O fantástico Luís Inácio e a sua cria.

 

Quem poderia imaginar o nível de degradação moral a que chegaria o PT e, em particular, seu líder maior, Luís Inácio Lula da Silva?  O PT já perdeu seus principais líderes e dirigentes, apenas sobrou o 2º time.  Inclusive perdeu o seu maior ideólogo, articulador, organizador, a voz mais respeitada anos a fio, José Dirceu.  Até ele, o revolucionário que iria levar o país, através de seu partido, a se transformar em uma sociedade socialista, justa e solidária, chafurdou na lama: sua casa em Vinhedo foi reformada com dinheiro de um amigo, operador da corrupção na Petrobrás.  Segundo Dirceu foi um empréstimo que, conforme confessou,  não pagou.

O mais surpreendente é o fantástico Luís Inácio Lula da Silva, receber um apartamento, cuja construção não havia terminado, da Cooperativa dos Bancários, a Bancoop, na praia das Astúrias, no Guarujá, um tríplex  que está em nome da OAS e pelo qual iria pagar a irrisória quantia de 47 mil reais, cuja finalização, reforma e decoração milionárias vinham sendo bancadas por essa empreiteira que se envolveu em extensas operações não só na Petrobras mas em outras entidades federais.  Apesar das evidências de que o apartamento é, ou era, dele – ele e sua esposa Marisa determinavam como o apartamento seria entregue – tem a coragem de afirmar que não tinha nada com ele, e que tinha apenas uma cota do edifício, cujo valor foi lhe devolvido.  O desespero da descoberta o faz nos tratar como imbecis.

Ainda mais, Lula escondia a propriedade de um sítio em Atibaia, em nome dos sócios do seu filho na empresa Gamecorp, cuja reforma também estava sendo feita por uma empreiteira enrolada na operação Lava Jato, a Odebrecht. A Gamecorp é a mesma empresa que teve parte de suas ações compradas por milhões de reais pela concessionária de telefonia, a Telemar, hoje Oi, em uma operação de evidente pagamento por serviços prestados, conforme eu mesmo constatei em contato com o seu presidente à época, episódio que relatei em post anterior.

Outro filho está enrolado em um recebimento de 2,5 milhões de dólares de uma empresa que fazia lobby da indústria automobilística, por serviços que não prestou.

E tudo isso além das centenas de milhares de reais mensais que Lula recebia por pretensas palestras realizadas ao redor do mundo patrocinadas pelas mesmas empresas.  Não se contentando com todo esse rendimento aceitou recursos escusos alocados por elas para finalizar, reformar e mobiliar seus imóveis e para beneficiar seus filhos.

E sabe-se lá o que mais.  Certamente o que se sabe hoje é apenas a ponta do “iceberg”.  Muita coisa ainda virá à tona.

Nem eu nem ninguém poderíamos esperar esse desfecho do período petista.  Que não tinham experiência, nós alertamos.  Que não tinham equipes capazes de construir um programa e um projeto para o país que fosse consistente, nós alertamos.  Mas que formassem uma verdadeira quadrilha para assaltar os cofres públicos seja para seu enriquecimento pessoal, seja para a manutenção do poder, não era possível imaginar.

Que estrago.  Não apenas do partido, como também das figuras políticas de liderança do PT e do governo, Lula à frente e, o mais grave, a desilusão com toda atividade política.  Um estrago para o país, que vai ter que lidar com tudo isso por anos a fio.

Arrumar a economia e as instituições brasileiras que foram destruídas  vai requerer tempo e dinheiro.  Muito dinheiro, que vai sair dos bolsos dos trabalhadores brasileiros.

No meio de tudo isso a cria de Lula, Dilma Rousseff, figura menor, que talvez não tenha se locupletado dos desmandos, pelo que se sabe até agora, mas que foi, e é, conivente com os crimes.  Hoje presidente figurativo, ela perdeu totalmente a capacidade de dirigir o país.  Pior, passou a ser uma obstrução para a superação da crise.

A forma mais rápida e menos dolorosa para enfrentar esse desastre seria a sua renúncia.   Terá ela, em algum momento, a altivez e o espírito patriótico para tanto?

 

 

Manifesto dos advogados da Lava Jato: factóide e oportunidade perdida

Na última semana, um grupo de advogados, liderados pelos defensores dos principais réus e suspeitos de envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras, lançou uma carta-manifesto com críticas à Operação Lava Jato. Em um dos trechos, chegam a comparar a Lava Jato com a ditadura militar, ao dizer que são feitas prisões arbitrárias. Uma ofensa à memória das pessoas que foram sequestradas de suas casas pelo simples “crime” de dizer o que pensavam.
O próprio juiz Sérgio Moro reagiu desafiando que qualquer um dos signatários da carta conteste as provas apresentadas até aqui nos inquéritos, e os tribunais superiores também vêm referendando quase todas as decisões envolvendo a Lava Jato. Algo em torno de 96% delas.
Faz parte do dia-a-dia dessas estrelas da advocacia, o uso de todos os artifícios que a lei permite para adiar julgamentos, anular provas e testemunhos, explorar todos os meandros possíveis para que as ações contra seus clientes se arrastem pela eternidade.
Se o fazem dentro da lei, é legítimo, faz parte de seu ofício. Mas será que estes grandes nomes da advocacia não poderiam nos brindar com uma carta-manifesto de maior interesse público? Apontar, por exemplo, as brechas legais que contribuem para a morosidade da Justiça no Brasil. Propor alterações nos ritos do Judiciário que fizessem com que todos fossem realmente iguais perante à lei, independentemente de sua situação financeira ou influência política, evitando a prescrição e a impunidade.
Quando quiserem, de fato, falar de Justiça e Democracia, o país poderá se beneficiar muito do conhecimento que têm das tecnicalidades das leis.  Enquanto quiserem apenas gerar factóides para, mais uma vez, garantirem que seus clientes não sejam julgados e a impunidade prevaleça, perdem uma bela oportunidade de ficarem calados.

Não há pena que pague os crimes cometidos pelo PT contra o Brasil. Nem há perdão possível.

 

O ano de 2016 começa ainda mais “quente” que o anterior.  Cada dia que passa é uma notícia mais alarmante, um susto que supera o do dia anterior.

