se notabiliza por proteger os dirigentes da empresa e o próprio governo.

Um prêmio à altura.  Imaginem-no fiscalizando o governo federal.

Coerência da Dilma

Intelectuais ditos de “esquerda” e representantes de movimentos ditos “sociais” que apoiaram a reeleição de Dilma cobram coerência entre o discurso de campanha e as práticas de governo, uma forma de protesto contra a escolha de Joaquim Levy para a Fazenda e Katia Abreu para a Agricultura.   Segundo eles as escolhas sinalizam “regressão” da agenda vitoriosa das urnas.

Ora, a única agenda vitoriosa das urnas que houve foram os avisos feitos aos 50 milhões de dependentes do bolsa família além de outros programas assistenciais, humildes brasileiros, que correriam riscos de perda dos benefícios caso Aécio fosse eleito.  Essa foi a única mensagem “progressista” que vi durante a campanha, exposta pelo PT.

Agora Dilma, goste ou não goste, gostem ou não gostem os ditos intelectuais, terá de falar a verdade e agir conforme ela.

Chama-se estelionato eleitoral e todos nós, eles também, sabiam que assim seria.

Vejam bem, senhores que protestam, os trabalhadores de todo tipo, vinculados de uma forma ou outra ao processo de produção foram, em sua maioria, eleitores de Aécio.  É só ter honestidade intelectual para verificar.

Além do que, cobrar coerência onde nunca houve?

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Dilma em condições difíceis para governar. Exemplos da história são dramáticos

 

A história e seus exemplos

Pensei poder me livrar esta semana passada do clima político no País, permitindo-me uma semana de retiro, um desejo não satisfeito desde o segundo turno das eleições.  Qual o que.  A partir da vitória numérica de Dilma e de sua estrondosa derrota política – e de imediato a necessidade de a reeleita compor sua equipe de governo para, segundo ela, realizar um “novo” governo, um avanço em relação ao atual – os acontecimentos se sucedem com tal rapidez e com tal gravidade que é impossível eu me abster de escrever.

Nesses dias terminei a leitura da obra do jornalista Lira Neto sobre Getúlio Vargas que me fez despertar quanto à gravidade do exercício de um mandato presidêncial, obtido por larga margem de votos, como foi o de Getúlio mas sem suficiente apoio parlamentar, com uma oposição dura e, por vezes, delirante, com acusações de corrupção permanentes, sob o comando de um orador implacável e agressivo, Carlos Lacerda, com as Forças Armadas sempre presentes na cena política e com um entorno do chefe do governo de parentes e aproveitadores dispostos a tudo para não perder o poder.  A crise de governo atingiu tal ponto que se tornou inevitável o golpe de Estado com a deposição de Getúlio, o que só não aconteceu por causa do seu suicídio.

Claro está que o quadro atual é muito diferente do daquela época, não é preciso mostrar as diferenças, elas saltam à vista.  Diferente também do quadro que levou Jânio Quadros à renúncia, do que levou João Goulart a sofrer o golpe de Estado e do que levou ao impeachment de Collor de Mello.

São épocas, realidades, conjunturas absolutamente diferentes.  Mas os episódios têm coisas em comum que nos obrigam a meditar.  Dentre elas a falta de apoio parlamentar, a tênue consolidação dos princípios da Democracia, as políticas populistas que atingem amplas camadas, numericamente majoritárias, o que permite vencer eleições, mas nem sempre possibilitam governar, e a presença em torno dos governantes de grupos ou partidos que usufruem do poder em seu próprio benefício levando à desagregação do governo.

Dilma, eleita presidente, nos remete à algumas dessas características que marcaram a história brasileira.  Em particular o frágil apoio parlamentar, o conceito da Democracia apenas como tática e instrumento de acesso ao poder, não um valor estratégico, as políticas assistencialistas que objetivam garantir a fidelidade de milhões de necessitados nos pleitos eleitorais e a presença de um partido com viés autoritário no qual a justificação dos meios para se atingir os fins pretensamente objetivados passou a ser uma política amplamente consolidada, quaisquer sejam esses meios.

Com o tempo os fins passam a ser apenas um objetivo teórico e propagandístico e os meios passam a ser os próprios fins.  Esse quadro é mais grave se se considerar o fato do partido da presidente, o PT, ter sido construído como um partido de massas que agregou centenas de quadros que lutaram contra a ditadura militar e ter galvanizado ampla parcela da opinião pública como quem poderia construir uma nova política e uma nova sociedade.  Agora essa opinião pública se vê, em grande parte,  frustrada em seus anseios.

Afirmo, sem medo de errar, que milhões de petistas que ainda sufragam o candidato petista – simpatizantes que não usufruem das vantagens do poder – o fazem com enorme constrangimento e aflição, pela percepção do abandono dos objetivos de uma sociedade justa e democrática que o partido pregou, em troca de alcançar objetivos pessoais.

Não espero que aconteça com Dilma nada semelhante ao que aconteceu com Getúlio, Jânio, Jango ou Collor.  Mas quero deixar consignado que não sei como sairemos desse pântano para o qual o governo nos levou.  Refiro-me às condições deploráveis da economia e a destruição total dos princípios da ética política.  Busco uma luz que me oriente e oriente o País para superar o quadro tão dramático que vejo e que prevejo.

Fatos da semana: a super gerentona em palpos de aranha

Semana terrível essa que termina com a divulgação de e mail do criminoso confesso – Paulo Roberto Costa – dirigido em 2009, ano anterior à primeira eleição de Dilma, quando no exercício de Diretor de Abastecimento da Petrobras, no qual solicita à então Chefe da Casa Civil ações “políticas” para impedir que fosse sancionado o projeto de lei orçamentária para o exercício de 2010, aprovado pelo Congresso Nacional, que continha o bloqueio de verbas sugerido pelo Tribunal de Contas da União sobre obras de alto e duvidoso valor, em especial da Petrobrás.  Na época, o então presidente Lula, pela primeira vez na história do parlamento, vetou a decisão do Congresso.  Convivi anos como parlamentar, membro e presidente da Comissão de Orçamento do Congresso Nacional e nunca tinha visto um presidente vetar esse artigo do projeto aprovado.  O objetivo do TCU e do Congresso era bloquear despesas de obras que estavam sob análise em face de suspeições de técnicos do Tribunal, até que as dúvidas pudessem ser dirimidas, o que dependeria apenas de informações dos órgãos públicos e liberação do mesmo Tribunal.

Em princípio, a preocupação de um diretor de estatal sobre a paralisação de obras tem razão de ser.  E mesmo, naturalmente, do próprio Ministro da área e do Presidente da República.  O que chama a atenção é o fato dele, Paulo Roberto, se dirigir diretamente à ministro chefe da Casa Civil, passando por cima do presidente da empresa e do ministro da área.  Mostra uma relação que vai além das relações de trabalho e de subordinação nas estruturas do serviço público.  Mostra intimidade preocupante e dá margem à interpretações sobre os interesses pessoais, além do interesse público, da então futura candidata à presidência da República e, é claro do então presidente.

