PT – A destruição de um ideal

 

Acompanho, cada vez mais surpreso e estarrecido, o que vem acontecendo com as investigações feitas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal a respeito do desvio de recursos públicos para garantir a manutenção do poder por parte do PT.  Parecem não ter fim as ações criminosas reveladas, cometidas pelas principais lideranças desse partido em seu desejo incontido de manter o comando do país.

O mais impactante e surpreendente para mim que tenho origem política no pensamento e na ação dos movimentos de esquerda que recusaram o uso da luta armada para derrubar a ditadura militar/fascista que assumiu o poder após o golpe de 1964, é o grau de degradação a que chegou um partido, o PT, que se formou para construir uma sociedade socialista, humana, solidária, justa e democrática e que, após conquistar o governo através de eleições democráticas, passou a usar de todos os instrumentos possíveis, legais ou não, morais ou não, democráticos ou não, para preservar e prolongar o poder conquistado.

Sob o argumento de que estão transformando a vida, para melhor, de milhões de brasileiros, tudo passou a ser tolerado e justificado.  A estrutura do Estado brasileiro, do qual se apropriou o partido, passou a servir ao objetivo de manutenção indefinida do poder, e não só a isso.  Passou a ser a forma de viver e de usufruir a vida para centenas de seus líderes.

As últimas notícias dão conta que depoimentos de empresários – no caso o presidente e o vice presidente de uma das maiores empresas brasileiras, a Camargo Corrêa, feitos como confissão dos delitos cometidos para poder gozar de benefícios que a lei concede aos que decidem colaborar com a Justiça – reconhecem ter pago 110 milhões de reais em propinas para poder obter contratos com a Petrobras.  Os pagamentos foram feitos a um diretor da empresa – Renato Duque – indicado pelo PT e a outro – Paulo Roberto Costa – indicado por um aliado, o PP, referendado pelo PT e pelo PMDB.   Tudo operacionalizado por seus tesoureiros: no caso do PT por Delúbio Soares e, após a sua condenação, por João Vaccari Neto.

Essa é a soma fantástica que uma única empresa, entre 2007 e 2012, destinou aos partidos no poder.  Imaginem as dezenas de empresas envolvidas, as centenas de contratos, em todos esses anos de governo petista – de 2003 a 2014 – quanto dispenderam para os partidos no poder vencerem as eleições, até a mais recente.  E quanto foram beneficiados líderes, como José Dirceu e Antonio Palocci, que através de empresas de consultoria, faturaram  milhões de reais em troca de sua influência política.

Sob o ponto de vista da evasão de recursos estatais, mais do que as propinas pagas, de 1% a 3% do faturamento que, em cada ano, foi de dezenas de bilhões de reais, foi o prejuízo da sociedade pelas decisões tomadas, pois muitos desses investimentos e gastos do setor estatal foram artificialmente e desnecessariamente realizados apenas para possibilitar e facilitar as propinas.  Como exemplo a decisão de construir 4 refinarias de petróleo em regiões do país, decisão essa que acaba de ser revogada, após gastos bilionários,  para que se termine, apenas em parte, apenas duas delas.

O PT foi criado para realizar um ideal – um sonho: a construção de uma sociedade socialista, justa, humana e solidária, presumivelmente democrática.  O maior crime cometido por seus dirigentes foi justamente o de transformar esse sonho em uma verdadeira tragédia, que atinge  não só os que honesta e patrioticamente aderiram ao PT durante esses anos, mas a todos que em outros agrupamentos políticos também buscam uma sociedade mais justa.

A destruição desse ideal é a terrível herança que o PT vai deixar.  Nós, que viemos com os ideais das lutas da esquerda, temos dificuldade em nos declararmos como tal, vistos e confundidos agora com aqueles que ocasionaram um mal tão grande ao país e ao futuro das transformações pelas quais ansiamos.

Se o PT foi, algum dia, um partido de esquerda, se tornou a trincheira de interesses escusos que maculam a tradição de luta de milhões de brasileiros que, nos últimos quase cem anos, lutaram e morreram por uma sociedade melhor.

A meu ver isso justifica ações concretas para que nos libertemos daqueles que não souberam dignificar o papel a que se propuseram ao chegar ao governo.  Vale dizer, nos libertemos do PT, de suas dilmas e de seus lulas.

Encontrar esse caminho, nos limites da Constituição vigente, deve ser o objetivo e é o desafio a todos os democratas.

 

 

Crônica da legitimidade perdida: Para onde as coisas caminham

Dia após dia Dilma Rousseff vai perdendo uma porção da legitimidade que todo governante tem de manter para poder governar. Não basta a legalidade do mandato (às vezes contestada), obtida no processo eleitoral, e a consequente diplomação. É preciso que o governante seja respeitado, tenha credibilidade e seja reconhecido como comprometido com as ações que se propôs a realizar. Tem de ser respeitado não só por sua capacidade de fazer as coisas acontecerem, mas também pela preservação dos valores éticos que a sociedade valoriza.

 

 

Dia após dia surge uma notícia que nega esses atributos que Dilma tem de manter. Em um dia algum ministro a desmoraliza, no outro são membros presumidos de sua base de sustentação política que a desmoralizam, no terceiro ela entrega a pessoas em quem não confia a responsabilidade política por articular seus apoios.

dilma-erros

Dia após dia vai sendo demonstrada a falsidade de suas afirmativas no processo eleitoral: é a inflação que sobe, é o desemprego que assusta, é a economia paralisada, são os estouros do caixa do governo, são as dificuldades de equilíbrio das contas externas.

Dia após dia toma-se conhecimento de um novo escândalo: é a Petrobras saqueada, são os recursos da Caixa Econômica Federal ilegalmente utilizados para encobrir o brutal déficit nas contas públicas, é a Controladoria Geral da República que escondeu, até passar as eleições, as falcatruas cometidas e denunciadas.

Assim, dia após dia, cai um pedaço da legitimidade de Dilma.  Só sobra a legalidade formal, o documento que o Tribunal Superior Eleitoral lhe deu para ser a presidente do país.

Cada vez fica mais clara a ação do seu partido, o PT, que obteve recursos sem os limites da moral e da legalidade, para sustentar a eleição de seus membros.  O mais recente episódio é a prisão do tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, que traz à tona os montantes de recursos por ele angariados para o partido:  R$ 50,7 milhões em 2011 e R$ 79,8 milhões em 2013,  isto é, fora dos anos eleitorais, muito superiores aos obtidos por qualquer outro partido.  Nada mais evidente, além de diversos testemunhos, para demonstrar que esses montantes não são produto apenas de doações legais, mas o resultado de operações criminosas comandadas por agentes do partido incrustados no aparelho estatal, sob o comando do tesoureiro do PT.

A eleição de Dilma está eivada de irregularidades e isso repercute, de imediato, sobre a legitimidade do exercício do seu mandato.  Uma falta de legitimidade que a impede de enfrentar, com sucesso, os grandes problemas que o país apresenta, parte deles fruto da herança  de 3 períodos de governo petista.

Eis as razões que nos levam a avaliar a possibilidade do afastamento da governante.  Porém isso não pode ser apenas uma opinião de um ou de poucos, ter que ser a convicção da sociedade, majoritariamente.  Mais que isso, tem que haver a vontade, expressa com vigor, de todas as formas possíveis, para que o fato se concretize.

Haverá um momento em que, como a água que ferve, o sentimento popular entrará em ebulição.  É nessa direção que as coisas caminham.