Poderíamos citar dezenas ou centenas de episódios nos últimos 13 anos que mostram o desastre dos governos petistas no Brasil. Chegamos à crise dos dias atuais pela gestação de diversas ações governamentais que emergem e explodem na atualidade. Contudo, vamos nos fixar no episódio que parece ser o mais gritante, que nos alarma cada vez mais sob o ponto de vista não só simbólico, mas como uma das questões mais importantes e de maior repercussão na economia brasileira: o que vem acontecendo com a nossa maior empresa, a Petrobrás.

Uma rápida lembrança: comecei minha vida política, em 1956, aos 18 anos de idade, no movimento estudantil na Escola Politécnica da USP e meus primeiros pronunciamentos foram na defesa do monopólio estatal do petróleo, recém inaugurado com a criação da Petrobrás.  Durante anos e anos, esse foi o mote de vários discursos nos mais diversos cenários, defendendo um instrumento importante para a criação de uma Nação soberana que queria se desenvolver em benefício do seu povo.

Em 1991 escrevi um artigo para o Estadão, com o título “A Maioridade da Petrobrás” quando defendi que tantos anos após a sua criação o monopólio precisava ser flexibilizado fazendo com que a empresa passasse a disputar os mercados, sem a proteção de uma lei já ultrapassada.  Os instrumentos precisavam ser modernizados.  Isto é, era preciso que se permitisse que empresas privadas buscassem e disputassem o mercado para que a nossa estatal fosse obrigada a aperfeiçoar e modernizar a sua gestão garantindo que estivesse no mercado em função de sua competência e produtividade.

Só 5 anos depois, no governo FHC, é que se decidiu romper o monopólio, mantendo a Petrobrás como estatal, sem o monopólio que a lei lhe dava, competindo no mercado com outras petrolíferas.  Na Câmara, como deputado federal, presidi as duas comissões que elaboraram a modificação da Constituição e a Lei do Petróleo então em vigor.

Esse novo quadro permitiu que a empresa desse um salto de qualidade permitindo-a a se associar às empresas privadas ou disputando com elas o mercado de exploração do petróleo.

Veio o governo Lula e a coisa desandou.  Todos já conhecem hoje como ela foi tratada, como instrumento de captação de dinheiro, seja para as campanhas eleitorais, seja para o enriquecimento ilícito de alguns.  O grande drama não é só o desvio de 2% ou 3% que foram as propinas pagas em licitações fraudulentas, inaceitável do ponto de vista moral.  O pior é que as novas direções da estatal passaram a ter a propina como objetivo único da atuação da empresa, o que a levou a tomar decisões de gestão que se mostraram desastrosas, levando a prejuízos incalculáveis.

Para agravar a situação o governo Lula fez aprovar no Congresso Nacional uma nova lei do petróleo que garantia para a Petrobrás, na exploração do pré-sal, que ela teria um mínimo de 30% de participação nas empresas de propósito específico que se formariam para a sua exploração e que ela seria a operadora única na exploração, independentemente de ter ou não os recursos financeiros e a capacidade técnica de atender à exploração de todas novas jazidas, em todos novos contratos.

O resultado visível hoje é a incapacidade da Petrobrás de atender ao que a lei lhe destina e, em função do assalto que ela sofreu, a destruição do maior patrimônio econômico que o Brasil já construiu.  Suas ações valem agora pouco mais que 5 reais cada uma, e chegaram a valer, em 2008, mais de 44 reais.  Uma perda que vai se aproximando de 90%!

A empresa parece ter uma enorme dificuldade em recuperação, em especial agora que o preço do petróleo caiu, no mercado mundial, a menos de 30 dólares o barril.  Ela faz uma tentativa desesperada de sobreviver vendendo grande parte do seu patrimônio, inclusive sua participação na Braskem, a grande empresa química e petroquímica, criada em associação à Odebrecht.  Sua capacidade de investimento vem minguando e a sua meta de extração de petróleo que já foi de 4 milhões de barris para 2020, caiu para 2,7 milhões e a cada ano se apresenta menor.

Grande parte dos seus investimentos está paralisada, sem produzir nada, ou sem qualquer finalidade.  Foram gastos inúteis, que não são negociáveis, feitos apenas para gerar contratos e propinas.  Um crime de lesa pátria, impagável.

Lula e seu PT, inclusive a patética figura de Dilma Rousseff, são os grandes responsáveis pela situação atual da Petrobrás e de toda economia brasileira. Não há pena a ser imposta a eles que pague o prejuízo da Nação. Nem há perdão possível.

A verdade dói, mas não dá pra esconder. E aguentar mais 3 anos não dá!

No Valor da última quarta feira, o jornalista Cristiano Romero publica um artigo com o título “Uma breve história do desastre brasileiro”.

Romero diz que a mais plausível explicação para a profunda e longa crise pela qual o Brasil atravessa continua sendo a perda de credibilidade da política econômica e conclui que há uma coincidência perfeita entre as mudanças operadas na condução da política fiscal, monetária e cambial e a queda da taxa de investimento e do ritmo de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff.

Leia o artigo na íntegra (clique aqui) para ficar com a consciência tranquila quando se diz que a responsabilidade da presidente é indiscutível e que ela deve ser afastada do cargo.  O que ela fez é crime de responsabilidade e é suficiente para o impeachment, independentemente das pedaladas que dão respaldo jurídico ao pedido de afastamento.

Ela não roubou, também quero crer, mas fez pior.

Outra matéria de interesse é o artigo de José Pastore, no Correio Braziliense também de quarta, com o título “O emprego em 2016” (clique aqui para ler na íntegra) em que se expõe, infelizmente com pessimismo realista, o quadro do emprego no Brasil.  Essa matéria só corrobora o artigo do jornalista do Valor e mostra o quanto esse governo petista vem fazendo de mal ao Brasil.

Não dá para esperar mais 3 anos.

Vídeo: O PT se lambuzou e sujou o país

No vídeo abaixo, Goldman comenta a entrevista do ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, que explicou os casos de corrupção de seu partido com o antigo ditado “quem nunca comeu melado, quando come, se lambuza”. Para Goldman, as lambanças do PT sujaram todo o país e a população brasileira precisa estar pronta para ir às ruas pressionar o Congresso Nacional para que o impeachment da presidente Dilma Rousseff se concretize.

Caso o vídeo não abra automaticamente, clique aqui.

Perdida e alienada

 

É assustador o grau de alienação em que está acometida Dilma Rousseff.  Em artigo de hoje na Folha de São Paulo ela parece um personagem perdido que se desligou da realidade e que vive em um mundo só seu.