Sabendo-se hoje que Paulo Roberto, ao lado de outros diretores da Petrobras, como Renato Duque e Nestor Cerveró,  era um dos maiores operadores no sentido de obtenção de recursos para as campanhas eleitorais dos partidos da base de apoio do governo – e sabe-se lá para que mais, mesmo porque a carne é fraca – através de acordos espúrios com as empresas construtoras e prestadoras de serviços, me parece muito preocupante essa relação tão próxima com Dilma Rousseff.

Afinal qual era o papel da super gerentona?

A equipe de Dilma para chegar ao final do governo

Os primeiros passos na formação do governo são, no mínimo, curiosos.  Depois de deblaterar durante a campanha contra o sistema financeiro (para Dilma iríamos entregar a economia e as riquezas do país ao sistema financeiro, ao mercado, aos especuladores e exploradores do povo pobre), ela procurou o presidente do Bradesco, o maior banco privado nacional, convidando-o para Ministro da Fazenda.  A opção sugerida pelo Lula foi o Henrique Meirelles, ex presidente do Banco Central e ex presidente do Bank of Boston.  Um não aceitou, o outro não emplacou.  Aí, segundo sugestão do próprio setor financeiro ela vai buscar o Joaquim Levy cujas concepções não diferem muito das do Armínio Fraga, que seria o Ministro caso Aécio vencesse.  Aí parece que a coisa está provocando reações violentas de vários setores do PT.

Penso que a única forma de Dilma tentar obter o apoio do que ela chamou de a elite da sociedade ( foram 48,5% dos eleitores que deram o voto a Aécio ) na qual se incluem além de empresários, trabalhadores, classe média, jovens, profissionais, intelectuais)  é,  justamente, buscar nessa elite os quadros para obter o respaldo essencial para poder governar.

Aliás como é ampla essa elite!!!

A formação do governo vai ser o sinal definitivo.  Se tiver a coragem de mudar tudo,  repito,  tudo, nos ministérios, nas direções de estatais, nas agencias reguladoras, nos fundos de pensão, enfim, toda a equipe que forma a estrutura de poder que existe hoje, basicamente apodrecida e corrompida, pode ter chances de chegar ao final do mandato.

A Petrobras na berlinda.

Mais e mais Petrobras

Em pouco mais de 2 meses a queda dos papeis da Petrobras é de quase 50% em função dos acontecimentos de conhecimento público.  Obras foram paralisadas, o plano de investimentos está comprometido e agora a presidente Graça Foster inventa uma nova diretoria para garantir o cumprimento das leis e dos regulamentos, e promover as boas práticas de governança.   Vale dizer, uma nova diretoria vai fiscalizar as outras diretorias para que elas façam o que tem que fazer.  Tem sentido? Ainda se fosse uma assessoria do Conselho de Administração, vai lá…

 

E ainda mais

Não é só a Petrobras.   A Eletrobras acumula perdas de quase 15 bilhões de reais em dois anos.  No terceiro trimestre desse ano teve um prejuízo de 2,7 bilhões de reais.  Esse governo afunda em qualquer área.   E vejam, eles não privatizaram as empresas: estão reduzindo-as a pó.

 

O homem do PT

O ex-diretor de serviços da Petrobras, Renato Duque, era o operador do PT e está preso.  Até agora, nos depoimentos, pelo que se tem notícia, não “cantou”.  Mas não tem escapatória, o seu braço direito, o gerente da diretoria, Pedro Barusco, já fez a delação premiada e confessou.  Inclusive que tem e vai devolver 250 milhões de reais.  É isso mesmo, 250 milhões de reais.   Isso é só a comissão que levou, só ele.  Imaginem o que vem atrás.   O mensalão foi “fichinha”. A própria diretoria atual da Petrobrás já está demitindo um sem número de executivos por conta do escândalo.  Não tem fim.

 

CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito)

O quadro para o governo é tão dantesco que ele não conseguiu evitar a quebra do sigilo bancário do tesoureiro do PT, o João Vaccari.  Perdeu no voto na CPMI.  O presidente da comissão, senador Vital do Rego, que quer ser membro do TCU, imaginem, no limite da subserviência tentou colocar no mesmo rolo os tesoureiros de todos os partidos.  Só pra embananar.  Não conseguiu.   E mais, foi aprovada a convocação do Renato Duque, o tal diretor que fazia a ponte com o PT.  Está um Deus nos acuda!  A base do governo já era.

 A ganância das empreiteiras

Em geral, os diretores das empreiteiras estão alegando que fizeram o pagamento das propinas sob coação, sob pena de represálias ou de não obterem o contrato desejado.  Falso, não há nada, nem ninguém, que possa obrigar alguém a realizar ações criminosas.  O que as impeliu a isso foi o desejo de não se submeter às licitações necessárias obtendo, com isso, o maior lucro possível.  É a ganância que predominou. Elas, gostosamente, se submeteram aos corruptos.

Nisso tudo, piores são os políticos que articularam e intermediaram os negócios para benefício próprio. Eles foram eleitos para melhorar a vida do povo não para saqueá-lo.

 

E foi, também, contribuição de campanha?

E se parte dessas propinas entrou no caixa dos partidos e candidatos, aparentemente de forma legal, como contribuição de campanha ou ao partido, mas na verdade como uma forma de esquentar o dinheiro dado como retribuição pelos crimes?

Aí, meus caros, os mandatos são passíveis de anulação.  Seja presidente, governador, senador ou deputado, pode haver perda de mandato.  A PF já investiga.

 

As empreiteiras já buscam uma saída

Elas estão tentando com a CGU e com o CADE acordos de leniência, ressarcindo sabe-se se lá quanto e como.   Pode ser feito, sim, mas não elimina a culpa das pessoas físicas envolvidas.  Muito menos dos partidos beneficiários.

 

 

Apesar de você, Dilma, amanhã há de ser outro dia

 

Sim, apesar da Dilma.  Ela disse, na Austrália, a respeito das investigações e prisões em consequência dos assaltos a que foi submetida a Petrobrás: “Eu acho que isso pode, de fato, mudar o País para sempre”.

Pode, não Dilma, vai mudar.

Como já escrevi, após as últimas eleições o País não será mais o mesmo.  A rejeição demonstrada a ela no pleito eleitoral, apesar de sua vitória numérica, e os fatos subsequentes não lhe dá mais credibilidade moral e política para que as suas falsidades sejam acolhidas com respeito.