Renúncia de fato e renúncia de direito

A indicação do vice presidente, Michel Temer, para comandar as articulações políticas do governo Dilma Rousseff, compondo o grupo dirigente com Eduardo Cunha e Renan Calheiros, presidentes da Câmara e do Senado, foi um passo decisivo da presidente na direção da renúncia de direito do exercício da presidência, já que a renúncia de fato acaba de se concretizar.  É um ato sem volta, “point of no return”, já que Eduardo e Renan não são, de direito, demissíveis e Michel não o será, de fato.

Passa a comandar a República uma troika peemedebista, um conjunto de políticos que não recebeu do povo a delegação para dirigir o país e, pois, sem a necessária legitimidade para governar e enfrentar o futuro.

Assim, caiu no colo do PMDB, o exercício do poder no Brasil.  Não foi isso que as urnas determinaram, não era isso que o povo desejava.  É inaceitável.  Dias difíceis nos aguardam.

Esse roteiro é complementado pela condução da economia, entregue de forma absoluta, ao ministro Joaquim Levy.  Aí, também, a presidente renunciou de fato, entregando a ele a tarefa de tirar o país do buraco. Mais uma razão para o afastamento de direito da presidente, que não governa mais o país.

Assim a história do segundo mandato de Dilma Rousseff vai sendo contada, como uma grande tragédia, após a farsa eleitoral, cuja dramaticidade não pode ser minimizada pois atinge a vida de mais de 200 milhões de brasileiros.

O povo percebeu isso e levou às ruas palavras de ordem pedindo a renúncia formal de Dilma.  Isso eu assisti hoje, na avenida Paulista, onde uma multidão bem superior a 100 mil pessoas – a segunda maior manifestação popular que conheci, inferior apenas àquela de 15 de março – clamava contra o PT e contra a presidente.

12abril

Não posso também deixar de expressar a minha revolta com alguns manifestantes, ainda que sejam uma ínfima minoria que, aproveitando-se do clima político contra o governo,  ousaram pedir a extinção do PT ( só o povo pode decidir sobre a dimensão, a vida e a morte de um partido ) e a “intervenção militar constitucional”, segundo eles possível nos termos do artigo 142 da Constituição.  Falso esse argumento pois o artigo citado diz que “ as Forças Armadas….sob a autoridade suprema do Presidente da República, destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer deles, à defesa da lei e da ordem”.

Vale dizer, não existe a tal intervenção militar constitucional. As palavras de ordem dessa minoria anti-democrática deve ser repudiada por todos os que buscam soluções concretas, nos limites da ordem constitucional.

A ação quase que espontânea do povo nos protestos contra o governo chegou onde poderia chegar.  Agora é hora das forças políticas democráticas do país, ao lado das instituições da sociedade civil que se organizaram para repudiar o governo Dilma, assumirem em conjunto a responsabilidade de encontrar a saída para a crise, isolando os grupos que não convivem com a democracia.

Os saudosos da ditadura militar, e os adeptos do poder a qualquer custo encrustados no aparelho de Estado e dele beneficiários, que sejam excluídos de uma frente pela democracia e pelo desenvolvimento que se constitua comandada por pessoas com legitimidade e respeitabilidade.  É a nossa tarefa.

Nem Delfim, nem Bresser Pereira. Os atuais governantes não têm mais condições para governar.

No mínimo são curiosas as opiniões de dois economistas famosos que expõem suas ideias na “Folha de São Paulo”, neste último, e sugestivo, primeiro de abril:  Delfim Netto e Luiz Carlos Bresser-Pereira.  Diferentes são suas trajetórias mas coincidentes são os seus sentimentos em relação aos governos petistas.

Delfim Netto foi ministro em diversos governos da ditadura.  Sob a presidência de Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo  ele foi, em períodos diversos, Ministro da Fazenda, da Agricultura, do Planejamento e  embaixador na França.  Quando da edição do Ato Institucional n° 5 assinou o então decreto que levou a ditadura à sua maior radicalização.  Nunca se sentiu incomodado com a violência do regime militar.  Pelo contrário, gozou por ser considerado o condutor da política econômica do governo.  Malufista por décadas, autor de muitas estripulias durante os seus mandatos, hoje ele é só conselheiro de Lula e de Dilma.  Para esses não há qualquer restrição.

Nesse último primeiro de abril, Delfim começa seu artigo com rasgados elogios ao primeiro período petista, sob o comando de Lula, sem deixar de cutucar o governo anterior, de FHC, pela “precária inclusão social com programas de focos confusos e apenas iniciados”.  Omite as dificuldades de um período pós inflação galopante e as profundas mudanças estruturais que foram executadas.

A era lulista, segundo Delfim, começou com uma desconfiança generalizada, mas caminhou para uma “profunda mudança de filosofia”, “deixando de ser a inclusão social apenas um detalhe como no governo anterior” para tornar-se o “objeto principal do governo…” e aí vêm os elogios, “governo de um operário de pouca educação formal, compensada por uma inteligência prática privilegiada e uma imensa capacidade de articulação política”.

Nenhuma referência faz Delfim ao aparelhamento do Estado e seu uso criminoso para a manutenção do poder.  Nada que surpreenda, já que foi um dos sustentáculos de uma ditadura que nos retirou a democracia mas deu alguns períodos de crescimento da economia.

Quanto a Dilma, Delfim diz que a presidente “demorou a reconhecer que tudo tinha mudado: as condições eram outras”.  Mas segundo ele, ela assumiu corajosamente uma conversão econômica equivalente à de São Paulo na estrada de Damasco… com um programa razoável.  E termina a coluna com a seguinte pérola, vinda de quem vem: “A democracia não é uma dádiva divina. É difícil, mas é o único caminho para a civilização”.

Delfim, este sim, fez uma conversão espantosa. Oportunismo explícito.

Quanto a Bresser Pereira, foi ministro da Fazenda durante o governo José Sarney e foi ministro chefe da Secretaria da Administração Federal e Reforma do Estado e Ministro da Ciência e Tecnologia durante os mandatos de Fernando Henrique Cardoso.

Ele diz, em seu artigo, que a explicação fundamental para a perda da popularidade da presidente Dilma “está na hegemonia ideológica do conservadorismo liberal (alguém sabe o que é isso?) que dá à crise econômica de curto prazo uma dimensão que ela não tem, que acusa a presidente de estelionato eleitoral porque ela está fazendo o que tem que fazer e que procura vinculá-la ao escândalo da Petrobras sem qualquer fundamento”.  Nem os mais radicais petistas elogiariam com tal entusiasmo e com tal incapacidade de ver o que está mais que visível.

Ao criticar os movimentos de rua contra Dilma, Bresser pergunta: “É então o golpe de Estado que se quer? Para obrigar Dilma trair seus princípios e se submeter à politica liberal e dependente que a oposição defende?” Afinal que diabo é essa política liberal e dependente que a oposição defende?

Bresser então defende um grande acordo político que deve ser desenvolvimentista, “de centro, em vez de direita ou de esquerda”, e termina também com uma pérola: “porque não se deve dar preferência nem aos trabalhadores nem aos empresários”.  Genial!  Parece piada.

Assim Delfim, esteio da ditadura militar, vai se identificando com Bresser Pereira, homem de confiança de FHC, ou vice-versa, os dois no afã de salvar a cara de Lula, de Dilma e do PT.