O início do artigo trouxe alguma esperança: “O Ano de 2015 chegou ao final e….nos traz a necessidade de refletir sobre erros e acertos de nossas decisões e atitudes…Nossos erros e acertos devem ser tratados com humildade e perspectiva histórica”.

Poderia parecer o início de uma autocrítica.  Ledo engano.

Dilma tem uma personalidade que não lhe permite mostrar as suas fraquezas, muito menos seus erros.  Já havia percebido nela essa característica, pois durante esses anos após a sua adesão à luta armada contra a ditadura militar e a sua prisão ela, em momento algum, expressou qualquer autocrítica a esse caminho que levou centenas de jovens à prisão, à tortura e à morte, quando era evidente que ele era uma fantasia impossível de ser realizada, na luta de uns poucos sem qualquer preparo para enfrentar o poderio das forças armadas e de parte da sociedade brasileiro engajadas no projeto do regime ditatorial.

Mais uma vez ela se mostra incapaz de fazer uma reavaliação realista dos erros cometidos.   No texto ao jornal ela, mais uma vez, credita o quadro de crise em que vivemos aos “fatores internacionais que reduziram a nossa capacidade produtiva” e à “instabilidade política que se aprofundou por uma conduta muitas vezes imatura de setores da oposição que não aceitaram o resultado das urnas”.

Assim Dilma não faz qualquer reflexão sobre erros cometidos.  Não existe em todo texto qualquer reconhecimento sobre eventuais erros.  Assim, não existem erros a serem reavaliados.  Apenas acertos, descritos no teor do artigo.

O que ela diz?  Que a solidez da nossa economia é a base da retomada do crescimento.  Ora, essa “solidez” se admitida como verdade, vem de anos de políticas econômicas e institucionais, nascidas do Constituição de 88 e que permearam os anos seguintes de Itamar Franco, Fernando Henrique e parte dos de Lula.

Porque o país está naufragando?  Passamos no âmbito internacional por momentos favoráveis e desfavoráveis e, em nenhum momento a oposição de então (em muitos períodos capitaneada pelo PT) foi capaz de desestabilizar o quadro institucional e econômico.

Dilma cita alguns números positivos, como as nossa reservas internacionais, aliás produto de um desses momentos favoráveis do quadro internacional, e os investimentos estrangeiros, sem tocar no fato de que eles vêm diminuindo a cada dia que passa em função da falta de segurança e de confiança dos investidores. Em nenhum momento faz referência à gravidade da perda de produção industrial, à brutal contração do PIB em pelo menos dois anos seguidos, à explosão da inflação, à perda de competitividade da produção nacional, ao processo que se inicia de contração dos salários e, à questão mais grave de todas, o desemprego crescente.

Dilma sinaliza agora para um diálogo com os trabalhadores e os empresários, e aponta para uma reforma previdenciária, para o investimento em educação e à formação tecnológica e científica, à instituições mais fortes no combate à corrupção, à uma reforma administrativa, á constituição do modesto superávit primário que tem levado ao aumento descomunal do nosso endividamento, como se estivéssemos no início de seu período de governo.

Tudo isso foi dito na sua campanha eleitoral e tudo se mostrou falso. Ela faria mais moradias, mais vagas nas universidades, mais programas de ensino técnico, mais rodovias, mais concessões na área de infraestrutura.   Não aconteceu e não acontecerá.  Seu tempo já acabou.

Nas suas fantasias ela ressalta, como se fosse mérito seu, parte de seus acertos, que “em 2015 as instituições de nossa democracia foram exigidas como nunca e responderam às suas responsabilidades”.  Daí julga que foi “injustamente questionada pela tentativa de impeachment” mas que não alimenta “mágoas nem rancores”.  Dilma nos trata como retardados.

Enfim, conclui-se nessa falsa autocrítica que Dilma vem sendo perseguida não só pela sorte em função do quadro internacional, mas também por essa oposição “imatura”, que na realidade não conta sequer com 20% de representação no Congresso Nacional, e que quer vê-la longe, o que é verdade.  A oposição e a maioria do povo brasileiro.

O texto do artigo é um panfleto promocional, sem qualquer respaldo na realidade.  Não existiram erros, não há qualquer autocrítica, só acertos no passado e acertos que no futuro farão a felicidade de nosso povo.

Pobre e infeliz presidente. Perdida e alienada.

 

Viva 2015.  Viva 2016.

.

Pode não parecer, mas sou um otimista incorrigível.

É verdade que o quadro de 2016, como consequência do desastre do governo petista em seus 13 anos de poder federal, se nos afigura dantesco, seja no plano político/institucional, seja no plano econômico.   Mas também é verdade que em 2015, e mesmo antes, mitos foram derrubados (a gerentona genial, o barbudo invencível), o estelionato eleitoral de Dilma ficou escancarado, o PT foi desmoralizado, o Lula a cada dia que passa está ficando mais nu, as investigações do MP e da PF se aprofundaram sem que pudessem ser barradas, a cúpula do PT foi presa, escorraçada e condenada, seus aliados, o PP e o PMDB, mostraram a verdadeira cara de um fisiologismo e de uma corrupção sem limites.

Deputados e senadores que se corromperam estão sendo processados, presos e cassados, muitos grandes empresários estão na cadeia, confessaram seus crimes e fizeram a delação premida, e o Poder Judiciário funciona de forma equilibrada apesar de alguns ministros do STF estarem visivelmente comprometidos com o governo.   Tudo isso não é pouco.

Apesar da demora dos processos e julgamentos, consequência dos cuidados com que a lei trata o direito de defesa, os possíveis responsáveis por ilícitos,  como Dilma e Eduardo Cunha, vão tendo de prestar contas pelos desvios, as coisas se movem, a corrupção vai sendo desvendada e os culpados vão sendo penalizados. O futuro nos assegura o prosseguimento das investigações e a condenação dos culpados, dia mais, dia menos.

A previsão do que ocorreria em 2015 já era possível, conforme escrevi em um post no começo do ano, intitulado “Triste ocaso de um partido outrora “o” arauto da honestidade.” Nele eu dizia:

“Na Câmara a derrota de Dilma é colossal. O candidato do PT, Arlindo Chinaglia, teve apenas 136 votos, contra 267 de Eduardo Cunha e 100 votos dados ao candidato da oposição. Apesar de ter colocado toda a máquina governamental a serviço de Chinaglia, depois da distribuição dos ministérios e diretorias de empresas, a derrota foi como nunca antes havia acontecido. E Eduardo Cunha tem um histórico que não recomenda qualquer esperança de termos um estadista no comando da Câmara. O governo desmorona a olhos vistos. Em um difícil período na administração do país, em especial, na área econômica, Dilma terá de se submeter à voracidade de agrupamentos políticos que se denominam aliados.  O fim desse período penoso da vida brasileira não vai demorar 4 anos. Não tem como subsistir tanto tempo. Não vislumbro como serão os próximos meses, mas é certo que as tensões vão aumentar sobremaneira e os conflitos vão se aguçar”.