Ela já tinha tentado se beneficiar da limpeza feita por pressão da sociedade sobre seus ministros corruptos no início de seu mandato.  Saiu brandindo uma vassoura e se auto denominando faxineira.  Nada fez na época a não ser aceitar os pedidos de exoneração de ministros e ainda perdoou muitos deles fazendo-os retornar, ou por terceiros, a postos da mesma importância dos que deixaram.

Agora faz o mesmo diante do quadro dantesco da corrupção gigantesca na Petrobrás.  Sai gritando “pega ladrão”, como aquele ladrão que, pego com a boca na botija, procura criar confusão para escafeder-se.

Não era ela a toda poderosa ministro das Minas e Energia, no governo Lula, que comandava as empresas da área de Energia, em particular a Petrobrás?  Não era ela a presidente do Conselho de Administração da companhia?  Não era ela, em seguida, a chefe da Casa Civil do Lula, comandando toda a administração pública com mão de ferro?  Não é ela a presidente da República que diz que exonerou diretores de conduta duvidosa, sem ter tomado, além disso, qualquer providência esclarecedora?

Vai ela agora posar de autora das ações que estão levando ao desvendamento dos escândalos?  Que coragem!  Se pegou, um dia, não pega mais.  As ações da PF e do Ministério Público e a transparência que a mídia está dando às investigações, independentes da vontade da presidente, deixaram a sociedade pasma e revoltada com o que fizeram com a Petrobrás.  Os números, em milhões de reais, dos desvios cometidos são assombrosos.   Os acordos da delação premiada dos que confessaram os crimes, referentes à devolução de propinas obtidas pelos diretores e gerentes da Petrobrás envolvidos, atingem centenas de milhões.  E isso é apenas a comissão que receberam. Imaginem quanto foi transferido para os políticos dos partidos da base do governo.  Aí que está o grosso do dinheiro desviado.  É assustador.

Vamos deixar claro que “ il capo” é o ex-presidente Lula. Dilma é apenas um instrumento, fantoche, que se prestou a fazer o papel que está fazendo.  Não acredito que tenha feito qualquer coisa para o seu próprio enriquecimento.  Mas se dispôs a participar, de uma forma ou outra, desse episódio tão triste da história de nosso País e assim tornou-se, além de beneficiária dos recursos desviados para as suas campanhas eleitorais, cúmplice da gang de Lula e do PT.

Felizmente as coisas ficam cada vez mais claras.  Apesar da Dilma, amanhã, sem dúvida, há de ser outro dia.

 

O governo petista desmorona, já, antes da nova posse

 

Premonição?  Não!  É a herança do governo Lula que começa a emergir.

No último post, “a hora da verdade”, há quatro dias, escrevi o seguinte:

“…Por cima de tudo isso um enorme escândalo – a Petrobrás – que vai se desdobrar por muito tempo com muitas revelações bombásticas que vão afetar profundamente a presidente e o seu antecessor, bem como os seus governos, tudo isso no meio de uma crise econômica muito séria que, além da inflação, provocou a estagnação da economia.”

Ontem os jornais estamparam uma enorme ação da Polícia Federal, com a prisão de um ex diretor da empresa, Renato Duque, que representava os interesses do PT, e de dirigentes das maiores empresas construtoras do país.

Não imaginem que eu tinha alguma ‘inside information”.  Não tinha.

Quero deixar claro que não gosto do show que a PF costuma dar quando decide prender alguém de expressão política ou econômica.  Para que informar a imprensa com antecedência?  Para possibilitar fotos dos detidos entrando no camburão ou na sede da PF?  Expô-los à execração pública sem julgamento?   Não é necessário, nem me parece condizente com as regras democráticas.

Fora isso, dona Dilma e, principalmente seu antecessor, o dr. Luis Inácio, estão sob o foco do maior escândalo da história brasileira, como nunca antes nesse País, com graves consequências para o presente e o futuro deles.  E de todos nós.

 

E o Balanço que não saiu?

A Petrobrás não vai publicar o balanço obrigatório já que a sua auditoria – a PricewaterhosueCoopers – decidiu não dar seu parecer até o esclarecimento dos episódios do escândalo, e em função das investigações do órgão regulador do mercado de capitais americano, já que a Petrobrás é uma empresa de capital aberto com ações na Bolsa americana.

Tudo isso já provocou uma queda no valor das ações e consequente diminuição do seu valor patrimonial.   Além disso, a falta da publicação do balanço pode levar a um vencimento antecipado de títulos da dívida da empresa e à perda do “grau de investimento” o que acarretaria despesas maiores em juros com o giro da dívida.

As denúncias que veem sendo feitas atingem o ex-presidente da empresa, Sergio Gabrielli, e já respingam na atual Graça Foster.   As coisas ficam cada vez mais complicadas.

 

Perda de postos de trabalho

Pela primeira vez, desde 1999, em um mês de outubro, foram fechados mais postos de trabalho formais que os que foram criados.  O resultado é uma perda de 30 mil postos de trabalho, especialmente na construção civil, na indústria de transformação e na agricultura.  A meta no ano, que era da criação de um milhão de postos pode não ser atingida.  Mais uma demonstração de que economia vai mal.

Isso significa que o crescimento do PIB, em 2014, poderá estar em torno de 0%.  E o PIB per capita, será negativo.

 

O não cumprimento da meta de superávit

Entenda o que significa isso.  A dívida pública federal ultrapassa 2 trilhões de reais e sobre ela o governo paga 12% ao ano, isto é, mais que 200 bilhões.  O orçamento e a lei de diretrizes orçamentárias de 2014 mandam o governo economizar cerca de 90 bilhões durante o ano – é a meta de superávit – para que parte, apenas parte, dos juros sejam pagos, e o crescimento da dívida seja apenas aquilo de juros que o orçamento não comporta.

O governo chegou a outubro, ao invés de economizar parte do que tinha de realizar durante o ano, com um déficit de 15 bilhões.  Só em setembro, no mês anterior as eleições (não é coincidência), gastou 20 bilhões a mais do que recebeu de impostos.   Vale dizer, chegará ao final do ano sem economizar nada para pagar qualquer parcela dos juros.  É crime.

O que tenta fazer o governo?  Manda um projeto de lei, no fim do exercício fiscal, para que aquela economia determinada em lei deixe de existir permitindo que despesas feitas com investimentos não sejam consideradas despesas, e receitas que o governo abriu mão para incentivar a produção, portanto não existiram, sejam consideradas receitas reais.  O superávit poderia ser…zero.

Em resumo despesas deixam de ser despesas e ausência de receitas passam a ser receitas.  Manjaram?

Qual o objetivo?  Evitar que a presidente seja denunciada criminalmente com o descumprimento da lei de responsabilidade fiscal.  Isto é, evitar ser incursa em crime de responsabilidade, passível de perda do mandato.  Isso chama-se impeachment.  É a lei, é a Constituição Federal.  São as regras da Democracia.