Afinal tudo que estamos assistindo, não só no plano ético/moral, mas no campo econômico com profundas repercussões sociais, é responsabilidade dos governos petistas.  A obrigação dos que falam e escrevem com honestidade intelectual é fazer a análise crítica desses 12 anos de descalabro e procurar soluções que afastem do governo aqueles que foram os responsáveis pelo desastre que constatamos nos dias de hoje.

Os atuais dirigentes não tem mais condições de governar.  Não tem credibilidade, não são respeitados pelo povo.  Precisam sair.  Como fazê-lo nos limites estritos da legalidade democrática, esse é o desafio a todos os patriotas.

Vamos torcer para que tenhamos chegado ao fundo do poço

O fracasso do “modo petista de governar” é estrondoso. Conhecendo os dados de 2014, podemos afirmar que os mais pessimistas vaticínios estão se realizando. O IBGE precisou usar uma nova metodologia de cálculo do PIB para que o país crescesse no ano passado 0,1% e, refazendo o cálculo dos anos anteriores, pudesse fechar os quatro anos de Dilma Rousseff na média anual de 2.1%. Senão, seria pior. Assim mesmo, um dos menores crescimentos da América Latina e bem abaixo de alguns países mais avançados que teriam sido, segundo a presidente, os responsáveis por esse baixo crescimento. Sim, porque os Estados Unidos cresceram 2,2% em 2013 e 2,4% em 2014, desmentindo as patranhas dilminianas.

No ano passado, a indústria de transformação diminuiu em 3,8%, em sequência a anos de queda. Assim, vamos perdendo o setor mais dinâmico da economia, tecnologicamente mais avançado e gerador de melhores empregos. Pouco ou nada adiantaram os programas de isenção fiscal e os estímulos ao crédito oficial. Um alento momentâneo que não produziu crescimento no que é fundamental para a economia: os investimentos e a produtividade. Pelo contrário o país investia, em 2011, 19,4% do PIB e passou a investir, em 2014, 15,8%. Um desastre.

PIB

O início desse ano escancara o péssimo período petista. O período Lula preparou a cama de Dilma. Irresponsabilidade sobre irresponsabilidade produziram uma herança negativa.  E o primeiro período Dilma deixou para o segundo período da mesma uma herança ainda mais maldita. Não bastassem os resultados negativos de 2014, esse ano se mostra ainda mais preocupante. A produção continua a cair, a criação de novos empregos desaba, o desemprego volta a assustar, a inflação recrudesce e os salários médios diminuem, os juros aumentam e, em consequência, os custos da dívida e a balança comercial de exportações e importações continua negativa, mesmo com a brutal desvalorização do real. Precisamos de um mundo de dinheiro de fora para sustentar o nosso balanço de pagamentos. Caso contrário, as reservas externas vão para o espaço. Se, e quando, o mundo (em especial os EUA) aumentar as suas taxas de juros, então será a chamada tempestade perfeita. Sai de baixo…

Quando parece que chegamos ao fundo do poço percebemos que ele é ainda mais fundo e não sabemos onde vamos parar. Nem Levy e seus Chicago Boys vão salvar a presidente, muito menos nós.

O drama é que o país vai sendo levado de roldão.

O ajuste fiscal de Levy/Dilma, como mostram os números, se apoia fundamentalmente no crescimento das receitas de impostos e taxas. O que noticia a imprensa é que se calcula que 85% do ajuste vêm delas. Lembraram até de cobrar dos bancos a operação das folhas de pagamento dos servidores federais, o que se faz em São Paulo há anos com as dos servidores do Estado. Corte de despesas, de fato, é secundário.

Assim até eu, que não tenho diploma de economista, não sou PhD de Chicago, nem de coisa alguma!

O doloroso estado terminal de um governo.  A renúncia é o sonho de uma noite de outono?

 

Por quanto tempo ainda o país ainda vai sofrer com o governo que tem?  É impossível prever a duração do doloroso fim de um governo em estado terminal.

O grau de isolamento da presidente é tal que o poder parece mais estar no Congresso, através dos presidentes das duas Casas, Câmara e Senado. De fato, um parlamentarismo à meia boca, ao arrepio da lei, sem as características positivas desse sistema de governo que são a possibilidade de derrubar o gabinete e de dissolver o Congresso convocando novas eleições.  Por incrível que pareça, não há aliança partidária, nem distribuição de cargos no executivo federal que garanta o exercício do poder de governar à presidente Dilma Rousseff.  Perdeu a maioria no Parlamento, perdeu essas alianças, perdeu a possibilidade de manipular as manifestações de rua e perdeu a credibilidade e a respeitabilidade necessárias para liderar o país.

Pouco tempo após as eleições que a fizeram presidente, ela expressa, de forma eloquente, a rejeição da população a ponto de, surpreendentemente, ter o apoio de apenas um décimo do eleitorado nacional.  Fato nunca visto.

Todos os dias, sem descanso, vem uma má notícia, mas o fundo do poço não é alcançado.  Parece que não tem fim.  Os tênues fios que a mantinham com algum alento, seja pela manutenção dos empregos, seja pela manutenção do poder de compra do povo, se romperam.  Hoje, além de inflação, recessão, baixos investimentos, situação fiscal dramática, é desemprego e baixos salários.  Nada mais sobra.  Ela vai encerrar o ciclo petista de maneira triste e deprimente.

É preciso que fique claro: Dilma não é a maior responsável por tudo isso.  Ela não é nada mais que um figurante nesse teatro de horror montado pelo PT sob a liderança de Luís Inácio Lula da Silva.  O episódio da Petrobrás, em que fica clara a ação do ex-presidente determinando, de forma autoritária e ilegal a estratégia da empresa, conforme declara Graça Foster, com objetivos políticos e financeiros, é gritante.

Após esse ciclo petista, que não tem data certa para se encerrar, teremos anos e anos de reconstrução, não só da nossa economia, mas também da vida democrática do país, abalada pela forma criminosa como o PT governou e governa.

O melhor para o país é que ela e o seu parceiro vice-presidente renunciassem para que novas eleições fossem convocadas sob novas regras, isto é, após uma reforma política que acabasse com as distorções no processo partidário e eleitoral.

Afinal tanto ela quanto ele são produto de um processo eleitoral viciado não só pelo uso da máquina estatal, como pelo uso de recursos públicos desviados de forma criminosa.  Isso possibilitaria um amplo acordo nacional.  Seria menos doloroso e uma demonstração de respeito para com o Brasil e o povo brasileiro.  Caso contrário vamos continuar, não sabemos por quanto tempo, com essa morte lenta e extremamente danosa para nossa economia e nossas instituições.

Sonho de uma noite de outono?  Talvez.  Se não isso, então o quê?

 

 

O início do fim. O desafio às forças democráticas quanto à transição.

As manifestações de hoje, 15 de março de 2015, foram as maiores manifestações populares da história brasileira.  Superaram, de longe, as manifestações a favor das eleições diretas que foram o início do fim do regime militar.  O lulopetismo está em seus estertores.  Trata-se para todos nós, democratas, de afastá-lo com os menores danos para o nosso país e o nosso povo usando os instrumentos que a democracia nos permite.  Dentre eles a pressão das ruas.

As manifestações de apoio ao governo, realizadas no último dia 13, cotejadas com as de hoje, permitiram que a Nação pudesse constatar, com clareza, que o governo que dirige o país não o representa.

As manifestações do dia 13 foram convocadas pelos pelegos sindicais, estudantis e dos movimentos sociais manipulados e subvencionados financeiramente pelo governo central e contaram com a presença, majoritária, de empregados dos sindicatos sob o comando da CUT e de outras centrais sindicais, da UNE e de outras entidades estudantis, das milícias do MST, e de alguns militantes do PT, do PCdoB e de outros partidos que se auto denominam de esquerda.  Presença voluntária, muito pouca.  Um retumbante fracasso.