Pareciam profecias, mas não havia nada de excepcional.  Uma longa vida política me ensinou a perceber os sintomas da doença e a prever as hipóteses mais prováveis.

O desenlace de Dilma só não ocorreu em 2015 porque Eduardo Cunha, durante 2 meses, manteve na gaveta o requerimento com o pedido de impeachment de Dilma, tentado negociar com o governo a sua salvação, o que só não aconteceu por um ato de rebeldia da bancada do PT contra o próprio governo federal.  Ainda existe vida saudável no PT!

Sim, vai doer muito em 2016 e sei lá o quanto mais, qualquer que seja o governo de plantão.

Mas o Brasil nunca mais será o mesmo.  O povo terá um cuidado maior e uma participação mais efetiva nos processos eleitorais e teremos não só executivos mais decentes, como Legislativos mais legítimos e representativos.

O fato é que os muros da ignorância, da desinformação e das mentiras foram abalados se não destruídos. Cabe aos partidos políticos a tarefa de reconstruir uma vida política saudável, a começar das eleições deste ano para prefeitos e vereadores.

Nós, do PSDB, temos a obrigação de dar o exemplo já este ano na escolha do nosso candidato a prefeito.  Além de inovador, de dinâmico, tem de estar afinado e comprometido com os novos tempos, uma nova forma de fazer política.

Viva 2015 que nos abriu os olhos dando-nos os parâmetros para construir uma vida política saudável.

Viva 2016 em que começaremos a moldar, em novas bases, o futuro do país.

Honesta “pero no mucho”.

Renan Calheiros diz que Dilma é honesta.  O Delfim, também.  E o Lula, idem.  É verdade, mas quem disse que ela não é?  Que ela roubou?  Ninguém.  Acho que nem a torcida do Flamengo.

Não se trata disso ao se pretender seu impeachment. Ou o que seria melhor, sua renúncia.  Leiam a lei federal 1079 que trata dos crimes de responsabilidade do presidente e dos ministros.  Não tenho dúvidas que ela incorreu, formalmente, em vários artigos da lei.

Mas não é só isso. Ela cometeu um crime de desonestidade intelectual.  Mentiu e mente descaradamente.  Não só no período eleitoral, mas agora, não exercício da presidência.

Continua a afirmar que não sabia de nada, nada.  Nem o Lula sabia de nada, nada.

O que veio à tona, e agora todos sabem, é o que começou a ser desvendado pela delação premiada do Paulo Roberto Costa, diretor da Petrobrás.  E a delação só se deu depois que a própria família do Costa foi envolvida e ele temeu por ela.  Abriu tudo. Daí por diante, cada fio que se puxa, vem todo um novelo.  De cada ex diretor da Petrobrás se conhece um enorme campo em que a corrupção se expandiu. Não tem fim, atinge a Dilma, o Lula, vários ministros, senadores, deputados, dirigentes do PT, do PMDB, do PP, toda a base de apoio do governo.

Muitos deles são responsáveis diretos.  Alguns estão presos e muitos serão condenados, se não o foram.  Dilma foi conivente, ao fechar os olhos para o que estava acontecendo, achando que assim não se comprometeria.  Ledo engano.  Não pode se eximir da responsabilidade que lhe cabe como Presidente, e que lhe coube como Ministro de Minas e Energia e como Ministro Chefe da Casa Civil.  Nem legal, nem moralmente.

O que ainda a sustenta é a convicção que se tem de que o Eduardo Cunha é um delinquente, conforme expressão do Janot,  procurador geral da República.  Fosse outro o presidente da Câmara, o processo de impeachment já teria avançado.  A sustenta também o Renan Calheiros que quer que o Senado, por maioria simples, negue uma eventual decisão da Câmara.

Quem a sustenta ainda é a falta de credibilidade do vice presidente, Michel Temer, que vem sendo atingido também pelas investigações do MP. Em suma, quem a sustenta é a falta de credibilidade e de respeitabilidade dos demais cabeças da República.  Como dizem alguns, é trocar seis por meia dúzia.

Mas é inevitável.  Ela já não governa mais.  Conveniente para o país seria o afastamento de todos eles.  Mas isso requer tempo e o pleno respeito aos textos legais.  Mas, no momento, vamos tirar o entulho possível.

As decisões do STF são para mim discutíveis.  Mas são decisões que nos obrigam, a todos.  Têm a vantagem de acabar com o discurso dimista/lulista/petista  de que o impeachment seria um golpe.  Não é, e o Supremo como suas decisões implicitamente afirmou sua legalidade ao regulamentar o rito processual.

Pra terminar o ano, o Levy é substituído pelo Nelson Barbosa, que sempre foi a própria imagem da presidente.  Assim ela volta às suas origens, e vai praticar suas próprias idéias respeitando o resultado das urnas.  Restaura-se a Dilma original.  Nesse ponto, pelo menos, não há estelionato eleitoral.

Vamos começar 2016 com o pior quadro político e econômico que o país já teve. É nele que teremos de encontrar uma saída para superar essa tão profunda crise.

 

O artigo de Fernando Morais e a contestação não programada de Gustavo Ioschpe

 

Li com indignação o artigo de Fernando Morais na pag. Tendências e Debates da Folha desse domingo.   Um amontoado de sandices e acusações a diversas pessoas, próprias de quem perdeu a capacidade de uma análise minimamente criteriosa e isenta de compromissos partidários, a ponto de falsear os fatos quando afirma que Eduardo Cunha é um comparsa das oposições que o plantaram na presidência da Câmara desconhecendo, ou fingindo desconhecer, que as oposições não votaram nele, e sim em Júlio Delgado, do PSB, e que Cunha venceu no primeiro turno de votação sem necessidade dos votos da oposição.  Vocês tem fácil acesso ao artigo.