Como o governo pretende aprovar a lei no Congresso?  Só tem uma forma: o toma cá, dá lá.  Será mais uma demonstração de compra e venda, mais uma vez como nunca antes nesse País.

 

Dilma na hora da verdade

 

Em 2002 Lula venceu a eleição presidencial sem qualquer contestação do PSDB.  O povo queria renovação, não continuidade.  O comando do país passou às mãos do PT e o PSDB se tornou oposição.

Ainda assim, prevaleceu entre nós a disposição de ajudar o novo governo, em função do interesse maior do País, mesmo tendo sido o PT, oposição no período anterior, um permanente obstáculo às necessárias reformas estruturais que foram, a duras penas, aprovadas no Congresso Nacional.

Essa boa vontade deixou de existir em 2005 quando veio à tona a CPI dos Correios, que passou a se chamar CPI do Mensalão, na qual se caracterizou uma operação de compra de lealdade dos partidos da base governista com o uso de recursos públicos.  O resultado é conhecido.

Nas eleições de 2006 e 2010 a oposição foi, novamente, derrotada.   No início do governo Dilma Rousseff ela se mostrava abatida, não só pelos índices de aprovação da presidente, como também pela sua estrutura partidária muito pouco combativa e pelas suas bancadas parlamentares pouco expressivas.   Porém, a crise econômica por que passa o país e a cada vez maior consciência de que o Estado brasileiro, além de mal administrado, estava sendo saqueado pelo PT e por seus aliados, mobilizaram  movimentos populares espontâneos e isso  mudou o clima político e as próprias perspectivas eleitorais.

Em 2014 o PT para vencer teve de usar, como nunca, a mentira e o terrorismo para manter a seu favor as camadas mais pobres da população.  Dilma venceu, nos municípios de menos de 50 mil habitantes (perdeu nos municípios de mais de 100 mil habitantes), por uma diferença de 5,4 milhões de votos, em especial no Nordeste brasileiro, o que lhe possibilitou, no cômputo geral, a diferença de 3,5 milhões de votos para superar Aécio Neves.

Essa maioria numérica na forma e nas áreas em que foi obtida, não dá a Dilma as condições necessárias para enfrentar os desafios que ela tem pela frente. E não terá a condescendência da oposição, nem mesmo o apoio irrestrito de seu partido ou de seus aliados, abalados com as grandes perdas que sofreram.

Os fatos, dias após a festa da vitória, começam a se suceder.   Todas (sem exagero, todas) as acusações sobre as maldades que a oposição faria se vencesse passaram a ser praticadas por ela.  A mídia, dia após dia, noticia as medidas que a presidente está tomando.  Deixa-a muito mal entre a parcela da opinião pública que ainda tinha nela alguma esperança de seriedade e franqueza.

Dilma já começou a ser abandonada por seus aliados e, inclusive, por seu partido. Os aliados deram o primeiro sinal, rejeitando a sua decisão de criar os mal explicados conselhos populares.  E o seu partido começa a mostrar que a derrota provocou fissuras e descontentamentos difíceis de superar.

O cúmulo do absurdo são as declarações de seus ministros: Gilberto Carvalho, nada mais nada menos que o Secretário Geral da Presidência, afirma que Dilma não dialogou com as forças políticas e econômicas da sociedade e se afastou dos movimentos sociais; Marta Suplicy se demite com carta em que critica, abertamente, a política econômica do governo e afirma que Dilma perdeu a credibilidade.  Se isso se dá entre os seus próprios ministros, imagine-se o que falam ou pensam outros militantes. O respeito foi pro brejo.

Por cima de tudo isso um enorme escândalo – a Petrobrás – que vai se desdobrar por muito tempo com muitas revelações bombásticas que vão afetar profundamente a presidente e o seu antecessor, bem como os seus governos, tudo isso no meio de uma crise econômica muito séria que, além da inflação, provocou a estagnação da economia.

Todos os ingredientes para uma grande crise política estão presentes.  Lembremos as grandes crises no Brasil com vários presidentes que tiveram um fim bastante triste: Getúlio Vargas que se suicidou, Jânio Quadros que renunciou, João Goulart que foi deposto e Collor de Mello que sofreu o impeachment.

Ninguém sabe, muito menos ela, como se safar dessa.  Tudo pode acontecer e o País deve estar preparado para encontrar uma saída preservando o regime democrático e a integridade das pessoas.

 

A presidente Dilma em estado de coma  

 

Em setembro ( mês anterior à eleição ) gastaram 20 bilhões de reais mais do que arrecadaram, o maior déficit em um mês dos últimos vinte anos.

No dia seguinte, na Câmara dos Deputados, foi aprovado projeto que cancela o decreto que institui os Conselhos Populares.  O aliado Renan já avisou que o Senado também vai derrubar.

Em seguida o Banco Central aumentou a taxa de juros que o governo paga aos credores da dívida pública interna de mais de 3 trilhões de reais, para tentar enfrentar a inflação que já estoura até o teto da meta, mesmo não tendo nenhum superávit para cobrir qualquer tostão dos juros dessa dívida.

A tarifa de energia elétrica já vem aumentando e anulando a pancada que ela deu nos preços da mesma para fazer gracinha no período eleitoral.  O aumento da tarifa de combustíveis vem aí, curiosamente quando o preço do barril de petróleo desaba no mercado internacional.   Dizem que é para salvar a Petrobrás que foi destruída.

O Congresso aprova novo indexador para as dívidas dos Estados e Municípios com a União.  Representa uma enorme perda de receitas que vai apertar ainda mais o governo federal.

O Itamarati, depois de protestos, cobra da Venezuela o significado do convênio que ela fez com o MST sabe-se lá pra que.  Convênio entre um país estrangeiro e uma entidade nacional brasileira, sem passar pelo governo, cheira mal.

Pela primeira vez na história uma empresa estrangeira – a PricewaterhouseCoopers, que audita a Petrobrás  – “demite” um presidente de estatal brasileira: Sergio Machado, presidente da Transpetro.  Motivo?  Pressão das entidades de controle do mercado de capitais em Nova York, onde estão as ações da Petrobrás, em face das denúncias do Youssef.  Dilma nem apitou.

O PMDB lança presidente da Câmara sem levar em conta Dilma e o PT.

O número de brasileiros na extrema pobreza aumenta de 2012 para 2013, segundo o IPEA.  Esse instituto oficial foi obrigado a adiar o anúncio desses dados na semana anterior à eleição presidencial, como seria de praxe.

Lula já está reunindo os senadores do PT e pretende comandar os parlamentares do partido.

E Dilma?  Está em estado de coma respirando por aparelhos, poucos e ineficazes.  O que vai acontecer ao nosso querido Brasil?