No caso das manifestações de hoje não houve a necessidade da ação de partidos políticos, nem o fornecimento de alimentação e transporte gratuitos.  Não foi necessário mobilizar prefeituras petistas, nem exércitos de sem terra, comandados pelo Stédile e bancados pelo Incra.   A presença do povo foi voluntária, convocado pelas redes sociais, e se espalhou por todo o país.

O povo se manifestou, de forma ordeira, contra o governo petista, contra Lula e contra Dilma, não só nas capitais mas também nas grandes, médias e pequenas cidades.  O número dos manifestantes é imponderável – foram muitas centenas de milhares –  e o repúdio ao governo consolida a percepção de que o governo, politicamente, acabou.

Trata-se agora de construir a transição, necessariamente democrática, para expelir a podridão e a incompetência do comando da Nação.

A presença, no fim do dia, de dois ministros em entrevista aos meios de comunicação, foi patética.  Um acenando com uma reforma política tantas vezes anunciada quanto esquecida.  O outro desqualificando as manifestações com o argumento de que a maioria dos manifestantes seria dos que não votaram na Dilma.  Os dois repetindo as justificativas dadas durante a campanha eleitoral e repetidas em posteriores pronunciamentos da presidente.

Assim como não tiraram as conclusões políticas da vitória eleitoral obtida às custas de mentir e levar o país à crise em que vivemos, os petistas se recusam a avaliar com seriedade as manifestações de hoje.  Nenhum lampejo de autocrítica, depois de tantos erros cometidos.

O povo acaba de dar o recado.  Esse governo não tem mais como dar a volta por cima e ganhar o respeito necessário para poder governar.  Chegou ao ponto em que não há mais retorno.  Caminha para o abismo e nada pode evita-lo.

O problema é o sofrimento por que passa e passará o país.  Por isso não há como deixarmos de agir, com absoluto respeito aos princípios democráticos, diante do inevitável aprofundamento da crise nos próximos meses, muito menos nos quase 4 anos, que é a duração do mandato.

Esse é o desafio que se apresenta às forças verdadeiramente democráticas do país.

Já está tudo bastante claro. Quem comandou foram Lula e Dilma. E agora, como sair dessa?

 

José Eduardo Cardoso diz que não há o que investigar sobre Dilma Rousseff.  Ele está certo.   Não há mais o que investigar sobre ela e sobre Lula.  Está tudo claro.  É uma quadrilha só, uns mais ativos, outros menos.

Estão envolvidas todas as direções dos três principais partidos da base governista: PT, PMDB e PP, sob o comando do primeiro.  Estão lá seus presidentes, tesoureiros e lideres na Câmara e no Senado.  Sob o comando de Lula e Dilma foram indicados os operadores para exercer as diretorias da Petrobras e articular com os empresários para executar as obras e surripiar um naco substancial dos contratos com a finalidade de eleger presidentes, governadores, senadores e deputados, sem prejuízo, em alguns casos, de deixar um “troquinho” para si próprios.

Com isso ganharam eleições.  Tornaram seus mandatos ilegítimos.  Moral, política e juridicamente inaceitáveis.

Ainda tentaram incluir na lista do Janot o nome de Aécio Neves.  Não conseguiram.  O máximo que conseguiram foi incluir o senador tucano mineiro Antonio Anastasia, citado nas investigações por um “mula” ( transportador das propinas ) que foi desmentido pelo doleiro Youssef que fez delação premiada e negou que tivesse mandado qualquer coisa para o senador.  O covarde Janot o incluiu para dar, ao menos, uma colher de chá à Dilma.  A simples citação do nome, sem qualquer prova, foi suficiente para Janot.

Como sair dessa enrascada que paralisa o país e condena milhões de brasileiros a viver sem perspectivas de uma vida melhor, sem perder as conquistas democráticas alcançadas depois de superado o período ditatorial, isto é, nos limites legais, é o nosso grande desafio.

 

 

 

Um ano de muitas emoções

Lula não precisava anunciar que o Stédile iria colocar seu exército nas ruas. Grandes ditadores, em todo mundo, já o fizeram, antes ou depois de tomar o poder: Franco na Espanha com as “Falanges”, Mussolini na Itália com os “Camisas Negras”, Hitler na Alemanha com as SA  (Sturmableitung, em português “Tropas  de assalto”).  Mais recentemente temos, na Venezuela, as milícias bolivarianas. Todos para manter o poder à força.

O aperitivo o PT já ofereceu, como mostrado durante o ato na Petrobras em que ele, Lula, esteve presente, incitando a formação de milícias. A provocação ao ato do PT foi uma ação imbecil, promovida por um pequeno número de populares, mas a resposta com porradas, inaceitável, serviu para o treinamento da milícia petista em formação.

Já era previsto que o PT iria cair “atirando”, como eu já havia escrito.  Que faria o diabo, como anunciou Dilma, durante o processo eleitoral.  Fez e venceu.  Usou, como nunca ninguém, os recursos desviados das empresas estatais e dos ministérios, como se vê pelas notícias publicadas dia após dia.  Agora já sabemos como, quando e onde.  Só uma parte, por enquanto.  Vem mais por aí.

Não foi só dinheiro que maculou a vitória petista.  A cada momento o  novo (velho), governo anuncia medidas que contrariam os compromissos de Dilma durante a campanha: inflação, desemprego, juros que aumentam, controle cambial deixa de existir, reajuste da tabela de IR abaixo da inflação, incentivos de isenção de IPI são revogados, desonerações das folhas de pagamento das empresas são diminuídas, o PAC é paralisado, o programa de financiamento de bens para os adquirentes do “minha casa, minha vida” é cancelado, benefícios da previdência  são reduzidos, tarifas de energia elétrica sobem, compensando quedas artificiais antes promovidas, além de muitas outras que vêm sendo tomadas.

Estelionato puro e simples, sem que Dilma tenha a coragem de vir à TV (como fez tantas  vezes, antes e durante a campanha, para comunicar benefícios) para explicar e justificar as decisões que atingem milhões de pessoas e todo o país.

Agora, passado o momento eleitoral, tudo muda.  Estouraram o país de uma forma tão grave que levaremos anos para consertar.  E eles não têm condições para isso.  Por isso começam a usar a violência para enfrentar a indignação popular.

O Brasil parou, ninguém mais quer investir, com inflação, recessão e a credibilidade da presidente chegando ao fundo do poço.

Qual a resposta de Lula?  Milícias paramilitares nas ruas.  Esse cidadão é o verdadeiro responsável por tudo o que estamos passando e vamos passar.  Assim tratou o país: gestão fraudulenta e gestão temerária. Dilma é apenas a operadora de toda essa desgraça.

Vamos viver 2015 em estado permanente de tensão.

O impedimento e o desafio da oposição

Artigo publicado na Folha de S. Paulo

Estamos iniciando um longo e dramático período político em nosso país. Longo, porque o mandato presidencial é de quatro anos. Dramático, porque Dilma Rousseff e seu partido não têm condições políticas e morais para conduzir o país por mais muito tempo.

Para não se apresentar confessando o estelionato eleitoral, Dilma entregou à nova equipe econômica a missão de implantar medidas de sacrifício da população –que durante a campanha eleitoral dizia que a oposição imporia à nação–, na busca desesperada de superar a estagnação produzida por sua política desastrosa.