Antes que pudesse contestar o escritor e ex-deputado deparei-me no site da Veja com um artigo do economista e participante de algumas das mais importantes organizações não governamentais da área da Educação, Gustavo Ioschpe, que pareceu-me como se tivesse sido encomendado como resposta.  Como eu certamente não conseguiria alinhavar um conjunto de ideias e conceitos tão bem colocados que encontrei no artigo do economista, achei por bem transcrevê-lo na íntegra.  Aí vai:

“É uma incrível lástima que alguém com a ficha corrida de Eduardo Cunha tenha sido eleito para o Congresso Nacional e, lá, tenha sido escolhido pelos seus pares para presidir a Casa. Porque coube a ele, por imposição do cargo, a tarefa de acatar o pedido de impeachment da presidente Dilma. Mas assim como os votos de Cunha – tanto os populares quanto o de seus nobres colegas – não o eximem da cassação que se aproxima, tampouco os milhões de sufrágios concedidos a Dilma blindam o seu mandato da possibilidade do impeachment. Por uma simples razão: a democracia não é o império do voto, mas sim da lei. Hitler foi eleito premier da Alemanha; Lenin, Fidel e Mao chegaram ao poder com amplo apoio popular. Mas não ocorreria a ninguém de boa fé sugerir que esses senhores lideraram uma democracia.

Esses são os dois principais argumentos de quem se opõe ao impeachment. Primeiro, de que Eduardo Cunha não tem autoridade moral para conduzir o impedimento de quem quer que seja. Segundo, que impeachment sem prova de roubo é golpe.

Ora, o impeachment não é um processo conduzido por Eduardo Cunha. Cabe a ele apenas aceitar ou não a denúncia contra a presidente. Quem a investiga é a Câmara dos Deputados, e quem a julga é o Senado. E o fazem não apenas porque são representantes democraticamente eleitos do povo, mas porque é assim que a lei manda. Lei muito anterior a este governo. Ajuda-memória: Ibsen Pinheiro, que presidiu a Câmara dos Deputados na época do impeachment de Collor, foi cassado por quebra de decoro dois anos depois. Que relevância a lisura de Ibsen tem sobre o julgamento de Collor? Nenhuma. Que relevância a lisura de Eduardo Cunha tem sobre o julgamento de Dilma? Tampouco nenhuma.

A alegação de golpe é mais absurda ainda. Não pode ser golpe algo que está previsto na Constituição. Ponto. Ademais, chama a atenção a inconsistência lógica desses acusadores. Os que equacionam impeachment a golpe hoje foram alguns dos maiores defensores do impeachment de Collor. Também ele foi um presidente eleito por voto popular, regido pela mesma Constituição e pela mesma lei do impeachment. Como é então que algo que era legítimo e defensável àquela época passou a ser golpe hoje? Como bem disse o presidente do PT, Rui Falcão, em evento de julho desse ano: “Não se esqueçam, companheiros e companheiras, que gritamos fora Collor e gritamos fora FHC. E o ex-presidente Collor saiu da Presidência num processo legal, dentro da democracia, e é isso que eles pretendem fazer agora: expelir a Dilma dentro de um processo democrático.” O país está tão de ponta cabeça que eu me vejo concordando totalmente com o presidente do PT.

Esse discurso de golpe acaba seduzindo muitos desavisados que acreditam que o único crime que um político pode cometer é o roubo. Apesar da popularidade da prática no Planalto Central, há outras e piores modalidades de indignidade que um administrador pode cometer. Pense bem: se aderíssemos a essa cartilha, o afastamento de Dilma seria legítimo se fosse pega roubando um Chambinho numa mercearia de Brasília; já ter detonado um país de 200 milhões de habitantes ao longo de seguidos anos de irresponsabilidade fiscal, quebrado a maior empresa nacional e destruído seu setor elétrico, entre outras peripécias: tudo isso seria permitido. Não faz nenhum sentido.

A lei que versa sobre o assunto (n. 1.079) é clara e clarividente: os crimes mais importantes que um Presidente da República pode cometer são de responsabilidade. Para um presidente ter a sua liberdade cerceada, aplicam-se a ele ou ela as mesmas leis que se aplicam a você e eu. Já para ser privado do exercício do cargo para o qual foi eleito, as justificativas são outras. Basta que sua conduta, ainda que bem-intencionada, seja de tal ponto lesiva aos interesses da pátria que requeira a cessação do mandato. Lembremo-nos que Collor foi absolvido pelo STF pelo comportamento que levou à sua cassação. Alguém acredita que essa decisão jurídica altera o acerto do seu impeachment?

Não sou jurista, mas tenho dificuldade de imaginar que as condutas previstas em lei como passíveis de impeachment não se apliquem a esse governo. Veja os exemplos: Art. 7.5 “servir-se das autoridades sob sua subordinação imediata para praticar abuso do poder, ou tolerar que essas autoridades o pratiquem sem repressão sua” (quantos ministros foram ou estão envolvidos em casos de corrupção?); Art. 9.3 “não tornar efetiva a responsabilidade de seus subordinados, quando manifesta em delitos funcionais (…)”; Art. 10.2 “exceder ou transportar, sem autorização legal, as verbas do orçamento” (quanto tempo faz que Dilma não cumpre a Lei da Responsabilidade Fiscal?); Art. 11.2 “ordenar despesas não autorizadas por lei ou sem observância das prescrições legais relativas às mesmas” (pedaladas, pedaladas, pedaladas).

Os opositores do impeachment que leem essa lei costumam dizer que ela é tão vaga e ampla que poderia se aplicar a qualquer presidente, em qualquer tempo. Outros dizem que se esses atos servirem para embasar o impedimento de presidente da República, então nenhum político do país terá a certeza da conclusão do seu mandato. Sei que essas observações são vistas como críticas, mas eu as vejo como elogio.

Nenhum representante eleito deveria acreditar que seu mandato é sua propriedade irrevogável. A administração pública não lhe pertence: pertence ao povo. Este deve ter o direito legal de confiscar o mandato que foi concedido a uma liderança que se mostra irresponsável. É bom que nossos mandatários saibam que sua permanência é condicional. Também é bom que a lei seja ampla e flexível. As formas de irresponsabilidade são amplas, e não convém a criação de leis de afogadilho, casuísticas, para se lidar com sandices impensadas. Melhor é ter um instrumento que dê um norte ao processo e deixe aos congressistas de cada época certa margem de manobra para interpretar os pormenores do comportamento do presidente.