O fim e o início do governo Dilma

Pega Dilma que a bola é tua

Ganhou sim, bem sabemos nós como ( sabemos quase tudo ).  Então tem que carregar e enfrentar a deterioração do quadro econômico iniciada por Lula e agravada por ela, Dilma Rousseff.  As contas federais estão no vermelho, a arrecadação tributária vem caído e não vai sobrar nada para pagar nem os juros da imensa dívida interna.  As transações com o exterior estão deficitárias.  As poupanças do governo e do país estão em queda, o que restringe o investimento.   Não há recursos para bancar as obras projetadas, muito menos para novos investimentos.  Produtos brasileiros vendidos no exterior estão caindo de preço e a indústria nacional produz e vende cada vez menos.  A inflação oficial já vai chegando aos 7% e a renda per capita encolhe pela primeira vez desde 2009.  O crescimento da economia já vem chegando a zero.   E lá vem crise no setor elétrico.  Eta herança maldita, dela para ela mesma.

Tudo isso para ser enfrentado com uma equipe de quinta categoria.  Vai dar?

 

Dá-lhe corrupção

Sergio Machado, presidente da Transpetro é acusado de repassar R$ 500 mil em dinheiro vivo a Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, como parte do esquema que pode ter desviado R$ 10 bilhões da companhia.  Faz parte da confissão do delator incluso na delação premiada.  Na sexta-feira, a reunião do conselho de administração da Petrobras foi interrompida depois que a PricewaterhouseCoopers apresentou uma ressalva, o que impediu o Conselho de aprovar o balanço. Isso obrigou Machado a se licenciar, dizem, depois de pressão do Renan Calheiros e do José Sarney, aos quais se submete.   Mais um na lista dos demitidos entre tantos, inclusive ministros.  Mas todos voltam por cima.  No governo Dilma ninguém que tem padrinho fica sem cobertura.

 

E o Vaccari Neto?

É o tesoureiro do PT, o homem que recolhia a propina em nome do partido.  E é membro do Conselho de Administração de Itaipu.  A Dilma não quis, ou não pode, demiti-lo.  Ele disse que pediria a demissão.  Até agora não se tem a confirmação.

 

Janot, segundo Dilma, não é engavetador

O procurador-geral eleitoral, Rodrigo Janot, enviou ao Tribunal Superior Eleitoral parecer contrário ao pedido de auditoria do resultado da eleição apresentado pelo PSDB. Segundo ele, não há base legal para uma auditoria.  Até aí poder-se-ia aceitar o argumento, ainda que reste a pergunta “porque não se pode auditar a contagem de um processo eleitoral?” Mas não satisfeito Janot avançou: “a petição do PSDB é ‘temerária’ e pode criar uma instabilidade social e institucional”.   Então um pedido de auditoria põe em risco a estabilidade institucional e social do país?

Por que procuradores e juízes se mostram tão temerosos e radicais?  Por que o PT chama isso de golpismo?  Cada vez mais sinto uma pulga atrás da orelha.

 

Manifestações populares

Longe de mim ser contra elas.  Porém, impeachment, só após se configurarem, legalmente, os requesitos que poderiam justifica-lo.  Aguardemos as investigações, a começar pela Petrobrás, e as confissões que já vêm vindo aos borbotões.  Vai ter muita matéria.  Nada de colocar a carroça na frente dos bois.  Daria com os burros n’água.

Quanto ao chamamento aos militares para intervir, além de ilegal, já vimos como se transforma em ditadura de duração de 20 anos.   Comigo não!!!

 

 

 

Dilma venceu? Pura ilusão numérica.

Dilma obteve 54,45 milhões de votos e Aécio obteve 50,89 milhões.  Dilma venceu?  Pura ilusão numérica.

O PT teve uma grande derrota nessas eleições, não só pelo fato de ver minguadas suas bancadas de deputados federais e deputados estaduais.  O PT perdeu a liderança entre os trabalhadores industriais e de serviços, entre a juventude, entre os empresários pequenos e médios e entre os profissionais liberais.

O PT foi derrotado nas áreas do país em que a moderna e mais produtiva economia se manifesta, da cidade e do campo, onde a sociedade civil é mais ativa e menos dependente do Estado.

O PT só foi maioria entre os mais humildes, grande parte daqueles que pela falta de rendimentos formais dependem do auxílio do Estado, dos seus mais diversos benefícios.  Lembrem-se das afirmações de Dilma nos debates de que existiam 50 milhões de brasileiros dependentes do bolsa-família.  Esses representam cerca de 35 milhões de eleitores dentre os quais estimo que Dilma tenha tido mais de 28 milhões de votos, metade do total obtido no país.  O PT, na campanha, não se envergonhou de afirmar, a todo momento e em todos os recantos do país, que a manutenção desses benefícios dependia da eleição de Dilma.  Uma arma apontada para a têmpora de milhões de simples cidadãos.

Tudo isso é expresso não apenas pela divisão regional do país, em que Aécio venceu nas regiões de economia mais avançada com uma população independente do Estado e Dilma venceu nas regiões onde a economia ainda tem muito do passado coronelista de dependência da população.

Os resultados nos municípios do país são bem elucidativos:  Aécio venceu Dilma nos municípios de mais de 500 mil eleitores (16,49 milhões de votos contra 14,38 milhões), e nos de 100 mil a 500 mil (14,20 milhões contra 13,00 milhões) e perdeu nos municípios com menos de 100 mil eleitores, em especial naqueles com menos de 50 mil eleitores (20,20 milhões contra 27,19 milhões).  A vitória de Dilma nos municípios de menos de 50 mil eleitores por uma diferença de 5,77 milhões de votos foi decisiva para a diferença final de Dilma sobre Aécio de 3,66 milhões de votos.

Dentre os 145 municípios do país de mais de 200 mil habitantes, Aécio venceu em 85. Em São Paulo, dentre os 40 municípios de mais de 200 mil habitantes, Aécio perdeu em apenas 4.  Venceu em todos os municípios de grande base industrial. Na capital paulista, Aécio venceu em 48 zonas eleitorais e perdeu em 10, as regiões de população mais pobre e mais dependente, e nessas fazendo, no mínimo, 39 % dos votos.

Quem diria, o PT, nascido como partido da classe trabalhadora e das elites intelectuais das grandes cidades, passou a ser o partido dos grotões e da população dependente do Estado brasileiro. Na década de 1970 e começo dos anos 80, a ARENA, partido de sustentação da Ditadura Militar, fez o mesmo caminho. Conforme a população menos dependente do Estado passou a rejeitar a ditadura, a ARENA passou a ter votações mais expressivas apenas nos rincões do país, onde o medo frente à ameaça de perda de benefícios torna o povo mais conservador.

Tudo isso tem uma enorme importância política.  Manter um governo com essa base de apoio e a rejeição da maioria de uma sociedade produtiva e atuante, é tarefa impossível se levarmos em conta, ainda mais, o quadro de crise econômica em que se encontra o país e os inúmeros escândalos cuja elucidação vai atingir, inevitavelmente, os principais comandos políticos petistas e de seus aliados, como já se deu até agora.