Sem autocrítica, pelo contrário, em uma atitude covarde, procura arrastar o PSDB para o mar de lama em que está metida, ao afirmar que, se antes tivesse o governo FHC investigado e punido, não teríamos o que temos agora.

Esconde a sua responsabilidade na articulação de diretores da Petrobras e de seus fornecedores com os partidos de sua base, que objetivou o saque de recursos públicos para suas campanhas (e o enriquecimento de muitos) –o que, agora, emerge de maneira avassaladora.

É isso que destrói toda e qualquer condição moral de condução do país por parte da presidente Dilma Rousseff e seu ministério.

Dilma tratou de montar um ministério com figuras que representam agrupamentos partidários ou grupos de interesse que possam lhe dar o respaldo necessário no Congresso Nacional, para evitar um possível pedido de seu afastamento definitivo do cargo, nos termos da Constituição em vigor, uma sobrevida difícil de obter.

O governo petista está moribundo, e o partido continuará existindo como uma pálida imagem do que já foi no passado, quando, moralmente inatacável, pretendia ser o condutor de uma transformação profunda na sociedade brasileira.

No governo, liderado pelo seu grande chefe, Luiz Inácio Lula da Silva, o PT se corrompeu ao buscar, a qualquer preço, a manutenção do poder. O projeto de uma nova sociedade se frustrou, transformando-se em projetos de subsistência de milhões de brasileiros que vivem na pobreza, mantidos nessas condições para garantir o controle dos seus votos. Não passa disso.

Os resultados eleitorais foram colhidos, mas isso não garante ser possível conduzir o país, fazendo as transformações necessárias para que ele possa avançar econômica, social e politicamente.

Pelo contrário, a forma como esses resultados foram obtidos impõe à presidente e ao seu partido a necessidade de se legitimar perante a maioria do Brasil produtivo, que não vive na dependência do Estado. Tarefa impossível.

O quadro atual é dramático também para a oposição e para os milhões de brasileiros que não veem no governo atual condições para vencer a crise.

Como levar adiante uma transição nos limites da democracia constitucional em que vivemos, rejeitando firmemente qualquer solução que não seja legal, sem ter de aguardar quatro anos para que o país possa abraçar um caminho que abra novas perspectivas de desenvolvimento e de melhoria das condições de vida de nosso povo? Esse é o desafio que está colocado para nós.

Sobra o caminho legal do impedimento, que só acontecerá se o agravamento das condições econômicas e políticas persistirem a ponto de mobilizar o povo e os partidos para uma solução que, de qualquer forma, ainda que legal e democrática, não deixa de ser traumática.

Mas o próprio Lula já declarou, após a queda de Collor, que o povo brasileiro mostrou que o mesmo povo que elegeu um presidente pode tirá-lo. E pode, legalmente!

Pode não haver outra saída.

ALBERTO GOLDMAN, 77, vice-presidente nacional do PSDB, foi governador de São Paulo (2010)

Dilma Rousseff, coração valente

A jovem Dilma Rousseff, ideologicamente socialista desde a juventude, após o golpe militar de 1964 passou a se opor à ditadura militar implantada e, como muitos jovens na época, ingressou na luta armada como caminho para a derrubada do regime. Tornou- se membro da COLINA, Comando de Libertação Nacional e posteriormente do VAR-Palmares, Vanguarda Armada Revolucionária Palmares, organizações que se formaram para combater a ditadura. Passou quase três anos presa (1970–1972) e foi torturada pelos militares da Operação Bandeirante (OBAN). Após a queda da ditadura passou a fazer parte do PDT, tendo atuado no governo gaúcho como Secretario de Estado. De uma forma ou de outra, ainda que eu sempre tenha rejeitado a opção da luta armada para derrubar o regime ditatorial, estivemos lado a lado.

Pela sua formação política e por sua conduta em toda a sua história ninguém poderia acusá-la de qualquer interesse pessoal em sua vida pública. Nem antes, nem depois quando passou a exercer as funções de Ministro do Governo Lula e nem agora no exercício da Presidência da República.

Vamos dar um salto no tempo e chegar aos dias de hoje. Todos acompanharam o que se passou nesses últimos doze anos, onde ela, Dilma, teve um papel central, primeiro no governo Lula e agora como a maior mandatária do país. Esses anos estão agora sendo desvendados, para nossa surpresa, como um filme de horror que se apresenta aos olhos da população. O grau de apodrecimento a que chegaram os governos petistas nesse período é algo que ultrapassa o que poderíamos imaginar. Nem eu, que convivi nas últimas décadas com tudo isso, poderia pensar que um dia veria tamanha podridão.

Não sei se ela sabia de tudo que se passava. Tudo, não, mas de uma parte, certamente, ainda que não fosse o personagem principal desse imenso mar de lama. Beneficiária sim, o foi, como presidente eleita, e agora enfrenta uma crise que talvez o país não tenha passado em toda a sua História.

Não se poderia esperar dela uma atitude muito corajosa, um coração valente, que expusesse de forma crítica e autocrítica o período passado. Afinal ela conheceu e acompanhou tudo aquilo que se passou, ainda que pudesse não saber de tudo que se articulava. Mas poder-se-ia esperar que não tivesse uma atitude tão covarde como a exposta nos últimos dias de acusar o governo FHC como o responsável pelo que estamos assistindo.

Ela disse que “se em 1996 ou 1997 tivessem investigado e, naquele momento, punido, nós não teríamos o caso desse funcionário da Petrobras ( o gerente Pedro Barusco ) que ficou quase 20 anos atuando em esquema de corrupção.” Como se tudo que se constata hoje tivesse algo a ver com um funcionário da empresa que ganhou uma propina naquele período. Como se naquele período, ou mesmo em algum anterior, tivesse sido montada uma operação tão audaciosa e criminosa, articulando os diretores por ela e Lula indicados, empresários fornecedores da Petrobras e dirigentes políticos dos partidos da base governista. Por doze anos, sob as vista dela e de seu mentor.

Falsidade, enganação, escapismo, conivência. Sua ousadia não expressa a coragem, um coração valente. Expressa a covardia, a busca de responsáveis há mais de 12 anos, para diluir as suas responsabilidades mesmo tendo sido ela essa figura proeminente do governo todo esse tempo.

Perdeu todo o respeito.

O título desse post deveria ser atualizado: Dilma Rousseff, alma pequena, caráter covarde. Uma pena. Uma história bonita jogada no maior mar de lama que o Brasil já viu.

O PT no fim da linha

A eleição dos presidentes da Câmara e do Senado põe termo ao processo eleitoral que se deu em 2014. A derrota do PT é retumbante mostrando, como temos dito, que estamos vivendo o fim de uma era.
Renan Calheiros foi eleito presidente do Senado. Sem uma alternativa com possibilidade de vitória, Dilma é refém dessa figura de histórico, no mínimo, complicado.

Renan é originário do PCdo B, foi líder do governo Collor de Melo, rompeu com ele, veio para o PMDB, se elegeu presidente do Senado, renunciou para não ser cassado, se elegeu novamente e agora volta com apoio do governo. O PT e a presidente tiveram que rejeitar o senador Luiz Henrique, também do PMDB, homem de tradição e história na política do país, considerado um parlamentar competente e acima de qualquer suspeita, e apoiar o senador alagoano.

Triste ocaso de um partido outrora “o” arauto da honestidade.