Espero que os atuais congressistas cheguem a um entendimento de que a atual presidente violou o dever solene que tem como primeira mandatária do país. Seus desatinos não têm nem o benefício da originalidade: os descalabros do seu “pensamento” econômico já foram testados em outras épocas e países, e sempre causaram destruição. Além da inépcia administrativa, é difícil de imaginar que uma presidente notoriamente detalhista e focada nas minúcias de sua administração não soubesse que, à sua volta no dia-a-dia do poder e financiando suas campanhas, houvesse um espesso e caudaloso mar de lama de corrupção a azeitar as engrenagens do seu governo. Dilma pecou quando agiu e quando se omitiu, quando interferiu e quando prevaricou. Seus erros são muitos e recorrentes, e sua teimosia e despreparo fazem crer que, a qualquer nova oportunidade, ela incorrerá no mesmo comportamento que nos trouxe até aqui. Se ainda tivesse um pingo do patriotismo que norteou sua peleja contra a ditadura na juventude, a presidente saberia que o melhor caminho para a democracia é a sua renúncia. Estando sua visão obnubilada pela fome de poder, espero que nossos congressistas não fraquejem frente às suas obrigações. Esse governo nos trouxe até o precipício, e o passado já não podemos alterar. Mas o futuro nos pertence, e convém não passar os próximos três anos dando um salto rumo ao abismo.”

Eu não escreveria melhor nem com a mesma clareza.

A vitória do atraso conservador na reestruturação da rede de educação em São Paulo

 

A reestruturação da rede escolar foi uma tentativa frustrada de implementar na rede paulista algumas poucas mudanças para melhorar o desempenho do estudantes.  A separação dos três ciclos escolares, o fundamental de dois ciclos e mais um ciclo correspondente ao ensino médio, visava separar idades muito diferentes que hoje convivem nas escolas, para um melhor aproveitamento do material humano, do material didático e da infraestrutura física para o seu funcionamento.  Com isso muitas escolas seriam esvaziadas, com os alunos realocados para escolas próximas, e passariam a receber escolas técnicas ( ETECs ), creches, ou qualquer outro equipamento cultural ou administrativo, com ganhos evidentes.  Seriam mudanças para pouco mais de 300 mil alunos em um universo de 3,8 milhões e 93 escolas em um universo de 5000, que estão sob a responsabilidade da Secretaria de Educação do Estado.

O atraso político se mobilizou através das organizações que se qualificam, ou são qualificadas, como de esquerda, mas cuja prática é ultra conservadora, corporativa, fascista mesmo, que não respeitam princípios democráticos.  São elas alguns partidos (PT, PCdoB, PSOL), instituições aparelhadas por eles e subvencionadas pelo governo federal como a UPES ( União Paulista dos Estudantes Secundários), a UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundários), o MTST (Movimento dos Trabalhadores  sem Terra), a APEOESP ( associação  do professores do Estado de São Paulo), além de algumas ONGs que não se sabe para que existem.  Também alguns intelectuais que se dizem de esquerda apoiaram a mobilização pois, segundo eles, as mudanças seriam a realização de um “apartheid”.  Argumento abjeto, se não risível.

Elas decidiram ocupar escolas e paralisar o trânsito em vias de muita circulação com o objetivo de impedir a reestruturação e desgastar o governo estadual.  Alguns poucos líderes militantes com algumas poucas centenas de pessoas (estudantes e não estudantes) tiveram sucesso no seu intento.

Certamente o governo do Estado foi pego de surpresa com esse tipo de reação.  Foi incapaz de prever o que veio a acontecer, não conseguiu transmitir os efeitos positivos das mudanças pretendidas e foi obrigado a usar a polícia para evitar a interrupção das vias com resultado danoso para a sua imagem.  A desgastante reprodução midiática de alguns atos de força da PM teve como consequência o recuo do governo.

Os objetivos absolutamente defensáveis da reestruturação não foram considerados.  O interesse maior da Educação também não foi.  O que foi transmitido, e foi acolhido pela opinião pública, é que o governo pretendia fechar escolas, pura e simplesmente e não é disso que se tratava.

Mais uma vitória do conservadorismo e uma derrota da democracia.

Vinte e cinco de novembro de 2015, um dia histórico para a República no Brasil

 

O último dia 25 de novembro ficará marcado na história do Brasil como um dia histórico em que a República se afirmou pelo seu caráter democrático em função da ação de dois de seus componentes essenciais: o Poder Judiciário, através do Supremo Tribunal Federal e o Poder Legislativo, através do Senado Federal.

No período da manhã a turma de cinco juízes do TSE que é responsável pela investigação na operação “lava jato”, reuniu-se e referendou a decisão do ministro Teori Zavascki que, a pedido do Ministério Público Federal, mandou prender o senador Delcídio do Amaral, lider do governo Dilma Rousseff no Senado.   Nessa reunião a ministra Carmem Lúcia disse, em expressa referência à vitória do PT em 2002 e à gravação que levou Delcídio à prisão: “ Na história recente da nossa pátria, houve um momento em que a maioria de nós, brasileiros, acreditou em um mote segundo o qual uma esperança tinha vencido o medo.  Depois, nos deparamos com a ação penal 470 (mensalão) e descobrimos que o cinismo tinha vencido aquela esperança.  Agora, parece-se constatar que o escarnio venceu o cinismo.  O crime não vencerá a Justiça.

No mesmo dia, à noite, o Senado Federal que por dever constitucional devia se pronunciar sobre essa prisão, homologando-a ou não, decidiu, em primeiro lugar que o voto seria aberto nessa votação e, por fim, ao decidir a questão em seu mérito determinou, por ampla maioria, a manutenção da decisão do STF.

As duas instituições da nossa república democrática, ao lado do MPF, reafirmaram os seus princípios e decidiram de acordo com a Justiça, as leis e a vontade do povo brasileiro.

Um dia que honra e orgulha os milhões de brasileiros que lutaram para reconquistar a Democracia.

O Brasil, com Lula, merece um “Oscar” (Parte 2)

Hoje continuo comentando a entrevista de Lula ao jornalista Roberto D’Ávilla, no canal GloboNews. Para ver a primeira parte, com vídeo da entrevista, clique aqui.

Na entrevista Lula repete, como um mantra, a acusação de que os meios de comunicação estão contra o PT, sem qualquer base na vida real.  É verdade que alguns meios de comunicação adotam posições em defesa de seus interesses econômicos ou ideológicos, mas a história tem nos mostrado que o PT tem se beneficiado disso, antes e depois de assumir o governo central.