Essas análises que faço nos últimos posts têm sido propositadamente confundidas por alguns como preconceituosas, como se eu estivesse afirmando que o voto dos mais pobres vale menos. Pelo contrário, estou denunciando a perversidade da campanha petista em explorar a miséria das pessoas que mais dependem do Estado ameaçando-as de perda dos benefícios de que dependem para viver.

Nesse contexto o papel da oposição, ainda que disposta a respaldar qualquer medida em benefício do povo, é de exercer, com o máximo rigor e eficiência, o seu papel de oposição, determinado pelo resultado numérico da eleição, e assumir a sua responsabilidade, pelo que lhe cabe representar: o anseio do povo ávido por mudanças profundas na vida da Nação.

A vida – e a luta – continuam.  Sem trégua. 

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Dilma quer diálogo.  Com quem e para que?

De nossa parte, alguma vez recusamos qualquer diálogo?  O que ela quer?  Em uma Democracia o diálogo se dá entre partidos no Congresso Nacional.  O governo propõe e lá discutimos.  Lá e fora, desde que de forma transparente, não há problema.

Ela quer um plebiscito para a reforma política.  Um plebiscito deve fazer uma pergunta precisa, para ser respondida sim ou não.  Uma reforma política tem vários itens.  Não existe reforma política com um item só.  Não seria reforma.  O que ela quer perguntar?

Uma reforma política é um conjunto de mudanças que aborda vários aspectos.   Ela tem que ser um conjunto homogêneo que forma um todo coerente.  Esse todo coerente só pode ser formulado por um projeto de lei, ou inclusive por emendas constitucionais que concluem por novas leis e dispositivos constitucionais.  Aí não cabe um plebiscito.  É um referendo, previsto na Constituição.

Amanhã vai dizer que nós não quisemos ouvir o povo, duvidam?   É mais uma jogada de marketing.  Ela continua sendo dirigida pelo João Santana.

 

Preliminar:  tudo tem que ser esclarecido

Tem de haver uma preliminar.  A vitória de Dilma é, no mínimo, de legitimidade duvidosa.  Antes de propor o diálogo deve responder a várias questões.  Onde foi parar o dinheiro desviado da Petrobrás?  Ela e o PT usufruíram dele?  O desvio foi confessado.  Eu disse houve uma confissão, não uma denúncia.   É muito diferente.  O tesoureiro do partido, João Vaccari, já foi investigado?  E o uso dos Correios durante a campanha que foram instrumento de entrega de panfletos de Dilma e deixaram de entregar a correspondência do PSDB?   Isso para citar apenas dois casos escandalosos.

Não bastou a campanha terrorista?   A cada momento recebemos mais informações de pessoas que votaram sob efeito do terror, como se tivessem uma arma apontada para a cabeça: se não votar na Dilma vai perder o bolsa família;  vai perder a inscrição na fila para a casa própria;  vai perder o lugar no ProUni;  vai perder o financiamento escolar;  vai perder este ou aquele benefício que o governo lhe dá.  E quer que a tratemos como Madre Tereza de Calcutá?  Ora, pois!

Dilma não apenas fez o diabo, como anunciara.  Vendeu sua alma a ele.

 

 

 

Pobre Brasil. Dilma não tem ideia sobre o que fazer no próximo mandato.

Acabo de ver a entrevista da Dilma Rousseff no Jornal Nacional.  Uma total confusão de idéias, não consegue esclarecer nada sobre o que pretende fazer no próximo mandato.  Deixou os entrevistadores constrangidos.  Uma tristeza.

Para quem votou nela, não adianta chorar, é leite derramado.  Para quem não votou, é chorar em dobro.  Pobre Brasil.

Obrigado São Paulo. É aqui que começa a nova fase do Brasil.

 

Aqui, na terra paulista, vamos dar uma surra no PT.  Aécio terá o dobro dos votos de Dilma.

Foi aqui, em São Paulo, que nasceu a resistência à ditadura imposta ao país em 1964.  Foi aqui que começamos a virada quando, já em 1974, elegemos, através do MDB, o senador Orestes Quércia e as maiorias das bancadas de deputados.  Em 1982, na retomada de eleições diretas de governador, elegemos Franco Montoro, e foi aqui que iniciamos a gloriosa campanha das diretas.  Foi aqui que nasceu a candidatura Tancredo Neves que promoveu o encerramento do ciclo autoritário.

São Paulo é o Estado mais independente do país.  Seus povo não depende de favores ou benefícios do governo central.  Precisa só que esse funcione bem, e atrapalhe no mínimo possível.  Que receba apenas o que é o seu direito.

São Paulo é a liderança política e econômica da Nação, é a locomotiva, seja do ponto de vista de sua indústria da transformação, seja do ponto de vista de sua moderna agricultura, seja como o grande centro de serviços do país.  É o grande centro produtor da intelectualidade, através de suas Universidades e Centros de Pesquisas.  É o maior centro de produção e atendimento na área da Saúde.  Seus hospitais são referência nacional.  É o grande centro produtor das lideranças sindicais e é o polo maior e mais pujante da classe operária brasileira.

É aqui que começa a nova fase do Brasil.

Já somos vitoriosos. O país não será mais o mesmo.

 

Independentemente do resultado das urnas, somos vitoriosos.  Havia muito tempo que não se via mobilização popular tão intensa, voluntária e espontânea, às vésperas de uma eleição, seja nas ruas, seja na mídia eletrônica.  Pessoas que há tempo – ou nunca – se sensibilizaram com uma eleição, acordaram.   As discussões se aguçaram, e radicalizaram até, numa polarização entre o PT e a oposição.

Pela primeira vez não são petistas que ocupam as ruas.  De um lado é o cansaço com tantos desmandos do partido do governo e com a sua agressividade que carimba a todos que não lhe são dóceis como a elite branca que quer a exploração do povo pobre; de outro lado é o vigor da democracia, posta à prova nesse momento.

Depois dessa eleição, o país não será mais o mesmo.

As acusações feitas por Dilma e o PT ao candidato Aécio  Neves são graves.  Não se trata das acusações sobre temas políticos sobre os quais Aécio tem de responder politicamente – são acusações pessoais, explícitas ou trabalhadas sub-repticiamente, abertas ou anônimas, que mostram o verdadeiro caráter de um partido que um dia desejou  o poder para construir uma sociedade mais justa e igualitária, mas que se transformou em um monstro que assaltou o governo para manter, tão somente, o poder pessoal e do partido, sem quaisquer escrúpulos e sem qualquer conexão com os seus antigos generosos projetos de sociedade.  Triste repetição de situações históricas de outros países, que amarguraram, em todo mundo, milhões de lutadores por uma vida melhor.