Na Câmara a derrota de Dilma é colossal. O candidato do PT, Arlindo Chinaglia, teve apenas 136 votos, contra 267 de Eduardo Cunha e 100 votos dados ao candidato da oposição. Apesar de ter colocado toda a máquina governamental a serviço de Chinaglia, depois da distribuição dos ministérios e diretorias de empresas, a derrota foi como nunca antes havia acontecido. E Eduardo Cunha tem um histórico que não recomenda qualquer esperança de termos um estadista no comando da Câmara.

O governo desmorona a olhos vistos. Em um difícil período na administração do país, em especial, na área econômica, Dilma terá de se submeter à voracidade de agrupamentos políticos que se denominam “aliados”.

O fim desse período penoso da vida brasileira não vai demorar 4 anos. Não tem como subsistir tanto tempo. Não vislumbro como serão os próximos meses, mas é certo que as tensões vão aumentar sobremaneira e os conflitos vão se aguçar.

O resultado das escolhas dos presidentes não me alenta. Nem mesmo a derrota do governo me enche de júbilo. Não significam um passo adiante, uma expectativa de dias melhores.

Temos de encontrar uma saída, dentro dos limites da ordem constitucional democrática. Para o bem do país.

88 bilhões

Esse é o número, astronômico, que representa a diferença entre o valor dos ativos registados no balanço da Petrobras e o preço real, o valor justo, que seria pago por um terceiro se fosse adquiri-la. Isto é, a Petrobras vale 88 bilhões menos do que está contabilizado em seu ativo. Essa perda real do valor da empresa não foi expressa no seu balanço. O Conselho julgou que seria melhor publicá-lo sem mostrar, claramente, essa perda.

Esse valor a menos da empresa não se deve somente aos já conhecidos assaltos  à empresa em virtude da corrupção de seus diretores, partícipes dos esquemas que envolvem políticos e empresas privadas. A maior parte se refere à incompetência e má gestão dos seus diretores e a ações deliberadas promovidas em função dos compromissos políticos assumidos por Lula e Dilma, no Brasil e no exterior (vide a refinaria de Pernambuco que seria construída com a Venezuela).

A empresa publicou o balanço do terceiro trimestre de 2014 sem incluir qualquer prejuízo e sem a aprovação da auditoria. Como balanço, não vale nada. As agências de avaliação de riscos já reagiram rebaixando a empresa.

A defesa que está sendo feita pelos empreiteiros afirma que quem organizou o esquema de assalto à Petrobras foram os diretores da empresa e os políticos e partidos que eles representavam. Se colocam como tendo sido submetidos a achaques, reféns dos demais sócios na empreitada criminosa.

É claro que a origem do processo de formação da quadrilha estava no desejo dos partidos e políticos governistas de manter o poder, aliás, tarefa realizada com sucesso, como se viu em eleições sucessivas. Eles lideraram e coordenaram a indicação de pessoas de sua confiança para a direção dos diversos setores do aparelho estatal – a Petrobras em especial –  com a finalidade de conseguir os recursos necessários para as suas eleições e – afinal ninguém é de ferro – dedicar um pedaço maior ou menor da propina para os seus objetivos pessoais. Porém, sem a anuência dos empresários, que participaram gostosamente ou não, não se fecharia o circulo caracterizador da quadrilha.  Os doleiros, no caso, eram  operadores, sem maior participação nas decisões do grupo.

O efeito desse episódio sobre a economia brasileira é descomunal. A paralisia é total e o país continua descendo a ladeira.  A construção de duas novas refinarias pela Petrobras, no Ceará e no Maranhão, já foi para o espaço. A do Rio de Janeiro será redimensionada.  E a de Pernambuco que o Lula acertou com o presidente Chávez, da Venezuela, também.  E a repercussão do episódio em todas as atividades é brutal.

Em função do descalabro da política econômica do governo federal e do comprometimento das autoridades federais e dos lideres políticos dos partidos governistas, o crescimento econômico foi zero em 2014 e o mesmo se repetirá em 2015.  Ou perto disso, se não piorar.

Nada de novo e mais profundo acontece e não será o ministro Joaquim Levy que vai conseguir reverter a situação.  Mesmo porque o fato concreto é que a presidente Dilma não reconhece a gravidade da situação e continua como se na campanha eleitoral ainda estivesse, ainda que seus ministros da área econômica tentem caminhar em outra direção.  Não vai dar certo.

As reais possibilidades de Dilma conseguir administrar o país e voltar a ter o respeito da nação são mínimas.  O que nos leva a enfrentar uma grave questão política: como o país poderá suportar, por mais 4 anos, um governo tão abatido e desmoralizado?

Impeachment é golpe?

A possibilidade que levantei do impeachment da presidente Dilma como uma transição democrática diante do descalabro da administração federal, que vem se desdobrando de forma dramática nas ações de governo e nas apurações da operação Lava Jato, tem indignado parte do eleitorado petista como sendo uma tentativa de golpe.
Muitos desses indignados, mais jovens, não viveram o processo de impeachment do ex presidente Collor de Mello, que se deu em 1992. Mas muitos deles, menos jovens, não só viveram o episódio como participaram das manifestações que deram suporte popular à decisão do Congresso Nacional que votou pelo impedimento do presidente.
Não se perpetrou, então, nenhum golpe. Usou-se do texto constitucional e da legislação em vigor para, democraticamente, retirar do poder um presidente que não correspondia às necessidades da Nação. Com o apoio da maioria dos partidos, à frente o PMDB, o PT e o PSDB.
Se houver motivos para denunciá-la – a presidente – como tendo cometido crime de responsabilidade e se o quadro político e econômico continuar a se deteriorar, pode ser a saída democrática necessária. Talvez a única.
Não é o nosso desejo. O nosso desejo é continuar a luta pela mudança da direção do País, na forma dos pleitos eleitorais que a lei determina. Melhor seria esse governo mostrar a sua capacidade e a possibilidade de gerenciar a administração pública e superar as acusações de corrupção que se espraiam por ela, para que o País retome o desenvolvimento da economia e avance na construção de uma sociedade mais justa.
Mas não vejo em Dilma e nos seus compromissos partidários a possibilidade de isso acontecer.
O que importa não é a figura da presidente, nem do seu partido e de suas alianças. Nem os interesses da oposição. O que importa é o País, o Brasil, os 200 milhões de brasileiros que devem ser sempre o objetivo de nossa ação política.
Se para o País o impeachment é a saída para abrir perspectivas melhores para todos temos a obrigação de usá-lo como o instrumento legal apropriado.

Um governo que se apaga. E a oposição, o que fazer?