Diz Lula que não quer tirar o Levy  e que não deve dar palpites no governo Dilma.  Aí Lula atinge as raias do cinismo.  Não só dá palpites como promove e participa de reuniões no Alvorada em que distribui tarefas, dá diretrizes e, de fato, determina a ocupação de postos de governo.  Todos sabem disso.  A mídia apenas o registra.

Falando sobre os últimos episódios que passaram a se chamar de “mensalão” e “petrolão”, afirma que foi o governo que acabou com o cerceamento às investigações de corrupção dando  autonomia ao Ministério Público.  Esse avanço institucional, Lula credita ao seu partido, como se pudéssemos esquecer que o PT votou contra o texto final da Constituição que garantiu essa autonomia.

Lula criminaliza a todos que buscaram recursos para as campanhas eleitorais, como se  a posição do PT no comando do governo não fosse determinante para que a corrupção pudesse se consumar.  Nada tem a ver com os recursos obtidos pela oposição.   No caso da Petrobrás ele tem a coragem de afirmar que levou um susto, que a história da quadrilha não é nova, que foi organizada por funcionários muito antigos, sem citar que dirigentes do PT foram e estão sendo presos e condenados por terem sido responsáveis pela formação de grupos de funcionários corruptos dirigentes das estatais, escolhidos pelo partido, que passaram a ocupar cargos decisivos no aparelho estatal, e formaram, com empresários sem limites éticos, quadrilhas que levantaram recursos para as campanhas partidárias e para a sua satisfação pessoal.

A respeito de uma necessária reforma política, Lula diz que não é problema só do governo, mas também do Congresso Nacional.  Menos mal que na reunião que tivemos em 2005, quando ele convocou todos lideres de bancadas para uma reunião no Palácio e, diante da minha intervenção em que eu dizia que o país não seria governável sem uma reforma política, ele respondeu que reforma política não é com o governo, é problema do Congresso.

Lula defende também uma Constituinte exclusiva, como se não soubesse que não existem instrumentos constitucionais para, durante a vigência do Estado de Direito, convocar uma nova e qualquer Constituinte.  Uma mudança que poderia ser feita durante o seu governo seria acabar com o direito à reeleição contra a qual se manifestaram.  Nada fez.  Já não lhe interessava.

Com o toque demagógico que lhe é peculiar, Lula não deixou de mostrar a sua virtude teatral ao falar da crise por que passa o país.  Proclamou que “a crise não foi feita pelos pobres, pelos trabalhadores, foi feita pelo sistema financeiro internacional”.   Vale dizer, Lula, Dilma e o PT não são autores da crise, são vítimas dela.  Os culpados são o JPMorgan, e todo sistema financeiro que tanto o apoiou e venerou pois lhes possibilitou lucros “nunca antes nesse país”.

Segundo ele, todos ganharam, todos subiram um degrau, sem reconhecer que nestes últimos dois anos uma grande parte dos ganhos dos mais pobres e dos recém emergentes já foram pelo ralo.

Falando de privatizações e de concessões Lula diz que no governo FHC se “vendiam” as estradas para obter dinheiro e que eles, pelo contrário, não pediam nenhum valor pelas outorgas, procurando apenas tarifas mais baixas para o usuário.  Ora, quando só se licita pela menor tarifa o usuário pode pagar menos, mas o contribuinte entrega o ativo público sem retribuição pelos investimentos feitos, isto é, toda a sociedade paga.   Dilma bem que aprendeu, pois está licitando, nesse momento, as antigas usinas hidrelétricas cujo período de concessão se encerrou, não pela menor tarifa mas pelo maior pagamento de outorga pelo novo concessionário.  Lula não anda lendo o noticiário econômico.

Como solução para a crise Lula diz que os bancos e o governo devem financiar as empresas  e os consumidores para retomar o crescimento.  Ora, os bancos estatais sob o comando federal estão exauridos, inclusive pelas dívidas (pedaladas) realizadas pelo tesouro nacional, e o governo em geral não tem recursos próprios e tem seu limite de endividamento já bastante expandido.

Lula e seu governo estão vivendo uma crise sem precedentes.  O seu governo, sim, não de Dilma.  No último outubro, 169 mil vagas de trabalho foram fechadas, 1,4 milhão nos últimos 12 meses.  Os índices de inflação aumentam, e a previsão de queda do PIB é de 3,1% este ano segundo o BC e de cerca de 2% no próximo ano.  Os desempregados já são 9 milhões.  A década está sendo perdida.  Os investimentos caem, a indústria definha e mesmo os setores agrícola e mineral sofrem com a retração da economia chinesa.  Não existem boas notícias.

Enfim, Lula fala que o impeachment da Dilma não teria base legal.  Ora Lula liderou a campanha pelo impeachment de Collor de Melo, com muito menos base legal e moral.  Lula e Dilma e seu PT são os responsáveis pelos maiores crimes já cometidos por algum governante.  Nada parecido na nossa história.  Se isso pode ser mostrado e provado e convencer o Congresso Nacional, já que é claro que o povo brasileiro está convencido, é o que veremos.   Não é “pisotear” a Constituição como ele proclama.

O toque final de Lula na entrevista foi falar de Educação.  Alardeia que campi universitários foram erigidos para todos os lados, como se isso fosse suficiente para garantir a sua qualidade, e ressalta  as escolas técnicas, matéria que teria sido melhor tratada pelos Estados se o governo federal os munisse de instrumentos financeiros e de gestão para a sua consecução, como fizemos aliás em São Paulo, sem qualquer guarida federal.

Porém, antes desse final apoteótico, Lula esbraveja sobre um valor que afirma do qual não abre mão e aprendeu com a sua mãe analfabeta: a vergonha na cara.  Quando o entrevistador pergunta sobre um filho que ficou rico em curto prazo (outro já tinha ficado rico há anos, com a venda de ações de sua empresa para um concessionário de telefonia) em operações com pessoas cujos interesses dependiam de decisões governamentais, Lula esbraveja indignado:  “ele tem que provar que fez a coisa certa.  Está subordinado às leis…”. Afinal, o que mais ele teria a dizer?

Avalie, leitor, se ele não é genial.  Não merece a estatueta?