Vi hoje o chão forrado de panfletos colados dizendo “Aécio cheira – violência contra a mulher” ou “Aécio cheira – desemprego”.  Panfletos, jornais, cartazes em postes, inscrições em paredes, tudo com ofensas pessoais. Há, além disso, uma campanha de terror para que o cidadão pense que poderá perder benefícios que já fazem parte de sua vida como o bolsa família, a inscrição para a casa própria, o FIES, a chance no ProUni, a matrícula no Pronatec, a vaga nas creches, o próprio salário mínimo e uma infinidade de outros.

Nada disso tem tido o efeito que o PT imaginava.  A população começa a perceber o seu jogo perverso e começa a superar a letargia.  Isso já é o bastante para nos entusiasmar e afirmarmos que o petismo está em seus estertores.  Ainda que, como hoje, morra atirando.

Melhor, para o Brasil, que seja afastado do poder, já.

 

Lula, entre imbecil e canalha

 

A presidente-candidata Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula encerraram a campanha petista no Nordeste nesta terça-feira com um comício em tom raivoso no Centro Antigo do Recife, capital de Pernambuco. No auge dos ataques ao PSDB e a Aécio Neves, adversário de Dilma no segundo turno, Lula comparou os tucanos aos nazistas, responsáveis pelo Holocausto judeu na 2ª Guerra Mundial, e hostilizou Aécio.

“Se o Nordeste ouviu, leu ou viu as ofensas contra nós, o preconceito contra nós… De vez em quando, parece que estão agredindo a gente como os nazistas agrediam no tempo da 2ª Guerra Mundial. Eles são intolerantes. Outro dia eu dizia para eles, vocês são mais intolerantes que Herodes que mandou matar Jesus Cristo quando ele nasceu com medo de ele virar o homem que virou. E vocês querem acabar com o PT, com a nossa presidente, querem achincalhar ela, chamar ela de leviana. Só pode ser feito por um filhinho de papai.”

Lula emendou: “Onde ele estava quando essa moça com apenas 20 anos de idade estava colocando a sua vida em risco para lutar pela liberdade desse país?”.

Este canalha não tem remédio.  Não tem outro nome.  Em primeiro lugar porque nunca fizemos qualquer ofensa aos nordestinos.  O uso despudorado e distorcido de frases do Aécio ( no caso do FHC que em nenhum momento mostrou preconceito contra ninguém, muito menos contra os nordestinos ), ultrapassa qualquer limite do aceitável, seja em campanha eleitoral ou em qualquer manifestação.  Em segundo lugar porque se utiliza do assassinato de 6 milhões de judeus, inclusive todos meus antepassados, com exceção dos que imigraram ao Brasil, para fazer uma campanha de ódio, aterrorizado pela perspectiva da derrota.

Para completar essa canalhice pergunta onde Aécio estava quando Dilma, com 20 anos de idade, arriscava sua vida.  Na época, imbecil, Aécio tinha 10 anos de idade.

 

Guerra suja e a vitimização de Dilma

Ùltima semana

Entramos na última semana da campanha para a eleição do Presidente do Brasil.  Desde a primeira campanha presidencial em que participei, há mais de 50 anos – eleição em que concorreram Jânio Quadro e o Marechal Teixeira Lott – jamais vi uma campanha de tão baixo nível com esta.  O desespero de Dilma com o resultado do primeiro turno, as pesquisas imediatamente a seguir e as confissões do ex diretor da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, levaram o PT e a sua candidata a promover um campanha de mentiras e ataques pessoais como nunca nesses país.  Aquela mulher que havia sido eleita e que para muitos poderia representar uma atitude diferente do seu criador, Lula, foi submetida por ele, moral e intelectualmente.

A confissão do citado diretor atingiu em cheio a campanha de Dilma, principalmente os partidos da base do governo, PT, PMDB e PP e mostrou como o governo foi complacente e conivente com a destruição da maior empresa brasileira, que havia sido centro de campanhas anteriores em que se procurava atingir a oposição como se essa desejasse privatizá-la.   (Agora apregoam que a oposição quer entregar o pré-sal aos americanos).   Para abafar os escândalos o governo chegou a corromper, anos atrás, um dirigente da oposição,  ex senador Sergio Guerra, recém falecido, conforme a delação premiada de Paulo Roberto.

Quanto à confissão do ex diretor, não se trata de acusações.  Trata-se de confissões que são reconhecidas como necessárias e verdadeiras para que ele possa usufruir da diminuição da pena a que será submetido.  Não tenho, pois, nenhuma razão para duvidar do seu teor.

É incrível que depois do episódio do mensalão, com a condenação do tesoureiro do partido, Delúbio Soares, o PT tenha tido a coragem de colocar em seu lugar o João Vaccari Neto, réu em vários processos crime, e nominado por Paulo Roberto como o intermediário que levava as propinas para o partido.  O dinheiro, no PT, para uma coisa ou outra, é uma atração fatal.    Chegaram ao cúmulo de tentar evitar que as confissões de Paulo Roberto e a de Alberto Youssef, o doleiro que fazia o dinheiro chegar às contas no exterior, chegassem à opinião pública, através de uma tentativa, frustrada felizmente, de calar o juiz Sergio Moro que ouviu o delator Paulo Roberto em juízo.

Agora Dilma reconhece o assalto à Petrobrás e diz que vai tentar recuperar o dinheiro.   Esse dinheiro já foi gasto pelos corruptos,  em despesas pessoais ou nas campanhas eleitorais, inclusive na campanha dela de 2010.  Vai recuperar como?  Balela.

 

Dilma, a pobre vítima

Vou resumir um artigo de Merval Pereira no jornal “O Globo”.  Eu não seria capaz de ser tão claro e objetivo.   Diz o jornalista:

“O truque já foi usado uma vez…na abertura da Copa do Mundo.  Transformar a presidente Dilma em uma senhora delicada que foi tratada com grosseria por seu adversário Aécio…não é um relato fiel…Beira o ridículo.

O mal estar da presidente ao final do debate ( na SBT ) pode ter sido provocado pelo calor da discussão…e prenuncia uma fragilidade emocional dela…Ontem Dilma disse que ‘o PT não é de briga, mas sabe enfrentar desafios’.

Ao contrário, o PT só sabe fazer política na base do confronto, precisa de um inimigo….Esse clima de guerra permanente foi instalado pelo PT no país…A prática do “nós contra eles”, aprofundada nesta campanha como uma tentativa de jogar o PSDB contra os nordestinos, acaba levando a exacerbações.

O ex presidente Lula voltou a tentar o truque depois do debate da Bandeirantes dizendo que, ‘quando eu vejo um homem na televisão ser ignorante com uma mulher, como ele ( Aécio ) tem sido nos debates, eu fico pensando: se esse cidadão é capaz de gritar com a presidenta, fico imaginando o dia que ele encontra um pobre na frente: é capaz de ele pisar ou não enxergar’.