O que vai sobrar do governo Dilma? O que vai sobrar da presidente?
Cada dia que passa, nesse primeiro ano do governo da reeleição, o quadro se desenha mais grave.
Esta semana, então, que só está começando, parece o fim do mundo. Chegou o apagão. Sim aquele mesmo que nunca viria, promessa de Dilma. Ah, sim, existem razões objetivas para isso, o calor e a seca não são de rua responsabilidade. Mas é de sua responsabilidade a desestruturação total do setor elétrico, promovida para que se pudesse apresentar, antes das eleições, um tarifa de energia elétrica mais baixa. O setor entrou em crise, até hoje tem mundos de dinheiro a receber, do governo e, em consequência, dos usuários, o que o levou a apertar custos de manutenção e a adiar investimentos. Está em stress permanente. Apesar da nossa indústria estar andando para trás, ainda assim o Operador Nacional do Sistema elétrico pediu aos grandes consumidores que diminuíssem a demanda. Se tivéssemos algum crescimento econômico o apagão seria muito mais geral e profundo.
Mas o governo está sob um apagão permanente. E não será a equipe de resgate ( Joaquim Levy e companhia ) que vai tirá-la da UTI. Vão usando todos os remédios que Dilma disse que não usaria, contra os pensionistas, contra os desempregados, contra as conquistas trabalhistas. Vão aumentar impostos, a Cide, o Pis/Cofins, o IOF, aumentar tarifas de serviços públicos, aumentar a taxa básica dos juros. Tudo isso é paliativo para chegar aos míseros 1,2% do PIB de superávit nas contas públicas ( apenas 66 bilhões para pagar uma dívida que cresce 240 bilhões em um ano ). Os investimentos continuam baixos, a inflação alta, os juros altos, a criação de postos de emprego baixa, o comércio e o consumo em baixa, a credibilidade e o crescimento empatados em zero.
Não é só. As investigações em diversas áreas do governo, em especial na Petrobras, mostram uma total deterioração do governo e dos partidos que o sustentam. Diretores são presos e processados, e se acusam uns aos outros. Até o ex diretor,Nestor Cerveró, que tinha dado uma de fortaleza, já perguntou porque ele está preso e a Graça Foster não. O Sergio Gabrielli que era o presidente da empresa, acusado por diretores, diz que não sabia de nada (?), e já está apontando para a ex presidente do Conselho, a Dilma Rousseff.
É um Deus nos acuda, um salve-se quem puder.
E o que sobra de Dilma e de seu governo? Como vai resistir quatro anos em um quadro de superação difícil, se não impossível. Como e quando será possível uma transição democrática, supondo que a situação não possa ser mantida pelos 4 anos desse mandato.
Essa é a questão posta para a oposição e para as forças democráticas do País. É a nossa tarefa.

Mais alguns ministros de Dilma.

Gilberto Occhi é o Ministro de Integração Nacional. Até agora estava no Ministério das Cidades, então feudo do PP, agora feudo do PSD de Gilberto Kassab.

Representa o PP que é um dos partidos mais comprometidos com o assalto à Petrobras e, segundo se sabe até o momento, deve ser um dos mais atingidos pela revelação dos nomes dos parlamentares que se envolveram no recebimento de dinheiro, conforme a operação Lava Jato.

O PP esperneou com a mudança mas afinal esse ministério também tem muitas verbas.

Pouco se sabe sobre o tal ministro. Era, antes do ministério das Cidades, no qual ficou 9 meses, antes era um funcionário da CEF. Na primeira entrevista dada ao Estadão, já começou mal, cobrando do governo de São Paulo planos de intervenção para a Defesa Civil, referindo-se às cheias e à seca, como se aqui, em nosso Estado, não houvesse um governo responsável e como se o governo federal tivesse, em algum momento, atuado para nos auxiliar. Na entrevista ele se refere à questão hídrica no Estado, como se o problema se restringisse a São Paulo e como se o governo federal tivesse atuado para enfrentar os problemas climáticos – seca e enchentes – em todo território nacional.

Sem qualquer escrúpulo, como já é rotina nas ações federais, disse que teve a oportunidade de assinar, com a presidente Dilma, um investimento de 2,5 bilhões para a obra de captação de água do São Lourenço, que trará água do sul do Estado para atender à região metropolitana de São Paulo. Pura malandragem. Não há investimento federal para São Paulo . O que foi assinado foi um financiamento, um empréstimo, não um investimento, da CEF à empresa privada vencedora da licitação de uma parceria público privada para a execução das obras.

Não há um tostão de recursos do orçamento federal para o governo de São Paulo na área de saneamento básico.

Por aí se pode avaliar a qualidade desse ministro. Mais um no rol dos malandros.

George Hilton é o Ministro do Esporte. O que se sabe do cidadão é que foi processado pela CEF por uma dívida de 30 mil reais no cartão de crédito e que tem uma ação de execução tributária aberta pela Fazendo Nacional. Porém ele não é ele. Ele é o representante da Igreja Universal do Reino de Deus. Foi deputado federal pelo PRB e não conseguiu a reeleição. Em 2005 foi expulso do PFL após ser detido no aeroporto de Belo Horizonte transportando caixas de dinheiro em espécie, alegando que eram doações feitas por fiéis da Universal. Um lídimo representante do bispo Edir Macedo.

Quanto ao seu conhecimento da área que vai comandar já declarou não entender, “profundamente”, de esporte. Do que será que entende?

A inexpressiva representação do PMDB no ministério de Dilma. O triste fim de um partido outrora glorioso.

Edinho Araújo é o Ministro da Secretaria de Portos. É um antigo militante do MDB, foi prefeito de Santa Fé do Sul, deputado estadual e deputado federal e era muito respeitado. Saiu do partido mas voltou para ele e foi eleito prefeito de Santa São José do Rio Preto em dois períodos. No governo Serra no Estado de São Paulo foi presidente da CODASP, Companhia de Desenvolvimento Agrícola do Estado. Agora, cooptado pelo vice presidente Michel Temer, e totalmente alheio às questões portuárias, será um instrumento das operações do vice presidente nos portos brasileiros, em particular, no porto de Santos.
Eliseu Padilha é o Ministro da Secretaria de Aviação Civil. Foi deputado federal e Ministro dos Transportes no governo de Fernando Henrique Cardoso. Também instrumento das operações do vice, Michel Temer, passa a comandar uma área com a qual não tem qualquer afinidade.
Helder Barbalho é o Ministro da Pesca e Aquicultura. É filho do senador Jader Barbalho, foi prefeito no Pará e foi derrotado nas últimas eleições para governador. Fora as relações familiares não se tem conhecimento de suas qualidades nem de maiores afinidades com a área que vai comandar.
Eduardo Braga é o Ministro de Minas e Energia. Foi govenador do Amazonas, é Senador e foi líder de Dilma no Senado. Comanda uma área estratégica ( petróleo e energia em geral ), sem nunca ter estado afinado com os seus problemas. Um risco enorme para o país.
Kátia Abreu é o Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Foi deputado federal do PFL e é senador, além de presidente da CNA ( Confederação Nacional da Agricultura ). Tornou-se amiga de Dilma apesar das suas convicções conservadoras e representa uma parcela dos produtores do campo que se aliou à ela nesse último processo eleitoral.
Vinicius Nobre Lages é o Ministro do Turismo. O pouco que se sabe é que é engenheiro agrônomo e indicação do presidente do Senado, Renan Calheiros.
O PMDB já foi o maior e mais importante partido brasileiro. Hoje se reduz a ser o campo de atuação de alguns líderes que comandam as máquinas partidárias nacional e estaduais em benefício próprio. Para o que já foi, celeiro de grandes lideranças políticas, um triste fim para um partido outrora glorioso.

Dilma, suas fantasias e seus fantasmas. Até inimigos externos enxerga.

Os autos elogios e a falta de autocrítica no discurso de posse de Dilma para o novo mandato já eram esperados. Assim foi a afirmação de que com o trabalho de Lula, continuado por ela, tivemos a primeira geração de brasileiros que não vivenciou a tragédia da fome, a ascensão dos brasileiros à classe média, a conquista de empregos com carteira assinada, a valorização do salário mínimo, o acesso à casa própria, ao ensino técnico, às universidades, o longo período sem crises institucionais, o respeito às instituições, a apuração e punição à corrupção, a conquista dos direitos básicos a qualquer cidadão, o direito de trabalhar, alimentar e educar a família.