O Brasil, com Lula, merece um “Oscar” (Parte 1)

Lula é uma figura fascinante.  Na sua entrevista ao Roberto D’Ávila no Globo News, em algumas passagens me veio a imagem do ator inglês “Sir” Laurence Olivier no filme “Hamlet” com o qual foi premiado com o “Oscar” de melhor ator e melhor filme.  Lula é um ator de primeira.  Teve um desempenho digno de um “Oscar”.  Vai aqui um link da entrevista:

https://youtu.be/uS1BFelmwOA

Inteligente, vivo, esperto e com uma característica de caráter que o fez vencer na vida: não tem compromisso com a verdade.  O que lhe interessa são os resultados.  O presente não precisa ter consonância com o passado, muito menos com o futuro.  É capaz de afirmativas corretas e cativantes que servem para dar um ar de veracidade às narrativas mais falsas para justificar suas opiniões e ações.

Lula diz que a democracia é “uma coisa interessante” e que fora da política não existe saída.  Excelente.  Correto.  Falou em tolerância e que ouvia  empresários, políticos, a “todos” enfim.  É verdade.  Mas inquirido pelo entrevistador sobre a sua declaração de possível mobilização nas ruas do “exército do Stédile” para defender a Dilma, contrariando a saída política e a tolerância, se fez de surdo.

Lula afirma que nunca no Brasil se teve em 12 anos um crescimento igual ao período petista.  É falso. O país cresceu, durante o período militar do “milagre econômico” ( 1968 a 1973 )a taxas médias de 10% ao ano e no período subsequente a taxas médias de 7,0% a.a. até 1980. Durante o governo Lula e o primeiro mandato de Dilma cresceu 3,4% ao ano, em média, e se computarmos as previsões de 2015 e 2016 – quedas no PIB de 3% e 2% respectivamente – a média passa a 2,5% ao ano nesses 14 anos de petismo ( se Dilma cumprir 2016 ).  No período FHC a média dos 8 anos foi de 2,4% ao ano.  Leve-se em conta que durante os anos Lula e parte de Dilma houve um “boom” na economia internacional, em especial nas transações com as “commodities” onde o Brasil é muito forte.  Vale dizer que mesmo nas condições excepcionais da economia mundial, Lula não fez tão bonito quanto alardeia.  Quanto aos aumentos do salário mínimo que proclama nada fez mais que continuar a política do governo anterior que, desde 1995  concede índices de aumento maiores que a inflação, sendo que em seu período de 8 anos o aumento foi semelhante aos 8 anos anteriores.

Lula também afirma que estamos no pior momento do mundo emergente e credita à crise internacional as nossas dificuldades ( aí, com uma pitada de honestidade, faz a ressalva de que também se deve às nossas escolhas equivocadas).  Mas o fato real é que dentre o mundo emergente, dentre os países subdesenvolvidos e dentre os países da América Latina, além do mundo em geral, o Brasil se situa atualmente entre os de menor índice de crescimento do PIB.  Justifica esse desastre dizendo que Dilma procurou dar subsídios para manter o crescimento e o emprego e só depois ela começou a perceber o que se passava.  Ora, ignorante é o que ela não é pois avisou que iria fazer “o diabo” para vencer as eleições.

De forma cínica Lula diz o que se quer ouvir, isto é, que a responsabilidade fiscal é obrigação, não se deve gastar mais do que se arrecada.  Em seguida, que é preciso mais investimentos públicos para retomar o crescimento, sabendo que com a recessão brutal pela qual passamos há queda de arrecadação, o que inviabiliza investimentos públicos.

Lula com Roberto D’Ávilla: atuação digna de Oscar

Amanhã continuarei comentando a entrevista.

Conclamação ao PSDB

Artigo publicado na Folha de S. Paulo

Se sobrasse a Dilma Rousseff e a Eduardo Cunha um mínimo de patriotismo e respeito pelo povo brasileiro, eles renunciariam. Mas, se não pudermos contar com eles, voluntariamente, devemos mobilizar o povo nas ruas para que suas renúncias se imponham ou os processos de perda de seus mandatos se efetivem por ação do Congresso Nacional, nos termos da Constituição.

Dilma perdeu a capacidade de exercer o mandato de presidente da República. Não comanda nem seu próprio ministério. Lula tem de fato o comando do governo.

A Cunha falta a autoridade moral indispensável para presidir a Câmara dos Deputados. Isso fica mais claro a cada dia.

Na Câmara, o resultado será um novo presidente. Na Presidência da República, a assunção de Michel Temer, substituto legal, a não ser que a investigação sobre recursos eleitorais supostamente advindos de corrupção leve o TSE a cassar os mandatos de ambos.

O PSDB não pode mais adiar sua posição. Já perdemos muito tempo de forma, no mínimo, ingênua. Ela deve ser clara, incisiva e mobilizadora, propositiva de algumas reformas, um mínimo consenso para enfrentar a crise e abrir a perspectiva de retomada do desenvolvimento.

O ajuste fiscal é premente. Significa limitação dos gastos públicos, de maneira a não afetar os que mais dependem do Estado, com o objetivo de combate à inflação e retomada de investimentos.

O Estado brasileiro precisa de reformas que lhe dê condições de articular e regular as diversas forças da sociedade, sem que o exagerado ativismo governamental coíba a ação dos mercados e sem que esses predominem sobre o interesse público.

Dentre as reformas, garantir o futuro da Previdência é crucial. Não há como sustentar aposentadorias precoces quando a taxa de natalidade cai e a expectativa de vida sobe.

A reforma trabalhista é imperiosa. As relações de trabalho, subordinadas aos princípios de equidade e razoabilidade, devem ter flexibilidade para que patrões e trabalhadores possam se ajustar, sem a imposição de regras rígidas, para garantir empregos e salários.

A questão federativa é essencial para que o Estado –nos níveis nacional, estadual e municipal– possa funcionar adequadamente e atender às necessidades da população.

A questão energética é urgente. Deve ser focada em fontes não poluidoras, que não devastem florestas, não agridam o meio ambiente e não expulsem milhares de pessoas de suas regiões.

A segurança pública não pode ser mais vista como um problema dos Estados, mas uma questão nacional.

É preciso mudanças nas instituições políticas, a começar pela limitação da existência de partidos e o fim das coligações nas eleições legislativas, fonte de negociatas.

Finalmente, como questão estratégica mais importante, a educação. Precisamos buscar uma escola pública de qualidade, da pré-escola até o ensino médio, uma preparação técnica para o exercício de uma profissão e um ensino superior formando quadros capazes de guiar nosso desenvolvimento.

Essa é a agenda que o PSDB, com a responsabilidade que tem para com o país, deve assumir.

ALBERTO GOLDMAN, 78, ex-governador de São Paulo (2010-2011), é vice-presidente nacional do PSDB