Lula, evidentemente, está fazendo baixa política…Dilma, quando soube que a ex candidata Marina Silva havia chorado ao ser atacada pela propaganda saiu-se com esse comentário: ‘ um presidente da República tem de resistir à pressão’.  Em um discurso dirigido a movimentos negros….Dilma afirmou que quem não quer ser criticado ‘não pode ser presidente…acho que para ser presidente, a gente tem que aguentar a barra.’

Se a vitimização de Marina não teve sucesso, Aécio está enfrentando de frente os mesmos ataques…é o primeiro candidato tucano que enfrenta o PT sem receios…exorcizando de vez a demonização que o PT vem fazendo dos governos tucanos pelos últimos 12 anos”.

Eu completo esse post afirmando que a única vítima nesses anos de desgoverno do PT é o Brasil e o povo brasileiro.  E a verdade histórica.

 

 

 

 

O Brasil rejeitou o PT. Dilma não teria condições de governar o Brasil

 

Não é possível negar:  o Brasil rejeitou o PT.   Dilma recebeu 41,5 % dos votos válidos no primeiro turno das eleições.  Os restantes são 58,5%, somando-se Aécio, Marina e os nanicos.   Todos, sem dúvida, que fazem oposição ao PT.  Os brancos e nulos não computados nessa conta ( 9% do total de eleitores) e parte das abstenções ( 19% do eleitorado) têm, também, um caráter de rejeição.

O PT também está tendo dificuldades em Estados que comandava como o Rio Grande do Sul.  E teve votações inexpressivas no Paraná, Rio de Janeiro e em São Paulo.  Minas Gerais e Bahia são exceções.  Suas bancadas federais e estaduais diminuíram, confirmando o declínio.

Mais expressivo e sugestivo ainda é o mapa eleitoral, distribuído pelo país, das votações do PT. Esse mapa se encaixa, se sobrepõe, quase que com absoluta perfeição no mapa da distribuição dos programas assistenciais, em especial do bolsa família.  Abstraídos os votos nessas áreas, que deram à Dilma mais de 50% dos votos, a derrota para a oposição é muito mais expressiva.

Segundo a Data Folha, entre os excluídos a Dilma vence o Aécio de 57% a 31%.  Até dois salários mínimos Dilma vence de 52% a 37%.   Entre a população economicamente ativa ( PEA ) Aécio ganha de 49% a 43%, mas perde de Dilma entre a população não economicamente ativa de 41% a 47%.

O Brasil do trabalho formal, produtivo, dos seus trabalhadores e empresários, no campo e na cidade, o Brasil da cultura e da tecnologia –essa é, de fato, a elite brasileira – rejeitou, por ampla maioria, o PT e sua candidata.  Deu mais votos à Aécio e Marina.  Os outros, com todos os direitos que lhes devem ser garantidos e com toda a proteção social que a sociedade lhes deve, são os excluídos.  Deram a  maioria dos votos à Dilma

A pergunta que qualquer pessoa intelectualmente honesta deve se fazer é se com esse perfil político do eleitorado, ainda que vitoriosa nas urnas, Dilma teria condições de governar o Brasil?

Com o fantasma do golpe Dilma acena com um golpe  

 

Dilma afirma que a oposição usa denúncias na Petrobrás para dar um “golpe” no País.

Isso me faz recordar o início da década de 1960.  Com a renúncia de Janio Quadros deu-se, após o veto militar para a sua posse e o acordo/conciliação para a mudança do sistema de governo (de presidencialista para parlamentarista) a posse na presidência do país  do então vice presidente João Goulart.  Pouco tempo depois Jango, como era conhecido o presidente, conseguiu a aprovação de emenda constitucional que faria o presidencialismo retornar como sistema de governo.  Passou a ser presidente com todos os poderes do cargo.

O seu período de governo foi muito tenso e tumultuado, com manifestações sindicais e populares pelas chamadas “reformas de base”, um conjunto de medidas que, de fato, permitiriam um sistema capitalista mais moderno, necessário ao desenvolvimento das forças produtivas.   A oposição  considerava essas reformas como sendo medidas socializantes, o prenúncio do comunismo, o fantasma para assustar a população, e acusava Jango de pretender dar um golpe para se manter no poder.  Com essa bandeira as forças reacionárias da sociedade, com apoio de amplos setores empresariais, da maioria da imprensa e da cúpula das forças armadas deram, elas sim, um golpe, depuseram o presidente e implantaram uma ditadura militar/civil que durou cerca de 20 anos.

Dilma acena com o fantasma do golpe.  Que golpe?   Onde estão as forças armadas?  Estão quietas nos quarteis.  Onde estão os interesses empresariais?   Os grandes, nos últimos anos, mamaram nas tetas do governo e enriqueceram às custas de grandes negócios financiados pelo aparelho público.  Onde estão os sindicatos?  Totalmente tomados e neutralizados pelo partido no poder que alimenta os seus dirigentes com benesses e cargos públicos muito bem remunerados.

Dilma cita as denúncias que hoje remoem as entranhas da Petrobrás.  São “denúncias” ou informações trazidas à luz por dirigentes da própria empresa, levados a fazê-las em face das investigações dos órgãos do Estado brasileiro com legitimidade para realiza-las?

A incoerência, a total confusão mental da presidente, não lhe permite ver que ao mesmo tempo que, nos programas eleitorais e entrevistas nesse período eleitoral, gosta de repetir que a “sua” polícia federal e o “seu” ministério público são os responsáveis por tirar a sujeira de debaixo do tapete, ela acusa a oposição de usar dessas revelações, feitas por gente de sua própria gang,  para articular um “golpe” no país.

E que golpe?  Como e com quem?

A oposição lutou em várias eleições para derrotar, democraticamente, esse partido que levou o país a uma situação de calamidade moral, política e econômica.  E continua lutando, agora, em 2014, também nas urnas, para que o povo brasileiro se veja livre da quadrilha que tomou conta do país.   Lula diz que está “de saco cheio” com as denúncias.  Na verdade é o povo que está “de saco cheio” dele.

Quando Dilma levanta o perigo do golpe da oposição, me faz lembrar o período de 1964.  Lá se acusava Jango de articular um golpe na democracia mas deu-se um outro golpe, em tese, para evita-lo, vindo dos acusadores.  Agora ela faz o mesmo, ainda que em posição diferente, no comando do governo.  Será que passa em sua cabeça um movimento de massas, dirigido pelo PT, para evitar que a oposição dê o “golpe”?  Ela vai considerar um “golpe” a eleição de Aécio Neves? Está acenando com um “contra golpe”?

Se assim pensa, vai dar com os burros n’água.