Esse fora o diferencial dos seus governos, tudo começa com eles, e por isso o povo concluiu que eles poderiam fazer muito mais e melhor. Esse é o limite da capacidade de avaliação de Dilma Rousseff.

Sem nenhum pejo ela reafirma sua convicção sobre o valor da estabilidade econômica, o controle da inflação, o imperativo da disciplina fiscal e a necessidade de merecer a confiança dos trabalhadores e dos empresários, ainda que tenha feito, conscientemente, o contrário.

Nenhuma palavra sobre o baixo crescimento econômico, o definhamento da indústria nacional, a inflação sempre acima da meta objetivada, o baixo investimento que impede o crescimento, a baixa produtividade da economia, o temor da participação privada na economia, o descontrole das contas públicas, as relações de troca com o exterior com resultados negativos, a baixa criação de novos empregos, o desalento dos investidores nacionais e estrangeiros, a intervenção crescente nas atividades privadas, a contenção artificial das tarifas públicas, a carência de mão de obra especializada, a baixa realização dos investimentos públicos, transformando a logística de transportes em um entrave ao crescimento, a saúde com uma das piores avalições da história, os índices de criminalidade que teimam em se manter ou crescer, o desrespeito e a intervenção nas agências reguladoras tomadas de assalto, assim como as demais instituições públicas, pelo partido da presidente e por seus aliados.

Ela descobriu, agora, após 12 anos de poder, que “só a educação liberta um povo e lhe abre as portas de um futuro próspero” e assim lança o lema “Brasil, pátria educadora”. Um slogan apenas, fluido como tudo que tem feito. E vem com a conversa de que mais recursos serão destinados à Educação e a panaceia são os royalties do petróleo. Mais uma enganação, pois esses recursos não são tão expressivos e não tem prazo para se realizarem.

Outra descoberta retumbante: “a corrupção deve ser extirpada”. E isso ela o fará com a continuidade da autonomia da Polícia Federal e a independência do Ministério Público como se isso já não fosse assegurado pela Constituição. E diz que vai acentuar essa luta pela apresentação de um “pacote” de medidas que enviará ao Congresso Nacional.

Mas o ápice falta de pudor e irresponsabilidade no exercício do papel de presidente é a seguinte declaração no texto do pronunciamento: “Temos muitos motivos para preservar e defender a Petrobrás de predadores internos e de seus inimigos externos”.

Ora, os predadores internos são os dirigentes que eles mesmos, Lula e Dilma, colocaram na empresa para dela sugar recursos com a finalidade de manter o poder e garantir a sua continuidade. E os seus inimigos externos são quem? Serão os governos árabes que jogaram o preço do petróleo para baixo para inviabilizar a exploração em vários países ( pre sal em águas profundas no Brasil, xisto betuminoso nos EUA, outras alternativas energéticas )? Ou será o governo Obama que através das empresas petrolíferas quer engolir a Petrobrás ( vai ver que Pasadena faz parte do complô ). Ou as demais multinacionais assustadas com a “eficiência” da Petrobrás desejam destruí-la? Ou os franceses, os ingleses, os italianos? Ou serão os norte coreanos (eu não confio naquele ditadorzinho baixinho e gordinho)?

Afinal a senhora presidente deve dizer quem são os inimigos externos da Petrobras.

Não será um discurso que vai salvá-la. Copiando Nelson Rodrigues, bonitinho, mas ordinário. Hoje eu a assisti, na posse, encurralada por Michel Temer, Renan Calheiros e Henrique Eduardo Alves. Com esse time não vai a lugar algum.

Um ministro dos transportes sem qualquer afinidade com a área

Antonio Carlos Rodrigues é o novo ministro dos Transportes. Transportes sem portos e sem aeroportos. Para Dilma ( e Lula ) portos e aeroportos não são transportes, o que, no mínimo agride o senso comum, já que portos e aeroportos, sem a articulação com rodovias, ferrovias e hidrovias, não podem existir. Mas os governantes petistas precisam de mais ministérios para ter mais moeda de troca.

Esse ministério é o reino podre do PR, o pomposo nome do Partido da República, cujo líder e pensador mais famoso é o mensaleiro Valdemar da Costa Neto. Nesse ministério nada acontece sem que a máfia do PR tenha o seu quinhão. Como Dilma é refém de deputados e senadores, ela se submete a eles, ainda que seja contra a vontade, pois pretendia manter o seu protegido atual, Paulo Sergio Passos.

Antonio Carlos Rodrigues é advogado, foi vereador na capital paulista e é suplente de Marta Suplicy que precisou do tempo de TV do PR para a sua eleição. Sua especialidade é a articulação política, de transportes – uma das principais deficiências da infra estrutura logística brasileira – sabe muito pouco. Para Dilma pouco importa. O que importa é o apoio no Congresso para espantar o fantasma de um impeachment que a assombra todo dia.

Quem vai ditar as regras são os mesmos de sempre. Se estourar alguma bomba, Dilma fará como já fez. Aceita a demissão do ministro e o põe na conta da faxina, como já fez em ocasiões anteriores, e ainda vai posar de heroína de moral ilibada.

Ricardo Berzoini vai tentar emplacar a chamada “democratização dos meios de comunicação”

Ricardo Berzoini é um dos homens de confiança de Lula. Foi seu ministro da Previdência Social e do Trabalho. Hoje é Ministro de Relações Institucionais e foi agora indicado para ser o Ministro das Comunicações, assumindo, não se sabe ainda ao certo, a Secretaria de Comunicações Institucionais, responsável pela publicidade governamental.

Foi também Presidente do PT no período das eleições em 2006, tendo perdido o cargo pelo possível envolvimento no dossiê Vedoin, quando o PT, através de pessoas da confiança do partido e do então candidato a governador de São Paulo, Aloysio Mercadante, tentou envolver José Serra, candidato a governador do PSDB, na chamada máfia dos sangue sugas. A operação fracassada pela prisão, pela Polícia Federal, em um hotel da capital paulista, dos assessores carregando malas de dinheiro, levou Lula a chamar os fracassados petistas de “aloprados” e o dossiê fajuto passou a se chamar “dossiê dos aloprados”.

Berzoini foi também presidente do sindicato dos bancários de São Paulo e um dos fundadores da Cooperativa dos Bancários ( Bancoop ) que vem sendo investigada pelo Ministério Público desde 2007 por acusações de lavagem de dinheiro, superfaturamento e desvio de recursos. O seu presidente por muitos anos, João Vaccari Neto, ora o secretário de finanças do partido e envolvido na operação “lava jato”, enfrenta um processo movido pelo Ministério Público representando milhares de cooperados que foram lesados, isto é, contribuíram para obter a sua moradia e ficaram a ver navios.

Ironicamente um dos lesados havia sido Luís Inácio Lula da Silva que adquiriu um tríplex em um edifício na praia das Astúrias, no Guarujá. Digo havia sido lesado porque a sua situação foi resolvida, ao contrário de outros milhares de cooperados. Ele já recebeu o seu imóvel.

Segundo os próprios blogs petistas, a indicação de Berzoini para o cargo mostra a importância que Dilma está dando à bandeira do partido de “democratização dos meios de comunicação”, tese que foi matéria durante a última campanha eleitoral, ainda que, em nenhum momento, tenha ficado claro o significado dessa democratização. Para os próprios meios de comunicação e para setores da oposição, na falta de uma explicação melhor, ela representa a tentativa de impedir que as críticas aos governos petistas sejam divulgadas. Conhecendo o “espírito democrático” do PT, é compreensível.